Pulpit

Tempos Trabalhosos

David O. McKay

Conferência Geral de Abril de 1966·Reunião Geral do Sacerdócio·1966-04-09

Lido por seu filho, Robert R. McKay

É uma alegria e um grande privilégio reunir-me com esta vasta assembleia de membros do sacerdócio, reunidos neste histórico Tabernáculo, no Salão de Assembleias e em mais de quatrocentos outros edifícios em todos os Estados Unidos e no Canadá. Estendo minhas afetuosas saudações e bênçãos a cada um de vós.

"Conjuro-te . . .", escreveu Paulo a Timóteo, "diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo . . . ;

"Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina." (2 Timóteo 4:1-2.)

Na mesma epístola ele declarou profeticamente: ". . . que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.

"Porque haverá homens amantes de si mesmos, . . .

". . . mais amantes dos deleites do que amantes de Deus;

"Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. . . ." (2 Timóteo 3:1-2, 4-5.)

Tempos trabalhosos

É no espírito da exortação e da profecia de Paulo que chamo a atenção para a crescente onda de criminalidade que está varrendo o país. Poucos contestarão que vivemos em tempos trabalhosos e que muitas pessoas perderam suas âncoras e estão sendo "levadas em roda por todo vento de doutrina, pelo engodo dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente." (Efésios 4:14.)

Custo da criminalidade

A criminalidade está custando a esta nação vinte e sete bilhões de dólares por ano, além de um tributo anual de morte, ferimentos, sofrimento e angústia para milhares de norte-americanos.

Há pouco tempo, o Dr. Norman Vincent Peale, referindo-se ao declínio dos padrões morais, disse: "A maioria das mudanças sociais radicais ocorre lentamente. Mas não desta vez. É quase como se os poderes demoníacos ligados ao sexo — e não se enganem, o sexo tem seu lado demoníaco — tivessem sido liberados numa explosão súbita que destruiu as restrições e tradições de séculos. A centelha que desencadeou essa explosão é um conceito distorcido de liberdade, uma 'nova liberdade' que, com demasiada frequência, deixa seus adeptos acorrentados." E então o Dr. Peale cita um relatório da Newsweek que afirma: "Sem dúvida, a chave da nova moralidade é a crença generalizada de que um rapaz e uma moça que estabeleceram o que a faculdade chama de um relacionamento significativo têm o direito moral de dormir juntos."

Quem é prejudicado?

Os jovens querem saber que diferença faz, se ninguém está sendo prejudicado, mas o Dr. Peale responde: "Isso soa bem na teoria, mas multiplique essa atitude por milhões de experiências ávidas e o que se obtém? Obtêm-se estatísticas como estas: 'Entre os anos de 1940 e 1957 a taxa de ilegitimidade aumentou: 112 por cento na faixa etária de 15 a 19 anos; 300 por cento na faixa de 20 a 24 anos; 462 por cento na faixa de 25 a 29 anos; 478 por cento na faixa de 30 a 34 anos; 456 por cento na faixa de 35 a 39 anos; e 196 por cento na faixa de 40 a 44 anos.

"'As doenças venéreas entre os adolescentes aumentaram 130 por cento entre os anos de 1956 e 1961. A taxa de ilegitimidade triplicou desde 1953. Até 1970, dez milhões de norte-americanos terão nascido fora do casamento. Quarenta por cento das mães solteiras têm entre 15 e 19 anos de idade.'

"'Ninguém está sendo prejudicado?' continua o Dr. Peale. 'Que riso! Que riso vazio, trágico e macabro! E o dano não se limita aos indivíduos; ele prejudica e degrada nossa nação perante o mundo inteiro. Desde o início da história registrada, os homens sabem que o impulso sexual precisa ser controlado para que a civilização substitua a anarquia. O Dr. J. D. Unwin, historiador da Universidade de Cambridge, fez um estudo de oitenta civilizações ao longo de um período de quatro mil anos e concluiu que uma sociedade ou escolhe a promiscuidade sexual e o declínio, ou a disciplina sexual e a energia criativa. Escreve o Dr. Unwin: Qualquer sociedade humana é livre para escolher entre manifestar grande energia ou desfrutar de liberdade sexual; a evidência é que ela não pode fazer as duas coisas por mais de uma geração.'" (Trecho de Sin, Sex and Self-Control, do Dr. Norman Vincent Peale, pp. 49, 53-56.)

Negligência das famílias

Uma causa importante do aumento da delinquência, especialmente entre nossa juventude, é o enfraquecimento dos ideais do lar. Um desejo crescente de independência econômica, ou uma disposição excessivamente ávida de melhorar as circunstâncias financeiras, tem levado um grande número de mães a negligenciar a maior de todas as responsabilidades — a criação de uma família.

J. Edgar Hoover, diretor nacional do Federal Bureau of Investigation, afirma categoricamente que "por trás desses jovens infratores está a história de uma negligência chocante. Meninos e meninas estão sendo privados dos cuidados e da orientação necessários para a formação adequada de seu caráter. Sua transgressão da lei teve, em todos os casos, raízes em lares desfeitos, em lares onde mães e pais, por negligência, incompreensão ou irresponsabilidade, falharam em sua obrigação primordial. Na maioria das vezes, Deus era desconhecido ou, mais importante ainda, era indesejado naqueles lares. Por outro lado, em quase todos os casos, o jovem infrator teria sido um cidadão forte e íntegro se lhe tivesse sido dada uma oportunidade."

Manter os lares íntegros

A inspiração de Deus se manifesta ao exigir que os Santos dos Últimos Dias mantenham seus lares íntegros e ensinem a seus filhos os princípios do evangelho de Jesus Cristo. "E também ensinarão seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor." Este mandamento do Senhor, dado a nós em Doutrina e Convênios, seção 68, versículo 28, não deixa dúvida quanto à responsabilidade dos pais de ensinar seus filhos — responsabilidade frequentemente transferida para os ombros da Igreja, das escolas públicas e dos agentes da lei.

Usar a noite familiar

Creio que os pais na Igreja, de modo geral, estão ensinando o evangelho a seus filhos; contudo, estou convencido de que ainda há muita oportunidade de melhoria a esse respeito, especialmente à luz das condições atuais. Sinto-me grato e satisfeito por tantos estarem respondendo ao nosso programa de noite familiar, no qual os pais reúnem seus filhos ao seu redor e os instruem na verdade e na retidão, e no amor e na lealdade familiar. Um grande número de famílias tem testificado das ricas bênçãos que têm recebido dessas noites familiares.

Lealdade inabalável a Deus

Se me perguntassem onde recebi pela primeira vez minha fé inabalável na existência de Deus, eu responderia: no lar de minha infância — quando Pai e Mãe reuniam invariavelmente seus filhos ao seu redor, de manhã e à noite, e invocavam a bênção de Deus sobre o lar e sobre a humanidade. Havia uma sinceridade na voz daquele bom patriarca que deixou uma impressão indelével na alma de seus filhos, e as orações de Mamãe eram igualmente impressionantes. Peço esta noite que todo pai na Igreja se empenhe em, com toda sinceridade, imprimir em seus filhos a realidade da existência de Deus e a realidade de que Deus guiará e protegerá seus filhos. Vós carregais essa responsabilidade. O lar é uma das unidades — a unidade fundamental — da sociedade. Antes de ouvir meu pai testificar que ouvira uma voz divina, eu já sabia que ele vivia próximo de seu Criador. Sei também, por uma proximidade com esse mesmo Pai Eterno desde então, que meu pai disse a verdade quando relatou que, estando em sua missão na Escócia, em resposta a uma oração fervorosa, recebeu a seguinte admoestação dada em voz audível: "Testifica que Joseph Smith é profeta do Deus vivo." Assim é a realidade do verdadeiro conceito que o Santo dos Últimos Dias tem de Deus, o Pai.

Advertência contra os males

Desde a organização da Igreja, seus líderes têm levantado a voz advertindo que a infidelidade e a imoralidade sexual são dois males principais que ameaçam enfraquecer e destruir a civilização atual. Infelizmente, as tendências da vida moderna estão desintegrando o próprio alicerce do lar cristão. O relaxamento sexual, a intemperança e a criminalidade são seus inimigos insidiosos e cruéis.

Um único padrão de moralidade

Na Igreja existe apenas um padrão de moralidade. Nenhum rapaz tem mais direito de espairecer livremente na juventude do que uma jovem; ela é ensinada de que, logo abaixo do crime de tirar uma vida humana, está o de perder sua virtude, e esse deveria ser também o ideal entre os rapazes.

Sei por experiência que o mundo não acredita em nós quando dizemos que esse ideal é seguido na Igreja, mas sabemos em nosso coração que é verdade. Espera-se que o rapaz que procura seu bispo pedindo uma recomendação para levar uma jovem pura ao altar ofereça a mesma pureza que espera receber.

Paz na vida reta

Ninguém pode transgredir as leis da castidade e encontrar paz. Essa é a mensagem que devemos transmitir, como pais e membros do sacerdócio, aos jovens e às jovens, e a todos os demais em toda a Igreja. Não importa qual seja a oportunidade, não importa qual seja a tentação, que o jovem saiba que, para encontrar felicidade, deve preservar sagrada sua verdadeira masculinidade. Que ele saiba que viverá, e viverá plenamente, ao recusar-se a ceder às tentações. Então ele será feliz. Há paz, em vez de turbulência, em sua alma.

Um casamento feliz começa quando um jovem casal se ajoelha ao altar, cada um dando ao outro o que cada um exige, e cada um convenanciando ser fiel ao outro.

O matrimônio é de origem divina

Para a solução adequada do grande problema do casamento, podemos voltar-nos com segurança para Jesus como nosso guia. Ele declarou que a relação matrimonial é de origem divina e que o casamento é ordenado por Deus, devendo ser desfeito somente em circunstâncias das mais excepcionais. Nos ensinamentos da Igreja de Cristo, a família assume importância suprema no desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. "Felizes, e três vezes felizes, são aqueles que desfrutam de uma união ininterrupta, e cujo amor, não quebrado por queixas, não se dissolverá até o último dia." Ele não se dissolverá quando um casal digno for selado pela autoridade do Santo Sacerdócio por toda a eternidade. A cerimônia de casamento, quando assim selada, produz felicidade e alegria insuperáveis por qualquer outra experiência no mundo.

A nenhum outro grupo de homens em todo o mundo é dada melhor oportunidade de instruir e inspirar nossos jovens e nossas jovens a se manterem imaculados dos pecados do mundo. Os membros da Igreja, e especialmente os do sacerdócio, têm a oportunidade de se dedicar ao mais nobre chamado da vida — estabelecer a salvação e a paz na medida em que seus esforços individuais, seus talentos e seus recursos são consagrados, e suas vidas são dedicadas a tornar o mundo um lugar melhor e mais adequado para o homem.

Grande valor das almas

Ao Profeta Joseph Smith foi dada a mensagem divina: "Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus. . . ." (D&C 18:10.) Essa é a filosofia expressa pelo Redentor na afirmação aparentemente paradoxal: ". . . quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á." (Mateus 10:39.) O significado disso torna-se claro à luz de outra passagem que diz: "Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.)

Apenas conviver com homens que se esforçam rumo a esse objetivo já é uma alegria, e ajudá-los em sua busca é uma inspiração. Se sois verdadeiros seguidores do Salvador, estareis vos esforçando para servir a vosso próximo com amor.

Fidelidade inabalável a Deus

Aos milhares reunidos neste histórico Tabernáculo, no Salão de Assembleias, e aos milhares que nos ouvem por transmissão direta, oro com ardor de coração para que Deus vos mantenha afastados dos planos vis e maquinadores daquele que entroniza a paixão, que menospreza o autodomínio, que renuncia à sacralidade da família e que, nas palavras do próprio comunista Marx, "destronaria Deus".

Oficiais, líderes, homens do sacerdócio, sois escolhidos de Deus. Ide adiante irradiando o testemunho de que esta é a obra de Deus. Senti-o em vós mesmos, e então os homens e as mulheres em vossas alas e estacas o sentirão; os jovens, especialmente, o sentirão, pois vós irradiais não apenas o que dizeis, mas o que sois e o que fazeis.

Que Deus nos guie, nos ajude e nos inspire nesta grande obra, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “Tempos Trabalhosos”, Conferência Geral de Abril de 1966, Reunião Geral do Sacerdócio (1966-04-09). Pulpit Vault, 1966-04-mckay-it-is-a-joy-and-a-great-privilege. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).