Pulpit

Time Cannot Change Fundamentals

Joseph F. Merrill

1937 April General Conference·First Day Afternoon Session·1937-04-04

Estamos vivendo num mundo que se transforma rapidamente. O velho está cedendo lugar ao novo. Temos novos pensamentos e sentimentos, novas maneiras de fazer e de viver. As mudanças são tão rápidas que muitos de nós estamos mais ou menos atordoados e em perigo de sermos arrastados. Há, em certo sentido, uma confusão de línguas — certamente uma confusão de planos, ensinamentos, remédios, panaceias e coisas do gênero. Algumas pessoas estão começando a perder sua âncora e derivam para mares tempestuosos sem carta ou leme. Ao falar assim, tenho em mente tendências da época, exibidas por muitas pessoas. Até que ponto nosso povo é afetado por essas coisas, não sei. Gostaria de crer que todos nós apreciamos profundamente nossa herança de verdade e permanecemos firmes nos princípios e doutrinas fundamentais que têm caracterizado nossa Igreja desde o princípio.

O TEMPO NÃO PODE MUDAR OS FUNDAMENTOS

Há catorze meses, fui indagado por uma senhora muito inteligente em Londres sobre quais são as doutrinas características do mormonismo. Recitei algumas das Regras de Fé. Sua resposta foi que a maioria delas não poderia ser característica, pois ela conhecia não mórmons que criam em muitas, senão em todas essas Regras, embora, admitiu, pudesse haver algumas diferenças de detalhe. Respondi que certamente temos algumas crenças características principais. Quais são elas, perguntais? Constituem as características centrais de nossa mensagem ao mundo. E, por mais rápidas que sejam as mudanças da época, nesta ou em futuras gerações, essas características principais permanecerão sempre como fundamentos de nossa fé religiosa. O tempo não pode mudá-las nem apagá-las. Quais são algumas delas?

A PRIMEIRA VISÃO, UMA REALIDADE

A primeira que citarei é a crença na divindade do chamado de Joseph Smith para estabelecer a Igreja autorizada de Cristo nesta dispensação. Cremos na realidade de sua primeira grande visão, na qual ele viu o Pai e o Filho, ouviu suas vozes e recebeu mensagens deles. Nessa visão miraculosa, ele soube que esses dois Seres celestiais são personalidades separadas e distintas, à cuja forma o homem é feito, confirmando assim o ensinamento de Gênesis de que Deus criou o homem à sua própria imagem.

Desde aquele momento, as ideias de Joseph a respeito das pessoas do Pai e do Filho eram corretas e definidas, e ele as ensinou com certeza convincente, restaurando assim ao mundo preciosas verdades há muito perdidas. Suas pessoas são limitadas, em forma, aos corpos que ocupam, e não se difundem como uma essência ou entidades sem forma por toda a imensidão do espaço. São Personagens reais, vivos e glorificados. De fato, haviam respondido à sua oração sincera, embora simples. Ele sabia que viviam, pois os havia tanto visto quanto ouvido. Esse conhecimento definido da personalidade de Deus havia sido perdido para o mundo, e com ele uma base sólida sobre a qual a fé poderia ser edificada.

SERES RESSUSCITADOS APARECEM

Mas outro conhecimento extremamente importante foi mais tarde dado ao Profeta. O Anjo Morôni lhe apareceu. Quem era Morôni? Um personagem tangível e ressuscitado, que havia vivido no continente americano cerca de mil e quatrocentos anos antes. Morôni pôde ser ressuscitado porque Cristo já havia sido ressuscitado, rompendo os laços da morte e alcançando assim uma vitória sobre a sepultura, não somente para si, mas para toda a família humana. A realidade de uma ressurreição corporal é um fato que se tornou conhecido do jovem Profeta.

Esse conhecimento tornou-se duplamente certo quando o ressuscitado João Batista apareceu a Joseph Smith e Oliver Cowdery, em 15 de maio de 1829, e os ordenou ao Sacerdócio Aarônico. Assim, ambos os jovens souberam que seres tangíveis e ressuscitados vivem nos céus.

O Batista veio como mensageiro de Deus, em resposta a uma oração fervorosa. O conhecimento se obtém por vários meios, um dos quais é o exercício da fé, resultando em revelação divina. Assim, o Profeta Joseph tornou-se mais sábio do que todos os teólogos eruditos de sua época, obtendo abundante conhecimento absoluto de Deus por meio das visitações de vários personagens celestiais, incluindo o Pai e o Filho, e também por meio de numerosas revelações. Seu conhecimento era pura verdade, pois foi ensinado do alto. Seus ensinamentos eram, portanto, livres de noções falsas.

AUTORIDADE RESTAURADA

Sobre ele e sobre Oliver foi conferido o santo Sacerdócio, pela imposição das mãos de personagens qualificados, enviados do trono de Deus. Assim, a autoridade para agir por Cristo e em seu nome foi novamente restaurada à terra, e o Profeta foi comissionado a estabelecer a própria Igreja de Cristo. Ele se dedicou energicamente a essa obra. Ora, embora tenha havido, antes da época de Joseph, professores e reformadores sem dúvida mais ou menos inspirados, vislumbrando verdades do evangelho, nenhum deles havia recebido o Sacerdócio. Assim, embora seu trabalho e seus sacrifícios tenham sido necessários para estabelecer tolerância religiosa suficiente para a vinda do Profeta, nenhum deles pôde organizar a Igreja de Cristo, por falta de autoridade. Este é um ponto vital, e um em que não podemos transigir.

Estamos dispostos a abençoar qualquer homem ou organização não mórmon pelo bem que possam fazer. Mas isso não deve implicar que estejamos dispostos a admitir que aquilo que é feito por quaisquer outros, por maior que seja o bem, é realizado na autoridade do Sacerdócio. Na verdade, sustentamos o contrário. O Sacerdócio é uma característica da Igreja de Cristo, e de nenhuma outra.

O LIVRO DE MÓRMON, UMA EVIDÊNCIA FÍSICA

Outra característica notável de nossa Fé é a crença na autenticidade divina do Livro de Mórmon. Já disse muitas vezes que este livro é talvez a melhor evidência física que podemos oferecer ao mundo da divindade do chamado do Profeta. Para nós, este volume sagrado é o

livro mais notável impresso hoje em dia. Veio à luz por meio da manifestação miraculosa do poder de Deus. Nenhum outro livro na língua inglesa faz essa reivindicação. E, embora o Livro de Mórmon tenha sido ridicularizado e várias hipóteses tenham sido propostas para explicá-lo, nenhuma delas resistiu ao teste da investigação, tendo sido, portanto, descartada. A verdade é que o Livro talvez esteja hoje mais inquestionável do que jamais esteve. Além disso, incontáveis milhares que leram o Livro da maneira sugerida no décimo capítulo de Morôni testificaram solenemente que sabem que o Livro é de origem divina. Deus lhes revelou essa verdade. Não havia outra maneira de obterem um testemunho de sua divindade.

A FÉ, UM DOM

A veracidade deste Livro sagrado é outro fato que não admite transigência. No entanto, não contendemos com os dúvidos honestos que não creem na divindade deste Livro. Mas lamentamos sua incredulidade, reconhecendo que a fé é um dom de Deus, negado a todo aquele que não cumpre as condições necessárias para tê-la. O Profeta Joseph nos diz, na seção 130 da Doutrina e Convênios: "Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam — e quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia." Isto declara uma grande lei que se aplica não somente ao mundo espiritual, mas também ao mundo material. Não deveríamos ser muito gratos a nosso Pai por nos ter dado fé para crer? Não com jactância, mas com muita humildade e profunda gratidão, aceitamos o dom da fé como um favor especial do Deus a quem adoramos.

O EVANGELHO ENSINA A SALVAÇÃO UNIVERSAL

Outra característica muito importante e altamente distintiva do mormonismo é a doutrina da universalidade do plano de salvação — do poder salvador e redentor de Jesus Cristo. O fato de que a doutrina da salvação para os mortos é parte do mormonismo é uma prova poderosa de que Joseph Smith foi chamado por Deus e comissionado a restaurar à terra o Evangelho de Jesus Cristo em sua clareza e plenitude. Entre todos os eruditos e mestres de religião desta e de gerações passadas, onde se pode encontrar, fora desta Igreja, alguém que tenha compreendido ou compreenda o significado da pergunta do Apóstolo Paulo: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam?"? Ou da declaração de Pedro: "Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito"?

Durante o inverno de 1935-36, houve uma série de discursos semanais sobre religião, transmitidos pelo rádio em Londres. A maioria dos discursos foi impressa no Listener, uma revista semanal publicada pela British Broadcasting Corporation. A revista publicava, em suas colunas de fórum, cartas comentando os discursos. Muitas dessas cartas declaravam que o cristianismo, tal como o ensinavam os reverendos doutores, não poderia ser verdadeiro, pois retratava

Deus como inteiramente injusto e desleal. Para ser salvo, era necessária, segundo os pregadores ensinavam, uma confissão de Cristo nesta vida. No entanto, a vasta maioria da família humana hoje morta, e muitos milhões de pessoas hoje vivas, jamais sequer ouviram o nome de Jesus Cristo. Por que, perguntavam os autores, deveriam todos estes ser condenados por culpa alguma sua? Poderia haver um Deus amoroso e justo que fizesse algo tão manifestamente injusto e monstruoso como isso? Não!, diziam os autores das cartas.

Mas a gloriosa doutrina da salvação para os mortos torna tudo claro. Ela revela o amor abrangente de Deus por seus filhos, e o mostra como um Pai sábio, justo e misericordioso. Mas o clero cristão nada sabia dessa bela doutrina. Onde a aprendeu Joseph Smith? Com seus mestres divinos e as revelações de Deus. Não havia outra fonte da qual pudesse tê-la aprendido. Desta maravilhosa doutrina, ele sabia mais do que o resto do mundo inteiro combinado. Era ele um profeta de Deus? Quem pode fazer um estudo imparcial e minucioso do caráter e dos ensinamentos do Profeta e negar sua inspiração divina?

Deus é o Pai dos espíritos de todos os homens. A nenhum deles será negado o privilégio de aceitar seu Salvador, Jesus Cristo. Todo aquele que nascer para a mortalidade terá a oportunidade de ouvir o Evangelho nesta vida ou na vida futura — no mundo espiritual, além da sepultura. A morte é apenas uma separação do espírito e do corpo. Este último volta ao pó, e o primeiro, ao mundo espiritual, para aguardar o momento em que se reunirá com o corpo, pois a ressurreição será universal e há de vir, por fim, a todo aquele que nascer para a mortalidade — tanto ao justo quanto ao injusto. A nenhum será negada. Que belo e maravilhoso é o plano!

ATIVIDADE NO MUNDO ESPIRITUAL

No mundo espiritual há grande atividade. Os Élderes desta Igreja que para lá partiram estão muito ocupados pregando àqueles que outrora viveram na mortalidade. Mesmo durante o breve período em que o corpo de Jesus jazeu no túmulo, o Mestre não estava ocioso. "Hoje", disse ele ao ladrão que morria a seu lado numa cruz, "estarás comigo no Paraíso" — um lugar no mundo espiritual, mas não o céu, tal como comumente entendemos o termo. O Apóstolo Pedro nos esclarece este ponto quando escreveu sobre o paradeiro de Cristo enquanto seu corpo jazia no túmulo: "No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é oito) almas se salvaram pela água."

Não é provável que muito mais filhos de Deus estejam hoje ouvindo e aceitando o Evangelho no mundo espiritual do que o estão fazendo aqui na terra? Durante o ano de 1935, dez mil nomes foram enviados a nossos templos, vindos da Alemanha, para a realização das ordenanças. E todos os nossos templos estão ativamente engajados na realização de obra vicária pelos mortos. Este trabalho continuará numa taxa sempre crescente. Mais e mais templos serão construídos, e serão mantidos plenamente ocupados. A grande doutrina da salvação para os mortos é uma das mais notáveis e características do mormonismo, e ajuda a marcar Joseph Smith como o maior profeta que já

viveu na terra, excetuando apenas o próprio Jesus Cristo. Não dirá ainda o mundo que não há exagero nesta afirmação? Muito provavelmente. Pois o mundo, no momento indiferente a qualquer propaganda religiosa, mostrará um interesse crescente pela mensagem do mormonismo. Isto não é dito por jactância. É apenas uma indicação do que certamente há de vir.

A ÚLTIMA DISPENSAÇÃO

Ora, entre outras coisas, o Profeta Joseph ensinou que ele inaugurou a última dispensação, a dispensação da plenitude dos tempos; que Deus havia estabelecido sua Igreja pela última vez; que ela não seria tirada nem dada a outro povo. Essas ideias, como a salvação para os mortos e muitas outras, não eram de Joseph. Não se originaram com ele. Vieram por meio de mensageiros e revelações do céu; e nisso reside sua vasta implicação.

A INSPIRAÇÃO CONTINUA COM OS LÍDERES DA IGREJA

O Profeta e seu irmão, o Patriarca, foram martirizados. Seus inimigos esperavam e criam que a Igreja cairia com seus líderes. Quão grandemente se decepcionaram. Haviam esquecido que nova força para uma causa religiosa sempre brota do sangue de seus mártires. Brigham Young, o legítimo sucessor de Joseph, tornou-se o novo profeta e líder. A Igreja não nasceu para morrer. Deus assim o havia declarado. Deveria continuar e crescer até encher toda a terra. O manto de Joseph caiu sobre Brigham e, por sua vez, sucessivamente sobre John Taylor, Wilford Woodruff, Lorenzo Snow, Joseph F. Smith e Heber J. Grant, onde agora repousa. Por sua vez, cada um deles foi sustentado por Jesus Cristo e pelos membros fiéis de sua Igreja como profeta, vidente e revelador, e como presidente da Igreja. Fiel e ao máximo de toda a sua força, cada um destes irmãos serviu na posição para a qual Deus e os membros da Igreja o chamaram. O único propósito de cada um tem sido guiar a Igreja conforme Cristo dirige por inspiração, e agir para o bem do povo. O Presidente Grant é fiel e leal a este propósito. Pode algum membro fiel da Igreja apontar uma única coisa que o Presidente Grant tenha dito ou feito que não esteja em harmonia com este elevado propósito?

UMA ADVERTÊNCIA DE PERIGOS À FRENTE

Irmãos e irmãs, os tempos pelos quais temos passado têm, de fato, sido difíceis para a maioria de nosso povo. E lamento dizer que tempos difíceis ainda estão à frente. A palavra segura da profecia e os sinais dos tempos não me permitem crer de outra forma. Não teremos a paz e a segurança que tanto desejamos até que nos arrependamos de nossos pecados, nos voltemos ao Senhor com verdadeira sinceridade, e tratemos com retidão todos os homens, em todas as nossas relações com eles.

Em conclusão, quero chamar a atenção para o fato de que muitos ventos de doutrina — sociais, econômicos, políticos — sopram entre o povo. Indivíduos, ambiciosos por posição e poder, empregando todo tipo de propa-

ganda, estão e continuarão ocupados entre o povo para conquistar seu apoio. Tais coisas não são novas. Existem há muito tempo e têm sido particularmente proeminentes em períodos de grande angústia e caos. E são especialmente perigosas em países regidos por formas democráticas de governo. As ditaduras da Europa nasceram das angústias do povo. O governo ordeiro nesses países foi assegurado ao preço da liberdade individual. Ali, o Estado é tudo, e o indivíduo, apenas a menor engrenagem numa máquina gigantesca.

Perigos ameaçam de modo ominoso este grande país nosso. Nosso governo teve um grande teste — a Guerra Civil da década de sessenta. Terá outros testes. Mas triunfará, contanto que o povo permaneça fiel à sua herança e mantenha os ideais de liberdade e justiça estabelecidos pelos fundadores de nosso país.

ORIENTAÇÃO DIVINA NECESSÁRIA

O que eu gostaria que os Santos dos Últimos Dias fizessem? Apenas isto: permanecei calmos; não vos deixeis levar por apelos preconceituosos e emocionais. Usai vossa inteligência e procurai ser sábios em todas as coisas. Considerai e estudai cuidadosa e oraivelmente cada nova proposta. Buscai os verdadeiros motivos por trás da propaganda e dos agitadores. Fazei-vos dignos e buscai a orientação divina em todos os vossos assuntos. Mantende os olhos postos no profeta de Deus, o líder da Igreja, e sede fiéis e verdadeiros aos convênios que fizestes uns com os outros e com Deus. Há segurança em fazer estas coisas. Que o Senhor nos conceda a todos sabedoria e força para fazê-las, oro em nome de Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Merrill, “Time Cannot Change Fundamentals”, 1937 April General Conference, First Day Afternoon Session (1937-04-04). Pulpit Vault, 1937-04-joseph-f-merrill-time-cannot-change-fundamentals. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).