Gratidão pelas Bênçãos
George F. Richards
Desejo expressar ao Senhor, em sua presença, meus irmãos e irmãs, a gratidão que sinto nesta manhã pelas bênçãos do evangelho eterno. Sou grato por meus avós terem ouvido e recebido o evangelho em sua terra natal, a Inglaterra — por terem abandonado as tradições e a religião de seus pais e se unido aos santos em Nauvoo, e mais tarde vindo a estes vales das montanhas, e por eu ter tido o privilégio de nascer de bons pais, sob a lei celestial do matrimônio, e por ter tido o ambiente do evangelho de Jesus Cristo e de homens e mulheres fiéis, e por meu coração ter-se inclinado a amar e obedecer à verdade. ¶
Desejo demonstrar ao Senhor minha gratidão por suas bênçãos, nas ordenanças, nos dons e em todas as bênçãos do evangelho, vivendo uma vida ortodoxa, sendo ortodoxo no pensamento, no viver e no ensinar. Um verdadeiro cristão — é isso que gostaria de ser. ¶
A CERTEZA VEIO COM A VISÃO DO PAI E DO FILHO ¶
Como expressão dos princípios do evangelho, desejo dizer que, a meu ver, o acontecimento mais importante em muitos séculos, afetando a humanidade, ocorreu em Manchester, Nova York, na primavera de 1820, quando o Pai e seu Filho, Jesus Cristo, se revelaram novamente ao mundo, por meio do Profeta Joseph Smith, a quem o Senhor levantou para este e outros propósitos importantes relacionados ao bem-estar da humanidade. ¶
A humanidade pode agora saber com certeza que o Deus deste mundo é uma pessoa que possui um corpo de carne e ossos, tão tangível quanto o corpo do homem mortal; e que ele é um ser imortal, glorificado e exaltado, à imagem e semelhança de quem o homem foi criado e formado; e que o Filho está na expressa imagem do Pai. Essa revelação e a restauração do evangelho que se seguiu são o que o povo deste mundo precisava mais do que qualquer outra coisa. ¶
O EVANGELHO NEM SEMPRE ACEITO ¶
Por mais de um século, temos, como Igreja, pregado o evangelho ao mundo; mas, via de regra, o povo não o tem recebido. Não são, contudo, diferentes, neste aspecto, do povo de outras dispensações do evangelho. O profeta Isaías pregou o evangelho ao povo de seus dias, e, no entanto, o vemos dizer: "Quem deu crédito à nossa pregação?" (Isaías 53:1) ¶
O Apóstolo Paulo foi um grande pregador do evangelho em seus dias, e, no entanto, o vemos dizer aos romanos: "Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; porque Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?" (Rom. 10:16) ¶
Mesmo os ensinamentos vigorosos do Salvador, acompanhados de poderosos milagres, não converteram todo o povo. É nossa responsabilidade, como povo, continuar pregando o evangelho em todo o mundo, independentemente de quem o aceite ou não. Para aqueles que ouvem e compreendem o evangelho, ele se torna cheiro de vida ou de morte, conforme o aceitem ou o rejeitem. ¶
Viemos à terra com o propósito expresso de trabalhar em nossa salvação de acordo com o plano do evangelho, o qual foi instituído nos conselhos do céu antes de o mundo existir, e o qual foi restaurado à terra nestes últimos dias. Uma das condições para a salvação é a crença em Deus, o Pai Eterno, e em seu Filho Jesus Cristo, tais como são, e também a crença na eficácia do sangue expiatório de Jesus Cristo. ¶
A CRENÇA EM DEUS COMO UM SER PESSOAL ¶
O primeiro artigo de nossa fé diz: "Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo." O Espírito Santo, diferentemente do Pai e do Filho, é uma pessoa de Espírito, sem carne e ossos. A fé de todos os seres inteligentes está centrada em Deus; e é necessário que tenham uma compreensão correta de sua personalidade e atributos, e do relacionamento que mantêm com ele. As escrituras da Bíblia sustentam a doutrina de um Deus pessoal; mas os religiosos, em geral, não aceitam os ensinamentos das Escrituras nesse ponto de doutrina. ¶
Há, contudo, alguns pensadores independentes que os aceitam. Henry Ward Beecher foi um deles. Ao lecionar para uma turma de estudantes que se preparavam para o ministério, disse: ¶
Sou obrigado a dizer que devo formar um ideal de Deus por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Cristo é indispensável para mim. Minha natureza precisa moldar o pensamento de Deus, embora eu saiba que ele é um espírito, em algo que represente, próxima ou remotamente, aquilo que conheço. Sustento diante dos meus olhos, portanto, uma forma gloriosa; mas, afinal de toda a glória, seja qual for o nimbo e o esplendor ao seu redor, ela é para mim uma forma glorificada de um homem glorificado. E, assim, moldo para mim mesmo, a partir do Espírito, aquilo que é para mim, por assim dizer, uma presença divina e um ser divino, a saber, um homem divino. — Conferência sobre a Pregação, p. 129. ¶
NECESSIDADE DE NOVA REVELAÇÃO ¶
Como evidência da necessidade de uma nova revelação de Deus, tal como a que foi dada por meio de Joseph Smith, cito um sermão do Bispo de Liverpool, Inglaterra, conforme relatado no Lancashire Post, de 21 de março de 1912, da seguinte forma: ¶
Uma das grandes necessidades da Igreja Cristã é poder. Vivemos numa era de grande poder material. Cobrimos a terra de igrejas novas e restauradas; gastamos grandes somas de dinheiro em colégios e edifícios eclesiásticos; melhoramos e enriquecemos seus serviços. Plantamos novas missões em terras estrangeiras, e seus assentamentos em todas as grandes cidades. A religião hoje calça chinelas de prata e caminha em lugares elevados, e, no entanto, ouso pensar que há uma estranha falta de poder ¶
na Igreja de Deus, não só em nossa Igreja, mas em todos os demais ramos. A Igreja, no momento, parece quase superada pelo poder das trevas. Às vezes, parece que as trevas estão ganhando terreno sobre a luz. Qual é a causa dessa estranha paralisia que acometeu a Igreja? ¶
Ele "acreditava que a Igreja precisava, hoje, de uma nova descoberta de Deus; a Igreja estava fraca hoje porque Deus estava tão distante, tão irreal, tão vagamente percebido." O Bispo evidentemente não havia tomado conhecimento da nova descoberta de Deus por meio de Joseph Smith; mas, para ele, a necessidade dessa descoberta era muito evidente. ¶
Naturalmente, alguém desejará saber quais são os ensinamentos daquela grande Igreja Anglicana a respeito de Deus, para que ele lhes fosse tão distante, tão irreal, tão vagamente percebido. Isso é explicado no primeiro artigo de sua religião, da seguinte forma: ¶
Há um único Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, partes ou paixões, de infinita sabedoria, poder e bondade; o criador e conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis, e, na unidade dessa Divindade, há três pessoas de uma só substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. ¶
Note-se: três pessoas de uma só substância, sem corpo. ¶
Consideramos a necessidade que o mundo tinha da redescoberta de Deus por Joseph Smith. Naquela época, o evangelho estava prestes a ser restaurado, em cumprimento das Escrituras. Joseph Smith foi levantado para ser o instrumento nas mãos do Senhor nessa realização; e era necessário que ele tivesse uma compreensão correta quanto à personalidade de Deus, para que fosse ortodoxo em seus ensinamentos referentes à Trindade, e para que sua fé e seu conhecimento pudessem sustentá-lo ao enfrentar as ideias e ensinamentos falsos tão predominantes naquela época, e para que fosse capaz de suportar as provações e perseguições que teria de enfrentar, pela causa do evangelho. ¶
A PLENITUDE DO EVANGELHO REVELADA ¶
Essa maravilhosa revelação do Pai e do Filho foi seguida pela visitação de outros seres celestiais — que entregaram a Joseph mensagens relativas ao evangelho e à Igreja, e as chaves de dispensações anteriores, necessárias à realização de sua missão divinamente designada, com o sacerdócio e a autoridade de Deus para administrar todas as ordenanças pertencentes ao evangelho de Jesus Cristo. ¶
Muitas revelações foram dadas a Joseph para sua orientação na restauração do evangelho e no estabelecimento da Igreja e do reino de Deus na terra, e para a orientação dos membros da Igreja. ¶
OS PRIMEIROS PRINCÍPIOS DO EVANGELHO ¶
O quarto Artigo de nossa Fé diz o seguinte: ¶
Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do Evangelho são: primeiro, Fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, Arrependimento; terceiro, Batismo por imersão para a remissão de pecados; quarto, Imposição de mãos para o dom do Espírito Santo. ¶
Há outros princípios e ordenanças do evangelho cuja aceitação é necessária à salvação do homem. Na pregação do evangelho, procuramos tornar claras todas as condições em que se baseia a salvação, e comprovar nossa posição a partir das Escrituras. Dedicamos algum tempo à consideração do tema da fé como o primeiro artigo de nossa religião. O tema do arrependimento segue a fé em sequência lógica, e é um dos mais consoladores de todos os princípios do evangelho. Pelo arrependimento, nossos pecados, ainda que sejam como escarlate, podem ser lavados e tornar-se brancos como a lã, por meio do sangue do Cordeiro de Deus. ¶
Tais são os ensinamentos da Escritura. ¶
O terceiro Artigo de nossa Fé diz o seguinte: ¶
Cremos que, por meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade pode ser salva, pela obediência às leis e ordenanças do Evangelho. ¶
Todos os princípios, leis e ordenanças do evangelho são tornados eficazes para a salvação do homem por meio da expiação de Jesus Cristo. Arrependimento significa abandonar todo o mal e praticar o bem. ¶
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. ¶
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. ¶
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. — Mat. 11:28-30. ¶
Este é um belo chamado ao arrependimento. O fardo do pecado é difícil de suportar. ¶
Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado e eu, o Senhor, deles não mais me lembro. — Doutrina e Convênios 58:42. ¶
Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam; ¶
Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri; ¶
Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito — e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar — ¶
Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens. ¶
Assim, ordeno outra vez que te arrependas, para que eu não te humilhe com minha onipotência; e que confesses teus pecados para que não sofras esses castigos dos quais falei. — Doutrina e Convênios 19:16-20. ¶
O batismo naturalmente segue o arrependimento, pois o batismo por imersão, realizado por alguém com autoridade, é para o cumprimento da lei, para a entrada na Igreja e no reino de Deus, e para a remissão dos pecados dos quais já se arrependeu. ¶
Na ocasião do Pentecostes em Jerusalém, sob a influência do Espírito Santo, pessoas de muitas nacionalidades se convenceram de que Jesus Cristo, que havia sido crucificado, era o que afirmava ser, o Filho de Deus e o Salvador do mundo. A fé encontrara lugar em suas almas, e disseram a Pedro e aos demais Apóstolos: "Que faremos, homens irmãos?" (Atos 2:37) ¶
"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo." (Atos 2:38) ¶
Nessa declaração de Pedro, temos ensinados, em sequência lógica, os princípios da Fé, do Arrependimento, do Batismo e da concessão do Espírito Santo. ¶
O Espírito Santo é conferido pela imposição de mãos daqueles que possuem autoridade, e sobre aqueles que cumpriram as condições prescritas e são dignos. O Espírito Santo não habitará em tabernáculos profanos. Mas, quando um homem se arrependeu de seus pecados e os teve lavados no batismo, ele está sem pecado e digno de receber o Espírito Santo pela imposição de mãos. É a missão do Espírito Santo dar testemunho do Pai e do Filho, e da verdade de todas as coisas. Pelo Espírito Santo, podemos conhecer o Pai e o Filho, os quais conhecer é vida eterna. ¶
O Apóstolo Paulo menciona esses princípios e ordenanças em sua epístola aos Hebreus, da seguinte forma: ¶
Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento das obras mortas, e da fé em Deus, da doutrina dos batismos, e da imposição de mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. — Heb. 6:1, 2. ¶
O Comentário Bíblico de Matthew Henry diz o seguinte a respeito da citação acima: ¶
Estes são os maiores princípios fundamentais, que os ministros devem expor de forma clara e convincente, e aplicar claramente. Neles o povo deve ser bem instruído e estabelecido, e deles nunca deve se afastar; sem eles, as demais partes da religião não têm fundamento que as sustente. ¶
PROSSEGUINDO ATÉ A PERFEIÇÃO ¶
O Apóstolo Paulo diz: "Prossigamos até a perfeição." Lemos, de Pedro: ¶
E vós também, pondo nisso mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude, o conhecimento, e ao conhecimento, temperança; e à temperança, paciência; e à paciência, piedade; e à piedade, amor fraternal; e ao amor fraternal, caridade. — II Pedro 1:5-7. ¶
O décimo terceiro Artigo de nossa Fé diz: ¶
Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos. ¶
Presto-lhes meu testemunho de que sei que a obra em que estamos empenhados, nós, como Santos dos Últimos Dias, é o evangelho de Jesus Cristo, o plano e o poder de Deus para a salvação, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶