Pulpit

Considero um privilégio raro

Walter P. Monson

Conferência Geral de Abril de 1918·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1918-04-05

Considero um privilégio raro reunir-me convosco, meus irmãos e irmãs, nesta conferência, subir a Sião e lançar com a Igreja o voto patriótico que já foi lançado durante a sessão anterior da conferência. Pergunto-me

por quanto tempo ainda subsistirão as críticas quanto ao patriotismo dos Santos dos Últimos Dias!

Na missão onde tenho a honra de servir, há numerosas críticas fabricadas do nada, nas quais somos vistos como inimigos alienígenas, com uma organização que trabalha contra os interesses deste grande e glorioso governo. Pergunto-me como as pessoas podem crer em tais coisas depois do que foi dito nesta conferência! Desde a minha mais tenra infância fui ensinado que esta Nação tem uma missão definida e específica a cumprir entre as nações da terra, e para esse fim avançamos, apesar de por vezes nos tornarmos amargurados uns com os outros por causa de opiniões políticas. Ainda sou de opinião que Deus está ao leme, e que esta Nação está cumprindo nobremente a sua missão ao enviar a lei da liberdade desde Sião até as partes mais remotas da terra, e que a sua missão não estará concluída até que a democracia esteja assegurada para o mundo.

Perguntamo-nos que providências poderiam ser tomadas para pôr fim a esta guerra intestina. Perguntamo-nos por quanto tempo ela continuará; e, no entanto, em nossa fé em Deus, somos chamados a avançar com o sacrifício da vida e dos meios, a fim de libertar da mão da opressão aqueles a quem nunca vimos. O plano de governo de Deus é o do povo, pelo povo e para o povo. Nas primeiras eras do mundo, ou imediatamente antes da vinda de Cristo, estabeleceram-se monarquias e, com a mão de ferro do domínio, não da lei, homens e mulheres foram esmagados sob o calcanhar da op-

pressão. Quando Jesus de Nazaré veio, veio com a lei perfeita da liberdade, mas ela era tão elevada, tão grandiosa, tão além da concepção do homem, que aquele que deu a lei foi crucificado na cruz do Calvário. Continuando através das eras, temos o mesmo domínio de monarquia, monarquias absolutas no mundo, com uma única igreja que mantinha os seus súditos sob um regime religioso-político, a tal ponto que aquele que estava à frente da nação nos assuntos civis declarava que ele mesmo era o cabeça da igreja. No século dezesseis, o Senhor levantou homens de coragem que deram um longo passo em direção à libertação da humanidade, reconhecendo, em certa medida, o direito dos homens de pensar e agir por si mesmos. Era praticamente impossível que alguém que houvesse sido criado sob uma forma monárquica de governo instituísse algum governo diferente daquele com que estava mais familiarizado. Portanto, na reforma primitiva, as igrejas que surgiram seguiram o padrão da forma civil de governo então prevalecente sobre a terra, e havia a aristocracia na igreja assim como havia a aristocracia na vida civil. Chegamos até o tempo em que a Constituição deste governo foi elaborada e escrita com a pena da inspiração, planejada por Deus para ser a lei fundamental daquela forma de governo que se estenderia a toda nação, toda parentela, toda língua e povo. Desejo ler-vos uma declaração dada em 16 de dezembro de 1833, numa revelação a Joseph, o profeta, cujos louvores já cantamos:

E também vos digo: É a minha vontade que aqueles que foram dispersos por seus inimigos continuem a exigir compensação e redenção das mãos daqueles que foram colocados como governantes e que têm autoridade sobre vós,

de acordo com as leis e a constituição do povo, que permiti fossem estabelecidas e que devem ser mantidas para os direitos e a proteção de toda carne, segundo princípios justos e santos.

Por que, pergunto eu, deveria esta Constituição ter sido promulgada antes da restauração do evangelho? Que o Senhor responda:

Para que todo homem aja, em doutrina e princípio relativos ao futuro, de acordo com o arbítrio moral que lhe dei, para que todo homem seja responsável por seus próprios pecados no dia do juízo.

Lemos nesta escritura que o Senhor foi o responsável por trazer à existência este grande e glorioso instrumento conhecido como a Constituição dos Estados Unidos. Por estranho que possa parecer, os propósitos de Deus são realizados, não subitamente, mas por gerações. Nós, mortais, esperamos que ele trate as coisas de modo radical, em horas, ou dias, ou meses, ou anos. Não é assim o seu modo de agir. Joseph Smith não nasceu sob o domínio inglês nesta terra. Dezesseis anos depois de George Washington ter prestado o juramento do cargo, nasceu o profeta do Senhor no Estado da Montanha Verde, Vermont; e quando chegou à idade adulta e foi comissionado pelo Todo-Poderoso com a autoridade do sacerdócio para organizar a sua Igreja, ele não a organizou segundo o padrão das nações fortes e poderosas do outro lado do oceano, mas a organizou segundo o padrão daquela forma inspirada de governo, os Estados Unidos, por meio da qual nos foi dada, como Santos dos Últimos Dias, a maior democracia que se conhece em qualquer organização religiosa sobre a face da terra — essa organização correndo em paralelo em

liberalidade com a deste grande país. Por exemplo, assim como o rachador de lenha do Kentucky aspirou e ocupou a cadeira da Casa Branca, assim o rapaz que lavrava a terra tornou-se profeta. Não há aristocracia nesta Igreja, exceto a aristocracia da retidão. Não há aristocracia neste Governo fora da aristocracia da cidadania apta e esplêndida.

Pergunto-me a que custo esta guerra terminará, ou que despesa será feita a fim de trazer esta liberdade e franquia a todos os homens. Tenho aqui um recorte tirado de um dos jornais de Nova Iorque, dando alguns dados muito interessantes a respeito do custo da guerra. Como estamos prestes a ser chamados individualmente a subscrever Títulos do Empréstimo da Liberdade, deixemos de lado alguns de nossos próprios prazeres e contribuamos generosamente para uma causa tão digna, a causa pela qual estamos dispostos a sofrer, sangrar e morrer para estabelecer e manter sobre a terra:

Washington, 7 de março. — Se a guerra continuar até 1º de agosto, como tudo indica que continuará, o custo para as nações envolvidas atingirá aproximadamente o total estarrecedor de 160.000.000.000 de dólares. Esta é a estimativa do Representante Frederick C. Hicks, de Nova Iorque, que compilou uma massa de dados interessantes sobre a guerra em resposta a indagações de seus eleitores quanto aos recursos e à força de combate das nações em guerra e quanto ao número de mortos e feridos.

Segundo os números do Sr. Hicks, 15.116.000 homens foram mortos, gravemente feridos, capturados, ou estavam desaparecidos, de todos os lados, até 1º de agosto de 1917. Destes, 8.827.000 pertenciam ao lado aliado e 6.289.000 ao lado das Potências Centrais.

O custo da guerra para todas as nações foi de 98.500.000.000 de dólares, em 1º de agosto de 1917. Para dar uma ideia da imensidão deste dispêndio, o Sr. Hicks calcula que esta quantia construiria 257 Canais do Pa-

namá; construiria uma ferrovia que circundaria a terra no equador cinquenta e seis vezes; construiria um número tão vasto de navios de aço padronizados que, colocados de proa a popa, formariam uma ponte flutuante ininterrupta de Nova Iorque a Liverpool e de Nova Iorque ao Panamá; construiria 2.042 rodovias de pedra de especificações padrão através dos Estados Unidos; compraria 220.000.000 de automóveis Ford — provavelmente antes de o preço ter subido; ou, se dispostas em notas de um dólar, colocadas ponta a ponta, formariam uma cadeia de notas que circundaria o globo 464 vezes e formaria quarenta e oito faixas de dinheiro entre a terra e a lua.

Essa soma estupenda, observa o Representante de Nova Iorque, representa um dispêndio de 138.240 dólares por cada dia que se passou desde o início da era cristã, e, se distribuída igualmente entre as multidões da humanidade, daria sessenta e seis dólares a cada homem, mulher e criança no mundo hoje. Construiria 6.533 Capitólios Nacionais em Washington, e, se estivesse em notas de um dólar, seriam necessários 621 anos para contá-la, à razão de cinco notas por segundo.

Fazendo ainda mais comparações, o Sr. Hicks chama a atenção para o fato de que o custo da guerra até agosto passado era três vezes o total dos depósitos de todos os bancos dos Estados Unidos, sete vezes o valor anual de nossos produtos agrícolas e quinze vezes o valor de nosso comércio exterior anual. Para cada mês que a guerra continuar, diz ele, far-se-á um dispêndio maior do que o feito durante toda a guerra russo-japonesa, que durou dezoito meses. Isso significa que o custo da guerra franco-prussiana está sendo gasto a cada cinco semanas, e que a guerra civil americana, que durou quatro anos, está sendo duplicada em custo a cada oitenta e cinco dias.

A história não registra outra guerra ou combinação de guerras que ofereça um paralelo no dispêndio de dinheiro com o conflito atual, afirma o Sr. Hicks. Com efeito, o custo direto total das seis maiores guerras ocorridas no curso dos 125 anos anteriores à presente guerra mundial foi de 21.

000.000.000 de dólares. Uma dessas seis guerras durou vinte e um anos e outra quatro anos, contudo essa soma equivale ao custo de apenas oito meses de combate à taxa atual de dispêndios.

O custo direto para os Estados Unidos no ano de 1917 é estimado em 6.700.000.000 de dólares, dos quais 3.000.000.000 são empréstimos aos Aliados da Entente. A quantia de dinheiro apropriada pelo último Congresso para despesas e autorizações foi de cerca de 18.000.000.000 de dólares, o que representa um custo bruto diário da guerra para os Estados Unidos de 49.000.000 de dólares.

A desobediência ao evangelho de Jesus Cristo é tremendamente dispendiosa, não pensais?

Que maravilhosa economia haveria no mundo se os homens apenas atendessem ao evangelho de Jesus Cristo, que planta a paz nos corações dos homens!

Tenho aqui um panfleto que está sendo amplamente distribuído por todo o Leste, que é a cópia literal de um discurso proferido por John D. Rockefeller, Filho, perante a Associação de Ministros Batistas, num dos hotéis proeminentes da cidade de Nova Iorque. Ele está retratando a igreja do futuro. Tenho curiosidade em saber se o Sr. Rockefeller não terá deixado de considerar a nossa esplêndida organização, que é motivo de escárnio e provérbio nas ruas de sua própria cidade, e a obra que ela realiza. Ele diz:

Retratemos por um momento o que seria esta igreja renascida.

Seria chamada a Igreja do Deus vivo.

Assim somos nós chamados a Igreja de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que vive para todo o sempre

Suas condições de admissão seriam o amor a Deus, tal como revelado em Cristo, e o seu espírito vivo, e a tradução vital desse amor numa vida semelhante à de Cristo.

Sua atmosfera seria de calor, liberdade e alegria, tão simpa-

ticamente e distintamente manifesta a ponto de atrair e conquistar para a sua comunhão os seguidores da religião do Inarticulado.

Mais adiante, ele diz:

Uma vida, não um credo, seria o seu teste; o que um homem faz, não o que professa; o que ele é, não o que possui.

Seu objetivo seria promover a religião aplicada, não a religião teórica. Isto envolveria o seu interesse simpático em todos os grandes problemas da vida humana; nos problemas sociais e morais, os da indústria e dos negócios, os problemas cívicos e educacionais; em tudo o que toca a vida do homem.

Como sua primeira preocupação, ela incentivaria a vida cristã sete dias por semana, cinquenta e duas semanas por ano, em vez da especulação sobre o além.

Pergunto-me, meus irmãos e irmãs, se ele não terá lido a primeira seção da Doutrina e Convênios, onde Deus declara: "Pois eu, o Senhor, não posso encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância."

Continuando, ele diz:

Seria a igreja de todo o povo, de todos os que combatem o pecado e procuram estabelecer a retidão; a igreja dos ricos e dos pobres, dos sábios e dos ignorantes, dos altos e dos baixos — uma verdadeira democracia.

Seus ministros seriam treinados não somente no seminário, mas tanto quanto na própria vida, com a ênfase suprema na vida. Pois seria parte importante da preparação de cada um que passasse meses, talvez anos, trabalhando com as próprias mãos nos campos ou na oficina, fazendo negócios na loja ou no escritório, para que não tivesse apenas um conhecimento de laboratório dos problemas da vida humana, mas o conhecimento prático que só vem da experiência e do contato reais com eles.

Sim, o ministério desta igreja viveria em contato vital com a humanidade; compreenderia e simpatizaria com as dificuldades humanas, e exerceria a sua influência tanto em viver quanto em pregar.

Penso que é uma esperança das mais excelentes a que tem John D. Rockefeller, Filho, e se ele voltasse os olhos para o Oeste, veria aquela esplêndida organização, aquele esplêndido ministério, onde homens e mulheres são chamados dos vários caminhos da vida para o ministério, os quais sabem como tocar a simpatia humana, assim como Cristo se fez mortal para conhecer as necessidades dos homens e das mulheres mortais.

Presto-vos o meu testemunho, meus irmãos e irmãs, pois ele dá testemunho em cada fibra de minha alma, de que Deus vive, de que Jesus é o Cristo, e de que estamos empenhados numa grande e poderosa obra que deve ser realizada em preparação para a segunda vinda do Filho de Deus, cuja vinda aguardamos ansiosamente.

Deus vos abençoe a todos, Deus abençoe todo o Israel, Deus abençoe os nossos missionários, Deus abençoe aqueles rapazes que partiram para o estrangeiro para lutar nesta grande guerra. Quero dizer, a respeito dos rapazes soldados, aqueles que estão na costa atlântica, que estão impressionando o povo do Leste com a sinceridade de suas vidas e estão realizando uma obra maravilhosa. Havia seiscentos ou mais rapazes de Utah trazidos para os acantonamentos em Long Island; mas, em vez de lhes ser permitido permanecer juntos, foram usados como "calafetagem" para cada regimento estacionado naqueles vários acantonamentos, e tem-me parecido que, com o esplêndido exemplo destes rapazes, eles pregariam o evangelho, enquanto estiverem em serviço, a um número maior de pessoas do que se estivessem confinados a um único regimento.

Se me for concedido o tempo, Presidente Smith, gostaria de ler um ou dois testemunhos de nossos

rapazes. Esta carta foi escrita por uma pessoa muito proeminente em Cambridge, Massachusetts. A família mantém uma divisão da A. C. M., isto é, uma das A. C. M.'s em que os rapazes da Marinha são cuidados; e são proeminentes a ponto de, quando os Secretários McAdoo, Baker ou Daniels vão a Boston, serem recebidos por essas estimáveis pessoas. Dois jovens alistaram-se na Marinha, sendo os seus lares em Brigham City. Espero que a mãe deles esteja aqui, porque esta carta foi escrita a ela, mas uma cópia impressa dela chegou a mim em Nova Iorque. Lerei apenas trechos. A mulher que escreve é a boa esposa cujo marido foi para a França:

Meu marido e eu amamos os rapazes desde o início, mas, à medida que viveram conosco, cresceram em nossos corações, até que agora sentimos que os teremos em espírito pelo resto de nossas vidas. E devemos muito disso a vós dois, que fizestes filhos tão nobres, tão belos, tão cheios de coragem, devoção, elevação de espírito. Deveis estar orgulhosos e felizes; nós estamos. Lou recebeu o melhor navio da lista esta semana, por causa de seu belo trabalho. * * * * * Ele cresceu, ficou maior e mais robusto, e é um rapaz de aparência soberba — a mais querida combinação de um bebê e um homem que já vi. É um homem em tudo o que é essencial a um belo caráter, e um querido e inocente menino em espírito. Ontem, o meu Reginald partiu para a França, por oito meses de serviço junto à A. C. M. com as nossas tropas. Ele disse, antes de partir, que a única coisa boa que o Kaiser jamais fez foi dar-nos os nossos rapazes, e que partiu muito mais feliz por os ter tido aqui. Fern ficará comigo por mais uma semana. Certamente, onde quer que vá, fará as coisas mais esplêndidas. É um jovem cruzado, nascido para combater o pecado e a injustiça onde quer que os encontre. É o mais nobre jovem que já conheci, e ambos o amamos com todo o coração.

Agora, para concluir, notai a linguagem:

Caros amigos, permiti-me dizer-vos que recebo muito conforto da firme fé de que ambas estas crianças foram enviadas diretamente das mãos de Deus e estão muito diretamente e preciosamente sob o seu cuidado. Sei que serão cuidadas e guiadas em cada passo. Olho para o futuro delas com o coração mais confiante, mas quisera tanto que pudésseis vê-las. Simplesmente não consigo expressar a minha simpatia por vós, nem a minha admiração e respeito. Ao cuidar dos rapazes, mantenho sempre presente o pensamento de que o faço tanto por vós quanto para satisfazer o meu próprio coração. Eles preencheram o lugar dos rapazes que perdi, como eu nunca poderia ter acreditado possível, e o meu próprio amor ajuda-me a compreender o vosso.

Com as minhas mais calorosas saudações e simpatia, afetuosamente vossa, Louise Daley.

P. S. — Quero escrever-vos de tempos em tempos sobre os nossos filhos, se me permitirdes compartilhá-los convosco dessa maneira.

Há aí, deixai-me dizer-vos, a mescla do serviço patriótico à pátria com a fidelidade ao evangelho. Tais são os testemunhos vivos que os nossos rapazes soldados e marinheiros dão quando entram no serviço do país. Deus nos abençoe com testemunho e coragem semelhantes, peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Um solo instrumental, uma balada francesa, foi tocado em uma trompa inglesa pelo Prof. Kellersberger, com Tracy Y. Cannon ao piano.

Como citar este discursoWalter P. Monson, “Considero um privilégio raro”, Conferência Geral de Abril de 1918, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1918-04-05). Pulpit Vault, 1918-04-14-walter-p-monson-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).