Pulpit

Análise da Literatura Anti-Mórmon e Evidências do Livro de Mórmon

Anthony W. Ivins

Conferência Geral de Abril de 1909·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1909-04-04

A conferência foi retomada às 14h, no Tabernáculo.

O Presidente Joseph F. Smith chamou a congregação à ordem, e anunciou a convocação de uma reunião de transbordamento a esta hora, no Salão de Assembleia, e uma reunião ao ar livre perto do edifício do Bureau de Informação.

O coro cantou o hino "In our Redeemer's name" (Em nome de nosso Redentor).

A oração foi oferecida pelo Élder William T. Jack.

O coro cantou o hino "Gog and Magog" (Gogue e Magogue).

Análise do livro anti-mórmon do Sr. Ferris. — Flagrantes deturpações refutadas em relação ao Livro de Mórmon. — Evidências marcantes de que os índios americanos são hebraicos. — Razões irrefutáveis para crer no Livro de Mórmon.

Meus irmãos e irmãs: desejo grandemente que vossa simpatia e fé se exerçam em meu favor, durante os poucos momentos que ocuparei nesta tarde.

Em suas observações desta manhã, o Presidente Smith disse, entre outras coisas de que aprovamos, que os princípios do Evangelho de Cristo foram fundados sobre a verdade eterna. Enquanto ele falava, pensei numa experiência que recentemente presenciei, de fato, uma que tive pessoalmente na Cidade do México. Em relação a este assunto, quero ler da Bíblia: "Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite."

Entrei numa livraria na Cidade do México, há algumas semanas, e vi ali, nas prateleiras, um livro intitulado "Utah and the Mormons" (Utah e os Mórmons). Comprei o livro e o li. Foi escrito por um homem que havia sido residente deste estado, um homem culto, sem dúvida, e que afirmava ter se familiarizado intimamente com o seu assunto por meio de convívio com os Santos dos Últimos Dias. O livro continha algumas coisas elogiosas ao povo, mas em quase todas as páginas havia deturpações, falsidades, e declarações que não podiam ser sustentadas pelos fatos. Pareceu-me que nada mais ultrajante, mais abominável, ou mais distante da verdade poderia ter sido escrito do que as coisas contidas naquele livro; e, contudo, uma grande edição dele havia sido impressa e circulada pelo mundo. Este homem teve o cuidado especial de atacar as doutrinas da Igreja. Deturpou os ensinamentos dos oficiais presidentes da Igreja. Deturpou as condições sociais tal como existem, ou já existiram, na Igreja. Teve prazer especial em atacar o Livro de Mórmon, ao qual chamou de ilusão, e afirmou que Solomon Spaulding era o seu verdadeiro autor, apesar de ser um fato bem conhecido que essa história já foi há muito desmentida. Ao lê-lo, pensei — quão perigosos são os lábios mentirosos, e que problemas, que mal-entendidos podem sobrevir a indivíduos ou povos por meio de uma pena mentirosa.

Não tentarei, meus irmãos e irmãs, apontar-vos as muitas imprecisões que havia neste livro; o tempo não o permitiria. Mas, para ilustrar o pensamento que tive ao lê-lo, vou citar-vos, nesta tarde, parte do que este homem disse a respeito do Livro de Mórmon.

"Provavelmente não há livro no mundo que contenha em si tantas provas de sua verdadeira origem, e fica-se maravilhado de que a fraude tenha se fixado sobre tais multidões. Alega-se que uma parte dos israelitas encontrou seu caminho até a América, e eles e seus descendentes escreveram um longo livro em que não há uma única palavra da língua hebraica. Além disso, não se pode encontrar uma única palavra de hebraico, nem um caractere hebraico, na língua desses descendentes de Israel no continente americano."

Devemos supor que os homens que escrevem livros, os homens que fazem história, estão familiarizados com os assuntos que tratam. Deveriam estar, ao menos, e quando os recursos estão ao seu alcance, de modo que, simplesmente investigando, possam conhecer a verdade, certamente ficam sem desculpa se publicarem ao mundo aquilo que não é verdade.

Em primeiro lugar, este homem pretendia estar plenamente familiarizado com o Livro de Mórmon, tê-lo lido e estudado, e, contudo, nos diz que é um livro escrito em caracteres hebraicos, por um povo que se supõe ter vindo de Jerusalém. Néfi, logo no início do Livro de Mórmon, nos diz que escreveu aquele registro de acordo com o seu conhecimento, na instrução de seus pais, que diz ser a instrução dos judeus e a língua dos egípcios. Morôni, o último escritor nele, diz:

"Ora, eis que escrevemos este registro em caracteres denominados por nós egípcio reformado, e se nossas placas tivessem sido suficientemente grandes, teríamos escrito em hebraico; e se tivéssemos escrito em hebraico, não haveria erro em nosso registro."

Assim, o Livro de Mórmon não foi escrito na língua hebraica, como este editor nos diz; mas, de acordo com o testemunho dos homens que fizeram o registro, foi escrito em caracteres chamados entre eles "egípcio reformado". Que um povo vindo de Jerusalém estivesse familiarizado com a língua egípcia, e conhecesse a civilização do Egito, não é nada estranho. Todos sabeis que, por quatrocentos anos, Israel esteve cativo no Egito, ou ali peregrinou por esse período, durante parte do qual esteve em cativeiro dos egípcios. Foram eles os fabricantes de seus tijolos; os construtores de seus templos, suas pirâmides, e outros grandes edifícios. Adquiriram a instrução dos egípcios, e quando entraram na terra prometida, guiados por Josué, o profeta do Senhor, levaram consigo a língua e a civilização egípcias; e nos dizem que escreveram este livro em caracteres chamados entre eles "egípcio reformado". Assim, o Sr. Ferris está errado a esse respeito. Suponhamos, no entanto, que o livro tivesse sido escrito em caracteres hebraicos — quero mostrar-vos quão injustificada é a declaração deste homem, de que nenhum traço da língua hebraica poderia ser encontrado entre os diferentes dialetos e línguas falados pelos índios americanos.

Garcia, o historiador e etnólogo espanhol, um dos que estudou a arqueologia da América provavelmente de forma tão minuciosa quanto qualquer outro dos escritores, diz, ao referir-se a esta questão: "A semelhança de caráter, vestuário, religião, peculiaridades físicas, condições, e costumes me convencem de que os americanos são de origem judaica. De fato, existem muitos traços hebraicos nas línguas americanas."

Assim, este homem constata que, nas línguas dos nativos deste continente, há muitos traços do hebraico. Lord Kingsborough, que provavelmente escreveu de maneira mais exaustiva sobre este assunto do que qualquer outro historiador, diz: "Os dialetos indígenas têm muito em comum com o hebraico," e Adair diz:

"A língua e os dialetos indígenas parecem ter o próprio idiomatismo e gênio do hebraico. Suas palavras e frases são expressivas, concisas, enfáticas, sonoras e ousadas; e frequentemente, tanto nas letras quanto no significado, são sinônimas da língua hebraica."

Meus irmãos e irmãs, chamo a atenção para estes fatos, não podendo, por falta de tempo, entrar em detalhes como se poderia numa investigação minuciosa desta questão, para mostrar-vos quão injustificado é um homem que publica ao mundo a declaração de que este Livro de Mórmon não contém evidência interna alguma de sua autenticidade divina, para mostrar-vos que os homens que investigaram esta questão, quase sem exceção, chegam à conclusão de que há uma afinidade e semelhança muito fortes, que levam os investigadores à conclusão — muitos deles à conclusão definitiva — de que os atuais habitantes do continente americano, isto é, os nativos do país, eram de origem judaica.

Hubert Howe Bancroft, o grande historiador, nos diz que ele próprio viu uma tábua de pedra retirada de um monte que foi aberto no estado de Ohio. Sob este monte, incrustado numa argila com as características de cimento, foi encontrado um caixão, contendo o esqueleto de um homem; e sob o caixão, hermeticamente selada, numa caixa feita de pedra e presa com cimento, havia uma pequena tábua de pedra, sobre a qual estava gravada a figura de um homem. Acima de sua cabeça, e nas laterais da tábua, havia peculiares hieróglifos. O historiador nos diz que estes hieróglifos foram declarados, por alguém de suposta erudição, serem os Dez Mandamentos, escritos em caracteres hebraicos. Esta é uma evidência bastante conclusiva de que os antigos habitantes deste continente conheciam algo do hebraico. Que compreendiam algo da civilização do Egito não há dúvida alguma. Qualquer pessoa que tenha viajado pela parte sul da América do Norte, que tenha visitado essas cidades em ruínas, grandes templos, e tremendas obras de alvenaria que ali existem hoje pode dar testemunho. Há apenas alguns dias, estive de pé no topo de uma pirâmide, a poucas milhas da Cidade do México, cuja base ocupa um espaço maior do que este quarteirão inteiro, mais de dez acres quadrados, alvenaria sólida, com mais de trezentos pés de altura, construída em perfeito alinhamento com o mundo. Ao seu redor, até onde a vista alcança, há montes dos restos de lares em ruínas. Ali existiu outrora uma grande cidade. Quem foram os construtores da pirâmide? Não havia nenhuma na antiga Caldeia. Nenhuma pirâmide foi construída pelos assírios. Qualquer civilização que existisse entre os jareditas era a civilização da Caldeia e da Assíria, aquelas raças antigas que se estabeleceram no vale da Mesopotâmia, ao longo das margens do Tigre e do Eufrates. Mas, depois, Israel foi para o Egito. Ali aprenderam algo sobre a construção de pirâmides. Há pirâmides ainda hoje de pé no vale do Nilo, quase tão perfeitas quanto no dia de sua construção. Pensei nelas, no outro dia, enquanto estava no topo desta grande pirâmide lá no interior do México.

Jones, o historiador, que estudou exaustivamente as ruínas da América Central e de Yucatán, diz:

"O caráter geral da arquitetura americana é indubitavelmente egípcio." — Ora, ouvi o que ele diz a seguir — "mas a semelhança não é próxima o suficiente em detalhe para permitir que seja de fato obra de mãos egípcias." Conclui que não poderia ter sido construída pelos próprios egípcios. "As antigas cidades da América foram, portanto, construídas por um povo que tinha conhecimento da arquitetura egípcia."

Como isto se harmoniza lindamente com as verdades expostas neste livro sagrado, de que estas cidades foram obra de descendentes da casa de Israel, o mesmo povo que fora, em grande medida, o construtor das cidades e monumentos que hoje existem no vale do Nilo.

Além disso, em justificação disso, o Professor Le Plongeon, que recentemente faleceu, em Nova York, passou quinze anos de sua vida em Yucatán explorando cidades em ruínas, estudando a língua do povo, tentando decifrar as inscrições que abundam nas paredes daqueles grandes templos. Ele nos diz, depois destes anos de exploração, estudo e investigação:

"O antigo alfabeto hierático maia por mim descoberto é o mais próximo possível do antigo alfabeto hierático dos egípcios, quanto dois alfabetos podem ser; forçando-nos à conclusão de que os maias e os egípcios ou aprenderam a arte da escrita dos mesmos mestres, ou de que os egípcios a aprenderam dos maias."

O Professor Le Plongeon rejeita a história contada no Livro de Mórmon. Não reconhece o fato de que os construtores destes grandes monumentos eram descendentes de Lehi ou de outros remanescentes da casa de Israel que vieram de Jerusalém, trazendo consigo, como de fato trouxeram, a instrução dos judeus e a civilização dos egípcios; mas, não obstante, ele declara fatos que convincentemente comprovam e corroboram as verdades contidas no Livro de Mórmon. Há tantas coisas que se poderiam dizer sobre este assunto. O livro em si está diante do mundo, e tem estado sujeito à sua crítica desde a época de sua publicação. A história de Spaulding já foi desmentida, e assim também outras teorias que foram apresentadas contra ele. Na época em que este livro foi publicado, não se sabia que havia qualquer prova conclusiva indicando a origem hebraica dos índios da América. As declarações feitas neste livro, de que grandes cidades foram construídas, de que templos foram erguidos, de que uma grande civilização existiu aqui — o que era comparativamente desconhecido na época em que o livro foi publicado — corroboram a sua verdade.

Este mesmo historiador, Jones, ao examinar as ruínas da cidade de Palenque, compara a arquitetura de um destes grandes edifícios à arquitetura do templo de Salomão. Néfi nos diz que construíram um templo semelhante ao templo de Salomão, em tudo, exceto que não era tão ricamente ornamentado. Não tinham o ouro e a prata e as pedras preciosas, mas tinham o plano; tinham a ideia. Este historiador nos diz que, no porão de um destes grandes edifícios, encontrou um reservatório que era indubitavelmente destinado a captar e reter água. Não sabendo nada sobre o propósito para o qual a água poderia ser usada no porão de um templo, e não sabendo nada sobre a ordenança do batismo, ou as facilidades providenciadas para sua administração, ele, não obstante, corrobora a fé e o conhecimento dos Santos, por meio destas descobertas modernas.

O livro em si e as evidências internas que contém são suficientes para estabelecer a sua verdade. Não me refiro tanto a estes fatos para fortalecer a vossa fé e a minha, quanto para questionar o direito de qualquer homem de discutir coisas que não compreende, de publicar inverdades. Ele não pode se desculpar por falta de conhecimento. Não se espera que os homens discutam coisas de que são ignorantes, quando os fatos são facilmente obtidos. Assim, creio que o Senhor nos responsabilizará; creio que Ele responsabilizará todos os homens pelas coisas que dizem que não são verdadeiras. Um pensamento que me veio, ao ler este livro, foi que eu mesmo deveria ser muito cuidadoso quanto a como julgo a fé, como julgo a doutrina, como julgo as vidas de outras pessoas, até me familiarizar plenamente com elas. Creio que este homem pensava que o Livro de Mórmon era uma ilusão, exatamente como disse que era. Creio que ele pensava isso, mas não creio que ele jamais se tenha dado ao trabalho de descobrir se era uma ilusão ou se era verdadeiro; isso ele poderia ter feito.

Sabeis que, se a autenticidade divina do Livro de Mórmon puder ser atacada com sucesso, isso golpeia uma das próprias pedras fundamentais da Igreja — não que o Livro de Mórmon fosse absolutamente essencial, não que a entrega destas placas ao Profeta Joseph, e sua tradução para a língua inglesa e publicação ao mundo, fossem autoridade suficiente para ele estabelecer a Igreja de Cristo na terra. Poderíamos ter prescindido disso. As primeiras visões gloriosas que o Senhor lhe deu não foram autoridade suficiente para o estabelecimento da igreja de Cristo na terra; essa autoridade veio depois com a restauração do sacerdócio; mas todas foram movimentos preliminares e preparatórios necessários no grande plano de redenção humana que o Senhor estava prestes a estabelecer nesta dispensação. Assim, Ele nos deu o Livro de Mórmon, contendo a plenitude do evangelho eterno, em sua simplicidade, singeleza e verdade. O Profeta Joseph Smith não se propôs a estabelecer a autenticidade divina deste livro por referência às evidências que existem neste continente, pelas quais possa ser corroborado — de forma alguma. Ele nos deu o livro como uma verdade; era uma verdade que Deus lhe revelou estas coisas; era uma verdade que Morôni entregou as placas em suas mãos; era uma verdade que este livro foi traduzido pelo dom e poder de Deus, por meio do Urim e Tumim. Ora, gastamos bastante tempo tentando determinar como isso se deu. Que importa como se deu? Foi feito pelo dom e poder de Deus, isso me basta. Foi feito por meio do Urim e Tumim — nem sequer um método novo de conhecer a vontade do Senhor, pois os antigos o tinham. Os Sumos Sacerdotes em Israel o tinham, e com ele determinavam a mente e a vontade do Senhor para a orientação do povo; assim como com ele o Profeta Joseph foi capaz de traduzir este registro, e de receber a mente e a vontade do Senhor, os convênios, doutrinas e mandamentos, pelos quais a Igreja seria guiada, tal como estão contidos aqui no Livro de Doutrina e Convênios. É a verdade, a verdade eterna. Nada no mundo jamais provará que é falsa. Os homens podem tentar prová-la falsa, mas jamais o conseguirão.

Irmãos e irmãs, dou-vos este testemunho: há um mundo de evidências corroborantes da autenticidade divina deste Livro de Mórmon — lede-o; estudai-o; deixai-vos governar pelas doutrinas nele ensinadas. Tende fé nele; crede nas promessas nele contidas, e encontrareis inspiração e esperança, fé e caridade, e tudo o que há de bom na vida humana. Ele representa aquilo que é bom, aquilo que é verdadeiro, aquilo que é justo, aquilo que é misericordioso, aquilo que edifica, e coloca diante de nós ideais mais elevados aos quais constantemente aspiramos. Que sempre apreciemos a palavra da verdade. Lembrai-vos, meus irmãos e irmãs, que a lei de Deus é a verdade. A Igreja de Cristo está estabelecida sobre os princípios da verdade e da retidão, e, portanto, a verdade e a retidão deveriam ser constantemente cultivadas e incentivadas na Igreja e fora dela. Precisamos ser ensinados no princípio da verdade, porque nem sempre, talvez, somos verazes. Um homem pode ser inverídico em outras coisas além do que diz; pode ser inverídico no que faz; pode ser inverídico nas impressões que procura criar. Toda deturpação de um fato é uma inverdade.

Regozijo-me no Evangelho, e rogo a nosso Pai Eterno que continue a engrandecer a Igreja como tem feito, que abra o caminho para a realização de Seus propósitos, para trazer a redenção de Seu povo do convênio, e o dia em que Seu reino venha e Sua vontade seja feita na terra assim como no céu. Rogo por estas bênçãos — desejo-as para mim mesmo, para vós, e para todo o mundo, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAnthony W. Ivins, “Análise da Literatura Anti-Mórmon e Evidências do Livro de Mórmon”, Conferência Geral de Abril de 1909, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1909-04-04). Pulpit Vault, 1909-04-ivins-literary-defenses. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).