Pulpit

A Influência do Canto e a Observância da Temperança

John Henry Smith

Conferência Geral de Abril de 1908·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1908-04-04

Desejo possuir o bom espírito que tem sido desfrutado pelos irmãos que nos falaram até agora, durante a conferência. A fim de que eu o faça, gostaria de ler dois ou três versos daquele maravilhoso hino escrito pelo Irmão Phelps:

"Não há fim para a virtude; não há fim para o poder; não há fim para a sabedoria; não há fim para a luz; não há fim para a união; não há fim para a juventude; não há fim para o sacerdócio; não há fim para a verdade; não há fim para a glória; não há fim para o amor; não há fim para o ser: —

A morte lúgubre não reina lá em cima."

Parabenizo vocês, meus irmãos e irmãs, por poderem comparecer a esta conferência, por terem encontrado o tempo e os meios, e terem tido a disposição de estar presentes para comemorar este dia maravilhoso. Para mim, este está entre os dias memoráveis de minha vida, pelo fato de comemorar o aniversário de meu filho mais velho ainda vivo, e também um de meus dias de casamento.

Sinto-me feliz pelo privilégio de comparecer a esta conferência e receber a impressão do espírito, nos cânticos executados pelo coro, bem como no solo dado por nossa irmã, ao qual acabamos de ouvir. O toque de inspiração que nos chega dessa fonte alegra e adoça estas reuniões, e nos faz refletir, provavelmente mais seriamente e mais profundamente sobre nossa condição. Somos levados a ponderar com cuidado as possibilidades de nossa conduta no futuro, ao olharmos para trás em nossa vida, sob a influência do espírito do canto. Presumo que resoluções tenham sido feitas por todo homem e mulher presentes, muitas vezes em sua vida passada, ao sentirem a influência do espírito do canto, ou ao ouvirem as palavras de inspiração que saíram dos lábios de seus irmãos, de que no futuro fariam um esforço muito sincero e sério para aplicar na vida os princípios e doutrinas do Evangelho do Redentor. Presumo que provavelmente todos os que estão ao alcance de minha voz, quer sejam membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, quer de qualquer outra das organizações eclesiásticas do mundo, tenham feito essas resoluções com bastante frequência em sua experiência, e muitos deles, possivelmente, tenham chegado bem perto do cumprimento dos convênios que fizeram em conversas secretas consigo mesmos e com seu Pai Celestial. Sem dúvida o mesmo será nossa experiência ao partirmos desta reunião aqui hoje, ao ponderarmos o passado, ao observarmos o presente, e ao considerarmos e refletirmos sobre as possibilidades que há no futuro. Quando olhamos para a lista de chamados que foram feitos dentre nossas fileiras nos últimos meses, e consideramos a possibilidade de tal chamado nos chegar, como soldados da cruz do Redentor, bem podemos considerar com deliberação e cuidado o caráter da semente que semeamos, conforme demonstrado na vida dos filhos que nosso Pai Celestial confiou à nossa guarda, e que deveriam ter sido impressionados, pelo caráter de nossa vida, com relação aos princípios da vida eterna. Creio que todos os pais e mães aqui reunidos hoje gostariam que cada filho seu seguisse cuidadosa, refletidamente, e prudentemente as doutrinas que aceitaram quando abraçaram o Evangelho do Redentor. Ficaríamos muitíssimo felizes se os princípios morais que temos tido o propósito de implantar na mente de nossos semelhantes, como arautos da retidão, tivessem causado uma impressão em sua mente, bem como na nossa, de forma tão completa e profunda que não surgisse a necessidade de palavras de advertência e conselho, tais como continuamos a dar a respeito dos problemas envolvidos neste Evangelho dos últimos dias. Com todo o nosso sucesso, e com todos os esforços que fizemos para implantar essas verdades na alma de nossos filhos, e não obstante os esforços que empregamos para estabelecer esses princípios na mente de nossos semelhantes, notamos condições existentes que não estão bem em harmonia com nossos desejos a respeito desses assuntos. Tampouco se encontra uma consideração adequada desses problemas suficientemente na mente daqueles que possivelmente receberam a impressão desta grande missão dos últimos dias, e que ainda se apegam à verdade, mas que deixam de aplicar suas doutrinas tão completamente quanto poderiam em sua vida, e na obra que continua a se apresentar diante deles.

Nossa atenção tem sido frequentemente chamada para este princípio da temperança, sobre o qual o Presidente Smith e os irmãos falaram esta manhã, e ao qual o Presidente Lyman se referiu esta tarde. Quão profundamente deveria ter se alojado em nossa alma. Quão completamente sua marca deveria ter sido gravada na vida de nossos filhos. Quão completamente deveríamos ter observado esta lei, para que, no cumprimento de nosso dever a este respeito, nosso exemplo pudesse ter impressionado nossos semelhantes onde quer que, nas providências de nosso Pai Celestial, tenha sido nosso dever trabalhar e ministrar. Ela causou sua impressão, provavelmente, em círculos mais amplos do que às vezes imaginamos, mas quão mais extensa teria sido sua influência entre os filhos dos homens, como resultado de nosso convívio, se a tivéssemos recebido no espírito dela. Se tivesse havido uma aplicação mais cuidadosa deste princípio na conduta de nossa vida diária, seu poder para o bem provavelmente teria se espalhado muito mais do que se espalhou. Mas não é meu propósito continuar meu discurso sobre este assunto, exceto para dizer que creio, em proporção ao nosso número, termos observado esta lei da temperança mais plenamente do que o povo do mundo. Creio que os Santos dos Últimos Dias, tomados como um todo, quer estejam localizados dentro do estado de Utah, quer além de suas fronteiras nos vários estados de nossa União, na República do México ou no Domínio do Canadá, ou entre os governos do mundo, uma proporção maior deles aplicou os princípios da temperança, nas linhas traçadas por nosso Pai Celestial, do que se encontraria num número semelhante de pessoas em qualquer lugar do mundo. É verdade que há muitos milhares de bons homens e mulheres em toda terra e clima cujo coração se dedicou tão plenamente ao respeito e à reverência pelo Divino Mestre e Seus ensinamentos, que aplicaram amplamente esses princípios morais em sua vida. Há muitas pessoas que aceitaram estas doutrinas, mas quando passamos a considerar sua impressão sobre uma comunidade inteira, creio que estes princípios penetraram mais fundo em nosso coração do que no coração de qualquer outro povo. Confio que no futuro, resguardando nossos próprios direitos e os direitos e liberdades de nossos semelhantes, buscaremos plena e completamente obedecer ao Espírito de nosso Pai Celestial com relação a este assunto da temperança, e que, por meio de nosso convívio, sua impressão seja sentida entre todas as classes de pessoas com quem tivermos o privilégio de conviver.

Meus irmãos e irmãs, penso que os jovens dos Santos dos Últimos Dias deveriam, de fato, regozijar-se nos privilégios que têm sido seus. Não importa onde se encontrem, ou quão longe possam ter se desviado do caminho da retidão e da temperança, não penso que algum deles jamais poderá dizer que as doutrinas da Igreja, da qual seus pais eram membros, não gravaram em sua mente a importância de viver retamente. O objetivo da Igreja tem sido ensinar o melhor que se pudesse encontrar e implantar no coração de seus membros ideais tais que, ao buscarem aproximar-se das condições apresentadas por esses ideais, pudessem estar à frente das condições encontradas entre outros com quem convivessem. Para mim, não há esquema apresentado aos mortais, na história do mundo, que apresente uma perspectiva tão brilhante quanto o sistema que nos foi dado, conhecido como o Evangelho do Redentor. Não há nada no mundo que apresente aos mortais possibilidades e privilégios tais como os que são dados aos Santos dos Últimos Dias naquela religião que o mundo chama de "mormonismo" — tão ampla, tão completa, tão minuciosa em cada detalhe, e apresentando possibilidades e probabilidades tão incomparáveis.

Pensem apenas numa proposição que toca profundamente o coração das mães que estão reunidas aqui hoje, ao alcance de minha voz. Comparem sua situação com a das mães que eram crentes nas doutrinas de Calvino e do bom e velho John Knox, quando prevalecia a ideia de que crianças, aos incontáveis milhares, estavam perdidas para sempre, a menos que, por acaso, os pais tivessem a previsão e a sabedoria de lhes ter administrado certas ordenanças; e se por acaso essas ordenanças não fossem administradas, seus filhos estavam eternamente perdidos. Comparem esta doutrina com a apresentada pelo menino Joseph Smith, na introdução do Evangelho nestes últimos dias, dizendo a todas as mães do mundo — não somente às mães dos Santos dos Últimos Dias, mas às mães da Igreja Católica, das Igrejas Protestantes, da Igreja Judaica, da Igreja Budista, e às mães de toda denominação no mundo: "Seus filhos são redimidos pelo sangue de Cristo, nenhum deles se perderá." Que bela proposição, em sua amplitude, em sua liberalidade! Chega ao coração com alegria e júbilo à maternidade desta organização da qual somos membros. Que consolo isto é para elas, quando tomam seus filhos ao peito e deles cuidam e os assistem. E se algum de seus filhos adormece na morte, percebem que esses pequeninos são acolhidos pelo Redentor do mundo, que não são rejeitados, não serão encontrados entre os injustos, os impuros, os viciosos que rejeitaram Deus e Sua verdade.

Somos ensinados que todo ser humano que alcança o entendimento do certo e do errado será julgado com base em sua aceitação ou rejeição da verdade. A todo homem e mulher é dado a conhecer clara e plenamente que a justiça de nosso Pai Celestial opera no interesse de todos os Seus filhos que chegaram à maturidade, que todos os que compreendem o certo e o errado são responsáveis pela vida que levam, e no final serão chamados a responder por seus atos, sejam bons ou maus. Na abertura dos livros onde os fatos de sua vida estão registrados, serão julgados segundo suas obras e seu entendimento do certo e do errado. Não podemos passar pelo mundo com imprudência, com vício, com impureza, injustiça, fazendo o mal, pisando aos nossos pés todo princípio de retidão, e então pensar que, ao declarar com nosso último suspiro que cremos no Redentor do mundo, a porta do céu se abrirá para nós. Pensem nestas coisas, rapazes e moças "mórmons," quando as pessoas falam da amplitude das doutrinas do mundo sectário, e condenam, e marcam com infâmia as doutrinas e o sistema introduzidos por meio das providências de nosso Deus, pela declaração do próprio Pai, na apresentação de Seu Filho e na concessão das chaves da vida eterna.

O Presidente Winder nos falou esta manhã da grande obra que está sendo realizada nos templos, em favor dos milhões que morreram sem conhecimento do Redentor do mundo, sem um sentido de compreensão do propósito de Seu Evangelho, sem conhecimento destes gloriosos edifícios dedicados a nosso Deus, nos quais se realiza a obra pela salvação dos mortos, reunindo sob o Evangelho do Redentor todos aqueles para quem essas ordenanças serão administradas.

Por que precisaria algum rapaz ou moça mórmon no mundo baixar a cabeça quando os homens marcam com infâmia, com falta de liberalidade, ou falta de valor, ou poder ou bondade, um sistema que torna os homens puros e limpos, pelo dom de Deus, os redime por Seu sangue e os coroa com vida eterna? Por que deveríamos baixar a cabeça, ou envergonhar-nos de uma causa que visa ao estabelecimento da retidão, e ensina que, sob as leis de Deus, todos seremos julgados de acordo com nossas obras individuais? Havemos de encontrar defeito na justiça e na misericórdia de nosso Deus, quando Seu grande plano, tal como nos foi revelado, provê a redenção de milhões que partiram antes sem conhecimento de Seu Evangelho, e a quem o testemunho do Espírito não havia chegado? Ele diz aos que estão vivos: Cumpram seu dever em harmonia com os princípios da retidão, então a chave do conhecimento será girada, e os milhares que partiram antes ouvirão e aceitarão o Evangelho no mundo espiritual; a justiça de nosso Pai assim se manifestando por eles como por nós.

Meus amigos, especialmente vocês, jovens que estão ao alcance de minha voz, peço-lhes que ponderem estas proposições, estudem estes princípios. Estando em sua presença e sentindo a impressão do Espírito e a natureza desta grande obra, declaro-lhes que, em todos os esquemas e artifícios que chegaram ao entendimento dos homens por sua própria habilidade, por sua própria sabedoria, luz, e conhecimento, não há nada que se compare a ela. Tudo o mais no mundo cai em insignificância quando pensamos neste maravilhoso plano de vida e salvação que foi restaurado à terra em nossos dias. Não há verdade no mundo, seja nas ciências dos homens seja nas revelações de Deus, que não seja parte integrante do Evangelho que o Redentor nos deu. Presto-lhes meu testemunho de sua verdade, e imploro sua cuidadosa consideração dela. Confio que estes jovens ponderarão suas possibilidades, que se manterão puros e sem mácula do mundo, e cumprirão a missão e o destino de Santos dos Últimos Dias genuínos, sinceros, devotados e completos. Que a paz abunde com todos vocês, é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Henry Smith, “A Influência do Canto e a Observância da Temperança”, Conferência Geral de Abril de 1908, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1908-04-04). Pulpit Vault, 1908-04-smith-song-and-temperance. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).