Advertência Contra Curandeiros Charlatães e Vigaristas Ambulantes
Reed Smoot
A conferência foi declarada aberta pelo Presidente Joseph F. Smith, que anunciou que, como o Tabernáculo não poderia acomodar todos os que desejavam ser admitidos, seria realizada nesta manhã uma reunião extra no Salão de Assembleias, sob a direção do Élder George F. Richards. ¶
O coro e a congregação cantaram o hino: ¶
Ora, regozijemo-nos no dia da salvação; já não precisamos vagar como estranhos na terra, boas novas ressoam para nós e para cada nação, e em breve virá a hora da redenção. ¶
A oração foi feita pelo Élder Nephi Pratt. ¶
O coro cantou o refrão, "Despertai, ó mortais, a aurora está próxima." ¶
Eu tinha esperança de que outra pessoa fosse chamada nesta manhã para discursar na abertura desta reunião. Por ter estado ausente nos dois dias anteriores, senti que gostaria de ouvir ao menos um dos irmãos falar, para que eu pudesse captar o espírito da conferência. Reivindicarei parte na oração que foi feita pelo Élder Pratt, para que o mesmo espírito influencie os oradores de hoje que dirigiu os das reuniões realizadas antes. ¶
Nestas conferências gerais, reunimo-nos de todas as partes para sustentar as autoridades da Igreja, para receber instrução, conselho e admoestação, para falar da bondade e misericórdia de Deus para conosco, e testificar da restauração do Evangelho de Jesus Cristo. Ao viajarmos pelas estacas de Sião, às vezes vemos erros e males que existem entre o povo, e procuramos chamar a atenção para eles no espírito do conselho, e a título de aconselhamento — não num espírito de crítica, mas com o propósito de melhorar a condição do povo como um todo. Não tive tempo de ler os jornais que traziam uma síntese das observações feitas pelos irmãos, mas sinto, nesta manhã, vontade de chamar atenção para algumas coisas que precisam de correção que notei, a respeito das quais, talvez, seja apropriado aconselhar-vos, que estais presentes, e, por meio de vós, os demais membros da Igreja, para que, no futuro, se faça uma mudança quanto aos pontos que eu possa mencionar. ¶
Desejo falar, por um curto período, sobre fraudes e charlatães. Sinto-me levado a falar sobre este assunto porque, não faz muito tempo, em um dos condados vizinhos a este, numa cidade habitada quase inteiramente por Santos dos Últimos Dias, veio para o meio do povo — anunciado pelos jornais — um homem que afirmava ser o maior médico do mundo. Era um fenômeno. Tinha tamanha sabedoria que podia curar todos os males a que a humanidade está sujeita. Vestia-se bem e parecia um cavalheiro. Uma das primeiras coisas que fez ao chegar à cidade foi contratar a banda de metais, com o propósito de atrair uma multidão e preceder sua carruagem em todas as reuniões. Foi a uma das esquinas comerciais da cidade, onde se erigiu um pequeno estrado, e, a fim de manter a multidão até que pudesse convencer alguns de que tinham vermes, ou algo pior, fez com que três ou quatro crioulos cantassem canções — a propósito, disseram-me que os crioulos proporcionaram a melhor parte do entretenimento. Ele exaltou o povo a tal ponto, com sua vívida descrição de várias doenças horríveis e seus sintomas, que não era mais questão, entre seus crédulos ouvintes, de saber se estavam doentes naquele momento, mas se estariam em algum momento futuro. Arrecadou dinheiro aos milhares, com a venda de seu remédio. Quando o interesse esmoreceu, como aconteceu depois de alguns dias, ele anunciou nos jornais que iria espalhar dinheiro pelas ruas da cidade, para ser recolhido pelo povo que seguisse sua carruagem até a plataforma da palestra. Digo-vos, meus irmãos e irmãs, que fiquei humilhado ao ver as multidões seguindo aquele homem. Ele carregava diante de si uma pequena maleta contendo grande quantidade de centavos, algumas moedas de vinte e cinco centavos, e talvez uma ou duas de cinquenta centavos; e a cada três ou quatro varas, enquanto descia a rua, tomava um punhado de moedas de cobre e as lançava no meio do povo. ¶
Depois que a multidão se atropelou por aquelas moedas de cobre, vi mulheres saindo do meio delas com seus vestidos rasgados, e crianças quase mutiladas. Fiquei estupefato, e me perguntei o que estaria pensando aquele povo, e resolvi falar disso em público na primeira oportunidade que tivesse. Foi-me dito, por um dos oficiais da cidade, que, numa noite, aquele homem vendeu garrafas de seu remédio tão depressa quanto quatro homens conseguiam entregá-las, indivíduos quase escalando uns aos outros para consegui-las, e o charlatão vendeu mais de $600,00 em mercadoria; o povo estava quase tão ávido por comprá-lo quanto para recolher as moedas de cobre da poeira da estrada. Meus irmãos e irmãs, denuncio isto veementemente como errado; e espero que tal cena jamais volte a se ver em Utah. Nenhum charlatão no mundo jamais deu ao povo algo em troca de nada. Meu conselho ao povo é que, se alguém estiver doente, e não tiver fé suficiente para ser curado pela administração dos élderes da Igreja, mande chamar um médico que conheça e busque seu conselho, alguém que resida na comunidade onde vive e tenha uma reputação a zelar. ¶
Também temos entre nós os chamados médicos oculistas, ambulantes. Lembro-me de, anos atrás, ter encontrado um deles numa pequena cidade do sul de Utah. Eu conhecia bem aquele homem; ele era residente de Idaho, e ferreiro de profissão. Fiquei surpreso ao vê-lo ali, e lhe perguntei o que estava fazendo tão ao sul de Utah. Ele me disse que o comércio andava fraco e pensou que, talvez, pudesse ganhar mais dinheiro, e com mais facilidade, vendendo óculos ao povo do que exercendo seu ofício. "Bem," disse eu, "Heber, você não é médico; você nada sabe sobre os olhos; você não teme prejudicar a vista de alguém vendendo óculos sobre os quais nada sabe, especialmente quando não pode ajustá-los adequadamente?" "Oh," disse ele, "Irmão Smoot, eles nunca farão mal a ninguém; são apenas vidro comum de janela; custam apenas trinta e seis dólares a grosa." Ele me contou como procedia para vender aqueles óculos. Entrava numa cidade, e o primeiro lugar onde chamava era a residência do Bispo da ala; e, se conseguisse vender ao filho ou à filha do Bispo um par de óculos, seus óculos imediatamente se tornariam populares na vizinhança. Encontrou centenas que imaginavam que seus olhos precisavam de tratamento, e que os óculos eram absolutamente necessários. Eu poderia dizer mais a este respeito, mas isto basta. ¶
Há outra coisa censurável para a qual desejo chamar vossa atenção — são os remédios de marca. Desejo dizer, contudo, que, desde que a lei de alimentos puros foi aprovada, o povo está de certa forma protegido, e as condições estão consideravelmente melhores. Tenho uma lista de remédios de marca positivamente perigosos, publicada por um homem que tem tido grande interesse no assunto. Este homem adverte o povo contra o uso de remédios de marca; e nomeia os ingredientes de muitos que são bem conhecidos e populares, mostrando que contêm drogas gravemente prejudiciais àqueles que os usam. Estais familiarizados com o "Xarope Calmante da Mãe Winslow," uma poção que acalma o bebê rumo à sepultura, tão lentamente, mas, ah, tão certamente. "Peruna," "o remédio da bebida," como é chamado, é outro bem conhecido. Não tenho tempo agora de enumerar a longa lista contra a qual ele adverte o povo deste país a não comprar nem usar. Desejo dizer aqui hoje que espero que os Santos dos Últimos Dias deixem tais coisas de lado. ¶
Há outro mal para o qual desejo chamar vossa atenção, porque o vejo tão claramente, não apenas nesta parte da terra, mas por todo o país, e é a especulação excessiva. Não vou dizer que não deveis negociar em ações, ou que não é vossa prerrogativa e direito comprar o que quiserdes na terra; mas afirmo que há especulação demasiada em ações, sendo a maioria das transações feitas em margem, e há um dia de acerto de contas chegando, tão certo quanto o sol nascerá amanhã de manhã. Se tendes o dinheiro, comprai o que sentirdes ser apropriado; mas não arrisqueis vosso bom nome nem vosso crédito; não arrisqueis o bom nome ou o crédito de um amigo com o propósito de especular em qualquer tipo de ações. Ora, eu poderia continuar nesta linha, e pregar um sermão sobre o mal da dívida; tal conselho é sempre bom, sempre oportuno, e parece-me que, neste momento em particular, é apropriado aconselhar o povo a manter-se longe de dívidas, e, se endividado, a sair delas o quanto antes. ¶
No trem, outro dia, vindo de Nova York, encontrei um cavalheiro, e, em conversa com ele, surgiu a questão da religião. Ele, creio, é um exemplo de milhões de homens. Era indiferente a todo tipo de religião, e tinha pouco uso para credos; sua atitude me convenceu de que o pecado da indiferença é uma das piores coisas com que temos de lidar hoje. Todo missionário que vai ao campo, todos os que viajam pelas ferrovias em qualquer parte deste país, encontram este pecado predominante da indiferença. Vemo-lo até em nossas comunidades e, ouso dizer, por toda parte. Este homem me disse que acreditava que, enquanto tivesse força de corpo e vigor de mente, era seu dever prover para sua esposa — ela era tudo o que na terra dependia dele, pois não tinham filhos — e cercarem-se de todo o luxo e conforto possível de alcançar. Disse ele: "Depois que minha força se for, quando eu estiver velho, aí sim haverá tempo para tratar da questão da religião." Nunca pude acreditar nesta doutrina, a próxima coisa ao arrependimento de leito de morte, nem vejo como qualquer homem são pode acreditar nela. Este homem acreditava ser impróprio para ele usar qualquer influência para induzir as pessoas a estudar religião; e sugeri-lhe, tranquilamente, que tinha dúvida quanto a ele ter o direito de se dizer cristão. Ele se esquivou disso, mas me lembrou do menino que resumiu a condição religiosa de seu pai nestas palavras: "Sim, papai é cristão, mas ele faz muito pouco a respeito disso." É assim o mundo hoje; muitos milhões afirmam ser cristãos, mas fazem "muito pouco a respeito disso." Despertarão em algum momento e descobrirão que é tarde demais, que a procrastinação lhes custou caro nesta vida, e não duvido de que os afetará seriamente na vida vindoura. Não há nada que roube o tempo do homem, seus talentos, seu vigor, sua energia, até mesmo suas perspectivas de salvação, em maior grau do que o crime da procrastinação. Procrastinar significa marcar um encontro com a oportunidade e depois pedir a ela que volte em algum momento futuro. Meus irmãos e irmãs, espero que, qualquer bem que empreendamos fazer, o façamos de todo o coração. Demos a melhor parte de nossas vidas ao serviço de Deus. Tomo o ponto de vista diretamente oposto ao expresso por este homem. Penso que o momento de dar a Deus o serviço que Ele deseja de nós é quando temos toda a força de nossos corpos e todo o vigor de nossas mentes. ¶
Desejo aconselhar meus jovens irmãos e irmãs a serem fiéis a seus pais e mães, não apenas a honrá-los como tais, mas permiti-me pedir-vos que torneis a vida o mais fácil possível para eles, e que o façais agora. Não espereis alguma oportunidade futura; sei, por experiência pessoal, o que isso significa. Costumava construir castelos no ar, e o problema com eles era que sempre eram construídos na direção errada — eu tentava construí-los do topo para a base, em vez de do alicerce para o topo. Quando menino, eu sempre antecipava o momento em que poderia levar minha mãe de volta à velha Noruega, o lugar de seu nascimento, de volta à antiga propriedade familiar, e mostrar ao povo de lá o que a Igreja de Jesus Cristo, o "mormonismo," havia feito por ela. Sonhava com o dia em que esse prazer viria a mim e a ela; mas deixei para muito tarde — minha mãe partiu para o grande além, e meu desejo não se realizou. Talvez todo menino e menina construa um estilo semelhante de castelo no ar; pensam no que farão por seus pais, quando puderem, em algum momento futuro. Meu conselho, meus jovens irmãos e irmãs, é: não espereis, mas fazei o que puderdes para tornar a vida feliz para eles o quanto antes. Se não puderdes levar vossos pais numa viagem, podeis fazer mil e uma outras coisas que ajudarão a tornar mais fácil o caminho de pai e mãe, e assim trazer alegria e paz àqueles que vos deram a vida. Regozijo-me no crescimento da obra de Deus. Regozijo-me em ver os batismos aumentarem, como estão fazendo em todas as partes do campo missionário. É verdade que muitas pessoas se opõem à Igreja, mas a Igreja é como a árvore de mostarda: quanto mais a chutam, mais as sementes se espalham. Se as pessoas desejam se opor ao Evangelho de Jesus Cristo, que se oponham; é prejuízo delas; mas, tão certo quanto Deus vive, isto é verdade, e Ele há de fazer com que esta obra prossiga até a vitória final. ¶
Desejo dizer-vos, maridos e esposas, sede considerados uns com os outros em vossos lares, sede reconhecidos, e falai todo o bem que puderdes um do outro. Maridos, dizei a vossas esposas quanto estimais seus trabalhos no lar; esposas, dizei a vossos maridos quão interessadas estais em suas lutas. Um pouco de elogio, nesta vida, é uma coisa muito boa. Preferiria receber uma única flor em vida, dada por um amigo, do que ter meu caixão coberto de rosas. Pais, parai e observai os trabalhos constantes da mãe, dia após dia, ano após ano, considerai como ela vos ajudou a fazer o lar, e suportou as provações da maternidade, e então não temais dizer-lhe que apreciais tudo, não deixeis isso para quando ela estiver em seu leito de morte. E assim eu poderia dizer à esposa: interessai-vos pelo que vosso marido está fazendo; encorajai-o na linha em que ele está trabalhando. Se ambos fizerdes isso mutuamente, vos amareis melhor um ao outro, haverá um vínculo mais forte entre pais e filhos do que se negligenciardes estas cortesias e deixardes as coisas serem tomadas como certas. ¶
Peço as bênçãos de nosso Pai Celestial sobre o povo como um todo, e sobre Sua Igreja. Que a Igreja cresça e aumente, tão rapidamente quanto o Pai desejar. Isto, com todas as demais bênçãos que o Pai vê que o povo necessita, rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
O Élder John W. Summerhays e Noel S. Pratt cantaram, em dueto, o hino que começa: ¶
A manhã desponta, as sombras fogem; Eis! o estandarte de Sião se desfralda. O alvorecer de um dia mais radiante ergue-se majestoso sobre o mundo. ¶