Felicitações e o Crescimento da Igreja
Joseph F. Smith
A Septuagésima Sétima Conferência Geral Anual da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reuniu-se no Tabernáculo, em Salt Lake City, às 10 horas da manhã, na sexta-feira, 5 de abril de 1907, presidindo o presidente Joseph F. Smith. ¶
Estavam presentes, da Primeira Presidência, Joseph F. Smith, John R. Winder e Anthon H. Lund; do Conselho dos Doze Apóstolos, Francis M. Lyman, John Henry Smith, George Teasdale, Heber J. Grant, Rudger Clawson, Reed Smoot, Hyrum M. Smith, George Albert Smith, George F. Richards, Orson F. Whitney e David O. McKay; o Patriarca Presidente John Smith; do Primeiro Conselho dos Setentas, Seymour B. Young, Brigham H. Roberts, J. Golden Kimball, Rulon S. Wells, Joseph W. McMurrin e Charles H. Hart; do Bispado Presidente, William B. Preston e Orrin P. Miller. Havia também grande número de presidentes de estaca e de missão, com seus conselheiros, bispos de ala, e numerosos outros homens e mulheres proeminentes, representando diversas organizações da Igreja. ¶
O presidente Joseph F. Smith declarou aberta a assembleia, e os cultos começaram com o coro e a congregação cantando o hino: ¶
Guia-nos, ó Tu, grande Jeová, Conduze-nos à terra prometida, Somos fracos, mas Tu és capaz — Sustenta-nos com Tua poderosa mão. Espírito Santo, Alimenta-nos até que o Salvador venha. ¶
A oração de abertura foi proferida pelo élder David McKenzie. ¶
O coro e a congregação então cantaram o hino: ¶
Redentor de Israel, Nosso único deleite, Sobre quem clamamos por uma bênção, Nossa sombra de dia, E nossa coluna de noite, Nosso Rei, nosso Libertador, nosso tudo. ¶
Estou encantado em saudar-vos na reunião de abertura de nossa conferência geral. É certamente tranquilizador e extremamente agradável ver tantos reunidos na primeira reunião. Penso que isso indica um interesse na ocasião, especialmente da parte das autoridades presidentes da Igreja e dos membros líderes. Estamos encantados em ver-vos aqui, e temos apenas felicitações a oferecer-vos e a todos os Santos dos Últimos Dias pela abundância das misericórdias e bênçãos do Senhor sobre Seu povo por toda a terra. ¶
Não desejo dizer nada nesta manhã em espírito jactancioso, nem com excesso de confiança em nós mesmos, mas o que direi, sinceramente espero que seja inspirado pelo Espírito do Senhor, que é o espírito de sabedoria, para que eu não diga nada que o Senhor não aprovasse e que não vos fosse aceitável no espírito da verdade. Desejo representar brevemente diante desta vasta assembleia, tal como o Espírito me der a dizer, a condição atual da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tal como a vejo. Falarei primeiro da Presidência da Igreja e de seus associados, o Conselho dos Apóstolos. Desejo apenas referir-me a eles muito brevemente; pois estamos aqui diante de vós, e é provável que nos ouvireis durante esta conferência individualmente, e podereis julgar por vós mesmos nosso espírito, nossa fé e nossas obras. Sinto-me muito feliz em dizer-vos que a Presidência está tão unida em seu espírito, em sua fé e em suas obras quanto sempre esteve desde a organização desta Presidência. Deixamos a vós julgardes se nosso espírito é reto, e se nossa fé está fundada na verdade ou não. A Presidência e os Apóstolos estão unidos em seus sentimentos e em seu amor uns pelos outros. Até onde posso discernir, não há um único pensamento na mente de qualquer membro da Presidência ou dos Doze Apóstolos que não recebesse a marcante bênção, aprovação e sanção de nosso Grande Pai e Juiz. Ao dizer tanto a favor dos irmãos que estão à frente, creio estar apenas lhes fazendo justiça e representando de modo breve, mas verdadeiro, a real condição desses dois principais conselhos do santo sacerdócio. Tenho também o prazer de dizer que a mesma boa vontade, união, amor e confiança existem entre esses dois corpos e os Setentas presidentes da Igreja. Os Primeiros Sete Presidentes dos Setentas estão unidos conosco, e nós com eles. Todos esses irmãos são diligentes no cumprimento de seu dever. Estão dispostos, prontos, e sempre à mão para atender a todo chamado que lhes seja feito. Vós mesmos os conheceis, pois vos visitaram e pregaram em vossas Estacas e Alas, de modo que podeis julgar de seu espírito, e que estão na fé do Evangelho, para nela permanecer para sempre, se continuarem a desfrutar e cultivar o espírito do Evangelho e o amor pela verdade que impregna suas almas hoje. Esperamos isso; buscamos isso; e não poderíamos, por um só momento, admitir em nossos pensamentos que algo diferente disso pudesse jamais ocorrer com esses três principais quóruns da Igreja. ¶
Lamento dizer que a saúde e o vigor de alguns dos membros do Bispado Presidente não são o que desejaríamos; mas estão unidos, e têm ajuda eficiente em seu ofício. São homens que têm sido postos à prova por anos em seu bispado. São homens de Deus, homens de verdade e sobriedade, homens de sabedoria e discernimento, sob a inspiração do Espírito Santo; e Deus tem estado com eles, como o quórum presidente sobre o sacerdócio menor da Igreja, e têm sido maravilhosamente abençoados. São homens verdadeiros, segundo a luz e a inteligência de que são dotados. ¶
Não preciso dizer muito a respeito de nosso Patriarca Presidente. Ele está diante do povo. Não tem podido viajar entre o povo e aconselhar-se com os patriarcas nas diferentes Estacas de Sião tanto quanto gostaríamos que fizesse, por causa de doença na família; mas esperamos que o Patriarca Presidente da Igreja se sinta fortalecido e aliviado dos embaraços e obrigações que o prendem, e possa esforçar-se para visitar os Santos e administrar-lhes consolo e bênçãos, para fortalecer sua fé ao prestar-lhes testemunho da verdade, e, desta forma, magnificar e honrar seu santo e elevado chamado; pois é seu dever. De fato, espera-se de todo homem sobre quem responsabilidade é colocada, e que é chamado pela voz do Espírito e sustentado pelo voto do povo, que cumpra seu dever ao máximo, de acordo com sua capacidade e a inspiração a que tem direito no desempenho dos deveres de seu ofício e chamado. ¶
Posso falar cordial e calorosamente da fidelidade, inteligência e sabedoria, força e influência daqueles que hoje atuam como presidentes de estaca. Com pouquíssimas exceções — e mal desejaria admitir que há alguma exceção, mas, se as houver, são muito, muito poucas — os presidentes de Estaca e seus Conselheiros são homens segundo o próprio coração de Deus, fiéis aos seus chamados e aos seus bispados, fiéis à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fiéis ao seu ofício, fiéis e unidos no cumprimento de seu dever, e diligentemente cuidando do bem-estar espiritual e temporal das Estacas de Sião sobre as quais presidem. São homens em quem depositamos a mais absoluta confiança, homens de integridade, de fé comprovada, de nobre caráter, de vidas puras, pais para o povo, cuja missão é cuidar do bem-estar de Sião e da edificação daquela porção do reino de Deus confiada aos seus cuidados. Falo bem dos Presidentes de Estaca e de seus Conselheiros. Dos membros dos vários Sumos Conselhos não podemos falar de modo tão abrangente, porque são numerosos demais para que os conheçamos individualmente. Mas conhecemos os Presidentes de Estaca, e estamos mais ou menos familiarizados com seus Conselheiros, e cremos que se tem tomado cuidado em todas as Estacas de Sião para ter Sumos Conselheiros eficientes, homens exemplares em suas vidas, homens de boa influência na Estaca em que são chamados a ser doze conselheiros da Presidência, e também doze juízes, para se sentarem com a Presidência da Estaca e julgar e resolver dificuldades e diferenças que possam surgir na Estaca, e para cuidar da proclamação do Evangelho, tanto pelo preceito quanto pelo exemplo. Cremos que grande cuidado tem sido tomado para selecionar e manter Sumos Conselhos eficientes por toda Sião. Onde houver fraqueza e qualquer necessidade de mudança, é nosso conselho às Presidências das Estacas de Sião que façam tais mudanças, que preencham os Sumos Conselhos, e que se providenciem suplentes que sejam eficientes no cumprimento do dever que lhes incumbe. O mesmo se pode dizer, quase universalmente, dos Bispos da Igreja e de seus conselheiros. É claro, os Bispados são frequentemente mudados. É frequente o caso de Bispos que se mudam para outras regiões do país, tornando-se necessário reorganizar os bispados. Depois, as alas são frequentemente divididas em duas ou mais, e isso demanda mais Bispos e Conselheiros. Ocasionalmente, homens se tornam débeis pela idade, e, depois de servir por muitos anos, torna-se necessário aliviá-los da grande responsabilidade de seu chamado, e chamar homens mais jovens e mais fortes para ocupar seus lugares. Desta forma, nossos bispados são provavelmente mudados com mais frequência do que qualquer outro conselho do sacerdócio. Mas não conhecemos deficiência particular alguma nesta importante parte do sacerdócio. Não penso que haja organização na Igreja de maior importância do que a do Bispado. São de fato pais para o povo. É seu dever cuidar da viúva, do órfão, do pobre, do necessitado, do enfermo e do aflito. Espera-se deles que sejam não apenas pais temporais do povo, mas também pais espirituais. Um dever duplo recai sobre eles com força poderosa. É seu ofício cuidar tanto dos que erram quanto dos débeis, e sentir por aqueles que se inclinam a desviar-se dos caminhos da virtude e da honra. Espera-se que os Bispados de Ala estejam em contato constante com seu povo, e que o Bispo conheça todo membro em sua ala, por meio dos meios estabelecidos na Igreja por revelação divina, mediante os quais todo membro da Igreja possa ser alcançado e sua condição, espiritual e temporal, seja conhecida. Esta é uma grande responsabilidade que recai sobre nossos Bispos, e, via de regra, são homens fiéis escolhidos por inspiração. A escolha de nossos Bispos não é feita pelo corpo. Permiti-me dizer apenas uma palavra a respeito desse princípio. Não há oficial algum na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias escolhido pelo corpo. O Senhor nos deu Sua maneira de fazer essas coisas. Ele nos revelou que é dever das autoridades presidentes designar e chamar; e então aqueles que escolhem para qualquer posição oficial na Igreja devem ser apresentados ao corpo. Se o corpo os rejeitar, é ele o responsável por essa rejeição. Têm o direito de rejeitar, se assim o quiserem, ou de recebê-los e sustentá-los com sua fé e orações. Isso está estritamente de acordo com a regra estabelecida pelo Senhor. Se algum oficial na Igreja tem minha simpatia, é o Bispo. Se algum oficial na Igreja merece crédito por paciência, por longanimidade, bondade, caridade, e por amor não fingido, é o Bispo que cumpre seu dever. E sentimo-nos levados a sustentar em nossa fé e amor os Bispos e Conselheiros em Sião. Dizemos aos Bispados das várias Alas: Sede unidos; vede olho a olho, ainda que tenhais de vos ajoelhar diante do Senhor e vos humilhar até que vossos espíritos se misturem e vossos corações se unam uns com os outros. Quando virdes a verdade, vereis olho a olho e sereis unidos. ¶
A verdade jamais dividirá conselhos do sacerdócio. Jamais dividirá Presidentes de seus Conselheiros, nem Conselheiros de seus Presidentes, nem membros da Igreja uns dos outros, nem da Igreja. A verdade nos unirá e nos cimentará juntos. Ela nos tornará fortes, pois é um alicerce que não pode ser destruído. Portanto, quando Bispos e seus Conselheiros não veem olho a olho, ou quando Presidentes e seus Conselheiros têm qualquer diferença que seja em seus sentimentos ou em sua política, é dever deles se reunirem, irem juntos diante do Senhor e se humilharem diante Dele até obterem revelação do Senhor e verem a verdade da mesma maneira, para que possam ir unidos diante de seu povo. É dever dos Presidentes de Estaca e Sumos Conselheiros se reunirem com frequência, orarem juntos, aconselharem-se juntos, aprenderem o espírito uns dos outros, compreenderem-se mutuamente, e se unirem, para que não haja dissensão nem divisão entre eles. O mesmo com os Bispos e seus Conselheiros. O mesmo se pode dizer dos conselhos do sacerdócio, do primeiro ao último. Que se reúnam e se tornem unidos em seu entendimento do que é certo, justo e verdadeiro, e então avancem como um só homem para a realização do propósito que têm em vista. ¶
Está sendo feito um esforço (que chegou mais particularmente ao nosso conhecimento nas Estacas próximas de Sião) pelos Presidentes de Estaca e pelos presidentes dos vários quóruns do sacerdócio, para induzir os membros desses conselhos a atenderem a seus deveres sacerdotais. Os quóruns de Sumos Sacerdotes deveriam ter suas reuniões regulares. Deveriam se reunir tão frequentemente quanto as circunstâncias permitirem ou a necessidade exigir, e crescer e se unir. Deveriam estabelecer suas escolas de instrução e esclarecimento; pois é dever do quórum de Sumos Sacerdotes ensinar os princípios de governo, de união, de avanço e de crescimento no reino de Deus. São, de fato, os pais do povo em geral. Em nossos quóruns de Sumos Sacerdotes estão incluídos os Presidentes de Estaca e seus Conselheiros, Bispos e Conselheiros, Patriarcas, e todos os que foram ordenados ao ofício de Sumo Sacerdote no Sacerdócio de Melquisedeque. Todos estes pertencem ao quórum de Sumos Sacerdotes. Estão sob sua supervisão, e deveriam ter com ele uma união viva, não uma ligação morta. Deveriam estar unidos ao quórum de tal maneira que lhe deem toda a força que possam imprimir para o bem. Deveriam dar-lhe sua influência individual, seu apoio cordial, sua confiança, e o benefício de seu conselho e orientação. Não deveriam se afastar nem serem desinteressados nesses assuntos. ¶
O mesmo se pode dizer dos quóruns dos Setentas. Creio que os Sete Presidentes dos Setentas têm em seus corações e mentes estabelecer um sistema melhor de crescimento, avanço e instrução naqueles quóruns. Os Setentas são chamados para serem auxiliares dos Doze Apóstolos; de fato, são apóstolos do Senhor Jesus Cristo, sujeitos à direção dos Doze, e é seu dever responder ao chamado dos Doze, sob a direção da Primeira Presidência da Igreja, para pregar o Evangelho a toda criatura, a toda língua e povo debaixo dos céus a quem sejam enviados. Portanto, deveriam compreender o Evangelho, e não deveriam depender inteiramente de nossas organizações auxiliares para instrução, tampouco deveriam depender inteiramente das classes missionárias em nossas escolas da Igreja para seu conhecimento do Evangelho e para suas qualificações para pregar esse Evangelho ao mundo. Deveriam empreender o estudo do Evangelho, o estudo das escrituras e a história dos tratos de Deus com os povos da terra, em seus próprios quóruns, e fazer desses quóruns escolas de aprendizado e instrução, nas quais possam qualificar-se para todo trabalho e dever que lhes seja exigido. Os Bispos deveriam encarregar-se especialmente do sacerdócio menor, e treiná-los nos deveres de seus chamados — os Sacerdotes, Mestres e Diáconos. Nossos jovens deveriam ser acompanhados. Os rapazes, assim que for prudente, deveriam ser chamados a participar do sacerdócio menor. Se fosse possível gradá-los, do Diácono ao Sacerdote, e do Sacerdote adiante por todos os ofícios que eventualmente lhes cabem, seria uma das melhores coisas que se poderia fazer. Todas essas coisas deveriam ser acompanhadas pelas autoridades presidentes da Igreja, especialmente aqueles que presidem sobre os quóruns. Repetirei o que disse antes: espera-se que todo homem sobre quem recai responsabilidade cumpra seu dever fielmente, e seja diligente em seu desempenho. Nossas organizações auxiliares, creio eu, estão em excelente condição. Preciso apenas mencionar-vos que nossas Escolas Dominicais provavelmente nunca tiveram melhor organização do que têm hoje. Nunca houve tempo na Igreja em que mais atenção fosse dada a transmitir instrução e a formar diretrizes para orientação dos professores, em nossas Escolas Dominicais, do que se tem dado ultimamente; e há um bom e vivo espírito e influência sentidos entre os trabalhadores da Escola Dominical. Falarei da Sociedade de Socorro como uma grande organização na Igreja, organizada pelo Profeta Joseph Smith, cujo dever é cuidar dos interesses das mulheres de Sião e de todas as mulheres que venham sob sua supervisão e cuidado, independentemente de religião, cor ou condição. Espero ver o dia em que esta organização será uma das mais perfeitas, mais eficientes e eficazes organizações para o bem na Igreja; mas esse dia será quando tivermos mulheres não apenas imbuídas do Espírito do Evangelho de Jesus Cristo, e com o testemunho de Cristo em seus corações, mas também com juventude, vigor e inteligência para capacitá-las a cumprir os grandes deveres e responsabilidades que sobre elas recaem. Hoje, é caso demasiado comum que nossas jovens, vigorosas e inteligentes mulheres sintam que apenas as idosas deveriam estar ligadas à Sociedade de Socorro. Isto é um engano. Queremos que as mulheres jovens, as mulheres inteligentes, mulheres de fé, de coragem e de pureza, estejam associadas às Sociedades de Socorro das várias Estacas e Alas de Sião. Queremos que abracem esta obra com vigor, com inteligência e unidamente, pela edificação de Sião e a instrução das mulheres em seus deveres — deveres domésticos, deveres públicos, e todo dever que lhes possa caber. Nossas Associações de Melhoramento Mútuo estão em excelente condição, e realizando um bom trabalho. Penso que o irmão Heber J. Grant, recém-retornado do campo missionário, confirmará minha declaração de que os jovens que tiveram treinamento nas Associações de Melhoramento Mútuo se tornam os missionários mais eficazes e bem-sucedidos do mundo. Queremos que esta obra continue, não apenas entre os jovens, mas também entre as jovens. As Associações Primárias estão fazendo uma vasta quantidade de bem, assim como nossos trabalhadores das Classes de Religião também. O trabalho das Classes de Religião tem sido consideravelmente dificultado, em consequência do preconceito de algumas pessoas e uma disposição de cercar o caminho do Evangelho; ainda assim, está realizando o bem. Tudo o que é mais eficaz para o bem é o que mais é odiado e combatido pelo inimigo da verdade. ¶
Quero dizer a meus irmãos e irmãs aqui nesta manhã, que, em minha opinião, nunca houve tempo em que os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vivessem melhores vidas, fossem mais fiéis e mais diligentes, do que hoje. Temos vários meios de julgar isso. Uma maneira muito precisa de saber é o fato de que a lei do dízimo está sendo observada. Nunca houve tempo na história da Igreja, creio eu, em que a lei do dízimo fosse observada mais universalmente e mais honestamente do que tem sido observada pelos Santos dos Últimos Dias ultimamente. Os dízimos do povo durante o ano de 1906 ultrapassaram o dízimo de qualquer outro ano. Isto é um bom indicativo de que os Santos dos Últimos Dias estão cumprindo seu dever, de que têm fé no Evangelho, de que estão dispostos a guardar os mandamentos de Deus, e de que estão trabalhando à altura da linha mais fielmente talvez do que nunca antes. Quero dizer-vos mais outra coisa, e o faço a título de felicitação, e é que, pela bênção do Senhor e pela fidelidade dos Santos em pagar seu dízimo, conseguimos quitar nossa dívida em títulos. Hoje, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não deve um único dólar que não possa pagar imediatamente. Finalmente, estamos numa posição em que podemos pagar à medida que avançamos. Não precisamos mais tomar empréstimos, e não precisaremos, se os Santos dos Últimos Dias continuarem a viver sua religião e observar esta lei do dízimo. É a lei de receita da Igreja. Além disso, quero dizer-vos, talvez não consigamos alcançá-lo imediatamente, mas esperamos ver o dia em que não precisaremos pedir-vos um único dólar de doação para propósito algum, exceto o que voluntariamente derdes por vontade própria, porque teremos dízimos suficientes no armazém do Senhor para pagar tudo o que for necessário para o avanço do reino de Deus. Quero viver para ver esse dia, se o Senhor poupar minha vida. Não faz diferença alguma, contudo, no que diz respeito a isso, se eu viver ou não. Essa é a verdadeira política, o verdadeiro propósito do Senhor na administração dos assuntos de Sua Igreja. ¶
Antes de me sentar, gostaria de fazer outra declaração. Nossos inimigos têm publicado ao mundo que a Presidência da Igreja e os principais oficiais estão consumindo os dízimos do povo. Ora, vou contar-vos um pequeno segredo, e é este: não há um único dentre as autoridades gerais na Igreja que retire um único dólar dos dízimos do povo para seu próprio uso. Bem, podeis perguntar, como vivem então? Dar-vos-ei a chave: a Igreja ajudou a sustentar em sua infância a indústria do açúcar neste país, e tem algum recurso investido nesse empreendimento. A Igreja ajudou a estabelecer a Z. C. M. I., e tem um pequeno interesse nela, e em algumas outras instituições que pagam dividendos. Em outras palavras, fundos de dízimo foram investidos nessas instituições, que dão emprego a muitos, pelas quais o Fiduciário detém certificados de ações, que hoje valem mais do que foi dado por eles; e os dividendos desses investimentos mais do que pagam o sustento das autoridades gerais da Igreja. Assim, não usamos um único dólar de vosso dízimo. Pensei que gostaria de vos dizer isso, para que, quando ouvirdes homens falando de Joseph F. Smith e seus associados consumindo os dízimos do povo, possais devolver-lhes na cara que eles não usam um único dólar do dízimo para seu sustento. Gostaria que nossos "amigos", se me for permitido usar uma expressão vulgar, "colocassem isso em seu cachimbo e fumassem." (Risos.) Uma palavra a respeito de nossas escolas da Igreja. Nossas escolas da Igreja nunca foram mais eficientes do que são hoje. Temos bons homens à sua frente, e bons professores, Santos dos Últimos Dias, que estão ensinando a vossos filhos princípios de retidão, honra, virtude, verdade e integridade, além de lhes dar os benefícios de uma educação secular. Até aqui, tivemos recursos suficientes para cuidar de nossas escolas, mas não há nada com que eu tenha relação na Igreja que tenha crescido tão rápido em tão pouco tempo quanto nossas escolas da Igreja. Não sei se não ultrapassarão a Igreja em crescimento, se não colocarmos um pequeno limite a elas. Teremos de exercer algum juízo e sabedoria em sua administração, pois podem crescer tanto que não conseguiremos mais sustentá-las. Poderemos ter de reduzi-las um pouco, e regular seu crescimento e aumento de algum modo para corresponder aos recursos disponíveis para seu sustento. ¶
Muitas coisas me vêm à mente, mas falarei de mais uma. Temos dezessete ou mais missões no mundo, e a maioria delas é presidida por homens jovens. [Há 23 missões, ao todo.] Meus irmãos e irmãs, permiti-me dizer-vos que esses jovens são vossos filhos, e são homens segundo o próprio coração de Deus. Temos absoluta confiança em sua integridade. Sabemos que são de verdadeira estirpe e de verdadeiro metal. Sabemos que podem ser confiadas as grandes responsabilidades que lhes cabem. São nobres jovens, homens de inteligência, virtude, honra e integridade, cuja palavra vale tanto quanto a fiança de qualquer homem, não importa quão forte seja a fiança. Portanto, elogio esses jovens, e digo em meu coração: Deus abençoe os Presidentes das Missões da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias por todo o mundo. O élder Charles W. Penrose preside agora a Missão Europeia, onde está usando a capacidade que o Senhor lhe deu (que sabemos não ser de tipo comum) na proclamação do Evangelho, na redação de editoriais para o Millennial Star, e no exercício de sua influência e inteligência na defesa da causa de Sião, e na defesa dos princípios do Evangelho ao mundo; e ele tem um grande número dos mais fiéis, enérgicos e dignos jovens élderes secundando seus esforços naquela Missão. ¶
Sinto que verdadeiramente ultrapassei vosso tempo. Desejo agora anunciar-vos que a Presidência e os Doze prepararam um documento contendo nossos pontos de vista, nossa fé e doutrinas, e afirmando a verdade em conexão com a edificação de Sião e os propósitos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, documento este que nos propomos a ter lido a vós nesta manhã pelo élder Orson F. Whitney, e então queremos apresentá-lo a vós para vossa aceitação ou rejeição, como desejardes, para que possa sair desta conferência, se aprovado, como uma declaração autoritativa de nossa fé, nossos propósitos e nossas obras, como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Deus vos abençoe, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶
DISCURSO AO MUNDO. ¶
O Discurso mencionado pelo presidente Smith em suas palavras finais foi então lido à congregação, de maneira clara e impressionante, pelo élder Orson F. Whitney. ¶
O documento na íntegra está inserido como apêndice a este relatório oficial dos anais da Conferência. ¶
Depois da leitura do Discurso pelo élder Whitney, o presidente Francis M. Lyman fez a seguinte declaração e proposta: ¶
Meus irmãos e irmãs — o conselho dos Doze Apóstolos aprova e endossa mui cordialmente os princípios e pontos de vista no discurso que acaba de ser lido. O tom deste documento é admirável. Respira um espírito de verdade e moderação que o recomendará ao julgamento e aprovação de todos os homens razoáveis. Como declarado no próprio documento, desejamos paz; e, como o primeiro requisito para isso é uma compreensão adequada da posição que a Igreja se propõe a tomar com relação às questões que surgiram no passado recente, é muito apropriado que se faça uma declaração franca dos princípios e da política pelos quais a Igreja será governada. O discurso que acaba de ser lido cobre esse terreno de maneira muito abrangente; e os tempos são propícios para emiti-lo ao mundo. As tempestades que têm nos açoitado por tanto tempo se acalmaram. Passaram sobre nós, graças ao Senhor, sem nos causar dano material algum. Não estamos trabalhando sob tensão de sentimento, e, portanto, estamos no estado de espírito correto para adotar o discurso. ¶
Proponho, portanto, que, representando a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, reunida em conferência geral, adotemos agora este documento apresentado pela Primeira Presidência, e que o aceitemos como uma expressão dos princípios e da política da Igreja, que defenderemos e sustentaremos. ¶
O élder John Henry Smith, ao apoiar a proposta de adoção do Discurso, disse: "Crendo que os melhores interesses da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estão ligados a este assunto, e o bem-estar do povo americano e do mundo em geral, apoio muito cordialmente esta proposição." ¶
O presidente Smith convocou todos os que favoreciam a adoção do Discurso a se levantarem. Em resposta, quase todas as pessoas na congregação se levantaram, manifestando assim sua aprovação do documento. Antes de pedir o voto contrário, o presidente Smith declarou que o assunto era para a consideração apenas dos membros da Igreja, e que, se algum presente não estivesse em concordância com o conteúdo do documento lido em sua audiência, também deveria se levantar. Ninguém respondeu, e a proposta foi declarada aprovada por unanimidade. O coro e a congregação cantaram o hino: ¶
Fazei o que é certo, o alvorecer está despontando, Saudando um futuro de liberdade e luz; Anjos acima de nós estão silenciosamente anotando Cada ação; fazei o que é certo. ¶
A conferência foi suspensa até às 14 horas. ¶