Testemunho e Reflexões Sobre a Restauração
B. H. Roberts
Meus irmãos e irmãs, desejo prestar-vos meu testemunho de que, durante esta conferência, tem havido um rico derramamento do Espírito de Deus sobre Seus servos; meu coração se tem alegrado, e me tenho regozijado nas verdades que recebemos. Não vos presto este testemunho porque julgue necessário confirmar as palavras que foram ditas, nem na esperança de acrescentar ênfase ao que foi dito, nem para convencer-vos de que ouvistes a verdade. O Espírito do Senhor, estou confiante, já testificou a vossas almas, como o fez à minha, que o que ouvimos nesta conferência é verdadeiro, é precioso, e é a palavra do Senhor para o povo. Apenas vos presto meu testemunho para que saibais que também em meu coração o Espírito deu testemunho das boas coisas que recebemos de Deus, e que sou um convosco no gozo destas bênçãos. ¶
Sou agora chamado a dirigir-me a vós por um breve momento, e desejo estar sob a mesma influência de que meus irmãos têm desfrutado ao falar. Contudo, ao contemplar minha própria vida, confesso que é com certo grau de temor e tremor que peço a Deus em meu coração esta bênção; pela razão de que não posso sentir inteiramente que a mereço, mas me vejo na necessidade de confiar na misericórdia e na graça de Deus. Tal é a fraqueza da natureza humana que presumo — ao menos falo por mim mesmo — que, não fosse pela bondade e graça de Deus e por Sua disposição de ajudar aqueles que se esforçam por vencer e ser Seus servos, estaria quase além do poder do homem aproximar-se de Deus com suficiente confiança para obter o derramamento de Seu Espírito e poder. É neste espírito, meus irmãos e irmãs, que me aproximo do Senhor nesta ocasião — com temor e tremor, reconhecendo diante de todos vós minha própria fraqueza e imperfeições; e se Deus, em Sua misericórdia, derramar Seu Espírito e nos conceder uma bênção por meio das palavras que eu possa proferir, que se atribua a Ele a honra, o louvor e a glória. Além disso, desejamos, deste modo, isto é, por meio de Seu Espírito, ser ensinados por Deus, e não pelo homem, nem pelo espírito do homem. ¶
Muitos belos pensamentos despertaram em minha mente ao ouvir o cântico daquele esplêndido hino composto pelo falecido élder Parley P. Pratt, e cantado por seus netos nesta conferência. O hino foi originalmente publicado na capa do primeiro número do "Millennial Star", no mês de abril de 1840; e se eu fosse tomar um texto para esta ocasião, seria a primeira estrofe daquele hino: ¶
A manhã desponta, as sombras fogem; Eis que se desfralda o estandarte de Sião, O alvorecer de um dia mais glorioso Majestoso se levanta sobre o mundo. ¶
Sessenta e três anos de experiência têm demonstrado a inspiração de Deus naquela declaração. Se, em pensamento, voltardes àquela época — 1840 — e considerardes o progresso realizado pelas nações da terra desde então, verificareis que houve mais avanço nas artes, nas ciências, na mecânica, no pensamento científico e religioso, do que em quaisquer quinhentos anos anteriores a essa época. Verdadeiramente, o alvorecer de um dia mais glorioso se ergueu majestosamente sobre o mundo! O alvorecer daquele dia começou quando Deus mais uma vez renovou a comunicação divina com os homens. Quando Ele graciosamente Se revelou, a Si mesmo e a Seu Filho Jesus Cristo, a um Profeta, e anunciou a chegada da Dispensação da Plenitude dos Tempos, na qual todas as coisas seriam reunidas em um, mesmo em Cristo, quer fossem coisas nos céus, quer fossem coisas na terra. Esse foi o início do alvorecer daquele dia mais glorioso. Desde aquele acontecimento, torrente sobre torrente de luz tem vindo à terra, tornando-a radiante de inteligência. O resultado direto do alvorecer daquele dia mais glorioso tem sido a restauração do santo Sacerdócio de Deus — o poder de Deus dado ao homem, pelo qual o homem pode cooperar com Deuses e anjos para realizar os propósitos de Jeová. Também com a restauração do Sacerdócio veio um conhecimento mais profundo das coisas de Deus; uma melhor compreensão do caráter e do ser de Deus; do relacionamento que o homem mantém com Ele; o estabelecimento da Igreja de Cristo; juntamente com visões mais amplas do plano de salvação do homem e da redenção da terra. Creio também que, com esta torrente de conhecimento a respeito destas coisas altamente espirituais, veio ao mundo, quase imperceptivelmente, um espírito de inteligência mais amplamente difundido e mais brilhante do que se conhecia antes; como raios colaterais disparando para a direita e para a esquerda a partir da luz mais direta das revelações de Deus que introduziram a grande obra dos últimos dias. Por meio desses raios colaterais de luz, os homens têm sido conduzidos àquelas grandes descobertas nas artes, nas ciências e na mecânica, que tornam nossa era tão maravilhosa como era de progresso e esclarecimento. Se estou certo nesta conjectura a respeito desta difusão de um espírito mais geral de inteligência no mundo, como resultado da renovada comunicação direta entre o céu e a terra, então não deveríamos surpreender-nos — e estou certo de que nenhum de nós tem inveja nesse assunto — não deveríamos surpreender-nos de que as seitas e partidos do mundo, fora da organização conhecida como A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, participem de alguns dos raios de luz que emanam deste sol espiritual central. Ora, em tempos antigos, até os mendigos e estranhos eram bem-vindos às migalhas que caíam da mesa do Senhor; e assim os habitantes da terra, se agora não podem aceitar a plenitude do Evangelho, são bem-vindos a tais fragmentos daquela verdade que possam penetrar em seu entendimento. Regozijo-me de que participem, em alguma medida, destas coisas; e, embora creia, com o élder Cowley, que talvez não as aceitem deliberadamente para honrar a Deus, ainda assim sou de opinião de que tal é a sabedoria de nosso Pai, que Ele fará com que sua aceitação parcial da verdade contribua para Sua glória, e, em última análise, para um avanço mais rápido da grande obra que Ele tem em mãos. Depois de algum tempo, aqueles que agora incorporam fragmentos da verdade em seus credos verão a necessidade de comparar suas anotações e de rastrear as coisas até sua origem, e, ao fazê-lo, aprenderão que estas grandes verdades religiosas não são descoberta do homem, mas revelação de Deus aos habitantes da terra, e que foram reveladas por meio de Seu instrumento escolhido, o Profeta Joseph Smith. ¶
Não é, contudo, nesta direção que desejo conduzir vossos pensamentos nesta ocasião. Desejo falar, se desfrutar da liberdade do Espírito de Deus, sobre outro assunto. Alguns de vós talvez estejam cientes de que, ultimamente, tenho dedicado alguma atenção à literatura sobre o "mormonismo"; não somente à que nós mesmos publicamos, mas também à que é publicada por outros. As publicações sobre o "mormonismo" durante os últimos cinco anos, creio, são mais numerosas do que em quaisquer vinte anos anteriores a esse período. Os últimos cinco anos têm testemunhado um despertar de pensamento sobre nossa religião. Cada vez mais atenção lhe está sendo dada. Mais artigos de jornal, mais artigos de revista, mais volumes — alguns deles bastante pretensiosos — têm sido escritos sobre o "mormonismo" do que nunca antes, e indicam o interesse universal despertado pelo assunto. Os livros e artigos de revista têm sido escritos sob vários pontos de vista; alguns no velho espírito de amargura, e outros pretendendo ser escritos em espírito de imparcialidade. Contudo, admiro-me de suas ideias de imparcialidade. Uma obra, escrita por um professor de renome, pretendendo ser uma história imparcial, e publicada por uma das principais editoras dos Estados Unidos, com a intenção evidente de estabelecer uma história padrão do "mormonismo", dá plena credibilidade a tudo o que se tem dito contra nós, mas o autor invariavelmente adverte seus leitores contra toda citação que faz de nossas próprias obras — e, no entanto, esse livro é apresentado como uma história imparcial do "mormonismo"! Alguns têm tentado escrever sob um ponto de vista filosófico, mas com o resultado de manifestarem claramente que ainda não alcançaram princípios fundamentais sobre os quais possam explicar satisfatoriamente o Profeta Joseph Smith e a grande obra que ele realizou. Sempre que vejo meu inimigo mudar de posição; sempre que vejo que seu olhar não é firme, mas se desvia para a direita ou para a esquerda, ou olha para trás, essa evidência de incerteza, de indecisão, diz-me que sou seu senhor. Assim também, com referência à grande obra de Deus! Quando vejo homens mudarem de posição, e proporem primeiro uma teoria e depois outra para explicar o "mormonismo", e há confusão entre eles, incerteza, indecisão — sei que a cidadela de nossa poderosa fé está a salvo de dano por seus ataques; que o "mormonismo" não pode cair vítima de suas filosofias ou de seus argumentos. ¶
Permiti-me, por um momento, chamar vossa atenção para pelo menos uma das chamadas soluções filosóficas do "mormonismo"; uma explicação científica para Joseph Smith. A obra a que me refiro foi apresentada à Universidade de Yale como uma tese com a qual o autor esperava obter, e creio que de fato obteve, o grau de Bacharel em Filosofia. Ele confessa francamente que se trata de um esforço para explicar Joseph Smith sob alguma outra hipótese que não a de que fosse uma fraude consciente, empenhado em enganar a humanidade. Quando um homem inteligente faz uma declaração dessas, eu sei, e vós sabeis, que as teorias até então propostas para explicar Joseph Smith são insatisfatórias, que fracassaram. A teoria de que Joseph Smith era uma fraude consciente caiu por terra. As acusações frequentemente feitas e persistentemente insistidas de que o "mormonismo" teve origem no engano e na fraude consciente falharam em seu propósito. As torrentes de falsidade com as quais alguns homens têm procurado sobrepujar o "mormonismo" não alcançaram o fim proposto. Os Santos dos Últimos Dias, depois de cerca de três quartos de século de existência, permanecem acima de todas as torrentes de falsidade que têm sido despejadas contra eles. A obra de Deus não se desmoronou, ela sobreviveu; e os Santos, sorrindo, têm pena daqueles que se valeriam de meios tão desprezíveis para combater a verdade do Deus Todo-Poderoso. Agora, porém, seremos tratados filosoficamente. E a filosofia proposta é: alucinação inconsciente na mente de Joseph Smith; posse parcialmente inconsciente e parcialmente consciente de poder hipnótico, pelo qual as mentes daqueles ao seu redor eram dominadas e levadas a ver coisas que, na realidade, não existiam; e, embora as testemunhas do Livro de Mórmon, e outros, testifiquem honestamente de visões e vozes de Deus, ainda assim, de fato, tais revelações não tinham existência objetiva alguma, mas eram alucinações mentais. E quanto a Joseph Smith, ele teria sido enganado por condições epiléticas. O autor que estou considerando se esforça grandemente por traçar a ascendência do Profeta, apontando suas peculiaridades mentais e supostos defeitos, chegando à conclusão de que esses defeitos mentais em seus antepassados culminaram em epilepsia em Joseph Smith. E assim, temos como explicação do "mormonismo", ataques epiléticos em seu Profeta, cujas alucinações são honestamente confundidas com visões inspiradas, com poderes hipnóticos sobre outros, parte conscientes e parte inconscientes! E esta teoria é apresentada seriamente a uma das primeiras instituições de ensino da América como uma explicação racional de como o "mormonismo" veio a existir! ¶
Ernest Renan, o filósofo francês, ao considerar hipótese semelhante para explicar o Senhor Jesus Cristo, derrubou toda essa espécie de sofisma com esta simples declaração: "Nunca foi dado às meras aberrações da mente humana resultar no estabelecimento de instituições permanentes que influenciem um número considerável de pessoas." Em outras palavras, os sonhos e alucinações do epilético terminam em meros sonhos e alucinações; jamais se cristalizam em grandes sistemas de filosofia ou em instituições religiosas racionais. Jamais se cristalizam em grandes organizações capazes de perpetuar aquela filosofia e aquela religião no mundo. Por mais que o gênio possa estar próximo da loucura, ele deve permanecer gênio, e não degenerar em loucura, se há de exercer qualquer influência permanente sobre a mente dos homens. ¶
Há muito fascínio de sofisma, que pode ser tomado por raciocínio e argumento profundos, na obra para a qual chamo vossa atenção. Mas uma só palavra responde a esta explicação filosófica de nosso Profeta. A obra por ele realizada, as instituições que ele fundou, destroem toda a trama de premissas e argumentos sobre os quais essa teoria se baseia. Por mais que o Profeta Joseph Smith fosse grande — e ele era grande —, a ele, mais do que a qualquer outro homem dos tempos modernos, foi dado olhar profundamente para as coisas que são; compreender os céus e as leis que ali vigoram; entender a terra, sua história e sua missão. Ele contemplou as coisas profundas de Deus — sempre, lembre-se, pela inspiração de Deus — e, do rico tesouro do conhecimento divino, trouxe à luz coisas novas e velhas para a instrução de nossa raça, tais como, em alguns aspectos, não haviam sido conhecidas em dispensações anteriores. Por isso repito que Joseph Smith foi grande; mas, por maior que fosse, elevando-se e sobrepujando-o muito está a obra que ele realizou por meio da orientação divina; essa obra é infinitamente maior do que o profeta — maior do que todos os profetas a ela ligados. Sua coerência, sua permanência, seu poder, suas instituições contradizem a teoria da alucinação proposta para explicar sua origem. ¶
Consideremos esta obra por um momento. Se alguém pudesse apenas delineá-la claramente e apresentá-la em sua originalidade e grandeza, ela seria sua própria testemunha de sua divindade; pois em tudo transcende a mera engenhosidade do homem. Tomemos a organização da Igreja como ilustração; e observemo-la como um conjunto de meios para a realização de um fim. Como entendo a Igreja de Cristo, sua missão é dupla: primeiro, proclamar a verdade; segundo, aperfeiçoar aqueles que recebem a verdade. Penso que estas duas coisas abrangem, de modo geral, toda a missão da Igreja. Será sua organização competente para alcançar esses dois grandes fins? Vejamos; e, em primeiro lugar, quanto à proclamação da verdade — obra que é, na verdade, do ministério estrangeiro. Que provisão fez Deus para isso? Ele tem em Sua Igreja, antes de tudo, Doze Testemunhas Especiais, os Doze Apóstolos, que foram escolhidos, em primeira instância, pelas Três Testemunhas Especiais do Livro de Mórmon. Observo de passagem que há uma peculiar adequação no fato de os Doze Apóstolos — as Doze Testemunhas Especiais — serem escolhidos por aqueles que haviam sido feitos testemunhas de Deus pela grande visão e revelação que Ele lhes dera acerca da verdade absoluta e da correção do Livro de Mórmon. Sobre estes Doze Apóstolos recai a responsabilidade de serem testemunhas do Senhor Jesus Cristo em todo o mundo. Esse é seu chamado especial e peculiar. Podeis perceber, contudo, se levardes em conta a extensão de seu campo de labor — pois abrange todo o mundo redondo —, que doze homens não seriam suficientes para atender a todas as exigências do ministério estrangeiro. Deus sabia disso e, portanto, chamou à existência outras testemunhas especiais, para trabalhar sob a direção destes doze, que detêm as chaves para abrir a porta do Evangelho a todas as nações da terra; pois todos devem ouvi-lo, do maior ao menor. Os Doze, repito, detêm as chaves deste ministério estrangeiro; e, portanto, sempre que se abriu a porta do Evangelho a uma nação estrangeira, um ou mais destes homens, detentores das chaves, foram enviados para fazê-lo. Foi por essa razão que Heber C. Kimball, um dos Doze Apóstolos, foi enviado à Grã-Bretanha em 1837, para abrir a porta do Evangelho naquela terra; por isso o élder John Taylor foi enviado à França e à Alemanha; por isso o élder Lorenzo Snow foi enviado à Itália e à Suíça; por isso Erastus Snow foi enviado aos países escandinavos; por isso Parley P. Pratt foi ao Chile e abriu a porta do Evangelho às repúblicas sul-americanas; por isso, mais recentemente, o élder Heber J. Grant foi enviado ao Japão para abrir uma missão. Quer tenha realizado, em sua própria estimativa, muito ou pouco, foi pela razão de deter as chaves deste ministério que ele foi enviado ao grande império do Japão, para abrir a porta do Evangelho naquela terra; e abrir a porta do Evangelho a um império tão grande é, em si mesmo, uma obra muito grande, e será considerado um dos principais feitos na carreira do élder Grant como Apóstolo. Os Doze, então, detêm as chaves deste ministério, e sobre eles recai esta responsabilidade de abrir a porta da salvação às nações. Mas, depois deles, são escolhidas outras testemunhas. Estas são os setenta apóstolos, ou testemunhas especiais, auxiliares dos Doze, sob cuja direção trabalham. No princípio, apenas dois quóruns de Setenta foram organizados; mas com a promessa do Profeta de que, à medida que a obra se expandisse, outros quóruns seriam organizados, não somente até que sete vezes sete quóruns fossem trazidos à existência, mas até setenta vezes sete; "sim", disse ele, "até que sejam escolhidos cento e quarenta e quatro mil Setentas, se a obra do ministério assim o exigir." Assim, temos continuado a organizar quóruns de Setenta, para trabalhar no ministério estrangeiro, até que agora temos cento e quarenta e três quóruns na Igreja — um corpo de quase dez mil homens. São testemunhas especiais do nome de Cristo em todo o mundo, e, quando se considera seu número, juntamente com o privilégio que temos de aumentá-lo, podeis ver que ampla provisão é feita, nesse aspecto, para a obra do ministério estrangeiro. ¶
Mas consideremos agora sua organização por um momento. Sessenta e três membros com sete presidentes, quando o quórum está completo, constituem um quórum. Suponde que enviásseis um quórum inteiro de Setenta, em corpo, ao mundo — espero que isso se faça algum dia —; poderíeis dividir esse quórum em grupos de dez. Poderíeis enviar com cada grupo um Presidente. Deve-se lembrar aqui que estes Presidentes são iguais em autoridade. O conselho de um quórum de Setenta é composto de sete Presidentes, não de um Presidente e seis Conselheiros — mas de sete Presidentes iguais em autoridade. Para efeito de ordem na administração, contudo, o direito de iniciativa e de presidência no conselho é reconhecido como investido no membro mais antigo por ordenação, não por idade. E este princípio é observado não somente no caso do primeiro ou mais antigo presidente, mas em toda a linha, no Primeiro Conselho, e em todos os conselhos de quórum dos Setentas. Por meio deste simples arranjo, toda confusão quanto ao direito de presidência é evitada; pois, assim que o Conselho de um quórum, ou qualquer parte dele, se reúne, em qualquer parte do mundo, cada Presidente sabe de imediato sobre quem recai a responsabilidade de iniciativa, de presidência. Mas, voltando aos grupos de dez em que o quórum pode ser dividido, com um Presidente para cada grupo. Poderíeis dividir cada grupo de dez em cinco pares, e espalhá-los entre o povo, para prestar testemunho eficaz da verdade do Evangelho, sob a provisão da lei do evangelho; pois é lei do evangelho que os élderes viajem dois a dois, principalmente, suponho, pela razão de que Deus declarou que estabeleceria Sua palavra na boca de duas ou três testemunhas; e é bom que, ao prestar testemunho ao mundo, haja o número legal de testemunhas previsto na lei de Deus. Além disso, há um companheirismo e uma solidariedade muito necessários, providos quando os élderes viajam dois a dois; e são uma proteção um para o outro. Poderíeis espalhar estes grupos de dez em um ou mais estados ou países; e eles poderiam reunir-se ocasionalmente em conferências de grupo, trocar experiências, dar conselhos e orientações; após o que, revigorados, poderiam novamente dividir-se em pares, dispersar-se e assim continuar seu ministério. Ocasionalmente, os sete grupos do quórum poderiam ser reunidos em conferência geral do quórum, para deliberar sobre como tornar seu ministério cada vez mais eficaz: reajustar métodos; planejar novas campanhas; fortalecer-se mutuamente por meio de uma troca recíproca de experiências e solidariedade; e fazer o que mais a sabedoria conjunta deles, auxiliada pela inspiração do Senhor, sugerisse como certo e apropriado para o avanço de seu elevado objetivo de fazer que se realize a salvação dos homens. Tais são as possibilidades de um quórum de Setenta. Pode tornar-se uma verdadeira coluna volante de testemunhas de Deus, varrendo a terra com o testemunho de Jesus, e chamando os habitantes da terra ao arrependimento! Podeis pensar que este belo arranjo para o ministério estrangeiro tenha tido sua origem nas alegadas alucinações epiléticas de um homem? Tal concepção é manifestamente absurda, e absolutamente repugnante à razão. ¶
Voltemo-nos agora, por um momento, para o ministério interno da Igreja, e que temos? Temos a organização da estaca, com sua Presidência de três Sumos Sacerdotes presidentes, auxiliados em seus conselhos e labores pelo Sumo Conselho da estaca, composto de doze Sumos Sacerdotes. Este conselho constitui também um corpo judicial para a resolução de dificuldades que não possam ser satisfatoriamente resolvidas nos tribunais do Bispo. É, contudo, um tribunal eclesiástico de jurisdição tanto originária quanto de apelação. Há um Bispado nas respectivas alas da Igreja, constituindo a presidência local do Sacerdócio Aarônico, com quóruns de Sacerdotes, Mestres e Diáconos para auxiliá-los na obra de seu ministério. Os Diáconos cuidam da casa do Senhor, e devem ser auxiliares dos Mestres quando a ocasião o exigir. Os Mestres são as sentinelas sobre as torres de Sião, e é seu dever zelar para que não haja iniquidade na Igreja — nem maledicência, nem censura —, e para que os membros cumpram seus deveres religiosos. O dever dos Sacerdotes é visitar os lares do povo e instruí-los no Evangelho. Parenteticamente, poderia dizer que às vezes me admiro de que os Santos não se sirvam deste auxílio na administração de seus lares. Onde tiverem filhos ou filhas que não se sujeitem às instruções dos pais, os sacerdotes, com toda a propriedade, poderiam ser convidados a reunir-se com eles e ensinar-lhes as sublimes verdades do Evangelho. Além destes oficiais das alas e das estacas, há em cada estaca um quórum de Sumos Sacerdotes, e um ou mais quóruns de Élderes. Estes constituem o ministério permanente nas estacas de Sião, e estão autorizados a ensinar o Evangelho, a advertir todos os homens contra o mal, e a convidar e persuadir todos os homens a virem a Cristo. Estas são as provisões feitas para o ministério interno, na organização propriamente dita da Igreja. O tempo não permitirá referência às organizações auxiliares — as escolas dominicais, as associações de melhoramentos, as sociedades de socorro, as sociedades Primárias e as classes de religião. Mas, do serão do povo à assembleia pública de adoração; do berço à sepultura, toda provisão é feita para levar adiante a obra do ministério, no lar, instruindo os Santos nas coisas de Deus, convidando todos a virem a Cristo; sendo o objetivo da Igreja elevar a níveis cada vez mais altos as vidas dos Santos de Deus, até que se tornem homens e mulheres perfeitos em Cristo Jesus, o Senhor. Tais são, em resumo, os arranjos para o ministério interno. ¶
Não obstante as distinções claras entre o ministério estrangeiro e o ministério interno, as linhas que os separam podem, em ocasiões, ser cruzadas. Lembrai-vos de como Paulo compara a Igreja de Cristo ao corpo de um homem, e insiste em que todo membro e todo órgão é necessário ao perfeito funcionamento desse organismo; que a cabeça não pode dizer aos pés: não tenho necessidade de ti; nem os pés podem dizer à cabeça: não tenho necessidade de ti; nem a mão ao olho: não tenho necessidade de ti; todos os membros do corpo, argumenta ele, são necessários. Ora, que pensaríeis de um corpo que possuísse mão direita e mão esquerda, mas em que a mão direita, na necessidade, não viesse em auxílio da mão esquerda; ou a mão esquerda se recusasse a vir em auxílio da mão direita? Esperais que as duas mãos e braços do corpo de um homem se ajudem mutuamente, sob a direção da inteligência da mente. E assim é na Igreja de Cristo. O ministério interno e o ministério estrangeiro cruzam a linha de separação conforme a ocasião exige, e vêm em auxílio um do outro na realização dos propósitos de Deus. Às vezes os oficiais particularmente encarregados do ministério estrangeiro ajudam no lar; o ministério interno às vezes ajuda no ministério estrangeiro; mas todos trabalham harmoniosamente juntos. ¶
Elevando-se acima destas duas grandes divisões do Sacerdócio está, como a pedra angular do arco, a Presidência da Igreja, tendo controle sobre ambos os departamentos, e dirigindo a obra de Deus em todo o mundo. Sua jurisdição se estende a todo canto da terra. Nenhum ramo da Igreja, por mais remoto que seja, está fora de sua supervisão. Nenhum élder, ainda que viaje por onde quiser, está fora dos limites de sua autoridade. Falem de universalidade como uma das marcas da verdadeira Igreja de Cristo, como às vezes fazem nossos amigos católicos; encontrarão aqui, na Igreja de Cristo, uma universalidade como jamais sonharam. A Igreja é a igreja universal; e o Presidente da Igreja detém jurisdição universal. Além disso, como Profeta, Vidente e Revelador da Igreja, ele é a fonte por meio da qual Deus fala, não somente a este povo, não somente à Igreja de Cristo, mas a todos os habitantes da terra, e Deus os responsabilizará pelo uso que fizerem das palavras que Ele falar por meio de Seu porta-voz designado. Não penseis que a autoridade deste homem se limita apenas a esta Igreja. Todos os habitantes da terra são filhos de Deus, e Ele lhes entregará Sua palavra por meio de Seu profeta. Eu, antes, gosto da ideia de que todos os habitantes da terra nos pertencem — são filhos de Deus, embora alguns deles estejam em rebelião e não queiram, por ora, atender aos mandamentos de seu Pai. Mas aqui, na Igreja de Cristo, está o centro do governo eclesiástico. Aqui resplandecem aqueles raios de luz que se tornarão cada vez mais brilhantes, até que todos os habitantes da terra sejam por eles iluminados. ¶
Que pensais, agora, deste esforço da filosofia para explicar o "mormonismo"? Quão insípidas, quão tolas, quão desprezíveis, quão inadequadas são as teorias dos homens para explicar sequer a organização desta Igreja! A Igreja é sua própria testemunha! Assim como as estrelas, "cantando sempre enquanto brilham, proclamam que divina é a mão que as fez", também esta obra, o Evangelho restaurado — a Igreja de Cristo — proclama que tem origem divina, e que nela há um poder divino realizando os propósitos de Deus. Que os imitadores, então, prossigam. Que escolham Apóstolos, se quiserem — e alguns já os têm; que tenham Setentas, se quiserem, e alguns já os têm; que aceitem esta doutrina e aquela doutrina até terem, em forma, a organização completa e a doutrina completa, se assim o quiserem; mas há uma coisa que jamais poderão obter, pelos séculos dos séculos, e essa é o espírito desta obra, que lhe dá vida e poder. Esta obra sempre se distinguirá das obras dos homens, porquanto nela estará imanente o Espírito de Deus, realizando Sua soberana vontade. E isso é algo que não podem imitar. ¶
Meus irmãos e irmãs, regozijo-me na verdade. Regozijo-me no Evangelho de Jesus Cristo. Ele me satisfaz completamente. Ele responde à fome de meu espírito. Atende também às exigências de minha natureza intelectual. E, ao ver o crescimento da inteligência entre os homens, um aumento do conhecimento científico, uma compreensão mais ampla do universo, um entendimento da extensão e da grandeza das obras de Deus, vejo no "mormonismo" aquilo que se eleva para corresponder a este conhecimento ampliado do homem. O "mormonismo" ensina ao homem que ele é um filho de Deus; diz-lhe que possui em si elementos divinos que participam da natureza de Deus; que pode viver para sempre, e que pode progredir de um grau de excelência a outro até atingir algo verdadeiramente grandioso, verdadeiramente grande, digno de ser dado por um Deus, e digno de ser recebido por um Filho de Deus. ¶
Regozijo-me nestas verdades. Não podem ser explicadas por teoria alguma que atribua sua origem a alucinações da mente de um epilético. São demasiado substanciais, demasiado grandiosas, demasiado racionais, demasiado sublimes, demasiado inspiradoras da alma, para terem uma origem tão desprezível. Seu próprio valor intrínseco — sua própria verdade evidente por si mesma — a instituição a que foram confiadas como a um depósito sagrado, para o benefício da humanidade — a Igreja — tudo isso proclama sua origem divina. ¶
Que Deus sele as verdades do Evangelho em nossos corações, e as torne preciosas para nós, é minha humilde oração, em nome de Jesus. Amém. ¶