Pulpit

Conselho aos Santos

Wilford Woodruff

Conferência Geral de Abril de 1898·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1898-04-07

[A pedido do presidente Woodruff, o presidente Cannon leu a 1ª Seção do Livro de Doutrina e Convênios]

Desejo a atenção e as orações dos santos que se reuniram nesta ocasião—Estive doente e muito fraco de corpo durante o mês passado, e não sentia que seria capaz de comparecer a esta Conferência até o dia anterior à sua abertura—Fui abençoado, a esse respeito, por poder estar convosco—Desejo dizer-vos algumas coisas, e talvez algumas coisas estranhas também—Sinto-me disposto a falar um pouco sobre mim mesmo, a dar-vos um pouco da história de minha vida, por causa do que talvez eu queira dizer,

antes de terminar, à nova geração de Israel—Meus comentários podem parecer bastante excêntricos a todos, exceto aos Santos dos Últimos Dias, e a eles também, suponho

Suponho que, quando nasci, o diabo sabia o que eu seria chamado a fazer; pois, desde o dia em que nasci até o presente, dois poderes têm estado comigo — um para me matar, o outro para me salvar—Apresento-me hoje diante de vós com aparência bastante sadia, para um homem de noventa e um anos de idade—Apresento-me diante de vós com um corpo em que quase todos os ossos foram quebrados, exceto as costas e o pescoço—Tive, ao longo de minha vida, um poder atrás de mim para tirar-me a vida—Quando eu tinha cerca de três anos, fui empurrado para dentro de um caldeirão de água fervente, que havia acabado de ser tirado do fogo—Minha avó me tirou de lá, e toda a minha pele se desprendeu, exceto a da cabeça e dos pés—Fui envolvido por meses em algodão e óleo—Esse foi o começo de meus infortúnios—Quando eu tinha doze anos de idade, quase morri afogado; de qualquer modo, fiquei em trinta pés de água tempo suficiente para afogar qualquer pessoa—Depois de várias tentativas sem êxito, fui retirado da água—Isso foi debaixo da represa do moinho de Farmington—Eu estava tão morto quanto estarei daqui a trinta anos—Fiquei deitado de costas e vi o sol se apagar, e passei por todas as sensações da morte que qualquer homem experimentaria ao afogar-se—Depois de uma hora de esforço, fui trazido de volta à vida—Não entrarei nos pormenores de muitas dessas coisas, mas já passei [ilegível] pelo que se poderia chamar de morte várias vezes em minha vida—Quando eu tinha 15 anos, estive em uma daquelas nevascas de Connecticut—Caminhei quatro milhas através de um bosque até chegar ao campo aberto, e procurei algum lugar onde pudesse me abrigar da tempestade e descansar—Havia apenas uma casa a uma milha de mim — era a casa dos pobres, que ficava a cerca de vinte e cinco varas de distância—O homem foi levado a subir a seu sótão para buscar poejo a fim de dar a uma mulher doente, e se sentiu impelido a olhar pela janela—Viu-me rastejando para dentro do oco de uma grande árvore—Ele sabia melhor do que eu o que resultaria disso—Pegou seu cavalo e trenó e veio até mim, e quando chegou eu estava adormecido, e ele preservou

minha vida—Quando eu tinha 14 anos, fui mordido por um cão raivoso, e deveria ter morrido; mas não morri—Assim prossegui, até poder dizer que quebrei ambas as pernas, uma delas duas vezes; quebrei ambos os braços, o osso do peito, várias costelas, e, ao todo, passei por uma experiência bastante dura para um homem que havia de ser chamado a pregar o Evangelho, pelo menos—Eu era moleiro de profissão—Estive em duas rodas d'água sob pleno fluxo de água, e suponho que deveria ter sido morto em qualquer uma delas, mas não me feri

Esse poder preservador me acompanhou por toda a minha vida—Esteve comigo em minhas missões no exterior, bem como em casa—Acompanhou-me até o dia de hoje, e tenho sido colocado em muitíssimos lugares estranhos

Fui ordenado para dedicar este Templo de Salt Lake cinquenta anos antes de sua dedicação—Sabia que viveria para dedicar aquele Templo—E vivi para fazê-lo—Tive, em minha meninice, um grande desejo de receber o Evangelho de Cristo, de ver um profeta ou alguém que pudesse ensinar-me o Evangelho de Cristo tal como ensinado pelos antigos Apóstolos e como—eu lia no Novo Testamento—Desejei isso com todo o sentimento de meu coração, e no primeiro sermão evangélico que ouvi, fui batizado, juntamente com meu irmão mais velho—Fui imediatamente para Kirtland—Estive no Acampamento de Sião com o Profeta de Deus—Vi os tratos de Deus com ele—Vi o poder de Deus com ele—Vi que ele era um Profeta—O que lhe foi manifestado pelo poder de Deus naquela missão foi de grande valor para mim e para todos os que receberam suas instruções—Referir-me-ei a um caso—Pouco antes de chegarmos ao Missouri, Joseph reuniu o acampamento—Ali ele nos profetizou e nos disse o que estava diante de nós—Deu-nos a razão pela qual um castigo estava diante de nós—Disse ele: «Vós me considerais um menino, como o resto de vós—Não percebestes minha posição perante o Senhor—Mas há um castigo diante deste acampamento»—Disse-nos que isso viria sobre nós porque ele não havia sido obedecido em seus conselhos—Uma hora depois de chegarmos ao Missouri e armarmos nossas tendas na propriedade do Sr. Burkett, um homem começou a cair aqui,

outro ali, e em poucos momentos tínhamos uma dúzia de membros de nosso acampamento estendidos sobre cobertores com cólera. O Profeta de Deus, ao ver isso, sentiu-se compadecido deles, e ele e Hyrum impuseram as mãos sobre o irmão Carter, o primeiro homem que adoeceu, mas assim que o fizeram, eles próprios foram acometidos, e ambos tiveram de deixar o acampamento. Ele disse depois: «Eu vos disse o que estava para acontecer, e quando veio a aflição, estendi minha mão para detê-la, e quase caí eu mesmo por causa disso.» Aquela missão foi muito interessante para mim.

Quero dizer aqui que, em toda a minha vida desde que me uni a esta Igreja e a este reino, apesar desses poderes que estiveram comigo para matar-me, sempre tive as revelações de Deus comigo. Isso é algo sobre o que quero falar a Israel antes de terminar. O poder de Deus me disse o que fazer e o que não fazer. Embora o diabo tenha tido poder para afligir gravemente meu corpo, houve um poder comigo que me salvou por meio de tudo isso. E, sempre que tive o Espírito Santo comigo para dizer-me o que fazer, tive de fazê-lo. Por isso fui salvo. Foi ouvindo aquela voz mansa e delicada que estou aqui hoje convosco. Há duas razões pelas quais estou aqui hoje. Quando voltei depois da jornada pioneira, o presidente Young disse que queria que eu levasse minha família e fosse a Boston, e ali permanecesse até que pudesse reunir todos os santos de Deus na Nova Inglaterra e no Canadá e trazê-los para Sião. Essa foi a missão que ele me deu ao meu regresso da jornada pioneira a Winter Quarters. Fui na primavera, como ele me disse, e levei minha família. Chegamos numa noite à casa de um dos irmãos em Indiana. Vários de nós estávamos ali. Orson Hyde tinha uma parelha, assim como eu. Entramos num quintal comprido. Coloquei minha carruagem a seis polegadas da dele. Tinha comigo minha esposa e meus filhos. Amarrei meus animais a um carvalho do outro lado de onde acampamos. Fui deitar-me em minha carruagem. Ao me deitar, o Espírito do Senhor me disse que me levantasse e mudasse minha carruagem de lugar. Não perguntei ao Senhor o que Ele queria dizer. Fiz como me foi dito. O mesmo

Espírito me disse para ir e afastar meus animais daquela árvore. Fiz isso. Minha esposa me perguntou por que eu havia feito aquilo. Disse-lhe que não sabia. Não fazia vinte minutos que estava deitado quando veio um redemoinho e derrubou aquele carvalho, que ali estivera talvez cinquenta anos, partindo-o bem pelo tronco, e varreu por ambas as cercas onde minha carruagem estivera. Nunca tocou na carruagem do irmão Hyde, mas teria esmagado a mim e a minha família contra a terra se eu não tivesse escutado a voz do Espírito. Depois de passar dois anos e meio na Nova Inglaterra e no Canadá, reunindo os santos, parti de volta com o último grupo, cerca de cem, de Boston. Chegamos a Pittsburg ao entardecer. Estávamos ansiosos por não ficar ali, mas prosseguir até St. Louis. Vi um vapor a gerar vapor, pronto para partir. Fui ao capitão e perguntei-lhe quantos passageiros tinha. «Trezentos e cinquenta.» «Poderia levar mais cem?» «Sim.» Eu estava prestes a dizer-lhe que queríamos embarcar quando aquele Espírito me disse: «Não embarques naquele vapor, nem tu nem tua companhia.» Está bem, disse eu. Eu já havia aprendido algo a respeito daquela voz mansa e delicada. Não embarquei naquele vapor, mas esperei até a manhã seguinte. Trinta minutos depois de partir, aquele vapor pegou fogo. Tinha cordas em vez de correntes na roda, e não puderam alcançar terra. Era uma noite escura, e nenhuma alma se salvou. Se eu não houvesse obedecido à influência daquele monitor interior, eu mesmo teria estado ali, com o resto da companhia. A Décima Terceira ala não teria tido um Atwood como bispo; a Igreja não teria tido um Leonard W. Hardy como bispo. Ambos estavam comigo, e suas famílias, inclusive o irmão Samuel Hardy, que está agora em St. George, com mais de noventa anos. Nunca desobedeci àquele Espírito senão uma vez em minha vida; fi-lo então pela insistência de outras pessoas, e quase me custou a vida. Tenho conhecido esse Espírito. Não foi o soar de trombetas nem trovões e relâmpagos; foi para mim aquela voz mansa e delicada. Desde a minha meninice tenho sido governado e dirigido por esse Espírito. Minhas missões

têm sido guiadas por aquele Espírito de revelação. Fui instruído a ir às Ilhas Fox por aquela mesma voz mansa e delicada. No tempo da grande apostasia em Kirtland, o Espírito do Senhor me disse: «Arranja um companheiro e vai para as Ilhas Fox.» Eu não sabia o que havia nas Ilhas Fox tanto quanto não sabia o que havia em Kolob. Fui, porém, batizei uma centena e os trouxe comigo a Sião. Foi naquela ilha que recebi uma carta de Joseph Smith, dizendo-me que eu fora chamado por revelação para preencher o lugar de um dos Doze que havia caído. Vê-lo-eis na Doutrina e Convênios. Aquilo me foi revelado antes de eu receber a carta de Joseph Smith, mas não me senti disposto a contá-lo a nenhum mortal, pois sabia ser meu dever guardar tais coisas para mim mesmo. Ao longo de toda a minha vida e de meus trabalhos, sempre que fui instruído a fazer algo pelo Espírito do Senhor, sempre achei bom fazê-lo. Fui preservado por esse poder. Esse poder esteve comigo quando fui a Herefordshire. Eu pregava todas as noites com o irmão Cordon, e certa noite realizamos uma reunião no salão municipal de Hanley, em Staffordshire. O Espírito — aquela voz mansa e delicada — disse-me: «Esta é a última reunião que realizarás com este povo por muitos dias.» Assim o disse à congregação quando me levantei. Ficaram muito surpresos e perguntaram-me para onde eu ia. Disse-lhes que não sabia. Depois, fui perguntar ao Senhor o que Ele queria de mim, e Ele me disse para ir ao sul. Foi toda a resposta que obtive. Tomei a diligência e viajei oitenta milhas ao sul. A primeira casa em que entrei foi a de John Benbow. Não estivera em sua casa quinze minutos quando compreendi por que o Senhor me havia enviado ali. Havia um povo separado dos metodistas wesleyanos, que se haviam reunido e se autodenominavam Irmãos Unidos. Aguardavam a vinda do Filho do Homem, esperando o Evangelho de Cristo, tal como liam a respeito dele no Novo Testamento. Nos primeiros trinta dias depois de minha chegada, trouxe para a Igreja cerca de duas mil pessoas, com cinquenta ministros, e todas as suas capelas, licenciadas conforme a lei, ficaram em minhas mãos. Não houve soar de trombetas quanto a isso. O Espírito do Senhor me disse para ir ali, e quando cheguei vi por que fui enviado.

Isso é, talvez, o bastante a dizer sobre essas coisas. Agora, quero dizer a esta congregação, aos jovens de Israel, aos élderes de Israel, a todos os nossos missionários, que chegou o dia em que o Deus dos céus requer de minhas mãos, como Presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que vos diga: é vontade de Deus que sigais este caminho. Obtende o Espírito de Deus antes de sairdes em missões, ou para qualquer outro lugar. Obtende convosco o espírito de revelação. E quando o obtiverdes, estareis seguros, e fareis exatamente o que o Senhor quer que façais. Senti-me fortemente impressionado a dizer isso a esta Conferência. Que podeis fazer sem revelação? Não podemos fazer a vontade de Deus nem realizar o que dEle é requerido sem ela. Não cometeremos erros se seguirmos esse caminho. Esse espírito está com os Apóstolos, e com os élderes de Israel que são fiéis e verdadeiros. A nova geração deveria labutar para obter o Espírito de Deus. Obtende-o dentro de vós, e ele será um monitor constante convosco.

Essa é uma razão, irmãos e irmãs, pela qual minha vida foi preservada. Dir-vos-ei outra razão. Naturalmente, esta é a minha própria razão para tanto. Uma razão pela qual estou aqui é que o Senhor escolheu as coisas fracas deste mundo para pregar o Evangelho, para realizar Sua obra, para edificar Seu reino. Não creio que Ele já tenha tido, na terra, um instrumento mais fraco por meio do qual trabalhar do que eu mesmo. O Todo-Poderoso sabe que jamais, por um só minuto, desde que sou membro desta Igreja, tive qualquer poder de tomar para mim mesmo honra ou glória alguma a respeito do que fui capacitado a fazer na obra do ministério ou em qualquer outra coisa. Por quê? Porque soube que isso vinha de Deus, e não de mim. E nenhum outro homem que se tenha ocupado desta obra teve algum poder de si mesmo. Esse poder veio de Deus até nós, pelo qual fomos capacitados a fazer a obra que Ele requereu de nossas mãos.

Vem uma mudança sobre a terra; vem uma mudança sobre o mundo cristão; e ela está à nossa porta. Ledes as revelações na Bíblia, no Livro de Mórmon e na Doutrina e Convênios pertencentes a nosso dia e à

geração anterior à vinda do Filho do Homem. Guerra! Sim; a guerra é uma das aflições que pertencem à geração em que vivemos. Ela se cumprirá, e nenhum poder debaixo dos céus pode detê-la. Quem não pode abrir os olhos e ver a mudança nas coisas ao nosso redor? Lede essas revelações — a revelação que o irmão Cannon acabou de ler, e as demais nestes livros. O Deus dos céus estendeu Sua mão para levar a cabo esses grandes propósitos sobre os quais ledes. Eles se cumprirão tão certamente quanto Deus vive. Não há poder na terra, nem debaixo da terra, nem em lugar algum, que possa deter o cumprimento dessas coisas. E elas estão às nossas portas.

Estou ansioso para que os Santos dos Últimos Dias firmem seus ombros e levem avante o reino de Deus. Muitos no mundo têm labutado para tentar derrubar o mormonismo. Expulsaram nosso povo de suas terras. Perseguiram-nos e nos afligiram. Puseram alguns à morte, pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus. Mas não frustraram os propósitos de Deus em nenhuma dessas coisas. O Senhor, em Sua misericórdia e sabedoria, conduziu este povo a estes vales das montanhas. Está ordenado por Deus que Sião seja aqui estabelecida. Aqui está o Tabernáculo, do qual o Profeta falou como um abrigo contra a tempestade e o vento, etc. Estes templos estão aqui em cumprimento de profecia. Temos quatro deles neste Estado. O presidente Young foi honrado por Deus no estabelecimento destas coisas. Ele viveu o suficiente para dedicar a pedra angular deste Templo neste quarteirão, ao qual os Santos dos Últimos Dias vão e libertam seus amigos que estão na casa de prisão, e cuidam das ordenanças da casa de Deus por eles, em cumprimento dos antigos profetas, que falaram, movidos pelo Espírito Santo, no sentido de que salvadores seriam levantados no monte Sião nos últimos dias, enquanto o reino for do Senhor. Sião há de erguer-se.

«Exultai, ó céus, e alegra-te tu, terra, e vós, montes, prorrompei em cânticos, porque o Senhor consolou o seu povo, e se compadecerá dos seus aflitos.

»Porém Sião diz: O Senhor me desamparou, e o meu Senhor se esqueceu de mim.

»Porventura pode uma mulher esquecer-se de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.

»Eis que em ambas as palmas das minhas mãos te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim.» (Isaías 49:13–16.)

Tudo o que foi dito a respeito de Sião se cumprirá, e vós e eu somos hoje testemunhas destas coisas.

Estamos aqui para a salvação e a vida eterna. Estamos aqui para obter aquelas grandes bênçãos que os santos de Deus, em todas as eras do mundo, obtiveram quando obedeceram aos mandamentos de Deus. Havemos de falhar? Não, não falharemos se cumprirmos nosso dever. O Evangelho é hoje tão bom quanto era nos dias do Salvador. Quanto às gloriosas bênçãos do Evangelho de Cristo, elas foram impopulares em quase todas as eras do mundo. Tomai o próprio Cristo: onde houve homem mais impopular do que o Salvador do mundo em Seus dias? E Seus Apóstolos foram impopulares. Foram mortos pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Não obstante, Cristo era o Filho de Deus; e os saduceus, os fariseus, os essênios, e todas as seitas que guerrearam contra Ele foram amaldiçoados, e muitos deles lançados ao inferno, enquanto Ele permanece como o Salvador do mundo, e recebeu a honra e a glória que Seu Pai Lhe havia ordenado. Quero que nossos jovens, especialmente, se lembrem destas coisas. Aqueles que forem sair em missões não devem negligenciá-las. A menos que tenhais o Espírito Santo convosco quando sairdes para pregar o Evangelho, não podereis cumprir vosso dever; mas quando o tiverdes, estareis seguros, ide para onde fordes, e vossas palavras terão seu efeito nos corações dos honestos e mansos da terra.

Irmãos e irmãs, sinto-me grato a Deus por estarmos tão bem quanto estamos. Sinto-me grato a Deus por ocuparmos a posição que ocupamos nestes vales das montanhas. Aqui há um lugar seguro. Durante a dedicação daquele Templo, vi os juízos de Deus que estavam prestes a ser derramados sobre esta ger-

ação. Elas se cumprirão. Li outra noite a respeito de uma terrível inundação. Quem já ouvira falar de tal inundação na América antes? Essas inundações, e problemas e tribulações estão aumentando na terra, e aumentarão até que esta cena se encerre. Rogo a Deus, meu Pai Celestial, que vos abençoe a todos, que inspire nossos corações, para que a visão de nossas mentes se abra a fim de compreendermos a posição em que estamos e a responsabilidade que sobre nós recai. Os olhos de todo o céu, e da terra, e do inferno estão sobre nós. Os olhos dos demônios estão sobre nós. Eles labutam para nossa destruição; mas não têm poder para fazê-lo. Estamos nas mãos de Deus. Ele detém as chaves dos destinos dos habitantes da terra, e abençoará os justos, não importa quem sejam nem onde estejam. Sou grato por ouvir os ensinamentos que ouvi nesta Conferência dos élderes de Israel. Regozijo-me com o progresso que se fez durante o ano passado na Igreja no exterior. Houve um acréscimo à Igreja como nunca tivemos em nenhum outro ano desde a organização desta Igreja. E aqui em casa também houve um grande acréscimo. Nossas irmãs têm trabalhado fielmente nas Associações Primárias, nas associações de Melhoramento Mútuo, e em toda função para a qual foram chamadas a trabalhar. As bênçãos de Deus estão com elas, e estão fazendo muito bem. As escolas dominicais também aumentaram seu número de membros. Têm agora mais de cem mil membros. As Associações de Melhoramento Mútuo dos Moços, como já foi dito, tiveram um acréscimo de cerca de treze mil como resultado de seus trabalhos no ano passado. Deus está abençoando os que labutam entre eles. Se puderdes salvar uma alma da morte, que bênçãos tereis com essa alma! Como o Senhor disse a Oliver Cowdery: «E se acontecer que trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento a este povo e trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai!» (D&C 18:15.) Devemos continuar nesta labuta, para que possamos alcançar a salvação das almas dos homens. Na medida em que assim fizerdes, as bênçãos de Deus vos acompanharão. Sião há de erguer-se ou cair. Qual dos dois será? A proclamação do Evangelho de Cristo

está a favor de Sião. Todas as revelações pertencentes a este dia estão a favor de Sião, e da preparação do caminho para a vinda do Filho do Homem. E Sião se erguerá e brilhará.

Deus vos abençoe, a todos e a cada um. Cumpramos nosso dever e procuremos magnificar nossa religião, para que, ao terminarmos, nos regozijemos nisso. É melhor estar do lado do Senhor do que em qualquer outro lugar. Quero a salvação. Quero encontrar-me com meus antepassados e meus amigos, a quem tenho labutado aqui para redimir, que nunca ouviram o Evangelho em seus dias e em sua geração. Deus nos deu este privilégio. Temos élderes de Israel labutando em todos estes templos, dia após dia, pela salvação dos filhos dos homens. Fomos abençoados nesta labuta, e continuaremos a ser abençoados; e quando estivermos do outro lado do véu, não haverá um só de nós que não se regozije pelo bem que fizemos. Que Deus vos abençoe. Sinto-me impelido a abençoar os Santos dos Últimos Dias, na medida do poder que tenho para abençoar. Nossas filhas e nossas mães estão labutando pela salvação de Israel a seu modo, e assim também os élderes de Israel a seu modo. Mas queremos aumentar e continuar a aumentar, até que tenhamos poder na terra para reunir todos os honestos e mansos da terra. Que Deus nos abençoe, nos guie e nos dirija a todos no caminho da verdade e da retidão, pelo bem de Jesus. Amém.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “Conselho aos Santos”, Conferência Geral de Abril de 1898, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1898-04-07). Pulpit Vault, 1898-04-woodruff-counsel-to-the-saints. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).