No Grande Livro de Charles Dickens, Um Conto de Duas Cidades...
Sterling W. Sill
• No grande livro de Charles Dickens, Um Conto de Duas Cidades, ele fala sobre o período revolucionário francês de duzentos anos atrás quase como se estivesse descrevendo nossos próprios dias. Ao estabelecer o cenário de sua história, disse: ¶
“Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a época da sabedoria, era a época da insensatez, era a era da fé, era a era da incredulidade, era a estação da Luz, era a estação das Trevas, era a primavera da esperança, era o inverno do desespero, tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós, todos íamos diretamente para o Céu, todos íamos diretamente para o outro lado. . . .” ¶
Um Mundo de Contrastes
Em nosso mundo de contrastes, os perigos frequentemente se tornam maiores à medida que os benefícios aumentam, e parece que a dificuldade é um dos preços que pagamos por nossas bênçãos. Os doze meses imediatamente à nossa frente provavelmente serão o maior período que nosso mundo já viu. Neste próximo ano nascerão mais bebês do que em qualquer outro período comparável. Serão feitas mais invenções novas do que nunca. Aprenderemos mais coisas novas e teremos maiores confortos materiais. Nos próximos doze meses, mais pessoas irão para a faculdade, e mais pessoas se unirão à Igreja de Cristo do que em qualquer outro ano. Por outro lado, provavelmente morrerão mais pessoas do que nunca. Talvez tenhamos mais problemas, cometamos mais crimes, usemos mais drogas, bebamos mais bebidas alcoólicas, nos entreguemos a mais pecados, promovamos mais violência que destrói a alma e mandemos um número maior de nós mesmos para o inferno do que nunca. ¶
Dispensação da Plenitude dos Tempos
O apóstolo Paulo destacou a grandeza de nossos dias quando se referiu a eles como a dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus congregaria em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na Terra. (Ver Efésios 1:10.) Os antigos profetas aguardavam ansiosamente nosso tempo, e muitos deles quase viveram em nossos dias. Eles sabiam sobre nossa grande explosão de conhecimento e os milagres, maravilhas e riquezas sem precedentes que ela produziria. ¶
O próprio Jesus olhou além da noite negra da Idade das Trevas, causada pela apostasia de Deus no meridiano do tempo, e viu nossos dias, quando o evangelho seria restaurado em uma plenitude jamais conhecida no mundo. E, como um dos sinais que precederiam Sua própria gloriosa segunda vinda à Terra, Ele disse: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. (Mateus 24:14.) ¶
Preparação para o Milênio
Nossa geração está vivendo às vésperas da purificação final que preparará a Terra para seu grande milênio de paz, quando Cristo reinar pessoalmente sobre a Terra por mil anos. O profeta Malaquias descreve esta parte de nosso futuro, quando todas as coisas corruptíveis serão consumidas. Ele diz: “. . . e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais. . . . Mas quem suportará o dia da sua vinda? e quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros”. (Malaquias 3:1–2.) O apóstolo Paulo acrescenta alguns detalhes ao dizer: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com um brado, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro: ¶
“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. (1 Tessalonicenses 4:16–17.) Esses grandes acontecimentos dos últimos dias já estão bem encaminhados para o cumprimento. O evangelho já está sendo levado adiante sob mandamento divino. Estamos agora em meio à maior e última de todas as dispensações. ¶
De muitos pontos de vista, estamos vivendo atualmente nos melhores tempos. O sacerdócio está novamente na Terra. Deus nos deu três grandes volumes de novas escrituras, delineando em todos os detalhes os simples princípios do evangelho de Cristo. O caminho para a exaltação está agora perfeitamente marcado e brilhantemente iluminado, de modo que ninguém precisa sair dessa vereda estreita e apertada, exceto por sua própria escolha. Para cada ponto da doutrina cristã, há agora uma declaração autorizada que diz: “Assim diz o Senhor”. A pedra que Daniel viu ser cortada do monte sem mãos está agora rolando em direção a seu destino divino de encher toda a Terra. ¶
Os Melhores e os Piores Tempos
Mas os melhores tempos também são os piores tempos. Quando Jesus olhou para nossos dias e contemplou nossas ações, fez-nos uma comparação muito pouco lisonjeira, dizendo: “. . . como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem”. (Mateus 24:37.) Por sua iniquidade, os antediluvianos causaram sua própria destruição, e muitos indícios indicam que agora estamos tremendo à beira de um desastre comparável. ¶
E, no entanto, nossos dias de maravilhas e esclarecimento nos oferecem muito mais do que qualquer outro período desde a criação. ¶
Agora temos nossa maior oportunidade de fazer conversos cristãos. Agora é o melhor tempo já conhecido para ganhar dinheiro. E nenhum povo jamais teve uma chance maior de ser fiel a Deus ou leal ao governo, nem alguém jamais teve melhor oportunidade de defender a lei e a ordem do que temos agora. ¶
Intensidade Crescente das Tentações
Contudo, simultaneamente a essas vantagens, estamos agora nos entregando em maior medida à ociosidade, à deslealdade, à confusão, à impureza, à irresponsabilidade e à indiferença para com Deus. ¶
A nova moralidade nos dá mais liberdade para nos entregarmos a nossos pecados e também torna nosso ateísmo mais respeitável aos nossos próprios olhos. ¶
Nossa época é notável pelo aumento do número, da variedade e da intensidade de nossas tentações. Quase tudo o que lemos, ouvimos ou pensamos provavelmente contém alguma tentação oculta para nos arrastar para baixo. Mas o dicionário diz que tentar é despertar um desejo, e um desejo pode seguir em qualquer direção. ¶
No entanto, frequentemente nos esquecemos das tentações para o alto, enquanto nos entregamos excessivamente às tentações do mal. As tentações para baixo são as tentações da ignorância, as tentações do crime, as tentações da miséria, as tentações da condenação eterna. Enchemos nossa mente de ilusões. Imaginamos quão atraente é o mal e quão difícil é viver a religião de ser honesto, justo, decente e obediente a Deus. ¶
Mas nenhuma tentação é uma tentação, a menos que a acolhamos. ¶
As Tentações Implicam Desejos
Ao negar nossa própria responsabilidade, frequentemente culpamos Satanás por grande parte da miséria que trazemos sobre nós mesmos. Satanás não tem poder sobre nós, exceto quando lho damos. E as tentações exteriores implicam desejos interiores; e, em vez de dizer: “Quão poderosamente o diabo tenta”, poderíamos dizer: “Quão fortemente sou inclinado”. ¶
Deus jamais nos força a fazer o que é certo, e Satanás não tem poder para nos forçar a fazer o que é errado. Como alguém disse: “Deus sempre vota a nosso favor e Satanás sempre vota contra nós, e então somos convidados a votar para desfazer o empate”. É a maneira como votamos que dá significado a nossa vida. ¶
Alguém disse: ¶
“Toda a água do mundo, por mais que tentasse, jamais poderia afundar o menor navio, a menos que entrasse nele. ¶
“E todo o mal do mundo, o pecado mais negro, jamais poderá feri-lo nem um pouco, a menos que você o deixe entrar.” ¶
O Oceano Pacífico pode conter mais água do que o Oceano Atlântico, mas não pode afundar navio algum com maior facilidade. E os nossos males tremendamente aumentados dos dias atuais não têm mais poder sobre nós do que as antigas tentações tinham sobre nossos pais, exceto quando lhes proporcionamos um entretenimento mais sedutor. ¶
Nossas Tentações para o Alto
Na verdade, a maior de todas as nossas oportunidades é proporcionada por nossas empolgantes tentações para o alto dos dias atuais. E, visto que parecemos propensos à tentação, poderíamos pensar mais nas estimulantes tentações à cultura, nas tentações à felicidade, nas tentações à honra, nas tentações a ser como Deus. As tentações para o alto são muito mais agradáveis e muito mais proveitosas do que as tentações para baixo. Precisamos aproveitar mais essas desafiadoras tentações de ser amigos de Deus. ¶
Por causa das novas revelações de Deus, já não é necessário repetir os erros da Idade das Trevas nas doutrinas cristãs. E, ao viver cada um dos mandamentos de Deus, podemos agora ajudar mais eficazmente a realizar nossa própria vida eterna. A besta anda de quatro e, assim, sua visão está voltada para o chão, mas o homem fica ereto à imagem de seu Criador para que possa olhar para Deus, nosso Pai Eterno. E, entre os maiores de todos os nossos conceitos humanos, estão a imortalidade da personalidade humana e a glória eterna da alma humana. Cada um de nós é filho de Deus, criado à Sua imagem e dotado de Seus atributos e potencialidades. ¶
Nossa Herança
Cada um de nós deve apegar-se a sua herança. Há tudo em conhecer nossa herança e reafirmá-la constantemente em nossa vida. E certamente não devemos afirmar ser filhos de Deus e então andar pelo mundo agindo como se fôssemos órfãos, fracos, covardes ou pecadores. Pela abundância de nossas boas obras, podemos ter neste ano o nosso melhor ano e fazer de nosso mundo os melhores tempos. Também podemos ajudar a introduzir a era da fé em Deus, a era da luz, a era da razão e a era da retidão, bem como ajudar a trazer um milênio de paz na Terra e boa vontade para com os homens. E que Deus permita que assim seja, humildemente oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶