Pulpit

Frequentemente Ouvimos a Expressão de que os Tempos Mudaram...

Thomas S. Monson

1970 April General Conference·Fifth Session (Sunday afternoon)·1970-04-05

• Frequentemente ouvimos a expressão: "Os tempos mudaram". E talvez tenham mudado. Nossa geração tem testemunhado enormes avanços nos campos da medicina, do transporte, da comunicação e da exploração, para citar apenas alguns. Contudo, há aquelas ilhas isoladas de constância em meio ao vasto mar de mudanças. Por exemplo, meninos ainda são meninos. E continuam a fazer as mesmas fanfarronadas de menino.

Apenas um professor

Há algum tempo, ouvi por acaso o que estou certo de que é uma conversa frequentemente repetida. Três meninos muito pequenos discutiam as qualidades relativas de seus pais. Um disse: "Meu pai é maior que o seu", ao que outro respondeu: "Bem, meu pai é mais inteligente que o seu". O terceiro menino retrucou: "Meu pai é médico"; então, voltando-se para um dos meninos, zombou com desdém: "e seu pai é apenas um professor".

O chamado de uma mãe encerrou a conversa, mas as palavras continuaram a ecoar em meus ouvidos. Apenas um professor.

Apenas um professor. Apenas um professor. Um dia, cada um daqueles meninos virá a apreciar o verdadeiro valor de professores inspirados e reconhecerá, com sincera gratidão, a marca indelével que tais professores deixarão em sua vida pessoal.

"Um professor afeta a eternidade"

"Um professor", como observou Henry Brook Adams, "afeta a eternidade; ele nunca pode saber onde sua influência termina". Esta verdade diz respeito a cada um de nossos professores:

primeiro, o professor no lar; segundo, o professor na escola; terceiro, o professor na Igreja.

Talvez o professor de que eu e vocês mais nos lembramos seja aquele que mais nos influenciou. Ela talvez não tenha usado quadro-negro nem possuído um diploma universitário, mas suas lições foram duradouras e sua preocupação, genuína. Sim, falo da mãe. E, ao mesmo tempo, também incluo o pai. Na realidade, todo pai e toda mãe são professores.

O aluno na sala de aula divinamente designada de tal professor — na verdade, o bebê que vem ao seu lar ou ao meu — é um doce e novo broto da humanidade, recém-caído do próprio lar de Deus para florescer na Terra.

Tal pensamento pode ter inspirado o poeta a escrever estas palavras:

"Tomei um pedaço de argila plástica e o moldei ociosamente um dia — e, enquanto meus dedos a pressionavam, ela ainda se movia e cedia à minha vontade.

"Voltei quando os dias haviam passado; o pedaço de argila enfim estava duro.

A forma que lhe dei ela ainda conservava, e eu já não podia mudar aquela forma!

"Tomei um pedaço de argila viva e, dia após dia, pressionei-o gentilmente, e moldei, com meu poder e arte, o coração macio e maleável de uma criança.

"Voltei quando os anos haviam passado:

Era um homem que eu contemplava.

Ele ainda conservava aquela marca inicial, e eu jamais poderia moldá-lo de novo."

— Autor desconhecido

Tempo para ensinar

O melhor tempo para ensinar é fugaz.

As oportunidades são perecíveis. O pai ou a mãe que adia o cumprimento de sua responsabilidade como professor talvez, nos anos vindouros, obtenha uma amarga percepção da expressão de Whittier: ". . . de todas as palavras tristes da língua ou da pena, as mais tristes são estas: 'Poderia ter sido'." (John Greenleaf Whittier, "Maud Muller",

estrofe 53.) Caso um pai ou uma mãe necessite de inspiração adicional para iniciar sua tarefa de ensinar dada por Deus, lembre-se de que a mais poderosa combinação de emoções do mundo não é despertada por nenhum grande acontecimento cósmico nem encontrada em romances ou livros de história — mas simplesmente por um pai ou uma mãe que olha para um filho adormecido. "Criado à imagem de Deus", aquela gloriosa passagem bíblica, adquire significado novo e vibrante quando um pai ou uma mãe repete essa experiência. O lar torna-se um refúgio chamado céu, e pais amorosos ensinam seus filhos "a orar e a andar em retidão perante o Senhor". (Doutrina e Convênios 68:28.) Jamais um pai ou uma mãe tão inspirado se enquadra na descrição de "apenas um professor".

O professor na escola

Em seguida, consideremos o professor na escola. Inevitavelmente, chega aquela manhã de lágrimas em que o lar cede à sala de aula parte de seu tempo de ensinar. Joãozinho e Nancie juntam-se à alegre multidão que todos os dias segue dos portais do lar para as salas de aula da escola. Ali se descobre um novo mundo. Nossos filhos conhecem seus professores.

O professor não apenas molda as expectativas e ambições de seus alunos, mas também influencia suas atitudes em relação ao futuro e a si mesmos. Se for inepto, deixa cicatrizes na vida dos jovens, fere profundamente sua autoestima e distorce a imagem que têm de si mesmos como seres humanos. Mas, se amar seus alunos e tiver elevadas expectativas para eles, sua autoconfiança crescerá, suas capacidades se desenvolverão e seu futuro estará assegurado.

O poder de desviar

Infelizmente, há aqueles poucos professores que se deleitam em destruir a fé, em vez de construir pontes para uma vida boa. Devemos sempre lembrar que o poder de liderar é também o poder de desviar, e o poder de desviar é o poder de destruir.

Nas palavras do Presidente J. Reuben Clark Jr.: "Fere, mutila e aleija uma alma aquele que suscita dúvidas sobre as verdades supremas ou destrói a fé nelas.

Deus responsabilizará rigorosamente tal pessoa; e quem pode medir as profundezas a que cairá alguém que deliberadamente destrói, em outra pessoa, a oportunidade da glória celestial?" (Immortality and Eternal Life, vol. 2, p. 128.)

Um guia para a verdade

Visto que não podemos controlar a sala de aula, podemos ao menos preparar o aluno.

Vocês perguntam: "Como?" Eu respondo: "Proporcionem um guia para a glória do reino celestial de Deus; sim, um barômetro para distinguir entre as verdades de Deus e as teorias dos homens".

Há vários anos, tive em mãos um guia assim. Era um volume de escrituras que comumente chamamos de Combinação Tríplice, contendo o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor. O livro era um presente de um pai amoroso para uma bela e florescente filha que seguia cuidadosamente seus conselhos. Na folha de rosto, seu pai escrevera estas palavras inspiradas:

"9 de abril de 1944 — Para minha querida Maurine:

"Para que tenhas uma medida constante pela qual julgar entre a verdade e os erros das filosofias dos homens, e assim cresças em espiritualidade à medida que aumentas em conhecimento, dou-te este livro sagrado para que o leias frequentemente e o conserves com carinho durante toda a vida.

"Com amor, teu pai, Harold B. Lee"

O professor na Igreja

Faço a pergunta: "Apenas um professor?"

Por fim, voltemo-nos para o professor que normalmente encontramos no domingo — o professor na Igreja. Em tal ambiente, a história do passado, a esperança do presente e a promessa do futuro se encontram. Aqui, especialmente, o professor aprende que é fácil ser fariseu e difícil ser discípulo. O professor é julgado por seus alunos — não apenas pelo que e como ensina, mas também pela maneira como vive.

O apóstolo Paulo aconselhou os romanos:

"Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras?" (Romanos 2:21-22.) Paulo, esse professor inspirado e dinâmico, fornece-nos um bom exemplo.

Talvez o segredo de seu êxito seja revelado por sua experiência na sombria masmorra que o mantinha prisioneiro. Paulo conhecia o passo, passo dos pés dos soldados e o tilintar, tilintar das correntes que o prendiam cativo. Quando o carcereiro, que parecia estar favoravelmente disposto para com Paulo, perguntou-lhe se precisava de conselho sobre como se dirigir perante o imperador, Paulo disse que tinha um conselheiro — o Espírito Santo.

Esse mesmo Espírito guiou Paulo quando ele se encontrava no meio do Areópago, leu a inscrição "Ao Deus Desconhecido" e declarou: ". . . Aquele, pois, que vós honrais, não o conhecendo, vos anuncio.

"O Deus que fez o mundo e todas as coisas que nele há . . . não habita em templos feitos por mãos de homens; ". . . ele dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; "Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; . . . porque também somos sua geração." (Atos 17:23-24, 25, 28.) Novamente a pergunta: "Apenas um professor?"

O Mestre dos mestres

No lar, na escola ou na casa de Deus, há um professor cuja vida ofusca a de todos os outros. Ele ensinou sobre a vida e a morte, o dever e o destino. Viveu não para ser servido, mas para servir; não para receber, mas para dar; não para salvar sua vida, mas para sacrificá-la pelos outros. Descreveu um amor mais belo que a luxúria, uma pobreza mais rica que o tesouro. Dizia-se desse professor que ensinava com autoridade e não como os escribas. No mundo atual, quando muitos homens são ávidos por ouro e glória e dominados por uma filosofia de ensino de "publicar ou perecer", lembremo-nos de que esse professor nunca escreveu — somente uma vez escreveu na areia, e o vento destruiu para sempre sua escrita. Suas leis não foram inscritas em pedra, mas no coração humano. Falo do Mestre dos mestres, Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Salvador e Redentor de toda a humanidade.

Professores dedicados

Quando professores dedicados respondem a Seu gentil convite: "Vinde aprender de mim", eles aprendem, mas também se tornam participantes de Seu poder divino. Quando menino, tive a experiência de ficar sob a influência de uma professora assim.

Em nossa classe da Escola Dominical, ela nos ensinava sobre a criação do mundo, a Queda de Adão, o sacrifício expiatório de Jesus. Ela trazia para sua sala de aula, como hóspedes honrados, Moisés, Josué, Pedro, Tomé, Paulo e Jesus, o Cristo. Embora não os víssemos, aprendemos a amá-los, honrá-los e imitá-los.

Uma lição sobre dar

Nunca seu ensino foi tão dinâmico, nem seu impacto tão duradouro, quanto certa manhã de domingo em que ela nos anunciou tristemente a morte da mãe de um colega de classe. Sentíramos falta de Billy naquela manhã, mas não sabíamos o motivo de sua ausência. A lição tinha como tema: "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber". No meio da lição, nossa professora fechou o manual e abriu nossos olhos, nossos ouvidos e nosso coração para a glória de Deus. Ela perguntou: "Quanto dinheiro temos em nosso fundo para a festa da classe?"

Os dias da Depressão suscitaram uma resposta orgulhosa: "Quatro dólares e setenta e cinco centavos".

Então, muito gentilmente, ela sugeriu:

"A família de Billy está em dificuldades e aflita pela dor. Que achariam da possibilidade de visitarmos os familiares esta manhã e lhes darmos nosso fundo?"

Sempre me lembrarei do pequeno grupo que caminhou aqueles três quarteirões da cidade, entrou na casa de Billy e cumprimentou-o, bem como seu irmão, irmãs e pai. Notavelmente ausente estava sua mãe. Sempre guardarei com carinho as lágrimas que brilhavam nos olhos de todos quando o envelope branco contendo nosso precioso fundo para a festa passou da delicada mão de nossa professora para a mão necessitada de um pai de coração partido. Voltamos para a capela quase saltitando. Nosso coração estava mais leve do que jamais estivera; nossa alegria, mais plena; nossa compreensão, mais profunda. Uma professora inspirada por Deus ensinara a seus meninos e meninas uma lição eterna de verdade divina. "Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber."

Bem poderíamos ter repetido as palavras dos discípulos no caminho de Emaús: "Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho nos falava, e quando nos abria as escrituras?" (Lucas 24:32.)

Um elogio digno

Volto ao diálogo mencionado anteriormente. Quando o menino ouviu as provocações:

"Meu pai é maior que o seu", "Meu pai é mais inteligente que o seu", "Meu pai é médico", ele bem poderia ter respondido: "Seu pai pode ser maior que o meu; seu pai pode ser mais inteligente que o meu; seu pai pode ser piloto, engenheiro ou médico; mas meu pai, meu pai é professor".

Que cada um de nós sempre mereça um elogio tão sincero e digno, rogo humildemente, em nome do Mestre dos mestres, o Filho de Deus, Jesus Cristo, o Senhor. Amém.

Como citar este discursoThomas S. Monson, “Frequentemente Ouvimos a Expressão de que os Tempos Mudaram...”, 1970 April General Conference, Fifth Session (Sunday afternoon) (1970-04-05). Pulpit Vault, 1970-04-monson-often-we-hear-the-expression-times-have. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).