Pulpit

Reunião Matutina do Segundo Dia, Sábado, 9 de Abril...

Robert L. Simpson

1966 April General Conference·Second Day Morning Meeting·1966-04-09

REUNIÃO MATUTINA DO SEGUNDO DIA A terceira sessão da conferência foi convocada pontualmente às 10h. O Presidente McKay estava presente e presidiu.

O Presidente Hugh B. Brown, Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência, conduziu os serviços.

A música desta sessão da conferência foi fornecida pelo Coro do Tabernáculo de Salt Lake, sob a direção de Richard P. Condie, com Alexander Schreiner ao órgão.

Presidente Hugh B. Brown:

O Presidente David O. McKay está presente esta manhã e está presidindo esta sessão. Ele me pediu para conduzir esta reunião. Ele se une a mim para estender uma cordial saudação a todos os presentes esta manhã neste histórico tabernáculo na Praça do Templo em Salt Lake City. Também à vasta audiência de televisão e rádio em todo o mundo, damos-vos as boas-vindas a esta sessão da 136ª Conferência Anual da Igreja.

O Coro do Tabernáculo, sob a direção de Richard P. Condie, com Alexander Schreiner ao órgão, abrirá estes serviços cantando "God's Son Hath Set Me Free". Após o canto, a invocação será oferecida pelo Élder C. Mark Wright, presidente da Estaca Mill Creek.

O Coro cantou "God's Son Hath Set Me Free".

A oração de abertura foi oferecida pelo Élder C. Mark Wright, presidente da Estaca Mill Creek.

Presidente Hugh B. Brown:

O Coro do Tabernáculo agora nos brindará com "Hosanna, Christ Is Risen", solo de Albert Fallows. Após o canto, o Élder Robert L.

Simpson, do Bispado Presidente, nos falará.

Mais uma vez, na tradição da estação [pascal], toda a cristandade faz uma pausa, de cabeça baixa e coração contrito, para contemplar a terrível agonia, a dor, o sofrimento e as indignidades do Senhor e Salvador do mundo, ao entregar-se para ser crucificado pelos pecados de toda a humanidade.

A garantia da Páscoa Mas, com o nascer do sol de outra manhã de Páscoa, também brota em cada um de nós uma gloriosa garantia de esperança, um brilhante raio de paz, pois ele vive! A morte está vencida! E a vida será eterna.

Suponhamos que, por algum arranjo miraculoso, fosse concedido a cada um de nós o privilégio de passar um precioso minuto em audiência particular com o Cristo ressuscitado neste dia de Páscoa. Que fazeríeis? Que diríeis? Certamente haveria grande emoção por causa de vosso amor por ele. Então tenho certeza de que muitos perguntariam a simples pergunta:

"Que queres que eu faça?" e ele talvez respondesse: "Se me amais, guardai os meus mandamentos."

(João 14:15.) ". . . apascenta as minhas ovelhas." (João 21:16.) Ou talvez fosse: ". . . amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mat. 19:19.) Não há razão para crer que seu conselho e orientação hoje seriam diferentes do que foram há 2.000 anos. Pois sua casa é uma casa de ordem. Seu evangelho é o mesmo ontem, hoje e para sempre.

"Onde estiver o tesouro..."

E porque ele estaria muito ansioso por nos ver superar o egoísmo e a falta de fé, que creio serem as duas maiores fontes dos problemas do homem hoje, não pensais que ele teria algum conselho a dar a respeito do domínio sobre os bens materiais, pois certamente "onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração"? (Mat.

6:21.) Sim, este grande princípio da fé e da disposição de repartir nosso aumento temporal caminham juntos.

De fato, alguém observou corretamente que não é o dinheiro que paga o dízimo — é a fé.

A este respeito, sempre me lembrarei da fé de um velho irmão maori na Nova Zelândia. Quando os missionários chegaram à sua humilde cabana de pesca, situada bem fora dos caminhos habituais, ele se apressou a encontrar um envelope que continha uma carta a ele endereçada, na qual também havia colocado uma quantia considerável de dinheiro arduamente ganho. Prontamente entregou aos missionários o envelope contendo o dinheiro e a carta. Este bom irmão não tinha condições de ler a carta quando ela chegou, pois estava escrita em inglês, e sua língua era o maori, mas conseguia ler as cifras financeiras nela contidas, e reconheceu o timbre como sendo do escritório da missão. Pensou que a missão precisasse da quantia mencionada para algum propósito especial, e a tinha toda pronta para os missionários. Depois que a carta lhe foi traduzida, ficou claro que ela apenas confirmava seu acerto anual de dízimo e informava o valor total pago no ano anterior.

Sua fé era tal que estava pronto para pagar a mesma quantia novamente, caso os servos do Senhor precisassem dela para a obra.

Já que estamos falando da Nova Zelândia, deixai-me contar-vos sobre uma bela capelinha branca situada no Vale de Maromaku. Cerca de vinte e cinco anos atrás, o Irmão Matthew Cowley, que era então o presidente da Missão da Nova Zelândia, escreveu ao Presidente [Heber J.] Grant e seus conselheiros, contando-lhes sobre este fiel ramo de membros ingleses. Expressou a recomendação de que, devido à sua devoção e destacado histórico de dízimo ao longo de muitos anos, uma modesta capela fosse construída para eles sem participação local, inteiramente dos fundos gerais de dízimo da Igreja. Logo veio a resposta de que a recomendação fora aprovada. Imediatamente, foi convocada uma reunião especial na escola da comunidade, e, pela primeira vez, essas maravilhosas pessoas ouviram o que havia acontecido em seu favor.

A lei de dar No começo, apenas ficaram sentados. Ninguém parecia particularmente eufórico com a notícia, e então, um a um, cada chefe de família se levantou para explicar como ficaria desapontado se não lhe fosse permitido assumir a responsabilidade financeira por alguma parte da capela proposta.

Em vinte minutos, o valor total havia sido subscrito. Essas pessoas fiéis tinham o hábito de ir além do necessário para ajudar a financiar as necessidades do reino, e era assim que queriam que fosse. Vede, as pessoas superam os desejos egoístas ao praticarem a lei de dar do Senhor.

Bem na semana passada, um homem disse: "O custo de vida de hoje torna impossível para mim considerar dez por cento de minha renda para o dízimo." Por todo padrão do ensinamento econômico e financeiro de hoje, calculado pela mente do homem, seu raciocínio parece justificado. Mas a lei espiritual é diferente. Lembrai-vos de como a multidão ficou perplexa quando o Salvador disse isto: "Quem achar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á"? (Mat. 10:39.) Quão semelhante a esta lei é a lei do dízimo, na qual recebemos ao dar! Simplesmente não faz sentido pelos padrões mundanos, e a maioria dos homens considera tais ensinamentos impraticáveis e até abstratos.

Dar abre "as janelas do céu"

Mas funciona! E centenas de

milhares podem dar hoje esse testemunho, pois sua fé foi tal que estiveram dispostos a aceitar o convite de Deus quando disse: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a recolherdes." (Mal.

3:10.) Nenhuma proposta comercial em todo este vasto mundo pode sequer se aproximar desta oferta. Aqui está a única resposta real ao custo de vida de hoje. Não conseguimos fazer o orçamento familiar render o suficiente por nós mesmos, então é melhor formarmos uma parceria com o Senhor, dando-lhe dez por cento. "Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo"; e então ele conclui: "mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma." (D&C 82:10.) Ora, é simplesmente assim, tão simples. E quando decidirmos aceitar seus termos, ficaremos surpresos ao descobrir que podemos nos sair muito melhor com $9,00, com a ajuda do Senhor, do que com $10,00 por nossa própria conta.

Muitos de nós lembramos do tremendo entusiasmo do Presidente Stephen L Richards, da Primeira Presidência, sobre o assunto do "dízimo". Ele disse o seguinte a respeito da parceria com Deus: "Gosto de pensar no Senhor como um sócio, porque a essência da parceria é a repartição dos lucros. É, porém, indispensável, numa parceria, que também haja uma repartição dos encargos do empreendimento. A honra e a satisfação que vêm a alguém ao perceber que vive sua vida em parceria com Deus são, para mim, um pensamento elevado e enobrecedor. Não se pode esperar realizar os lucros dessa empreitada sem arcar com sua parte da despesa — a doação que se exige."

O Presidente Richards prosseguiu dizendo que nossa parte naquela parceria só poderia ser confirmada por meio do pagamento de um dízimo honesto.

O poder espiritual vem Ele também fez esta observação a respeito do poder espiritual que vem a quem está disposto a dar de seus bens ao Senhor: "A observância do dízimo traz poder espiritual e, afinal, isso, para mim, é o principal. A religião é mais do que mero repouso ou relaxamento. É exercício espiritual positivo. Contribui para o crescimento da alma, cultiva todas as virtudes. Assim, quem leva a religião a sério estará disposto a dar-lhe as coisas que lhe são vitais." (Stephen L Richards, The Law of Tithing, Deseret News Press.) Quero compartilhar convosco o testemunho de um irmão maravilhoso que fora impressionado por um dos líderes da Igreja ao explicar a lei do dízimo. Encontrando-o na rua cerca de três meses depois, ele tirou algum dinheiro do bolso e disse: "Vês isto? É tudo meu. Não pertence ao açougueiro, ao padeiro, nem à financeira. Pela primeira vez em minha vida, estou livre de dívidas. Posso caminhar por qualquer lado da rua com a cabeça erguida. Já não preciso atravessar de um lado para o outro, evitando os comerciantes que detêm minhas contas atrasadas."

Então prosseguiu contando como tudo isso aconteceu porque ele tirou tempo para se sentar com sua família, e decidiram como iriam cumprir sua obrigação para com o Senhor.

Paz de espírito Este homem tem paz de espírito hoje.

Ele é agora líder num ramo da Igreja e uma bênção para dezenas de outras pessoas. Enquanto usava as correntes da dívida, estava literalmente em cativeiro e indisponível ao Senhor para servir. O dízimo fora a resposta, e ele encontrou a liberdade financeira.

Integridade O gerente de pessoal de uma grande fábrica em Los Angeles, que não é membro da Igreja, relata esta história:

"Perguntei a um de vossos missionários retornados que buscava emprego em nossa empresa se pagava seu dízimo, e quando ele disse 'sim', contratei-o na hora.

Eu sabia que ele seria um homem de integridade, sabia que amava o Senhor, e também sabia que seria fiel à esposa."

Vede, pois, irmãos e irmãs, o pagamento do dízimo significa muitas coisas para muitas pessoas.

Frequentemente ouvimos o comentário: "Creio em tudo o que dizeis sobre o dízimo, mas estou tão irremediavelmente endividado agora que terei de esperar até o próximo ano para começar." O único problema com isso é que o próximo ano nunca chega. Reuni-vos com vosso bispo imediatamente e recebei seu bondoso conselho. Depois, convocai uma reunião especial de toda a família.

Convidai-os a participar das possíveis soluções para o problema. Talvez vosso filho Zezinho acabe conseguindo uma rota de entrega de jornais — ótimo! E a adolescente Susana encontre trabalho aos sábados — maravilhoso! Penso que todos os nossos adolescentes deveriam aprender bem este maravilhoso princípio do trabalho. E não só isso, mas a família inteira poderia concordar em se contentar por alguns anos com um carro de cinco anos que usa gasolina comum e tem janelas manuais. Esta importante reunião familiar sobre finanças poderia ser o ponto de virada rumo à exaltação e salvação eternas.

Obediência nascida do amor Poucos assuntos receberam tanto tempo e atenção deste púlpito quanto o assunto do dízimo. Há boa razão para tal ênfase. O cumprimento da grande lei do dízimo desenvolve e treina os homens no atributo vital da obediência, que tem sido chamada a primeira lei do céu.

Treina os homens no atributo vital da fé, sem a qual há pouca esperança para alguém, e também no atributo vital do desprendimento, a necessidade mais imediata do homem para resolver os dilemas do mundo neste dia de ódio, ganância e desconfiança.

Falando por meio do salmista, o Senhor declarou: ". . . meu é o mundo, e a sua plenitude."

(Sal. 50:12.) Ele não precisa realmente de nossos dez por cento — tudo já é dele, em primeiro lugar — mas nós precisamos da experiência de dar. Assim como o sábado foi criado para o homem, e não o homem para o sábado, o mesmo se dá com o dízimo:

o valor da alma humana é o mais importante. ". . . minha obra e minha glória", declara o Senhor, é "levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem." (Moisés 1:39.) Não há pensamento mais compatível com o espírito da Páscoa do que esse.

O Deus e Criador do céu e da Terra certamente poderia depositar todas as riquezas do mundo aos pés de seus líderes aqui na mortalidade, se este fosse o fator importante. Mas o mais importante é que demonstremos nosso amor por Deus, tornando nossos meios disponíveis a ele, de acordo com seu perfeito plano e sua suprema sabedoria.

O décimo do Senhor abençoa o povo Cada dólar de despesa do dízimo é para a bênção do povo, a edificação da alma, o aperfeiçoamento do homem; e nisto, todos os que participam podem encontrar consolo adicional na observação do Salvador de que "porquanto o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mat. 25:40.) Tornamos possíveis coisas maravilhosas para muitas pessoas maravilhosas quando devolvemos ao Senhor o seu décimo.

Presto solene testemunho a todos os que puderem ouvir de que a lei do dízimo é dada por Deus e de que o propósito para o qual esses fundos sagrados são usados é santificado por direção divina.

Os profetas do Antigo Testamento ensinaram a lei do dízimo, pois disseram: "Honra ao Senhor com os teus bens, e com as primícias de toda a tua renda:

"Ajuntai tesouros" pelo amor e pela obediência "E se encherão os teus celeiros de fartura, e transbordarão de vinho novo os teus lagares." (Prov. 3:9-10.) Esta admoestação jamais foi revogada.

Certa ocasião, pouco antes daquela primeira manhã de Páscoa, há dois mil anos, o Salvador admoestou seus discípulos: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam:

"Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam:

"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mat.

6:19-21.) Quebrai as correntes do egoísmo.

Para justificar o propósito do sofrimento do Salvador e cumprir a oportunidade que ele nos concedeu de vida eterna, o homem deve quebrar as correntes restritivas do egoísmo. Não há melhor maneira do que fazê-lo à maneira do Senhor. Ele deu a vida para que verdadeiramente vivêssemos, não apenas existíssemos. Ele estabeleceu o padrão, declarando: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. . . ." (João 14:6.) Ele acena a todos: "vem . . . segue-me." (Mat. 19:21.) Ele suplica aos filhos aparentemente indiferentes: "Se me amais, guardai os meus mandamentos."

(João 14:15.) Diz que, se havemos de preservar a vida, devemos estar dispostos a entregá-la — nosso tempo às bênçãos, ao conforto e à edificação de outros, nossos meios à edificação do reino e às bênçãos da humanidade, aqui e agora.

"Provai-me agora . . ."

Sim, em minha opinião, Deus lançou o desafio dos tempos quando disse:

". . . provai-me nisto", e seguiu rapidamente com uma promessa resultante de que "abriria as janelas do céu, e derramaria sobre vós uma bênção tal, que não haveria lugar suficiente para recebê-la." (Mal.

3:10.) O controle das "janelas do céu" está em vossas mãos Nunca houve promessa mais definida do que esta. Não nos esqueçamos de que as "janelas do céu"

só podem ser operadas pelo interruptor de controle remoto em nossas mãos. Precisamos dar o primeiro passo. Este é o próprio fundamento do princípio eterno da fé. Uma vez demonstrada essa fé, Deus está pronto e ansioso para cumprir sua parte no acordo.

Que o espírito da Páscoa e o conhecimento seguro de que ele vive permeiem nossos corações neste dia. Que seu grande sacrifício expiatório seja um lembrete constante dos sacrifícios relativamente insignificantes que se esperam de nós, rogo em nome de Jesus Cristo, o Redentor do mundo. Amém.

Como citar este discursoRobert L. Simpson, “Reunião Matutina do Segundo Dia, Sábado, 9 de Abril...”, 1966 April General Conference, Second Day Morning Meeting (1966-04-09). Pulpit Vault, 1966-04-simpson-second-day-morning-meeting-saturday-april-9. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).