Pulpit

Presidente McKay, Irmãos E Irmãs, E Todos...

N. Eldon Tanner

1965 October General Conference·Second Day (Saturday, October 2) — Morning Meeting·1965-10-02

Presidente McKay, irmãos e irmãs, e todos os que estão ouvindo, é um verdadeiro privilégio e bênção participar do espírito pacífico desta grande conferência, ser instruído por estes homens devotados e ser inspirado a maior fé e melhor vida.

Santificado pelo Espírito

Agradecemos ao Senhor que nosso amado líder, o Presidente David O. McKay, ao magnificar seu chamado, tenha sido santificado pelo Espírito para a renovação de seu corpo (ver D&C 84:33), o que torna possível que esteja conosco hoje. Nunca um povo foi mais inspirado por um profeta de Deus do que nós somos por sua presença aqui, por sua comovente mensagem de ontem de manhã e por sua liderança inspirada. Unimo-nos em oração para que ele continue a melhorar em saúde e força. Agradeço ao Senhor pelo privilégio que desfruto de me associar tão intimamente com ele e com estes meus dedicados colegas.

Cidadania Americana

Há exatamente cinco anos, neste mesmo mês, fui honrado com um chamado do Profeta para ser Assistente do Conselho dos Doze. Como a maioria de vós sabe, sou cidadão canadense. Embora ame o Canadá, um país que foi bom para mim em todos os sentidos e que está tomando seu devido lugar no mundo, sendo um forte defensor da liberdade para todos, pretendo, assim que puder me qualificar, tornar-me cidadão dos Estados Unidos da América.

Justiça Perante a Lei

Ao tornar-me cidadão deste grande país, estou determinado a unir-me a todos os cidadãos cumpridores da lei e a dedicar-me aos ideais desta nação de igualdade e justiça perante a lei, e às nossas responsabilidades como homens livres. Estou seriamente preocupado, contudo, com a ilegalidade existente hoje no mundo, e bem aqui nos Estados Unidos. Como futuro cidadão, e na posição que ocupo na Igreja, gostaria de falar por alguns minutos sobre o nosso décimo segundo artigo de fé, que diz: "Cremos em sermos sujeitos a reis, presidentes, governantes e magistrados; em obedecer, honrar e sustentar a lei."

Declaração de Crença

É dever de todo cidadão preocupar-se sinceramente com os esforços de seu país para promover a liberdade e a oportunidade individual, coibir a ilegalidade e alcançar justiça igualitária. A Igreja deixa sua posição bem clara em sua Declaração de Crença a respeito de Governos e Leis, algumas das quais são as seguintes:

"Nós cremos que os governos foram instituídos por Deus em benefício do homem; e que ele considera os homens responsáveis por seus atos em relação aos mesmos, tanto na formulação de leis como em sua execução, para o bem e segurança da sociedade.

"Cremos que nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência, o direito e domínio de propriedade e a proteção da vida. . . .

"Cremos que todos os homens têm a responsabilidade de suster e apoiar o governo do lugar em que residem, desde que protegidos em seus direitos inerentes e inalienáveis pelas leis de tal governo; e que o motim e a rebelião são inadequados a todo cidadão assim protegido e devem ser punidos convenientemente; . . .

"Cremos que todo homem deve ser respeitado em sua posição, governantes e magistrados como tais, sendo nomeados para proteção dos inocentes e punição dos culpados; e que todos os homens devem respeito e deferência às leis visto que, sem elas, a paz e a harmonia seriam suplantadas pela anarquia e pelo terror; . . .

"Cremos que a perpetração de um crime deve ser punida de acordo com a natureza do delito; que o homicídio, a traição, o roubo, o furto e a violação da paz geral, em todos os aspectos, devem ser punidos de acordo com sua criminalidade e sua má influência entre os homens, pelas leis do governo sob o qual o delito tiver sido cometido; e para a paz e tranquilidade públicas, todos os homens devem usar sua habilidade para entregar os transgressores das boas leis ao castigo." (D&C 134:1-2, 5-6, 8. Itálico acrescentado.) Conforme apontado pelo Presidente dos Estados Unidos em sua Proclamação do Dia da Lei, nossas próprias vidas, nossa liberdade e nosso direito de perseguir nossos destinos individuais dependem de nosso sistema de leis e de tribunais independentes.

Propósito da Lei

As leis não são feitas apenas para coibir o malfeitor, ou como uma restrição negativa, mas para proteger os direitos e as liberdades de todo cidadão. Como disse John C. Cornelius: "As leis são as regras pelas quais se joga o jogo da vida." Não há razão ou justificativa para que os homens desrespeitem a lei e tentem fazer justiça com as próprias mãos.

Seu Exemplo

Abraham Lincoln disse certa vez: "Leis ruins, se existirem, devem ser revogadas o mais rápido possível; contudo, enquanto permanecerem em vigor, devem ser religiosamente observadas."

O próprio Cristo, enquanto esteve aqui na terra, foi um de nossos maiores exemplos de cidadão cumpridor da lei. Quando lhe perguntaram aqueles que tentavam desacreditá-lo: "Que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?", sua resposta foi: "Dai . . .

a César o que é de César; e a Deus o que é de Deus." (Mateus 22:17, 21.) E mesmo quando estava sendo julgado por sua vida, manteve uma atitude submissa perante os principais sacerdotes e o conselho que tramavam sua morte. Quando esteve diante de Caifás, permaneceu em silêncio e não respondeu às perguntas feitas até que o sumo sacerdote disse: "Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus." (Idem, 26:63.) Ao falar assim com autoridade oficial, o Salvador deu uma resposta imediata, reconhecendo assim o ofício do sumo sacerdote, por mais indigno que fosse o homem.

Direitos dos Cidadãos

Alguém disse sabiamente: "Para nós, a lei é o alicerce de nossos ideais básicos: democracia, liberdade, justiça. Contudo, no dia a dia, a maioria de nós considera a lei um fato garantido. Esquecemo-nos dela até que precisamos dela ou a infringimos, mas a lei vela constantemente sobre nós, raramente se impondo, tão presente em nossas vidas que se tornou mais um guia do que uma restrição, mais uma proteção do que uma ameaça de punição."

Em nossos países democráticos, todos têm o direito:

  • a. De obter boa educação
  • b. De morar onde lhe aprouver
  • c. De escolher sua vocação
  • d. De votar em pleito secreto
  • e. De possuir propriedade
  • f. De iniciar seu próprio negócio
  • g. De ter um julgamento justo e rápido se acusado de um crime
  • h. De adorar de acordo com os ditames de sua própria consciência.

Esses direitos, privilégios e bênçãos simplesmente não estão disponíveis para os que vivem em países comunistas.

É um grande privilégio e bênção viver num país onde todas as pessoas, independentemente de raça, religião ou origem nacional, podem viver juntas em paz e prosperidade; onde estabelecemos uma forma de lei feita por homens livres para o bem de todos; onde todos os homens desfrutam do direito inalienável de serem livres e de se autogovernarem.

Respeito pela Lei

Abraham Lincoln advertiu: "Que a reverência pelas leis seja transmitida por toda mãe americana ao bebê balbuciante que tagarela em seu colo; que seja ensinada nas escolas, nos seminários e nas faculdades; que seja escrita nas cartilhas, nos livros de ortografia e nos almanaques; que seja pregada do púlpito, proclamada nos salões legislativos e aplicada nos tribunais de justiça. E, em suma, que se torne a religião política da nação; e que os velhos e os jovens, os ricos e os pobres, os sérios e os alegres, de todos os sexos, línguas, cores e condições, sacrifiquem incessantemente em seus altares."

Esse é um pequeno preço a pagar pela liberdade e pelas outras bênçãos desfrutadas num país livre. Compreendamos plenamente que nós, adultos, não podemos infringir lei alguma impunemente sem que nossos filhos percam o respeito pela lei. O delinquente juvenil está em apuros porque não aprendeu a importância de cumprir a lei, ou não aprendeu a ajustar sua conduta aos padrões da comunidade da qual faz parte.

Causas da delinquência

Algumas causas dos problemas do delinquente são:

  • a. Desrespeito pela lei no lar
  • b. Falta de disciplina no lar
  • c. Exemplo dos adultos
  • d. Simpatia manifestada por criminosos e críticas à polícia
  • e. E, por último, mas não menos importante, deixar de aceitar Cristo como o Salvador do mundo e deixar de guardar as leis de Deus.

A única solução para esses problemas é que os adultos honrem a lei de Deus e a lei da terra e cultivem em nossa juventude a compreensão e o respeito pelas regras da vida civilizada que tornam possível uma sociedade ordeira. A aceitação voluntária da lei é o substituto civilizado para os motins, o caos e o terror.

Embora ouçamos muito a respeito do delinquente juvenil, tenho plena confiança em nossa juventude e frequentemente desejo poder viver o suficiente para ver como eles administrarão melhor os assuntos públicos do que estes estão sendo administrados hoje. Contudo, eles precisam de orientação, exemplo, encorajamento e disciplina.

Gostaria de ler "Uma Fábula Americana Moderna", de Al. Mcintosh.

"Certo dia, quando Junior tinha 14 anos, notou seu pai todo sorridente ao voltar do escritório. 'Fui multado por excesso de velocidade', admitiu, 'mas consegui que o Jake, lá na Prefeitura, cancelasse a multa para mim.' "Quando Junior tinha 15 anos, estava com a mãe no carro da família quando ela bateu numa árvore ao dar ré. Os danos facilmente ultrapassariam $100. 'Diremos que alguém bateu em nós enquanto estávamos estacionados no centro', disse sua mãe.

'Então cobraremos do seguro, porque é para isso que as seguradoras realmente existem.' . . .

"Quando Junior tinha 17 anos, ouviu certa noite seu tio advogado gabando-se de como fora esperto ao livrar seu cliente impune num processo judicial.

'Bastou pressionar um pouco, de forma refinada, uma das testemunhas', gabou-se ele, 'e quando chegou ao tribunal, já tínhamos ganho a causa. Mesmo sabendo que são culpados, você nunca deve fazê-los se declarar culpados, porque não se ganha dinheiro com isso', disse o tio.

"Quando Junior tinha 18 anos, sua família mexeu todos os pauzinhos possíveis para conseguir-lhe uma bolsa de estudos remunerada numa cobiçada faculdade da Ivy League. Chegaram até a inventar histórias sobre a renda familiar, para fazer parecer que Junior precisava de auxílio financeiro. Ele não conseguiu boas notas lá, mas, por um golpe de sorte, arranjou uma vaga numa academia militar.

"Junior estava tendo dificuldades escolares. Um aluno mais adiantado vendeu-lhe as respostas dos exames de cálculo. Junior foi pego e expulso.

"Ao voltar para casa, sua mãe teve um ataque histérico, chorando de vergonha. 'Como você pôde nos fazer isso?', soluçou ela. 'Não foi assim que o criamos!' " 'Inacreditável', disse o pai. 'Não consigo entender!' " (Publicado originalmente em Western Voice, Englewood, Colo.; copiado de Good Reading, agosto de 1965.) Nós, como cidadãos, cada um de nós, inclusive nossa juventude, temos uma pesada responsabilidade de obedecer e fazer cumprir a lei. Imaginemos como seria hoje nosso país sem lei:

  • a. Sem regulamentos de trânsito
  • b. Sem leis de casamento
  • c. Sem direitos de propriedade
  • d. Sem proteção policial
  • e. Sem tribunais de justiça

No entanto, encontramos pessoas demais

  • a. Correndo para passar no sinal amarelo
  • b. Dirigindo em excesso de velocidade nas rodovias
  • c. Dirigindo embriagadas
  • d. Ignorando os votos matrimoniais
  • e. Promovendo manifestações ilegais e distúrbios
  • f. Recebendo seguro-desemprego indevidamente, etc.

Num caso recente, um rapaz de dezesseis anos obteve bebida alcoólica numa loja estatal de bebidas e, sob sua influência, roubou um caminhão e colidiu com um táxi estacionado, causando ferimentos graves ao motorista. Como os regulamentos proíbem a venda de bebida alcoólica a menores de vinte e um anos, o funcionário do governo que vendeu a bebida infringiu a lei e contribuiu para a delinquência juvenil.

Há poucos dias, um motorista embriagado avançou o sinal vermelho e colidiu com outro carro, matando duas pessoas, ferindo outros passageiros e destruindo dois carros.

Que perda tremenda para ele e para as famílias dos que perderam a vida, e que grande e duradoura tristeza por causa do desrespeito à lei! Temos casos todos os dias em que as pessoas sofrem por causa da desobediência à lei.

A liberdade, a independência e a paz só podem ser plenamente desfrutadas quando as leis da terra e as leis de Deus são honradas e obedecidas. Portanto, adotemos o lema: "Quanto a mim e à minha casa, honraremos, obedeceremos e sustentaremos a lei e usaremos nossa melhor influência para encorajar os outros a fazerem o mesmo."

Lembremo-nos também, e jamais esqueçamos, que, se guardarmos as leis de Deus, o maior de todos os legisladores, guardaremos automaticamente as leis da terra, e que as leis de Deus, se guardadas, assegurarão paz, segurança e felicidade aqui nesta terra e nos conduzirão à imortalidade e à vida eterna.

Os Dez Mandamentos

Alguns destes mandamentos dados pelo Senhor são:

"Não terás outros deuses diante de mim. . . .

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. . . .

"Honra teu pai e tua mãe, para que os teus dias se prolonguem na terra que o Senhor teu Deus te dá.

"Não matarás.

"Não adulterarás.

"Não furtarás.

"Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

"Não cobiçarás . . . coisa alguma que seja do teu próximo." (Êxodo 20:3, 8, 12-17.) E quando o intérprete da lei perguntou ao Mestre, tentando-o:

"Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

"E Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

"Este é o primeiro e grande mandamento.

"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

"Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus

22:36-40.) Somos muitíssimo afortunados, meus irmãos e irmãs, por saber que a lei de Deus está contida no evangelho de Jesus Cristo, que o evangelho nos dá o plano de vida e salvação, a solução para todos os nossos problemas; e que, se aceito e vivido, trará paz à alma, paz à família, paz à comunidade, ao país e ao mundo; e que garantiria saúde, amor e felicidade, sucesso e vida eterna.

Desejo dar-vos meu testemunho, meus irmãos e irmãs, e a todo o mundo, de que estas coisas são verdadeiras; de que o evangelho em sua plenitude foi restaurado nestes últimos dias; de que o sacerdócio de Deus está sobre a terra; de que Deus vive e que Jesus Cristo é seu Filho, que veio e deu sua vida por vós e por mim; e de que eles se interessam por nós hoje. Não há dúvida de que o Salvador quis dizer o que disse nestas palavras: ". . . buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." (Idem, 6:33.) Que possamos aceitar estas verdades e, como homens livres, honrar, obedecer e sustentar a lei da terra em que vivemos, e obedecer as leis de Deus, para que sejamos considerados dignos do país em que vivemos e dignos da vida eterna, é o que peço humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoN. Eldon Tanner, “Presidente McKay, Irmãos E Irmãs, E Todos...”, 1965 October General Conference, Second Day (Saturday, October 2) — Morning Meeting (1965-10-02). Pulpit Vault, 1965-10-tanner-president-mckay-brothers-and-sisters-and-all. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).