Pulpit

Meus Caros Irmãos e Irmãs, Estou...

Theodore M. Burton

1962 April General Conference·Second Day Morning Meeting·1962-04-07

Meus caros irmãos e irmãs, sou verdadeiramente grato pelo privilégio de estar aqui neste dia e pela oportunidade que tenho de testificar a vocês a respeito da divindade desta obra. Foi um grande privilégio voltar novamente à Europa e trabalhar de novo com o povo que tanto amo. Já tive muitas experiências maravilhosas e fiquei novamente impressionado com a força do povo naquelas terras.

Recentemente li um artigo no Der Abendpost, um dos jornais alemães de Frankfurt, Alemanha. Na sexta-feira, 16 de março, esse jornal publicou uma carta do Dr. Martin Niemoeller.

Ele é o presidente da Igreja Luterana na Alemanha, que ali é conhecida como "Evangelische Kirche." No jornal, ele defendeu uma declaração que fizera anteriormente, de que oitenta por cento daqueles de sua igreja que pagavam impostos à igreja e, portanto, poderiam ser considerados membros nominais, são ateus que não creem em Deus. O Dr. Niemoeller declarou, em carta ao jornal, que baseara seu anúncio em sua lembrança de um questionário que fora compilado e publicado em um jornal alemão no ano anterior.

Uma das perguntas feitas pelo jornal era se quem recebesse o questionário acreditava na existência de Deus. O resultado publicado foi que oitenta por cento responderam a essa pergunta do questionário com um "não" claro e enfático. O Dr. Niemoeller disse que não fizera a declaração para despertar os oitenta por cento ateus a uma crença em Deus, mas para mostrar aos cem por cento das pessoas que viviam naquela região, que eram membros de sua igreja, que agora coexistiam em uma sociedade ateísta, e que as chamadas nações ocidentais não podiam usar a desculpa de que aquelas do ocidente eram cristãs enquanto as das nações comunistas eram ateias. Sua tese, simplesmente, era esta: que as nações ocidentais eram tão ateias quanto os países comunistas.

que estabeleceu muitas missões naquela região e enviou literalmente milhares de missionários para lá, a fim de testificar da divindade de Jesus Cristo naquela terra, é claramente justificada. A ação da Igreja em prestar testemunho naquela região é absolutamente necessária.

Portanto, estou feliz por ter tido o privilégio de novamente ser missionário naquela região e por termos missões de nossa Igreja na Europa.

Estou grato por relatar que a obra está progredindo na Europa. A Igreja está crescendo rapidamente em número de membros, e a espiritualidade entre nosso povo ali está aumentando. Uma das coisas surpreendentes que me tem agradado tremendamente foi o aumento na liderança entre nosso povo. Não creio que algo pudesse tornar isso mais claro do que algo que aconteceu durante o mês de fevereiro.

Em fevereiro deste ano, tivemos uma tempestade terrível que se abateu sobre o norte da Europa. O vento soprando do Mar do Norte empurrou as águas rio acima, e tivemos uma terrível inundação na região em torno de Hamburgo. Ficamos muito preocupados. Eu estava, por acaso, percorrendo a Missão da Alemanha do Norte naquele momento com o Presidente Maycock. Na sexta-feira à noite, quando saímos de Altona e atravessamos Hamburgo a caminho de Bremen, passamos pela margem e notamos que a água estava subindo. Alguns dos carros já estavam parcialmente debaixo d'água, e não mais que dez minutos depois de passarmos, a água entrou e cobriu a mesma estrada por onde havíamos viajado. Naquele momento não percebíamos quão sérias eram as condições.

Embora soubéssemos que a água estava alta, passamos a noite em Bremen, realizamos ali nossa conferência missionária no dia seguinte, e assim que voltei a Frankfurt de avião, telefonei para saber como estavam as coisas, pois soube que o Presidente Maycock não conseguia voltar a Hamburgo porque as estradas estavam sob a água.

O esforço missionário de nossa Igreja — recebi notícias daquela região no sábado à noite, e o presidente da estaca disse que tinham a situação sob controle e estavam trabalhando para cuidar do povo, mas estavam preocupados com alguns dos membros. A coisa surpreendente foi a maneira como nossos maravilhosos irmãos ali imediatamente entraram em ação e cuidaram de seu próprio povo. O presidente daquela estaca e seus conselheiros, com alguns dos membros do sumo conselho, visitaram os bispos, verificaram os Santos, descobriram o que era necessário, e cuidaram deles. Localizaram e ajudaram as vítimas da inundação, pois muitas de nossas pessoas perderam todos os seus pertences. Perderam seus móveis, perderam suas roupas, até o papel de parede foi levado das paredes, e as casas ficaram cheias de lodo das inundações, mas, milagrosamente, todas as suas vidas foram salvas.

Aconteceram algumas coisas muito notáveis. O Presidente Panitsch me contou que estava preocupado com uma irmã idosa que estava acamada. Temia que a inundação, que cobriu grande parte de Wilhelmsburg, pudesse ter tirado sua vida, pois ela não podia se mover. No entanto, na noite anterior à chegada da inundação, ela piorou um pouco e foi levada a um hospital, salvando-se assim.

Uma de nossas irmãs ficou preocupada porque, no meio dessa inundação, quando as águas vinham rugindo, seus filhos, que ela segurava pela mão, foram arrastados para longe dela pelas águas, e assim ela os perdeu e desesperou-se por suas vidas. Foi resgatada e chegou em lágrimas ao seu bispo, querendo saber o que poderia fazer por seus filhos. Mas as crianças haviam sido milagrosamente salvas. Elas se agarraram a árvores a noite toda e foram resgatadas na manhã seguinte, sendo devolvidas a ela, assustadas, mas a salvo.

Assim vocês veem, os Santos locais se ajudaram uns aos outros. Quando o chamado saiu para reunir alimentos e roupas, trouxeram tanto material para a casa da ramificação de Altona que os bispos tiveram de dizer ao povo: "Já temos o suficiente. Não tragam mais." As irmãs passaram seu tempo separando as roupas (era boa roupa a que foi trazida) e certificando-se de que todas as pessoas que recebiam roupas tivessem o ajuste e o vestuário adequados.

Os Santos locais se ajudaram uns aos outros.

E o maior testemunho de unidade para mim, irmãos e irmãs, foi ver como os presidentes das outras estacas de língua alemã se apressaram em socorrer.

Berlim telefonou perguntando se podia ajudar, e a Suíça e Stuttgart, sem sequer telefonar, iniciaram sua ação de socorro e reuniram quantias que, para nós, eram realmente grandes em termos de marcos alemães, e enviaram esse dinheiro ao Presidente Panitsch, ofereceram alimentos e roupas, e telefonaram para perguntar se podiam dar mais ajuda.

Assim vocês veem, eles estão trabalhando juntos, e aqueles maravilhosos Santos alemães e suíços em nossas estacas europeias se mantiveram unidos como um só povo. É emocionante ver tal unidade. Pensei comigo mesmo: verdadeiramente essas estacas são agora lugares de refúgio e segurança. Sião é onde habita o puro de coração, e estas são verdadeiras estacas de Sião. Meu coração se encheu de orgulho por nossos Santos na Europa.

Desde que cheguei ali em dez de janeiro, tive o privilégio de visitar as doze missões e de realizar conferências missionárias com todos os missionários da Missão Europeia.

Falei a numerosas congregações na Alemanha, na Dinamarca, na Noruega e na Finlândia. Estive duas vezes atrás da Cortina de Ferro e falei com nossos Santos lá. Encontrei força, determinação e entusiasmo em toda parte, e uma maravilhosa liderança.

Visitei 1.710 missionários, e tenho orgulho deles e de seu espírito de devoção. Há um bom espírito entre eles, e têm um espírito de corpo que os une em espírito. Estão captando a grande visão da obra que têm a realizar. Estão começando a perceber agora quem são.

Este conceito de saber quem se é constitui um conceito muito importante, e gostaria apenas de contar-lhes uma pequena história que me foi contada por John Bennion, um de meus missionários, que julgo ilustrar muito bem este princípio. É uma história sobre um vendedor que chegou a um vale bastante isolado em campanha de vendas. Tinha algumas vendas a fazer, e, ao procurar um lugar para passar a noite, não encontrou hotel, nem pensão, nem casa de hóspedes, nenhum lugar onde pudesse ficar. Então fez o que todo bom vendedor faz quando pego numa situação dessa natureza. Procurou a mais bela casa que pôde ver naquele vale, foi até lá e bateu à porta. Quando um homem veio atender, apresentou-se e disse: "Sinto muito incomodá-lo, mas estou procurando um lugar para passar a noite, e não consigo encontrar hotel nem quartos disponíveis. Seria possível hospedar-me esta noite?" O homem abriu a porta com verdadeira hospitalidade do oeste e disse: "Estranho, entre e sinta-se em casa."

Assim o homem entrou e se sentiu em casa, e passaram uma noite muito, muito agradável juntos — tão agradável que, pela manhã, ele decidiu se levantar e ajudar seu novo amigo com suas tarefas.

Pegou um balde de grãos e foi até os fundos da casa, ao galinheiro, para alimentar as galinhas. Ao começar a alimentar as galinhas, de repente chamou o homem, excitado: "Ei, moço, venha depressa. Há uma águia no seu galinheiro."

"Ah," disse o fazendeiro, "não se preocupe com isso."

Ele disse: "O senhor não entende. É uma ave feroz. Se não a tirar do galinheiro, ela vai matar todas as suas galinhas!"

"Ah," disse o fazendeiro, "não se preocupe."

"Mas é uma águia dourada!" ele gritou.

Então o fazendeiro disse: "Deixe-me contar a história, e então o senhor vai entender. No ano passado, alguns dos meus filhos foram comigo até as montanhas, e lá, num penhasco abaixo de nós, encontramos um ninho de águia. Naquele ninho havia três ovos, então descemos um dos meninos pelo penhasco com um laço, e ele pegou dois daqueles ovos do ninho da águia e os trouxe de volta com ele. Quando chegamos em casa, colocamo-los sob uma galinha choca. Um daqueles ovos chocou. Essa é aquela águia. O senhor vê, aquela galinha choca era sua mãe, e todas as outras galinhas são seus irmãos e irmãs. Isso não é uma águia. É uma galinha!"

O vendedor olhou para o galinheiro e, de fato, lá estava a águia ciscando com todas as outras galinhas e catando grãos de milho como uma galinha faria. Então disse ao fazendeiro: "O senhor se importa se eu fizer uma experiência com essa ave?" O fazendeiro disse: "Vá em frente, ela não pode botar ovos." Então ele foi até lá, pegou a águia na mão, olhou-a bem nos olhos e disse: "Tu és uma águia. Toma as tuas asas e voa!" Mas a águia apenas piscou para ele com aqueles grandes olhos amarelos de águia, eriçou as penas e virou a cabeça de lado, olhando-o de cima a baixo. Depois pulou para o chão e começou a ciscar a terra atrás de grãos de milho. O fazendeiro riu do vendedor e disse: "Viu, eu disse que ela era só uma galinha."

O vendedor balançou a cabeça e disse: "Não está certo." Então saiu em sua campanha de vendas, mas não terminou, de modo que voltou naquela noite e disse: "Sinto muito incomodá-lo de novo, mas poderia passar outra noite?"

O fazendeiro disse: "Olhe, fique o tempo que quiser. Sempre será bem-vindo aqui." Então passou outra noite muito agradável, e na manhã seguinte se levantou, pegou seu balde de grãos e foi alimentar aquelas galinhas de novo. Depois de alimentar as galinhas, olhou para aquela águia. Foi até ela, pegou-a, ergueu-a na mão e olhou-a bem nos olhos e disse: "Tu és uma águia. Toma as tuas asas e voa!" Mas a águia apenas piscou para ele com aqueles grandes olhos amarelos de águia, eriçou as penas, inclinou a cabeça e o olhou de cima a baixo, depois pulou para o chão e começou a ciscar em busca de grãos de milho novamente.

O fazendeiro riu de novo e disse: "É inútil. Desista." Bem, o vendedor saiu para vender outro dia, mas ainda não terminou, então ficou uma terceira noite, e naquela terceira manhã foi alimentar as galinhas de novo.

Alimentou-as e depois olhou para aquela águia. Era bem cedo pela manhã, e o sol estava justamente nascendo por trás da montanha quando ele se abaixou e ergueu aquela águia, virando-a desta vez de modo que ela tivesse de olhar diretamente para o sol. Então disse: "Tu és uma águia dourada. Toma as tuas asas e voa!" Mas a águia apenas piscou para ele com aqueles grandes olhos amarelos de águia, eriçou as penas, inclinou a cabeça e o olhou novamente. Mas, ao fazê-lo, o sol lhe feriu os olhos, de modo que ergueu a cabeça para olhar o sol, e de repente começou a tremer. Então abriu aquelas grandes asas, e lá se foi voando, e essa foi a última vez que aquela águia foi vista.

Agora, ela já não era mais uma galinha. Era uma águia, a rainha dos ares, no elemento a que pertencia. Estava livre. Uma águia dourada, a rainha das aves!

Estou convencido de que há águias douradas demais entre nós que estão convencidas de que são galinhas. Não é hora de sermos galinhas.

É hora de nós, assim como de nossos missionários, percebermos quem somos.

Isso me lembra uma passagem da Doutrina e Convênios, seção 63, versículos 58 a 64, onde o Senhor disse:

"Pois este é um dia de advertência e não de muitas palavras. Pois eu, o Senhor, não serei escarnecido nos últimos dias.

"Eis que eu sou de cima e meu poder jaz abaixo. Eu estou sobre tudo e em tudo e através de tudo e penetro todas as coisas; e vem o dia em que todas as coisas me serão sujeitas.

"Eis que sou o Alfa e o Ômega, sim, Jesus Cristo.

"Portanto, que todos os homens se acautelem de como tomam meu nome em seus lábios — Pois eis que em verdade eu digo que muitos há que estão sob esta condenação, que usam o nome do Senhor e usam-no em vão, não tendo autoridade."

Ora, ele estava falando de mim e de vocês, que dão testemunho dessas coisas sagradas, pois ele prossegue dizendo: "Portanto, que a igreja se arrependa de seus pecados e eu, o Senhor, possuí-los-ei; do contrário, serão cortados.

"Lembrai-vos de que aquilo que vem de cima é sagrado e deve ser mencionado com cuidado e por indução do Espírito; e nisto não há condenação alguma e recebereis o Espírito por meio de oração; portanto, sem isto permanece a condenação." (D&C 63:58-64.) Assim aprendemos a ensinar, sim, devemos ensinar e pregar pelo Espírito, e usar aqueles testemunhos que Deus nos deu de maneira sagrada e solene. Não devemos falar levianamente dessas coisas sagradas, mas quando testificamos devemos testificar das profundezas do nosso coração. Disse isso aos nossos missionários: quando ensinam, devem ensinar pelo espírito da verdade a partir da plenitude de seus corações, pois, como disse o Senhor: "Em verdade vos digo: Aquele que é ordenado por mim e enviado para pregar a palavra da verdade pelo Consolador, no Espírito da verdade, prega-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma?

"E se for de alguma outra forma, não é de Deus." (Ibid., 50:17-18.) E é verdade que quem recebe a palavra deve recebê-la da mesma maneira em que é dada. Deve abrir seu coração e receber a mensagem pelo espírito da verdade, pois o Senhor continua a dizer: "E também, aquele que recebe a palavra da verdade, recebe-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma?

"Se for de alguma outra forma, não é de Deus." (Ibid., 50:19-20.) Assim, o espírito da verdade é uma ponte que se estende entre pessoas honestas em toda parte. É uma ponte de honestidade.

É uma ponte de sinceridade. É uma ponte de amor fraternal.

Como o Senhor continua a dizer nesse mesmo versículo seguinte dessa seção:

"Então como é que não podeis compreender e saber que aquele que recebe a palavra pelo Espírito da verdade recebe-a como é pregada pelo Espírito da verdade?

"Portanto, aquele que prega e aquele que recebe se compreendem um ao outro e ambos são edificados e juntos se regozijam.

"E aquilo que não edifica não é de Deus e é trevas.

"Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito." (Ibid., 50:21-24.) Assim, sabendo a responsabilidade pessoal que hoje repousa sobre mim, dou meu testemunho solene a vocês, pelo espírito da verdade e pelo poder do Espírito Santo, de que sei, do fundo de minha alma, que Jesus vive, que Jesus é o Cristo vivo, um ser ressuscitado, e um Deus pessoal de carne e ossos, que verdadeiramente apareceu e falou a Joseph Smith, o ensinou, o instruiu, e agora guia esta Igreja e revela sua vontade a nós hoje através de um profeta escolhido e vivo, David O. McKay, como outros testificaram antes de mim. Dou-lhes este testemunho em virtude de meu chamado como testemunha especial, pois sei a verdade dessas coisas em meu coração e peço aos homens honestos em toda parte que ouçam, creiam, busquem e saibam por si mesmos, pelo mesmo espírito de verdade, que estas coisas que temos pregado são verdadeiras. Dou-lhes este testemunho em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoTheodore M. Burton, “Meus Caros Irmãos e Irmãs, Estou...”, 1962 April General Conference, Second Day Morning Meeting (1962-04-07). Pulpit Vault, 1962-04-burton-my-dear-brothers-and-sisters-i-am. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).