Colocando o Pai de Volta à Cabeça da Família
Stephen L Richards
Meus queridos irmãos, irmãs e amigos que estais acompanhando os trabalhos de nossa conferência, estendo a todos vós minhas mais calorosas saudações e minha sincera e ardente solicitude por vossa felicidade e bem-estar. Regozijo-me convosco neste Domingo de Páscoa pela oportunidade que todos temos de prestar homenagem ao nosso Salvador e de lhe oferecer nossa gratidão e veneração pelo dom incomparável da vida eterna que ele trouxe a toda a humanidade. Lembramo-nos neste dia de que estamos encarregados da transcendente responsabilidade de edificar e manter o seu reino na terra. É na esperança de poder acrescentar uma palavra de contribuição a essa maior de todas as causas que vos trago, neste dia sagrado, uma sugestão um tanto prática. Cupins estão permeando os alicerces do reino — os lares do povo — ainda mais destrutivos e evasivos do que aqueles pequenos animais semimicroscópicos que corroem nossas paredes. Medidas corretivas são imperativas. ¶
Escolhi tecer alguns comentários sobre um tema que espero sinceramente não se revele demasiado provocante, e certamente não ofensivo, para nossas irmãs e para outras mulheres que possam estar ouvindo. Retiro meu texto, com pleno reconhecimento, de um artigo publicado na revista This Week há alguns meses, e recentemente reimpresso na Reader's Digest, escrito pelo juiz Samuel S. Leibowitz, juiz sênior do mais alto tribunal criminal do Brooklyn. O artigo intitula-se: "Nove Palavras Que Podem Deter a Delinquência Juvenil", e as nove palavras usadas pelo juiz são estas: "Colocai o Pai de Volta à Cabeça da Família". ¶
É provável que muitos de nossos ouvintes já tenham lido esse instigante artigo, e não disponho de tempo para fazer mais do que apresentar-vos alguns dados estatísticos e algumas conclusões tiradas por esse eminente juiz, que passou 21 anos de sua vida como advogado criminalista e 16 anos como juiz no tribunal criminal, com longos anos de estudo e observação sobre as causas da criminalidade juvenil. Ele foi à Europa e descobriu, por meio de relatórios oficiais, que a porcentagem de crimes cometidos em cada um dos seguintes países por infratores de 18 anos de idade ou menos era a seguinte: ¶
Na Itália: 2 por cento dos crimes sexuais, e ½ de 1 por cento dos homicídios. ¶
Na França: 7 por cento dos crimes sexuais, com 8 por cento dos homicídios. ¶
Na Bélgica: 12 por cento dos crimes sexuais, com 1 por cento dos homicídios. ¶
Na Alemanha: 15 por cento dos crimes sexuais, com 2 por cento dos homicídios. ¶
Na Grã-Bretanha: 16 por cento dos crimes sexuais, e 1 por cento dos homicídios. ¶
E — eis a tragédia — nos Estados Unidos, 35 por cento de todos os crimes sexuais são cometidos por infratores menores de 18 anos, e 12 por cento de todos os assassinatos são cometidos por infratores menores de 18 anos. Os infratores adolescentes nos Estados Unidos superavam os dos demais países relatados, numa variação de 1.800 por cento a 100 por cento. O juiz chegou à conclusão de que deveria haver algum fator principal nessa grande disparidade tão desfavorável ao nosso próprio país, e descobriu, como talvez já se pudesse supor, que a razão primordial para as porcentagens reduzidas de delinquência juvenil nos países europeus era o respeito pela autoridade, e que a principal contribuição para esse respeito, o que talvez não se pudesse supor tão facilmente, era o respeito pela autoridade no lar, o qual, como ele assinala, normalmente reside no pai como cabeça da família. ¶
Essas conclusões alcançadas por esse investigador judicial, creio, pareceriam mais sensacionais e surpreendentes às pessoas de fora da Igreja à qual temos a honra de pertencer do que aos nossos próprios membros. Por gerações, nós, como Igreja, temos nos esforçado para fazer exatamente o que o juiz defende — colocar e manter o pai à cabeça da família —, e com todas as nossas forças temos procurado prepará-lo para essa alta e pesada responsabilidade. ¶
Permiti-me tomar alguns minutos para vos apresentar nosso conceito de lar, paternidade e maternidade. Nada ocupa uma posição mais singular, distintiva e importante em nossa teologia e em nosso entendimento dos propósitos de Deus para seus filhos. ¶
Definimos o lar como uma instituição divinamente designada, estabelecida sobre o pacto duradouro de um bom homem e uma boa mulher, em que aos filhos espirituais de nosso Pai Eterno é permitido receber corpos mortais dotados de inteligência eterna, sendo esses filhos assim recebidos no lar para serem criados em saúde e guiados nos caminhos da vida por pais amorosos e sábios, de modo que, ao concluírem suas vidas, estejam preparados para retornar à presença do Senhor, de onde originalmente vieram seus espíritos. Nesse maior de todos os empreendimentos, o homem e a mulher são parceiros — co-signatários, se assim quiserdes, do pacto duradouro que os une. ¶
Nesse pacto eterno, porém, há um elemento que talvez não seja compreendido por muitos milhares de homens e mulheres que contraem matrimônio cristão. É o elemento do sacerdócio. Duas coisas foram reveladas acerca do sacerdócio e do matrimônio que são da mais vital importância. Primeira, que nenhum matrimônio que haja de perdurar para sempre, de modo que, em essência, um lar possa ser projetado na eternidade, pode ser estabelecido sem a autorização e a sanção do sacerdócio divinamente designado. E, segunda, que nenhum matrimônio é elegível para a solenização pelo sacerdócio divinamente designado sem que o homem, parte do pacto, tenha primeiro recebido a investidura do próprio Santo Sacerdócio. ¶
Chamamos de selamento a ordenança do matrimônio, quando realizada não apenas para o tempo, mas para toda a eternidade — o selamento de uma boa mulher a um bom homem do sacerdócio, com o entendimento expresso e o convênio de que o sacerdócio do homem, se ele for fiel e viver digno de desfrutá-lo, será a autoridade suprema do lar, e nenhuma boa mulher de nossa fé nega a seu digno marido portador do sacerdócio o respeito que acompanha seu elevado chamado. ¶
Ela sabe que engrandecê-lo na estima dos filhos, e assim torná-lo consciente da responsabilidade da liderança, é a mais segura salvaguarda que pode trazer à sua família num mundo de tentações. As mulheres da Igreja se regozijam no sacerdócio de seus maridos. Sabem que esse sacerdócio não se expressa em domínio autocrático ou injusto. Sabem que é um poder divinamente concedido, a ser exercido somente em longanimidade e paciência, bondade e misericórdia, "repreendendo prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele" que foi repreendido (D&C 121:43). Sabem que esse sacerdócio contém dentro de si verdadeira virtude — o poder de abençoar, o poder de curar, o poder de aconselhar, de fazer prevalecer a paz e a harmonia. ¶
Talvez as mais tristes de todas as nossas mulheres sejam aquelas que veem seus maridos se afastarem do sacerdócio com o qual foram investidos. São as esposas que se enchem de ansiedade quanto ao futuro de si mesmas e de suas famílias. Na verdadeira companhia de um marido portador do sacerdócio, uma boa mulher pode atravessar qualquer aflição e ter conforto, resignação e paz. Mas se seu marido a decepciona e falha em seu santo chamado, é realmente difícil que o consolo a alcance. Ela sofre, ela ora, ela suplica — às vezes, ao que parece, em vão. ¶
Vós, maridos portadores do sacerdócio que tendes sido negligentes com vossos convênios, suplico-vos, em nome das esposas e famílias pesarosas, que alivieis a dor que estais causando àqueles que vos amam, que recupereis a virilidade e a força, e que sejais dignos de assumir com retidão a liderança de vossas famílias. ¶
Elas desejam respeitar-vos. E o farão, se as deixardes. ¶
Creio ter falado em nome da grande maioria de nossas esposas e mães. ¶
Pode haver, contudo, algumas que não estejam contribuindo tanto quanto poderiam para a manutenção e o restabelecimento do respeito pela devida autoridade e liderança no lar. Temos muitas mulheres brilhantes. Admiro suas realizações superiores. ¶
Elas se tornam continuamente mais influentes em todos os aspectos da vida, e não tenho dúvida de que suas contribuições terão valor duradouro. Se alguma dessas mulheres brilhantes for mãe, é minha firme convicção de que, por mais poderosa que seja em assuntos alheios ao lar, ela não tem chamado nem obrigação mais elevados, mais nobres e mais divinamente concedidos do que ser a esposa e mãe certa em seu lar. E, por mais superiores que sejam suas realizações, ela tem para com o marido o dever de respeitá-lo como cabeça da família e de ensinar adequadamente seus filhos a fazerem o mesmo. ¶
O juiz a quem me referi diz: ¶
"Se as mães compreendessem que grande parte de sua importância reside em construir, para o filho, a imagem do pai, alcançariam a profunda satisfação de ver seus filhos se tornarem pessoas de bem. . . . ¶
E nenhuma mãe jamais teria de ficar diante de mim com lágrimas nos olhos e perguntar: 'O que fiz de errado, Juiz? O que fiz de errado?' " ¶
Parece indelicado, num discurso desta natureza, usar sequer a expressão "esposas implicantes". Se eu não considerasse o assunto pertinente ao tema que estou discutindo, não o mencionaria. Sinto que as mulheres que possam ser incluídas nessa categoria não podem estar plenamente conscientes, seja qual for a provocação, do dano que causam ao moral de um lar. Dou às mulheres, em geral, o crédito de serem longânimes e pacientes, e penso que, no futuro previsível, ainda lhes será exigida grande tolerância, mas espero que continuem a poder mostrar bondade e paciência para com aqueles que as possam importunar. Penso que as disputas dos pais diante dos filhos constituem um dos aspectos mais lamentáveis e deploráveis das relações domésticas. São responsáveis por mais perturbação da tranquilidade doméstica e por efeitos mais nocivos sobre os filhos do que quase qualquer outra ocorrência na vida familiar. Suponho que, inevitavelmente, os pais terão algumas divergências. Pelo bem de todos os envolvidos, que sejam resolvidas em particular, e é claro que podem ser resolvidas em particular se prevalecer um espírito de tolerância e o reconhecimento da responsabilidade. Penso que "esposas implicantes" não conseguem, à força de implicância, fazer seus maridos realizarem algo que valha a pena. A implicância é, em geral, inútil, e perturbadora de qualquer espírito de harmonia e paz. Em lares onde o sacerdócio preside, a rebeldia e a devoção não prosperam juntas. ¶
Ora, meus irmãos, irmãs e amigos, esta ideia de colocar o pai de volta à cabeça da família não é apenas uma frase nova e cativante. Está em conformidade com as revelações do Senhor, como creio que o próprio juiz que a defendeu bem deve ter sabido. Em Efésios, capítulo 5, versículos 22 a 25, lemos: ¶
"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso próprio marido, como ao Senhor; ¶
"Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo, a cabeça da igreja; e ele é o salvador do corpo. ¶
"De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seu próprio marido. ¶
"Vós, maridos, amai a vossa própria mulher, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela," ¶
A escritura dada nos tempos modernos também dá apoio a essa doutrina fundamental. Quando devidamente interpretada e aplicada, não vejo como as boas mulheres devam a ela se opor. Nenhuma mulher pode ser uma boa mãe sem desejar a bondade e o bem-estar de seus filhos. Se o estabelecimento da liderança na família contribui para o bem-estar deles, como o conhecimento sobre o assunto parece indicar, como pode ela fazer outra coisa senão se esforçar por estabelecer respeito e consideração por seu marido? Admito que alguns maridos e pais têm dificultado a manutenção do respeito por eles, mas abandonar o princípio, retirando assim dos pais a responsabilidade de manter a virtude e a bondade entre seus filhos, certamente de nada adiantaria. ¶
É escusado dizer que, para que o pai seja respeitado como cabeça do lar, ele precisa ser um exemplo. ¶
O artigo a que me referi estabelece o princípio de que os estudiosos da delinquência juvenil parecem concordar quanto ao fato de que a criança, para ser segura para a sociedade e para seu lar, precisa ter padrões confiáveis pelos quais viver. Deve haver clara distinção entre o certo e o errado, e deve haver disciplina sólida, sábia e bondosa. No meio das teorias um tanto confusas apresentadas pelos sociólogos e criminólogos, parece-me que não estaremos indo longe demais ao nos esforçarmos por fornecer à juventude critérios para orientar suas vidas. Não há critérios que pareçam confiáveis, exceto aqueles que já foram experimentados e não se mostraram deficientes — princípios de retidão e verdade, provenientes de fontes divinas. Não vejo como qualquer pai inteligente possa sentir muito receio ou incerteza ao criar seu filho para reconhecer as virtudes e os princípios de conduta tradicionalmente aprovados por Deus. ¶
Ontem lemos sobre um jovem de posição social bastante elevada satisfazendo uma paixão de matar, o que resultou no assassinato de uma jovem. Amanhã leremos sobre outro caso semelhante, ou depois de amanhã, ou pouco depois disso. Certamente algo falta na formação para a vida desses pervertidos. Notei com satisfação as observações de J. ¶
Edgar Hoover no jornal de anteontem sobre esse mesmo assunto. ¶
Dias atrás, Billy Graham escreveu um artigo para a mesma revista da qual tenho citado, sob o título "Por Que Creio no Diabo". Ele apresentou três razões. Primeira, porque a Bíblia diz claramente que ele existe. Segunda, "porque vejo sua obra em toda parte". ¶
Terceira, porque grandes estudiosos reconheceram sua existência. ¶
A primeira razão me basta. ¶
O Senhor revelou a existência de Satanás e seu lugar e função no plano eterno de vida e salvação. Billy Graham aparentemente não sabia o que a escritura moderna contida no Livro de Mórmon e em nossa Doutrina e Convênios revela sobre esse assunto, ou teria citado, ou pelo menos espero que o tivesse feito. Eis uma citação: ¶
"E é necessário que o diabo tente os filhos dos homens, ou eles não poderiam ser seus próprios árbitros; porque, se nunca tivessem o amargo, não poderiam conhecer o doce" (D&C 29:39). Esta e outras escrituras esclarecedoras indicam que o homem não poderia ter tido seu livre-arbítrio para desenvolver força de caráter, resistência ao mal e avançar rumo à perfeição, a não ser que fosse sujeito ao poder e à influência de Satanás, o pai do mal. Algumas pessoas sofisticadas ridicularizam a ideia de tal personagem de poder, mas isso não dispensa o relato revelado de sua realidade e o registro de seus feitos. ¶
Os professores da Escola Dominical e outros podem transmitir à criança em crescimento ensinamentos sobre o bem e o mal, mas quem, como o pai de família, pode ensinar o poder do Adversário e a resistência necessária a ser desenvolvida para resistir a suas sedutoras tentações aos filhos pelos quais é responsável? Quem pode demonstrar à criança, pelo poder do exemplo, as virtudes e os padrões de retidão como pode este cabeça de família? ¶
A todos os que creem que a ordem é a lei do céu e que o reino de Deus está estabelecido sobre os princípios da retidão, submeto estas perguntas: ¶
Pode a ordem ser mantida sem a aceitação da lei e sem disciplina? É a disciplina possível sem o reconhecimento da autoridade? Nas instituições humanas e no governo dos homens, não é essencial que a autoridade seja investida em personalidades? Onde há personalidade mais perfeitamente dotada, por natureza e por ordenança divina, para receber e exercer autoridade em seu próprio lar do que o pai desse lar? ¶
Onde podemos esperar que venha maior contribuição para a ordem do reino senão dos lares de nossa terra? Que maior tributo podemos prestar a nosso amado Salvador, neste dia de Páscoa, do que nos rededicarmos à manutenção de uma disciplina justa em seu reino, e em todas as instituições dignas que foram estabelecidas nas sociedades dos homens? Podeis pensar em maior bondade para com a juventude do que prepará-la, com amor e firmeza, para ser digna do amor de Deus e das bênçãos eternas que ele oferece a todos os que obedecem? ¶
Assim, meus amigos, não tenho hesitação nem sentimento de dúvida ou incerteza em defender a adoção, em vossos lares, desta salutar e promissora ideia de trazer o pai de volta como cabeça da família. ¶
Não tenho palavras para expressar minha admiração e profunda estima pelas mães em nossos lares, e estou plenamente consciente de que seu cuidado amoroso e paciente será sempre um fator determinante no desenvolvimento de homens e mulheres bons e virtuosos. Por causa de seu intenso amor pelo lar e pela família, creio que responderão mais prontamente à ideia que estou apresentando. Sei que darão as boas-vindas a tudo o que for justo para proteger contra uma calamidade cada vez maior que abala a própria vida nacional, não apenas das gerações presentes, mas que pode moldar seu curso por eras vindouras. ¶
Que Deus abençoe os lares de nossa própria terra e de todo o mundo. Que Deus abençoe as crianças, para que venham a conhecer a verdade e a retidão e adotem tudo o que é bom em suas vidas. Que Deus abençoe as mães pelo amor que trazem aos nossos lares, e que Deus abençoe os pais para que sejam dignos de assumir os lugares que lhes foram designados como cabeças dos lares sobre os quais devem presidir com mansidão, amor, dignidade e honra, é o que humildemente rogo em nome de Jesus Cristo. ¶
Amém. ¶