O Carnal e o Espiritual
David O. McKay
PRESIDENTE DAVID O. McKAY ¶
Permiti-me dizer a estes estudantes que sua presença, e especialmente seu canto inspirador, muito acrescentam à sacralidade desta assembleia. É glorioso ter várias centenas de estudantes cantando com tanto espírito e devoção. Estamos orgulhosos deles e da universidade de onde vêm. Apreciamos a cooperação do Presidente Wilkinson, dos membros do corpo docente e dos estudantes ao adiarem seu trabalho regular do dia na escola para se unirem a este culto. ¶
Já se passaram mais de cinquenta anos desde que estive aqui pela primeira vez como uma das Autoridades Gerais da Igreja. Lembro-me bem, então, de meu tremor e humildade ao enfrentar tal auditório e aceitar uma posição como um dos líderes. A passagem de meio século não tornou mais fácil enfrentar este vasto auditório e perceber a responsabilidade que se assume ao desempenhar tal responsabilidade. Nesta manhã, como então e durante os anos intermediários, solicito vossa compaixão e vossas orações. ¶
Um ano se passou desde que nos reunimos em uma ocasião como esta. Em nome da Primeira Presidência, dou-vos as boas-vindas, não somente àqueles que estão aqui no Tabernáculo, no Salão das Assembleias e em outros salões vizinhos, mas também ao vasto auditório que nos ouve pelo rádio e pela televisão. Estamos muito felizes por estardes dedicando tempo para participar da conferência geral da Igreja. ¶
Damos boas-vindas especialmente aos 31.817 conversos da Igreja durante este último ano. Esse grupo somente constituirá seis estacas de cinco mil cada. Damo-vos as boas-vindas e confiamos que vós, com todos os demais que nos ouvem, percebereis a responsabilidade acrescida que é vossa ao assumirdes a responsabilidade da qualidade de membro na Igreja de Cristo. ¶
Desejamos elogiar os missionários nas estacas e no campo missionário que têm sido instrumentais em trazer esses números acrescidos à Igreja de Cristo — seis novas estacas, mais que isso se limitarmos o número a três mil cada. ¶
"E se acontecer que trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento a este povo e trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai!" (D&C 18:15.) ¶
E à medida que trouxerdes muitas almas, quanta alegria experimentareis. Elogiamos aqueles que têm sido diligentes durante o ano passado em levar a mensagem de boas novas a tantas pessoas. ¶
Não tomarei tempo para relatar o avanço no trabalho do sacerdócio, no trabalho auxiliar e em outras fases da Igreja, mas podeis sentir-vos gratificados, sim, com o trabalho do ano passado. ¶
Tem sido difícil para mim delinear, mesmo em esboço, a mensagem que tenho tido no coração para o povo da Igreja e o povo do mundo. Há um dito de Paulo, que "a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz." (Rom. 8:6.) ¶
Carnal refere-se, como sabeis, ao físico. Inclui o sensual. Mas temos em mente, nesta manhã, os arredores físicos e nossos instintos animais, a ira que nos assalta, as palavras desagradáveis que são ditas, tornando a vida desagradável, em vez de enfatizar o lado espiritual, o lado real de nossa natureza. ¶
O texto foi sugerido há várias semanas, particularmente enfatizado naquela ocasião por um relato que me chegou de desavenças em um lar, e me perguntei por que não podemos enfatizar atitudes espirituais em nossos lares em vez de atitudes desagradáveis; por que, tendo diante de nós todas as admoestações do Senhor, todas as oportunidades oferecidas pela Igreja, não podemos expressar atitudes espirituais todos os dias de nossas vidas. De que adianta a religião se não torna melhores nossas vidas diárias? Por que precisa haver ênfase colocada sobre o lado carnal de nossas naturezas? É verdade que essa é a reação natural de todos os animais. Mas, tendo em nossa posse os altos princípios do evangelho tal como revelados por Cristo, por que os membros da Igreja não podem, ao menos no lar, na escola, em todas as suas associações, enfatizar o lado espiritual de sua natureza em vez do lado carnal? ¶
Soube, por meio de uma carta, de uma condição que penso ser, no que se refere aos membros da Igreja, absolutamente indesculpável. Um marido e uma esposa brigando — o marido rebaixando-se a tal ponto de amaldiçoar sua esposa e, em um acesso de ira, derrubando uma mesa posta com pratos — uma criatura em forma de homem albergando a natureza de um animal! Um homem em tal estado mental que a própria ira lhe faz mais mal do que a condição que despertou sua ira, e, em realidade, irmãos e irmãs, ele sofre mais da vexação do que dos atos que despertaram essa vexação. ¶
Pergunto-me quanto tempo levará para percebermos que, em questões de temperamento, nada pode nos causar dano senão nós mesmos — somos responsáveis pelo que nos ajuda e pelo que nos prejudica — que o dano que cada um sustenta ele o carrega consigo, e nunca é ele um verdadeiro sofredor senão por sua própria culpa. Penso que compreendeis esse pensamento, e, no entanto, a tendência de cada um é culpar outra pessoa, a esposa culpando o marido, o marido culpando a esposa, os filhos encontrando defeito nos pais quando a culpa está neles mesmos. Se, na dignidade da masculinidade, tal homem cessasse de ampliar seus problemas; encarasse as coisas como realmente são; reconhecesse as bênçãos que imediatamente o cercam; cessasse de nutrir desejos depreciativos por outrem — quanto mais homem ele seria, sem falar em ser um marido melhor e um pai mais digno! Um homem que não consegue controlar seu temperamento dificilmente controlará sua paixão, e, não importa quais sejam suas pretensões em matéria de religião, ele se move na vida diária muito próximo do plano animal. ¶
Supõe-se que a religião nos eleve a um nível mais alto. A religião apela ao espírito no homem, à pessoa real, e, no entanto, quantas vezes, apesar de possuirmos um testemunho da verdade, cedemos ao lado carnal de nossa natureza. O homem que briga em seu lar bane de seu coração o espírito da religião. Uma mãe nesta Igreja que acendesse um cigarro em casa estaria cedendo ao lado carnal de sua natureza. Quão abaixo do ideal da Igreja! Qualquer briga no lar é antagônica à espiritualidade que Cristo desejaria que desenvolvêssemos dentro de nós, e é em nossa vida diária que essas expressões têm seu efeito. ¶
O homem está fazendo grande progresso na ciência e na invenção, talvez maior do que nunca, mas não está fazendo progresso comparável em caráter e espiritualidade. ¶
Li há algum tempo um comentário do General Omar N. Bradley, ex-Chefe do Estado-Maior do Exército, que em certa ocasião disse: "Com as armas monstruosas que o homem já possui, a humanidade corre o perigo de ficar presa neste mundo por sua adolescência moral. Nosso conhecimento científico claramente ultrapassou nossa capacidade de controlá-lo. ¶
"Temos homens de ciência demais; homens de Deus de menos. Agarramos o mistério do átomo e rejeitamos o Sermão da Montanha. O homem tropeça cegamente por uma escuridão espiritual enquanto brinca com os precários segredos da vida e da morte. ¶
"O mundo alcançou brilhantismo sem sabedoria, poder sem consciência. O nosso é um mundo de gigantes nucleares e infantes éticos. Sabemos mais sobre a guerra do que sabemos sobre a paz, mais sobre matar do que sabemos sobre viver." ¶
Nossa vivência acontece hora a hora e dia a dia no lar, em nossa associação nos negócios, no encontro com estranhos. É a atitude da pessoa durante os contatos diários que revela se estamos apelando ao carnal ou ao espiritual dentro de nós e dentro daqueles com quem nos associamos. É um assunto diário. Não sei se consigo transmitir o pensamento ou não. E está dentro do poder de cada um, especialmente dos membros da Igreja que fazem tais pretensões. Não podeis imaginar um cristão real e verdadeiro, e especialmente um membro da Igreja Mórmon, xingando sua esposa. Ora, é inconcebível que algo assim pudesse acontecer em um lar, especialmente com crianças por perto. Como pode alguém justificar pais brigando na frente dos filhos! No caso a que me referi, o homem (deveria dizer o bruto) chegou até a bater em sua esposa. Uma coisa dessas jamais deveria acontecer. Isso está fora da vida dos membros da Igreja. ¶
Cristo nos pediu que desenvolvêssemos o espiritual dentro de nós. ¶
A existência terrena do homem é apenas uma provação quanto a se ele concentrará seus esforços, sua mente, sua alma sobre as coisas que contribuem para o conforto e a gratificação de sua natureza física, ou se fará de seu propósito de vida a aquisição de qualidades espirituais. ¶
"Todo impulso nobre, toda expressão desinteressada de amor, todo sofrimento corajoso pelo que é justo; toda entrega de si mesmo a algo superior a si mesmo; toda lealdade a um ideal; toda devoção desinteressada a um princípio; toda prestatividade para com a humanidade; todo ato de autocontrole; toda fina coragem da alma, invicta pela pretensão ou pela política, mas pelo ser, fazer e viver o bem pelo próprio bem — isso é espiritualidade." ¶
A estrada espiritual tem a Cristo como seu ideal — não a gratificação do físico, pois aquele que salvar sua vida, cedendo a essa primeira gratificação de uma necessidade aparente, perderá sua vida, perderá sua felicidade, o prazer de viver neste momento presente. Se buscar o verdadeiro propósito da vida, o indivíduo deve viver para algo superior a si mesmo. Ele ouve a voz do Salvador, dizendo: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida." (João 14:6.) Seguindo essa voz, ele logo aprende que não há uma única grande coisa que possa fazer para alcançar a felicidade ou a vida eterna. Aprende que "a vida não é feita de grandes sacrifícios ou deveres, mas de pequenas coisas em que sorrisos, gentileza e pequenas obrigações dadas habitualmente são o que conquista e preserva o coração e assegura o conforto." ¶
A espiritualidade, nosso verdadeiro objetivo, é a consciência da vitória sobre si mesmo e da comunhão com o Infinito. A espiritualidade impele alguém a vencer dificuldades e adquirir cada vez mais força. Sentir suas faculdades se desdobrando, e a verdade se expandindo na alma, é uma das experiências mais sublimes da vida. ¶
"Aquilo que um homem leva a sério na prática," diz Carlyle, "e sabe com certeza a respeito de suas relações vitais com este misterioso Universo, e de seu dever e destino ali, isso é em todos os casos a coisa primordial para ele, e determina criativamente todo o resto. . . . E, digo eu, se me dissésseis o que é isso, dir-me-íeis, em grande medida, o que o homem é, o tipo de coisas que ele fará." ¶
O homem que fixa seu coração nas coisas do mundo, que não hesita em enganar seu irmão, que mentirá por ganância, que roubará de seu vizinho, ou que, por calúnia, roubará de outrem sua reputação, vive em um plano baixo e animal de existência, e ou sufoca sua espiritualidade ou permite que ela permaneça adormecida. Ser assim carnalmente inclinado é estar espiritualmente morto. ¶
Por outro lado, tendo em mente nossas vocações diárias, o homem que cultiva a terra, colhe seus frutos, aumenta seus rebanhos e suas manadas, tendo em mente tornar melhor o mundo em que vive, desejando contribuir para a felicidade de sua família e de seus semelhantes, e que faz todas as coisas para a glória de Deus, na medida em que se abnegar por esses ideais, desenvolverá sua espiritualidade. De fato, somente na medida em que fizer isso é que se elevará acima do plano do mundo animal. ¶
Há anos lemos na escola o seguinte, de Rudolph Eucken: ¶
"Não posso," diz ele, "conceber o desenvolvimento de uma personalidade poderosa, uma mente profunda e enraizada, de um caráter que se eleva acima deste mundo, sem que ele tenha experimentado uma divindade na vida além, para além do mundo da realidade sensível, e tão certamente quanto criamos em nós mesmos uma vida em contraste com a pura natureza, crescendo por graus e estendendo-se às alturas do verdadeiro, do bom e do belo, podemos ter a mesma certeza daquela religião chamada universal." ¶
Paulo, como recordareis, expressa-o de forma mais específica: ¶
"Mas, se vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não vos consumais também uns aos outros. ¶
"Digo, porém: Andai no Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. ¶
"Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. ¶
"Porém, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. ¶
"'Ora, as obras da carne,' diz ele, 'são manifestas, as quais são: adultério. . . .'" ¶
O jovem que sai de casa à noite tendo em mente qualquer coisa que possa prejudicar o caráter, a vida ou a reputação de uma jovem cuja companhia lhe foi confiada, é carnalmente inclinado em vez de espiritualmente inclinado. ¶
". . . fornicação, imundície, . . . ¶
". . . inimizades, porfias, ciúmes . . . iras, dissensões. . . . ¶
"Invejas . . . bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a essas: acerca das quais vos declaro, como já dantes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. ¶
"Mas o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, ¶
"Mansidão, temperança: contra essas coisas não há lei. ¶
"E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. ¶
"Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito," diariamente, a cada hora. (Gál. 5:15-25.) ¶
Isso pode ser feito, e deve ser feito, em todo lar da Igreja dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Com toda a nossa alardeada civilização, jamais houve um tempo em que o despertar espiritual e os ideais espirituais fossem mais necessários. A civilização tornou-se demasiado complexa para que a mente humana a visualize ou a controle. A menos que a humanidade chegue a uma pronta percepção de que as qualidades superiores, e não as mais baixas, do homem devem ser desenvolvidas, o presente estado da civilização está em perigo. A vida no plano animal tem como seu ideal a sobrevivência do mais apto, esmagar ou ser esmagado, mutilar ou ser mutilado, matar ou ser morto. Para o homem, com sua inteligência, este é um caminho certo para a angústia e a morte. ¶
Há cerca de cinquenta anos, Lord Balfour, Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, proferiu uma palestra no McEwen Hall, da Universidade de Edimburgo, sobre o tema "Os Valores Morais Que Unem as Nações." De maneira interessante e convincente, o cavalheiro apresentou quatro laços fundamentais que unem as diferentes nações do mundo: (1) "Conhecimento Comum"; (2) "Interesses Comerciais Comuns"; (3) "O Intercâmbio das Relações Diplomáticas"; (4) "Os Laços da Amizade Humana." O auditório recebeu seu magistral discurso com uma grande explosão de aplausos. ¶
Ao levantar-se o presidente da sessão para expressar sua apreciação e a do auditório, um estudante japonês que fazia pós-graduação na Universidade se pôs de pé e, inclinando-se sobre a balaustrada, disse: "Mas, Sr. Balfour, e quanto a Jesus Cristo?" ¶
O Sr. Robin E. Spear, a quem o Professor Lang relatou este incidente, escreve: ¶
"Poder-se-ia ter ouvido um alfinete cair no salão. Todos sentiram de imediato a justiça da repreensão. O principal estadista do maior império cristão do mundo estivera tratando dos diferentes laços que devem unir a humanidade, e omitira o único laço fundamental e essencial. E todos sentiram, também, o elemento dramático da situação — que o lembrete de seu esquecimento viera de um estudante japonês de uma terra distante e não cristã." ¶
A vida, irmãos e irmãs, é um rio sempre fluente no qual alguém embarca ao nascer e navega, ou é remado, por cinquenta, setenta, oitenta ou mais anos. Cada ano que passa entra na eternidade, para nunca retornar; contudo, cada um leva consigo para o passado nenhuma fraqueza pessoal, nenhuma enfermidade corporal, nenhuma tristeza, nenhum riso, nenhum pensamento, nenhuma aspiração nobre, nenhuma esperança, nenhuma ambição: todas essas coisas, com cada traço de caráter, cada inclinação, cada tendência, permanecem com cada indivíduo. Em outras palavras, nossas vidas são feitas de pensamentos e ações diárias. Podemos resolver deixar que todas as nossas tristezas e fraquezas se vão com o tempo que passa, mas sabemos que todo pensamento, toda inclinação, deixou sua impressão indelével em nossas almas, e teremos de lidar com isso hoje. ¶
Vivei, então, de tal forma que cada dia vos encontre conscientes de não terdes deliberadamente feito ninguém infeliz. Ninguém que tenha vivido um dia bem gasto terá uma noite insone por causa de uma consciência aflita. Daniel Webster disse certa vez que o maior pensamento que jamais ocupara sua mente fora a percepção do fato de que, e cito, "não há mal que não possamos enfrentar ou do qual não possamos fugir, exceto as consequências do dever desprezado. Um senso de obrigação nos persegue sempre. É onipresente como a Divindade. Se tomarmos para nós as asas da alvorada e habitarmos nas partes mais remotas do mar, o dever cumprido, ou o dever violado, ainda está conosco, para nossa felicidade ou nossa miséria; se dissermos que a noite nos cubra, na escuridão como na luz, nossas obrigações ainda estão conosco. Não podemos escapar de seu poder nem fugir de sua presença. Elas estão conosco nesta vida, estarão conosco em seu término, e naquela cena de inconcebível solenidade que se estende mais além, encontraremo-nos seguidos pela consciência do dever — para nos afligir para sempre se foi violado, e para nos consolar na medida em que Deus nos deu graça para cumpri-lo. Pesada contra a consciência, a própria terra não passa de uma bolha. Pois Deus mesmo está na consciência, emprestando-lhe autoridade." ¶
A humanidade precisa de um despertar espiritual, irmãos e irmãs; os de mentalidade carnal estão causando desgostos e ameaçando a extinção da raça. ¶
Mas o sol da esperança está a nascer. Homens e mulheres pensantes estão reconhecendo a necessidade de o homem olhar para cima, para os céus, em vez de rastejar em resposta ao instinto animal. Um homem, comentando sobre isso, disse que, se todos os destruidores da civilização pudessem ser eliminados, e os traços do resto de nós que provêm de linhagens destrutivas pudessem ser eliminados, uma aproximação ao milênio, cem anos daqui a diante, não seria de forma alguma inconcebível. ¶
"Podeis imaginar," ele continua, "como seria este país se dez ou vinte bilhões de dólares por ano" (essa é a quantia despendida para cuidar de nossos criminosos) "fossem acrescentados à nossa renda nacional? Isso significaria quinhentos dólares, ou mil dólares, por família; mas a média hoje, mesmo incluindo Henry Ford, é de apenas dois mil e quinhentos, ou três mil dólares. O que aconteceria se essa soma fosse aumentada em vinte ou até quarenta por cento, de modo geral? Mesmo que não possais imaginar o resultado, sabeis o que seria sentir nenhuma necessidade de trancar portas e janelas, nenhum temor de deixar vosso carro desprotegido, nenhum perigo de que vossa esposa ou filha fosse insultada, ou vós mesmos assaltados se saísseis à noite, nenhum temor de que tivésseis contas incobráveis exceto por acidente ou infortúnio inevitável, nenhum temor de que em eleição política houvesse qualquer suborno, ou em política qualquer corrupção, e nenhum temor de que alguém, em qualquer lugar, estivesse tentando 'vos prejudicar' — podeis imaginar tudo isso? Seria quase o céu na terra. Claro, não pode acontecer" (algum dia terá de acontecer) ". . . e, contudo, se todos os destruidores da civilização pudessem ser eliminados, e se os traços do resto de nós que provêm de linhagens destrutivas pudessem ser eliminados, uma aproximação a tal estado, cem anos daqui a diante, não seria de forma alguma inconcebível." ¶
O despertar espiritual nos corações de milhões de homens e mulheres traria um mundo transformado. Tenho esperança, meus irmãos e irmãs, de que o amanhecer desse dia não esteja distante. Estou consciente, como espero que estejais todos, de que a responsabilidade de tentar trazer tal dia recai sobre o sacerdócio da Igreja de Jesus Cristo e sobre a associação de membros e sobre maridos e esposas e sobre filhos nos lares mórmons. ¶
Que essa mensagem seja sentida por toda esta conferência que agora realizamos. Não podemos simplesmente vir, reunir-nos e falar sobre coisas boas, e depois ir para casa e expressar nossos sentimentos, os sentimentos de nossa natureza carnal. ¶
Minha fé no triunfo final do evangelho de Jesus Cristo me assegura que um despertar espiritual deve vir. Ele virá pela aceitação de Jesus Cristo e pela obediência a seu evangelho, e de nenhuma outra forma completamente. Creio que jamais houve um tempo na história do mundo em que houvesse tanta necessidade de uma posição unida e determinada em defesa de Cristo e da restauração do evangelho por meio do Profeta Joseph Smith como há hoje. ¶
Deus vos abençoe, reunidos aqui, para que possamos sentir como nunca antes a eficácia do evangelho restaurado e para que consideremos nosso dever a aplicação dos traços espirituais em nossa associação diária uns com os outros no lar, nos negócios, na sociedade, o que peço no nome de Jesus Cristo. Amém. ¶