A Certeza da Ressurreição
Harold B. Lee
"Ora, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram as mulheres ao sepulcro. . . . E acharam a pedra revolvida do sepulcro. E entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas muito perplexas por isso, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes! ¶
E estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, o anjo lhes disse: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não temais, não vos assusteis; pois sei que buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. ¶
Não está aqui, pois já ressuscitou, como disse. Vinde, vede o lugar onde jazia o Senhor — onde o puseram. ¶
E ide depressa, e dizei aos seus discípulos e a Pedro que ele ressuscitou dos mortos — que vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Lembrai-vos de como vos falou, estando ele ainda na Galileia, dizendo: O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos de homens pecadores, e ser crucificado, e ao terceiro dia ressuscitar. Eis que eu vos disse." (Mat. 28:5-7; Marc. 16:5-7; Luc. 24:1-8.) Assim registram os escritores dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas o maior acontecimento da história do mundo, a ressurreição literal do Senhor Jesus Cristo, o Salvador da humanidade. Fora dramaticamente demonstrado o maior de todos os poderes divinos de um Filho de Deus encarnado. ¶
Ele havia declarado à pesarosa Marta, por ocasião da morte de seu irmão Lázaro: "Eu sou a ressurreição e a vida . . . ! Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. . . ." (João 11:25.) Aos judeus com intenção assassina, seu pronunciamento de seu poder divino foi ainda mais explícito e significativo. "Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus: e os que a ouvirem viverão. ¶
"Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim concedeu também ao Filho ter a vida em si mesmo: ¶
"E deu-lhe autoridade para executar o juízo, porque é o Filho de Deus." (João 5:25-26.) Seguindo-se rapidamente sua própria ressurreição, veio uma evidência de um segundo poder transcendente de ressuscitar da sepultura não somente a si mesmo, mas outros "que, embora mortos, haviam crido nele." Mateus faz este registro simples e franco da ressurreição milagrosa dos fiéis, da morte mortal: "E abriram-se os sepulcros; e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados, E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos." ¶
(Mat. 27:52-53.) Nem seria este o fim dos poderes redentores deste ilustre Filho de Deus. Ao longo dos tempos, em cada dispensação, veio a animadora promessa: "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados," (1 Cor. 15:22), ". . . os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação." ¶
(João 5:29.) O tempo caminha rapidamente para a consumação completa de sua missão divina. ¶
Se o pleno significado destes acontecimentos emocionantes fosse compreendido neste dia em que, como os profetas predisseram: Os iníquos se preparam para matar os iníquos, e "temor virá sobre todo homem" ¶
(D&C 63:33), este entendimento poria em fuga muitos dos temores e ansiedades que assolam os homens e as nações. De fato, se "temermos a Deus e honrarmos o rei" (1 Ped. 2:17), poderemos então reivindicar a gloriosa promessa do Mestre: "Se vos despirdes de invejas e de temores, ver-me-eis" (D&C 67:10). ¶
No breve tempo que me foi concedido para esta mensagem de Páscoa, gostaria de citar alguns dos "inevitáveis" que todos um dia poderão enfrentar, e traçar alguns paralelos a partir de escritos sagrados, na esperança de vitalizar a missão do Redentor a todos os que ouvem e, esperançosamente, aos que possam ler. Esta evidência demonstrará, em certa medida, como uma fé inabalável na realidade do Senhor ressuscitado e na certeza da ressurreição de toda a humanidade proporcionaria a coragem essencial para aceitar "a insegurança com equanimidade" em um mundo material. Assim, todos poderão combater com sucesso as apreensões e tensões tão destrutivas entre nós hoje em dia. ¶
Considerai, se quiserdes, como um dos inevitáveis da vida, a condição de alguém que sofre de um mal incurável, ou que enfrenta a perspectiva angustiante de uma morte iminente de um ente querido. ¶
Já vos sentistes espiritualmente devastados por uma dor inconsolável? ¶
Permiti-me levar-vos a uma cena sagrada, retratando alguém cujo tudo parecia escapar-lhe das mãos, e deixai-vos sentir sua força numa hora fatídica! Encolhida aos pés da cruz estava a figura silenciosa de uma bela mãe de meia-idade, com o xale enrolado apertadamente em torno da cabeça e dos ombros. Cruelmente atormentado na cruz acima dela estava seu filho primogênito. Mal se pode compreender a intensidade do sofrimento do coração maternal de Maria. Ela agora enfrentava, em realidade, o significado da lúgubre predição do velho Simeão, quando abençoara este filho ainda pequenina criança: "Ele será posto como sinal para ser contradito; sim, uma espada transpassará também a tua própria alma." (Luc. 2:34-35.) O que a sustentou durante sua trágica provação? Ela conhecia a realidade de uma existência além desta vida mortal. Não havia conversado ela com um anjo, um mensageiro de Deus? Sem dúvida ela ouvira falar da última oração registrada de seu filho, antes de sua traição, como fora escrito por João: ¶
"E agora, ó Pai," orara ele, "glorifica-me tu junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse." (João 17:5) Esta mãe santificada, de cabeça inclinada, ouviu sua última oração murmurada da cruz, através de lábios torturados: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito," ¶
(Luc. 23:46) inspirando-a assim com resignação e um testemunho de segurança de um reencontro em breve com ele e com Deus, seu Pai Celestial. ¶
O céu não está distante daquele que, em profundo pesar, olha confiante adiante para um dia glorioso de ressurreição. ¶
Foi um homem sábio quem disse: "Não podemos banir os perigos, mas podemos banir os temores. Não devemos rebaixar a vida ficando em pavor da morte." (Sarnoff) Agora, para mencionar outro dos "inevitáveis": à medida que a imprensa, o rádio e a televisão trazem a vós diariamente a perspectiva assustadora de uma guerra devastadora com bombas atômicas ou de hidrogênio e mísseis teleguiados, estais tomados de pressentimentos de um cataclismo iminente? O que há para libertar vossa alma de tais ansiedades aterrorizantes? ¶
Permiti-me levar-vos ao exemplo de Pedro, cuja lealdade ao Mestre parecia ter excedido sua coragem, quando, diante do perigo físico, negou o Mestre três vezes na noite da traição. Comparai este Pedro dominado pelo medo com a ousadia nele manifestada pouco depois diante daqueles mesmos beatos religiosos que tão recentemente haviam exigido a morte de Jesus. Ele os denunciou como assassinos e os chamou ao arrependimento — sofreu prisão e, mais tarde, foi corajosamente ao seu próprio martírio. ¶
O que o havia mudado? ¶
Ele fora testemunha pessoal da transformação que sobreveio ao corpo quebrado e dilacerado pela dor, tirado da cruz, em um corpo ressuscitado e glorificado que dali em diante podia passar sem obstáculos por paredes de argamassa e pedra, que podia comer peixe assado e favo de mel; que podia aparecer e desaparecer subitamente da vista dos mortais. A resposta simples e clara é que Pedro era um homem mudado porque conhecia o poder do Senhor ressuscitado. Nunca mais estaria sozinho às margens da Galileia, ou na prisão, ou na morte. Seu Senhor estaria próximo dele. ¶
E agora, ainda outro dos "inevitáveis" demasiado frequentes entre nós: ¶
Nos escritos de Lucas, apenas uma inferência é feita quanto ao que pode ter sido considerado a razão para a perturbação mental e espiritual, e que pode ter sido tão evidente então quanto o é entre nós hoje, naqueles que possuem graus avançados em seu aprendizado superior em campos seculares, mas que negligenciaram a nutrição espiritual. Tal foi, sem dúvida, Saulo de Tarso, o Apóstolo Paulo aos gentios. Durante sua entrevista e defesa perante o rei Agripa, Festo, que estava presente, "disse em alta voz: Deliras, Paulo; as muitas letras te fazem delirar." (Atos 26:24.) De fato, pode ter parecido assim àqueles que conheciam sua zelosa perseguição aos seguidores do Mestre, em contraste com sua agora declarada lealdade àquele Jesus que antes tão ruidosamente denunciara. ¶
A insinuação de Festo sugere o que a educação superior poderia fazer a um homem frustrado, com apenas um vislumbre de informações desconexas, sem uma filosofia unificadora. Os psicólogos hoje nos dizem que alguém assim, sem crença em Deus nem no Diabo, "como um corpo de água bloqueado, volta-se sobre si mesmo, acumulando espuma, refugo e sedimento, assim a alma se volta sobre si mesma e acumula pressentimentos instintivos e sombrios," (Paz de Alma) o que torna seus dias e noites câmaras de tortura de descontentamento. ¶
Anos depois, Paulo explicou a seu amado Timóteo a fórmula simples que produz uma alma contente: ¶
"Grande ganho é, porém, a piedade com contentamento," (1 Tim. 6:6) e então explica a fonte de onde vem essa essencial "piedade": "Mas a piedade," disse ele, "para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir." (1 Tim. ¶
4:8.) Aquela promessa de vida eterna dera significado e propósito à vida de Paulo, como o dá a todos nós que assim cremos. Ele ouvira a voz do Mestre no momento de sua conversão, declarando a realidade do Senhor Ressuscitado, e cujos ensinamentos, por meio de seus servos autorizados, Paulo agora sabia serem o "poder de Deus para a salvação." ¶
À medida que o desafio das nações ditatoriais se apresenta diante de nós, com seus avanços na ciência destrutiva militar, é, evidentemente, um desafio para nós sermos fortes na ciência militar. Devemos ter cuidado, porém, para que nosso muito saber nesses assuntos mundanos não nos faça delirar igualmente. É também um desafio para nós sermos santos por meio da fé naquele Redentor Divino, por meio de quem todos os que o servem obedientemente poderão ser salvos. ¶
O poder atômico e os mísseis teleguiados são perigos apenas quando estão nas mãos de homens maus. ¶
E agora, finalmente, permiti-me fazer mais uma referência a outro "inevitável" ¶
com o qual muitos se deparam: ¶
Já vos encontrastes, aparentemente derrotados após anos de luta extenuante, e diante da perspectiva de programas, ou princípios, ou políticas, caros ao vosso coração, condenados sem misericórdia ao fracasso? Por que alguns homens cometem suicídio quando seu banco quebra ou seus bens terrenos são varridos? ¶
Por que alguns se elevam acima do desgosto do desastre e da calamidade, enquanto outros mergulham no desânimo inglório e lamentável da amargura, como se a luta da vida tivesse sido em vão? ¶
Estas e outras são perguntas sérias. ¶
Sou grato a um dos educadores mais destacados de nossa própria universidade estadual por chamar a atenção para este problema. Após notar o grande interesse dos círculos industriais, governamentais e universitários na psicologia clínica, ou no que ele chamou de ciência comportamental, ele resume o pensamento de autoridades eminentes com esta declaração significativa: "Este interesse decorre não apenas da tendência acima citada, mas por causa dos tremendos conflitos sociais, como a guerra, que demonstram o colapso comportamental." (Dr. G. Homer Durham) Esta ilustração final pode sugerir uma solução para estes e outros problemas frustrantes semelhantes. ¶
O profeta Joseph Smith, neste dia moderno, enfrentava o martírio às mãos de inimigos por dizer que tivera visões nas quais Deus, o Pai, e seu Filho, e outros que haviam vivido sobre a terra, lhe haviam aparecido como seres vivos, ressuscitados e glorificados. Como o Apóstolo Paulo, não ousou negar ter tido essas manifestações celestiais, para que, ao fazê-lo, não ofendesse a Deus e caísse em condenação. (Pérola de Grande Valor, p. 49.) No meio de amarga perseguição, com sua ruína iminente já pressagiada, a palavra do Senhor lhe veio: "se as próprias mandíbulas do inferno escancararem a boca para tragar-te, sabe, meu filho, que todas essas coisas te servirão de experiência e serão para o teu bem. O Filho do Homem desceu abaixo de todas elas. És tu maior do que ele? Portanto, persevera em teu caminho ... pois os limites (de teus inimigos) estão determinados, não podem ultrapassá-los. . . . ¶
Não temas o que os homens possam fazer, pois Deus estará contigo para todo o sempre." (D&C 122:7-9.) "Que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus . . . e teu domínio será um domínio eterno" (D&C 121:45-46.) Aí tendes vossa resposta, vós, fortes e nobres estadistas nos conselhos mundanos dos homens envolvidos no bem-estar humano. ¶
Melhor, como disse Paulo, "a piedade com contentamento," do que um compromisso vazio em prol da conveniência ou dos aplausos dos homens. Vós também podeis saber que vosso Redentor vive, como soube Jó em meio à sua tentação de "amaldiçoar a Deus e morrer," e saber também que vós, também, podeis abrir a porta e convidá-lo a entrar "para cear convosco." Vede também a vós mesmos, um dia, como seres ressuscitados, reivindicando parentesco com aquele que deu sua vida para que as recompensas aos homens mortais, pela luta e experiência terrenas, sejam os frutos da vida eterna, ainda que, medidos pelos padrões humanos, os trabalhos da vida de alguém pareçam ter sido derrotados. É isto o que a voz da sabedoria disse: "Os melhores pensamentos, afetos e aspirações de uma grande alma estão fixados na infinitude da eternidade. ¶
Destinada, como está tal alma, à imortalidade, ela acha tudo o que não é eterno curto demais, tudo o que não é infinito pequeno demais." (Capela Memorial de Stanford.) Hoje, em comemoração à maior vitória do mundo, convido os sinceros de coração em toda parte a, em profunda humildade, elevar-se acima de seus temores e frustrações humanos e regozijar-se, como fez o apóstolo aos gentios: "Graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Cor. ¶
15:57.) Tudo isso oro por nós e por todos os homens em toda parte que procuram servi-lo e guardar seus mandamentos. ¶