Pulpit

A Ressurreição do Senhor e a Restauração do Evangelho

Hugh B. Brown

1958 April General Conference·Third Day Morning Meeting·1958-04-06

Um profeta antigo deu a garantia de que Deus não exigiria nada de Seus filhos sem lhes prover um meio de cumprir os Seus mandamentos. Confio nessa promessa e oro por orientação divina. Falando da provisão que o Senhor faz para o cumprimento de Seus mandamentos, lembro-me de que, nos tempos antigos e em nossos dias, Ele exigiu que o evangelho do reino fosse pregado a todo o mundo. Quando este mandamento foi dado aos fundadores da Igreja, talvez parecesse uma tarefa insuperável, mas Deus tem cumprido a Sua promessa e feito provisão pela qual somos capazes de alcançar mais pessoas com o evangelho em poucos minutos do que os nossos pais podiam alcançar em anos. Somos gratos pelo microfone, pelo rádio e pela televisão; mas esses recursos, por grandes que sejam, como o Presidente Clark indicou ontem à noite, ainda estão em sua infância, e Deus, a Seu próprio e devido tempo, nos dará tais aperfeiçoamentos e ampliações que nos permitirão cumprir o Seu grande mandamento.

Saudamo-vos, nossos amigos que nos ouvis pelo rádio e nos assistis pela televisão e que não sois membros de nossa Igreja.

Unimo-nos aos cristãos em toda parte, como se tem indicado ao longo desta conferência, em comemorar e dar graças a Deus pela ressurreição do Senhor. O significado deste evento transcendente foi enfatizado pelo Apóstolo Paulo naquele sermão incomparável registrado em Coríntios, no qual, entre outras coisas, ele disse: "E se Cristo não ressuscitou [dentre os mortos], logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé." (I Coríntios 15:14.) Cremos que a maior história já contada em todos os anais da história é a história da expiação de Cristo.

O relato de Sua ressurreição e ascensão, sem o qual a expiação não teria sido completa, é o clímax dessa história; e agora, dois mil anos após o acontecimento, ele continua central e fundamental em todo o verdadeiro pensamento cristão.

Cristo era tanto mortal quanto divino — mortal por meio de Sua mãe, Maria; divino por meio de Seu Pai, Deus — e por causa dessa combinação única, Ele pôde entregar-se voluntariamente à morte para que, por meio de Sua divindade, pudesse vencer a morte, romper as suas cadeias e tornar a ressurreição possível a todos os homens. A ressurreição não é para uns poucos escolhidos, nem é somente para os cristãos que creem; mas todo homem e toda mulher que já viveram sobre a terra, ou que ainda hão de viver nela, ressuscitarão dentre os mortos.

Paulo, o apóstolo, resumiu a causa e as consequências da expiação numa só frase: ". . . assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados." (Ibid., 15:22.) E o Salvador disse: Não vos maravilheis disto: porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz, e sairão: os que fizeram o bem, para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação. (João 5:28-29.) Mas não devemos supor, por causa desta promessa, que, independentemente do que façamos, teremos exaltação e vida eterna. Essas bênçãos estão reservadas para os que aceitam o evangelho de Jesus Cristo e observam e guardam os mandamentos de Deus.

Não apenas comemoramos a ressurreição do Senhor como um acontecimento histórico, mas também a reconhecemos como um prenúncio de coisas vindouras. Quando Ele deu a Sua vida na cruz, não deu a entender que Seu interesse por Seus semelhantes havia cessado. Ele prometeu, e Seus apóstolos previram, assim como os profetas do Velho Testamento, que haveria uma segunda vinda do Senhor quando, como disse Paulo, . . . o mesmo Senhor descerá do céu com um brado, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro: (I Tessalonicenses

4:16.) Mas, antes de Sua vinda, certas coisas devem acontecer. Entre elas, como Ele disse em resposta à pergunta de Seus apóstolos sobre qual seria o sinal de Sua vinda e do fim do mundo: ". . .

este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim." (Mateus 24:14.) É significativo que Ele tenha dito "este evangelho do reino," não "um evangelho," nem "algum evangelho," mas "este evangelho." E o Apóstolo Paulo, sempre preciso e zeloso, disse:

Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema. (Gálatas 1:8.) E ainda há alguns que dizem que pouco importa, ou nada importa, a qual igreja alguém se filia, qual evangelho alguém prega, seja o evangelho de Lutero, Knox ou Calvino, seja pertencer à Igreja Católica Romana ou Grega, a uma das numerosas denominações protestantes, ou a algum grupo que enfatize algum aspecto particular do evangelho, como a cura pela fé, o modo de batismo, qual dia é o sábado, etc. Infelizmente, o mundo se depara com uma variedade de denominações religiosas que, em certa medida, neutralizam mutuamente sua influência na mente das pessoas.

Surge então a pergunta: "Onde encontraremos esse evangelho?" A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias faz certas declarações definidas a respeito do que é o evangelho. Recentemente, uma comissão foi nomeada na Inglaterra pelos Arcebispos de Canterbury e York para fazer um levantamento completo do evangelismo moderno, e foi-lhes pedido que buscassem e descobrissem, se pudessem, as causas do abismo amplo e profundo que existe entre a igreja e o povo. Esta comissão, no preâmbulo de seu relatório, enfatizou a irrelevância da igreja na vida e no pensamento da comunidade em geral.

A observação mais impressionante feita pela comissão foi: "Cremos que a tendência de pregar outro evangelho, ou um evangelho parcial, tem sido a fraqueza (para não dizer o pecado) da igreja." Esta observação nos lembra a advertência e o anátema de Paulo, que ele repetiu para dar ênfase:

Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: SE alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. (Ibid., 1:9.) Que evangelho pregava Paulo? Todos concordarão que ele se converteu ao evangelho de Jesus Cristo tal como agora é ensinado no Novo Testamento, por meio de comunicação e instrução pessoal. Ele se tornou um de seus principais expoentes, um de seus mais eficazes e destemidos defensores, e por fim um de seus mártires. Muitos perguntam: "Onde se pode encontrar uma igreja que ensine o evangelho tal como Paulo o ensinou?" Toda busca pelo verdadeiro evangelho leva de imediato à questão da origem e da autoridade.

Numa breve consideração desse assunto, não desafiaremos as pretensões de outras igrejas, a menos que a nossa pretensão de possuirmos o evangelho seja tomada como um desafio. A Igreja Católica baseia suas pretensões de autoridade na longa linha de sucessão apostólica. Muitas das outras igrejas começaram como um protesto contra a chamada igreja-mãe, ou como uma tentativa de reformá-la. Como os grandes reformadores não conseguiram mudar ou reformar os falsos ensinamentos e as condições indesejáveis que alegavam ter descoberto, e como foram sucessivamente excomungados, alguns deles empreenderam estabelecer novas igrejas sem reivindicar nova revelação ou ordenação com autoridade.

O evangelho restaurado de Jesus Cristo não baseia sua pretensão de autoridade na sucessão apostólica, nem começou como um protesto contra outras igrejas ou uma tentativa de reformá-las. Além disso, esta Igreja não teve seu início numa análise erudita do evangelho conforme ensinado na Bíblia. Seu fundador, à época de sua primeira visão, não pretendia ser um profundo estudioso de teologia, e

pouco conhecia os escritos dos primeiros pais da igreja. Sua mensagem veio como uma revelação direta do céu.

Dizemos humilde, mas destemidamente, que o evangelho restaurado de Jesus Cristo é o modo de vida divinamente inspirado, o plano de salvação. É o evangelho do reino do qual Jesus falou. É, como foi seu protótipo no meridiano do tempo, a plenitude do evangelho eterno e imutável, o próprio poder de Deus para a salvação, o evangelho eterno que, por meio do ministério angelical nos últimos dias, deveria, segundo João, o amado, ser levado a toda nação, tribo, língua e povo.

Alguns expressam espanto e descrença quando afirmamos que a restauração começou com uma visão de seres celestiais e revelações de Deus. Essas afirmações não deveriam parecer incríveis a ninguém que creia na Santa Bíblia, pois tais acontecimentos eram procedimento comum tanto no Velho quanto no Novo Testamento.

O mormonismo é uma mensagem de boas novas para todos os povos, uma gloriosa declaração de que as profecias registradas tanto no Velho quanto no Novo Testamento a respeito dos últimos dias têm sido e estão sendo cumpridas. É um anúncio de que o Deus do céu estabeleceu um reino, como predito por Daniel. É uma proclamação de que vieram os tempos de refrigério da presença do Senhor, quando há de haver a restituição de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas desde o princípio do mundo, como predito por Pedro. (Atos 3:19-21.) Humilde e gratamente anunciamos a abertura da Dispensação da Plenitude dos Tempos, na qual, como prometido por Paulo, todas as coisas hão de ser reunidas em Cristo, tanto as que estão nos céus quanto as que estão na terra. (Efésios 1:10.) As escrituras acima, a respeito da restauração, referem-se ao evangelho como um todo.

Entendemos que nem indivíduos nem grupos de homens, sob qualquer título que seja, se justificam em suas tentativas de escolher e selecionar aspectos particulares do evangelho como um todo. Discordamos profundamente da opinião de que há um elemento na mensagem que muda conforme as condições variam. A mensagem da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é que houve uma restauração do evangelho idêntico que Jesus ensinou e que os apóstolos pregaram por Seu mandado. É um evangelho de boas novas de grande alegria, um evangelho de esperança e poder salvador, tal como foi desfrutado pelos membros da Igreja nos dias do Salvador e de Seus apóstolos.

O evangelho restaurado é também uma advertência do juízo vindouro, um juízo que não é nem ficção nem superstição, mas uma verdade tremenda e solene, quando tudo o que for julgado sem valor ou em desarmonia com os propósitos de Deus há de ser abolido.

Alguns talvez não entendam como esta mensagem de boas novas pode incluir uma advertência de juízo vindouro, mas o juízo é parte integrante do evangelho. É a afirmação do triunfo final do bem e da abolição do mal.

Embora a Igreja, que foi organizada sob orientação divina, seja o reino de Deus na terra, seus membros são homens e mulheres que ainda não foram aperfeiçoados. É uma sociedade mista de caráter internacional, sujeita, em graus variados, às fraquezas da humanidade. Ela não pretende ser uma galeria de retratos em que cada quadro é uma obra-prima; portanto, a filiação à Igreja exige tolerância, caridade e amor contínuos ao próximo.

Não pretendemos ter alcançado a perfeição; muitas vezes ficamos aquém de nossos ideais; mas, com as revelações adicionais do Senhor, e com o dom do Espírito Santo para nos ajudar, esperamos que se possa dizer da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias o que Pedro disse à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos primeiros dias:

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz: (I Pedro 2:9.) Consideramos a restauração e a segunda vinda de Cristo como sequências da ressurreição. Cremos que uma compreensão plena do significado da ressurreição deve incluir a consideração e a crença em Sua segunda vinda, a qual, como Ele mesmo declarou, deve ser precedida pela pregação do evangelho do reino a todo o mundo.

Há os que se admiram de nossa certeza, e às vezes chamam-na de presunção — por fazermos declarações tão positivas e definitivas, mas perguntamos-vos, nossos amigos: se soubésseis de uma revelação de Deus, e soubésseis que era uma revelação, iríeis disfarçá-la ou diluí-la, ou temeríeis defendê-la ou afirmá-la? Em minha opinião, nenhuma mensagem maior chegou a este mundo desde que o anjo, junto ao sepulcro aberto, disse: "Ele não está aqui; ressuscitou." (Ver Marcos 16:6.) O anúncio da Igreja hoje, e que todo o povo o ouça e o atenda, é que este mesmo Jesus apareceu novamente, estabeleceu Seu reino, organizou Sua Igreja com apóstolos e profetas, e pôs em movimento um grande sistema missionário pelo qual o evangelho de Jesus Cristo será levado a todo o mundo como testemunho, e então virá o fim.

Humildemente vos dou o meu testemunho, meus amigos, irmãos e irmãs, de que, do centro de meu coração até a ponta de meus dedos das mãos e dos pés, sei que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Sei que Ele saiu do sepulcro com o Seu corpo, o qual mostrou a Seus discípulos, convidando-os a tocar Suas feridas. Sei que Ele falou novamente. Sei que o evangelho foi restaurado à terra. Se esta mensagem é verdadeira, deve ser ouvida e atendida por todos os homens, em toda parte, pois nela estão os princípios salvadores do evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Deixo-vos este testemunho, e agradeço a Deus por mo ter dado, e oro para que eu possa viver de modo a voltar à Sua presença, e lembro a todos vós que qualquer um de nós pode entrar em Sua presença quando a nossa conduta tiver sido tal que nos sintamos em casa ali.

Que Deus nos abençoe para esse fim, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoHugh B. Brown, “A Ressurreição do Senhor e a Restauração do Evangelho”, 1958 April General Conference, Third Day Morning Meeting (1958-04-06). Pulpit Vault, 1958-04-brown-an-ancient-prophet-gave-the-assurance-that. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).