As Placas de Ouro e o Testemunho do Livro de Mórmon
Mark E. Petersen
Desde que nos reunimos pela última vez em conferência geral, passamos pelo centésimo aniversário do nascimento do Presidente Heber J. Grant. Chamo vossa atenção para isso porque tenho grande apreço por aquele homem maravilhoso, pela notável influência que ele teve em minha vida, particularmente em meus anos de juventude. ¶
Foi o Presidente Grant quem me deu minha primeira verdadeira introdução ao Livro de Mórmon. Quando eu tinha cerca de dez anos de idade, ele veio à ala em que eu morava e falou em uma de nossas reuniões sacramentais. Como fizera em outras ocasiões, naquele dia ele contou sobre sua própria primeira leitura do Livro de Mórmon e sobre a grande impressão que a vida de Néfi lhe causara. ¶
Em seu discurso, ele tornou Néfi tão real para mim que despertou em mim o desejo de ler sobre ele por mim mesmo. ¶
Peguei o Livro de Mórmon de meu pai e li a história de Néfi, tendo em mente o que o Presidente Grant havia dito. Enquanto lia, não apenas aprendi a apreciar aquele grande profeta antigo, mas também nasceu em minha alma um profundo amor pelo Livro de Mórmon, mesmo sendo eu ainda um menino. ¶
Vós vos lembrareis de outro discurso que o Presidente Grant proferiu, às vezes repetindo-o, sobre o Livro de Mórmon. Gostaria de ler-vos um trecho daquele discurso. Disse o Presidente Grant: "Quando eu era um jovem solteiro, outro rapaz, que havia recebido um título de doutor, zombou de mim por eu acreditar no Livro de Mórmon. Ele disse que poderia apontar duas mentiras naquele livro. Uma era que o povo tinha construído suas casas de cimento, sendo muito hábeis no uso do cimento. Ele disse que nunca fora encontrada, e nunca seria encontrada, uma casa construída de cimento pelos antigos habitantes deste país, porque o povo daquela época antiga nada sabia sobre cimento. Ele disse que isso já bastaria para fazer alguém descrer do livro. Eu disse: 'Isso não afeta minha fé em nada. Li o Livro de Mórmon com oração e supliquei a Deus um testemunho, em meu coração e em minha alma, de sua divindade, e o aceitei e nele creio de todo o coração.' Eu também lhe disse: 'Se meus filhos não encontrarem casas de cimento, espero que meus netos as encontrem.' Ora, desde então, casas feitas de cimento e estruturas maciças do mesmo material foram descobertas. ¶
"Não muito longe da Cidade do México há um monumento de duzentos e dez pés de altura, construído de cimento... Meu primeiro conselheiro [Anthony W. Ivins] esteve sobre esse monumento. Poderíeis colocar quarenta tabernáculos como este dentro dele. Cobre mais de dez acres de terra e é duas vezes e meia mais alto do que este edifício. Do topo daquele monumento pode-se ver pequenos montículos, e, à medida que esses montículos vão sendo descobertos, verifica-se que são casas de cimento maravilhosamente construídas, com canos de drenagem de cimento, mostrando uma habilidade e capacidade superiores a quase tudo o que temos hoje no que se refere ao uso do cimento. ¶
"Outra afirmação que esse doutor fez," continuou o Presidente Grant, "foi esta: que a voz humana só consegue alcançar algumas centenas de pés, e, no entanto, o Livro de Mórmon ensina que... Jesus Cristo... falou ao povo e sua voz foi ouvida em toda a terra. 'Isso é mentira,' disse ele, 'e você sabe disso.' Eu disse: 'Isso não é mentira nenhuma. Jesus Cristo, sob Deus, foi o Criador desta terra, e, se ele teve o poder e a capacidade de criar a terra, creio que ele poderia arranjar para que sua voz alcançasse o mundo inteiro ao mesmo tempo.' 'O que o rádio está fazendo?' pergunta o Presidente Grant. 'Li outro dia que uma canção foi ouvida a nove mil milhas de distância, não apenas cada palavra dela, mas cada nota... Recebemos quatro cartas da Nova Zelândia ou da Austrália, já não me lembro qual, dizendo que pessoas ali haviam ouvido perfeitamente os programas transmitidos pelo rádio... Naquele programa foi anunciado que, se alguém em terra estrangeira que ouvisse o programa assim indicasse, receberia uma caixa de uma libra de balas, e quatro pessoas escreveram pedindo as caixas de balas. O sol leva dezoito horas e meia para percorrer aquela distância (com referência à rotação da terra), mas a voz percorreu essa distância tão rapidamente quanto se pode estalar os dedos. ¶
"'Eu disse a esse homem,'" continuou o Presidente Grant, "'a voz do Salvador poderia percorrer o mundo inteiro, se ele assim o dispusesse.' O rádio provou o que eu disse. ¶
"A fé é um dom de Deus, e agradeço a Deus pela fé e pelo conhecimento da divindade do Livro de Mórmon que tive em meus dias de juventude, e por esses dois supostos fatos científicos, que agora se sabe serem falácias, não terem destruído minha fé." (Conference Report, abril de 1929:128-130.) Isso foi muito interessante para mim, porque tive uma experiência semelhante. Quando eu era um jovem missionário, encontrei um profissional e sua esposa e lhes contei a história do surgimento do Livro de Mórmon, e de como fora traduzido por Joseph Smith, pelo poder de Deus, a partir de um conjunto de placas de ouro. Esse profissional riu de mim e ridicularizou a ideia de que placas de ouro alguma vez tivessem sido usadas como registros do passado. "Ora," disse ele, "eu me especializei em história antiga, e sei, por todas as minhas leituras, que não há um único caso em todos os livros didáticos em que se diga que registros antigos foram inscritos em placas de ouro." ¶
Ele disse: "Se você sabe alguma coisa sobre história antiga, sabe que se usavam tábuas de argila, e que se usava papiro, mas nunca se menciona placas de ouro." ¶
Eu era estudante quando fui chamado para minha missão, e havia lido um pouco de história antiga. Lembrava-me de que também não havia qualquer menção em meus livros didáticos a placas de ouro, embora muito se tivesse dito sobre as tábuas de argila. Assim, não tinha nenhuma resposta acadêmica para dar a esse homem. Mas, ao ficar diante dele, lembrei-me do Presidente Grant e de seu testemunho, que eu ouvira quando tinha dez anos de idade, e depois, ao ouvir mais tarde, essa declaração que vos li. ¶
Em minha simplicidade, testifiquei a esse homem culto que, embora eu soubesse pouco sobre a história do passado, e não tivesse material acadêmico para lhe apresentar sobre as placas de ouro, Deus me dera um testemunho de que Joseph Smith realmente tivera placas de ouro, e que delas fora traduzido o Livro de Mórmon, e que eu sabia que isso era verdade. ¶
Eu costumava pensar muito naquela conversa e me perguntava sobre os historiadores, e por que nada haviam dito sobre placas de ouro. Isso, porém, não me perturbava. ¶
Mas como as coisas são diferentes hoje! ¶
A história não está mais silenciosa quanto às placas de ouro. Os historiadores não apenas se manifestam, mas também são eloquentes ao anunciar ao mundo que muitos conjuntos de placas de metal precioso foram encontrados, contendo muitos registros do passado gravados em suas páginas por homens hábeis que sabiam escrever em placas de metal. Arqueólogos encontraram placas de ouro e placas de prata, placas de cobre e placas de latão e placas de bronze. Encontraram placas grandes e placas pequenas, placas grossas e placas finas. ¶
Algumas delas foram encontradas separadamente e isoladamente, e outras haviam sido reunidas em forma de livro — muitas com páginas de ouro e prata tão finas quanto o papel moderno, muitas delas hábil e belamente gravadas com o registro das civilizações do passado. ¶
Tão interessante para mim quanto a descoberta de que houvera muitas outras placas foi a maneira como essas placas foram encontradas. Sob as pedras do palácio do monarca caldeu Sargão, foi encontrado um conjunto de placas, algumas de ouro e algumas de prata, e sabeis vós como foram depositadas? Foram colocadas em uma caixa feita de pedra, cuidadosamente montada e enterrada no solo. No Irã foram encontradas algumas placas do rei Dario, datando de 518 a.C. Eram também de ouro e prata, e belamente gravadas. E como foram preservadas? Por terem sido colocadas em uma caixa de pedra cuidadosamente feita e enterrada no solo. ¶
Ao ler essas coisas, minha mente logo voltou à descrição de Joseph Smith sobre a maneira como as placas do Livro de Mórmon haviam sido preservadas, pois Joseph Smith escreveu: ¶
Próximo à vila de Manchester, no Condado de Ontário, Estado de Nova York, existe uma colina de considerável tamanho, sendo a mais alta da redondeza. No lado oeste dessa colina, não muito distante do cume, sob uma pedra de considerável tamanho, estavam as placas, depositadas em uma caixa de pedra. No meio, na parte superior, essa pedra era grossa e arredondada; era, porém, mais fina na direção das extremidades, de modo que a parte central ficava visível acima do solo, mas as bordas em toda a volta estavam cobertas de terra. ¶
Tendo removido a terra, arranjei uma alavanca, introduzi-a sob a borda da pedra e consegui levantá-la com um pequeno esforço. Olhei e lá realmente vi as placas, o Urim e Tumim e o peitoral, como afirmara o mensageiro. A caixa na qual se encontravam era formada de pedras unidas por uma espécie de cimento. No fundo da caixa havia duas pedras colocadas transversalmente, e sobre elas estavam as placas e as outras coisas. (JS—H 2:51-52.) Ao ler os relatos dessas outras placas e me lembrar da história de Joseph Smith, eu disse a mim mesmo: "Graças ao Senhor. Certamente Deus age de maneira misteriosa para realizar seus prodígios!" ¶
Placas foram encontradas em muitos lugares, tanto no Velho quanto no Novo Mundo. Foram encontradas na Palestina, no Egito, na Babilônia, na antiga Assíria, em Roma, na antiga Cartago, em Portugal, na Itália, na antiga Fenícia, na Índia, no Paquistão, na Arábia, em vários lugares da América do Sul e da América Central, no México, e nos Estados Unidos. Um conjunto foi encontrado no estado de Ohio. Muitas placas de cobre foram encontradas, incluindo um conjunto de oito no Condado de Dunklin, Missouri. Outro conjunto foi encontrado perto de Mound City, Missouri, e ainda outro no estado da Geórgia. Cinco placas de cobre e duas de latão foram encontradas entre os índios Tuckaubatchee, que têm uma tradição de que essas placas lhes foram dadas por Deus. ¶
Quando pensei nas placas descobertas em Ohio, na Geórgia e no Missouri, perguntei a um amigo meu: ¶
"O que é mais difícil de crer: ¶
que placas foram encontradas na Geórgia, no Missouri e em Ohio, ou que foram encontradas no estado de Nova York?" ¶
Então ele disse: "Sim, mas você envolve um anjo com suas placas." ¶
Eu disse: "Você crê na Bíblia?" ¶
E ele disse: "Sim." Eu lhe perguntei: "O que é mais difícil: crer que um anjo desceu do céu e mostrou a Joseph Smith o local de repouso de um conjunto de placas feitas por homens antigos; ou crer que o próprio Deus desceria do céu e, com sua própria mão, gravaria os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra e as entregaria a Moisés?" ¶
Então me lembrei de que não recebemos um testemunho por pesquisa científica, nem por argumentação. Lembrei-me de que a única maneira de obtermos um testemunho da veracidade do Livro de Mórmon é da forma como o Presidente Grant o recebeu, da forma como eu o recebi, e como um milhão de outros Santos dos Últimos Dias o receberam — a maneira explicada por Mórmon, quando ele disse: ¶
E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. (Morôni 10:4.) Com todo o fervor de minha alma, agradeço ao Todo-Poderoso por ele ter me dado um testemunho daquele livro. E qual é esse testemunho? Que o Livro de Mórmon é verdadeiro, que é a palavra de Deus, um novo volume de escritura para este mundo moderno. E testifico a vós, e a todos os demais que ouvem, que, se lerdes o Livro de Mórmon com oração e coração sincero e pedirdes a Deus um testemunho dele, vós o recebereis, como tantos outros de nós o receberam, e este é o meu testemunho, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶