Pulpit

Somos Cristãos

Hugh B. Brown

1957 April General Conference·Third Day Morning Meeting·1957-04-07

Oro humildemente para que eu possa ter a liberdade que vem da posse do Espírito Santo e para que vossas orações e as minhas sejam eficazes para esse fim.

Como foi mencionado, acabamos de retornar de uma visita às missões no Pacífico Sul, e temos certeza de que vós, pais, amigos e parentes dos missionários que ali labutam, tereis interesse em saber que eles estão bem, felizes e realizando uma obra maravilhosa. Enviam-vos, e a todos os membros da Igreja, seu amor, suas saudações e sua gratidão. Encontramo-nos com 575 deles enquanto lá estávamos, realizamos reuniões com eles, ouvimos seus testemunhos, discutimos com eles alguns de seus problemas e fomos inspirados por sua fé e devoção.

Por toda parte aonde fomos, o povo vivia no rescaldo luminoso da recente visita do Presidente David O. McKay e de sua esposa.

Para milhares, isso marcou o auge de suas experiências espirituais. Desejamos agradecer publicamente a ele e a seus conselheiros pelo inestimável privilégio de visitar o maravilhoso povo daquelas ilhas e pela honra de comparecer à cerimônia de lançamento da pedra angular do Templo da Nova Zelândia.

Outros dois nomes são imortais entre os polinésios. O amor deles pelo Élder Matthew Cowley e sua esposa beira a devoção. Mencionam seus nomes em tons reverentes e cantam hinos especiais escritos em memória de seus anos de serviço amoroso e devotado.

Além desses missionários regulares, há outros 500 missionários de trabalho locais e 120 supervisores de trabalho de Sião trabalhando ali sob a liderança inspirada e competente do Presidente Wendell B. Mendenhall.

Há agora quarenta e uma capelas em construção, cinco grandes projetos de faculdades, quatro lares de missão, e outras trinta capelas estarão em construção dentro do ano. Penso que, em toda a história da Igreja, jamais tivemos um exemplo mais inspirador de esforço cooperativo voluntário do que vimos nos projetos de faculdades e templos na Nova Zelândia e no Havaí. Os missionários e supervisores não apenas trabalham nesses projetos sem remuneração — muitas vezes cantando enquanto trabalham — mas a maioria deles também é hospedada e alimentada pelos membros locais da Igreja. Um representante da imprensa, após visitar o projeto da Nova Zelândia, expressou espanto e disse: "Uma obra mais completamente altruísta jamais chegou ao meu conhecimento."

Há agora mais de 59.000 membros da Igreja no Pacífico Sul, e, à medida que viajávamos entre eles, lembramo-nos dos primeiros missionários que ali estiveram quando as condições eram bem diferentes. Pensamos no Presidente Joseph F. Smith, no Presidente George Q.

Cannon, em meu próprio avô, James S. Brown, e em outros, que suportaram dificuldades e privações sob aquelas condições primitivas. De fato, alguns deles correram, por vezes, o perigo de se tornarem o ingrediente principal de um cozido à moda antiga. Foram misericordiosamente preservados disso. Esperamos que aqueles que plantaram aquelas primeiras sementes estejam compartilhando conosco a alegria de uma maravilhosa colheita.

Trazemos-vos, então, dos dignos, humildes e fiéis polinésios e outros no Pacífico Sul, que nos cobriram de amor e de colares de flores, seu "Aloha — Kiaora Koutou Katoa," ou, em outras palavras, "Saudações, e Deus vos abençoe."

Durante nossa viagem, muitas perguntas foram feitas a respeito da Igreja e de suas atividades. A que mais frequentemente se fazia era: "Os mórmons são cristãos e, se são, em que a Igreja difere das outras igrejas cristãs?"

Ora, se ser cristão significa crer que Jesus de Nazaré era o Filho de Deus, o Redentor do mundo, e seguir seus ensinamentos; se ser cristão significa viver ou tentar viver a vida cristã como ele orientou, então respondemos à primeira parte dessa pergunta com um categórico: "Sim, somos cristãos."

A resposta à segunda parte da pergunta é complexa e não pode ser dada em um breve discurso. Contudo, talvez alguns de nossos amigos não membros que nos honraram com sua presença aqui, ou entre os ouvintes de rádio e televisão, tenham interesse em uma breve referência a algumas dessas diferenças.

As treze Regras de Fé, publicadas pela Igreja em 1842, equivalem aproximadamente aos credos de outras organizações religiosas. Nelas se estabelece uma declaração concisa e autorizada sobre os ensinamentos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É claro que apontar as diferenças entre esses ensinamentos e os de outros exigiria uma análise e uma discussão muito além dos limites de tempo desta ocasião e da capacidade do orador. Podemos, porém, referir-nos de passagem a algumas delas. Vale notar, e sem dúvida surpreenderá alguns, que tudo o que ensinamos ou praticamos se baseia e está em estrita harmonia com a Versão Autorizada do Rei Jaime da Bíblia Sagrada, que aceitamos como a palavra de Deus.

Cremos em outras escrituras além da Bíblia Sagrada; escrituras que foram produzidas como as escrituras sempre foram produzidas, por, como disse Pedro, "homens santos de Deus [que] falaram inspirados pelo Espírito Santo." (2 Pedro 1:21.) Há um acordo meticuloso entre o Livro de Mórmon e a Bíblia Sagrada, um acordo não apenas quanto à doutrina básica, mas ambos também têm o mesmo tema central, a saber: predizer o acontecimento, registrar o advento e testificar da importância da vida e da missão de Jesus, o Cristo. O fato de que esses volumes sagrados foram escritos em hemisférios diferentes, em épocas em que não havia intercomunicação, não é apenas evidência de propósito divino, mas também indica autoria inspirada.

Os Santos dos Últimos Dias, como os santos de outrora, creem nos dons do Espírito enumerados pelo apóstolo Paulo: línguas, profecia, revelação, visões, curas, interpretação de línguas, etc. (Ver 1 Coríntios 12:7-10.) Cremos que esses dons, tal como são hoje desfrutados, fazem parte das bênçãos que vieram por meio da restauração do evangelho. Percebemos que, ao dizermos que foram restaurados à Igreja, isso implica que foram retirados ou deixaram de ser desfrutados. A história, tanto profana quanto sagrada, confirma esse fato.

Muitos escritores cristãos sinceros e devotos afirmam e lamentam a perda desses dons, e concordam com John Wesley que não foram desfrutados além do segundo ou terceiro século, e raramente foram conhecidos depois "daquele período fatídico em que o imperador Constantino se declarou cristão."

Nossa observância da Palavra de Sabedoria, a lei da saúde dada por Deus, é distintiva e é uma bênção física e espiritual para o povo. Nesta conferência, já se fez referência ao terrível preço que o mundo está pagando pelo uso de coisas que Deus disse não serem boas para o homem.

Praticamos a lei do dízimo como foi ensinada e praticada antigamente, e, sendo a lei financeira do Senhor, consideramo-la superior a qualquer sistema econômico feito pelo homem. As ofertas de jejum, o programa de bem-estar administrado pelo sacerdócio, a Sociedade de Socorro e outras agências são uma extensão da política econômica da Igreja, tendo sempre em mente o bem-estar tanto físico quanto espiritual do povo.

Alguns se queixam de que somos demasiadamente materialistas, de que nossos ensinamentos carecem de ênfase espiritual; dizem que deveríamos manter a vida espiritual livre da contaminação com o material, o qual, segundo eles, é grosseiro e mau. Mas somos lembrados de que o corpo do homem foi feito à imagem de Deus, do pó da terra. Que o Salvador não considerava as substâncias terrenas como más evidencia-se pelo fato de que ele foi batizado no elemento terreno da água, e apontou tal batismo como a porta de entrada para seu reino a todos os que o seguissem.

Além disso, ele ensinou as mais profundas verdades sobre o espírito humano por meio de referências a coisas materiais comuns, tais como as aves do céu, os lírios do campo, ovelhas e pastores, e lavradores semeando. Escolheu humildes pescadores para serem seus discípulos e não apenas os ensinou a se tornarem pescadores de homens, mas também lhes deu uma lição de como pescar peixes. Ele e seus apóstolos passaram grande parte de seu tempo ministrando aos pobres, curando os enfermos, movendo-se entre o povo comum enquanto este se ocupava dos afazeres mundanos da vida, restaurando tanto o corpo quanto a alma dos homens.

Cremos que a religião deve tocar a vida dos homens de modo redentor aqui e agora, em cada ponto da experiência humana, que a matéria não é essencialmente má, mas que seu propósito é servir ao espírito, ao passo que o espírito controla e glorifica a matéria. Há uma relação benéfica e eterna entre o espírito e o elemento.

O Senhor, falando por meio do Profeta Joseph Smith, declarou: Pois o homem é espírito. Os elementos são eternos, e espírito e elemento, inseparavelmente ligados, recebem a plenitude da alegria; E, quando separados, não pode o homem receber a plenitude da alegria.

Os elementos são o tabernáculo de Deus; sim, o homem é o tabernáculo de Deus, ou melhor, templos; . . . (D&C 93:33-35.) Cremos que o evangelho de Jesus Cristo deve ser pregado a todo o mundo, e para esse fim temos um grande e singular sistema missionário. Jovens rapazes e moças são chamados, aos milhares a cada ano, para dedicar dois ou três anos de sua vida ao serviço missionário, à própria custa. Estão dispostos a interromper seus estudos, adiar seu casamento ou abandonar seu emprego a fim de realizar esse serviço.

Como ouvimos ontem, há agora 13.000 deles, dentro e fora do país, em várias fases da atividade missionária.

Esses jovens são instruídos a não atacar nem lançar quaisquer difamações contra outras igrejas, mas a respeitar o direito de cada homem de adorar a Deus como bem entender.

A organização, o governo e a disciplina da Igreja têm atraído ampla e favorável atenção. A Igreja confere o sacerdócio a todos os membros do sexo masculino dignos, acima de doze anos de idade. Com uma associação total de menos de um milhão e meio, temos 372.530 homens e rapazes que possuem algum ofício no sacerdócio. Isso significa uma partilha de autoridade e responsabilidade, resultando em amplo interesse e atividade. Ontem à noite, por exemplo, realizou-se uma reunião geral do sacerdócio da Igreja neste tabernáculo, e os procedimentos foram transmitidos por rádio de circuito fechado a grupos em noventa e seis capelas nas cidades e estados vizinhos, onde um total de 37.180 homens portadores do sacerdócio receberam instruções dos líderes da Igreja.

Assim poderíamos continuar, muito além dos limites de tempo aqui, apenas listando os ensinamentos distintivos da Igreja. Mas há uma diferença básica e fundamental para a qual chamamos a atenção por um momento, a saber, a doutrina da Divindade. Sobre este assunto de transcendente importância, discordamos de modo agudo, mas amistoso, dos credos dos homens, e estamos dispostos a fundamentar nossa posição em precedentes bíblicos e revelação divina. Adoramos o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Jeová do Antigo Testamento. Cremos que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus e o Messias esperado ao longo dos séculos, mas rejeitado quando veio.

Cremos que a Trindade consiste no Pai, no Filho e no Espírito Santo, geralmente conhecida como a Santíssima Trindade, mas cremos que são Personagens separados e distintos, que o Pai e o Filho são pessoais e materiais, e cada vez mais compreensíveis à medida que os homens progridem e adquirem entendimento; que o Pai e o Filho têm corpos compostos de partes e possuidores de sentimentos; que o Espírito Santo é um Personagem de Espírito.

Se Jesus de Nazaré era e é Deus, como João, o Amado, e outros o declararam ser (ver João 1:1-3), então Deus deve ser pessoal e material. Não foi uma essência incompreensível e imaterial que saiu do túmulo, mas o corpo glorificado e ressuscitado de Jesus, o Cristo; era um corpo de carne e ossos, como ele mesmo declarou, e como Tomé foi chamado a verificar tanto pelo tato quanto pela vista. Foi esse corpo que ascendeu ao céu na presença dos assombrados discípulos.

Foi esse corpo que os anjos presentes declararam que haveria de voltar, quando disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir. (Atos 1:11.) Quando Jesus veio e revelou Deus aos homens, apresentou-lhes um ideal pessoal e vivo e os exortou a se tornarem perfeitos, assim como seu Pai é perfeito. O valor de se ter um ideal é que ele inspira emulação. Buscamos nos tornar como aquilo que adoramos.

Certamente ninguém aspira a se tornar uma essência difusa e imaterial, desprovida de corpo, partes ou sentimentos, e sem centro nem circunferência. A fé de que um Deus vivo e pessoal é o Pai do espírito humano encoraja os homens a expandirem seus horizontes, a olharem para cima, e não para baixo, em busca de sua origem. Amplia sua perspectiva, e a vida assume novo interesse e novo significado. Encoraja os homens a viverem mais abundantemente, e ele disse que este era um dos propósitos de sua vinda.

Porque o Pai nos chamou de filhos e o Salvador nos chamou de irmãos, postulamos para o homem uma condição exaltada e semelhante à de Deus, com possibilidades quase ilimitadas. Essa qualidade de imagem de Deus no homem, que é a raiz de sua dignidade, dá à vida um significado mais profundo e um propósito mais elevado, estabelece fé e fortaleza, e fornece o valor necessário para realizar a visão sem a qual o povo perece. Renova a determinação do homem de perseguir a busca eterna por respostas ao de onde, ao porquê e ao para onde da vida.

Novamente, se Deus não é compreensível, então a salvação do homem é impossível, pois Jesus disse: E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (João 17:3.) Se, portanto, não podemos conhecê-lo, então não podemos ter a vida eterna, e, se assim for, então todo o plano de salvação fracassa, a doutrina da expiação é falsa e sem sentido, e os homens ficam no mais profundo inferno de Dante, "desejando sem esperança." Concordamos com Milton que "o fim de todo o aprendizado é conhecer a Deus e, a partir desse conhecimento, amá-lo e emulá-lo."

Infelizmente, na mente de muitas pessoas religiosas, o termo Deus é ambíguo. Mas não havia nada de ambíguo no conceito que os profetas hebreus tinham de Jeová. Para eles, ele era um Deus vivo, com quem Moisés e outros falavam. Certamente não havia nada de misterioso ou difícil de compreender na revelação que Cristo fez de seu Pai. Ele disse: "quem me vê a mim vê o Pai." Cremos em um Deus vivo, um Ser consciente, senciente e inteligente, ao qual associamos os mais elevados atributos da personalidade em seu pleno desenvolvimento.

Se essa alegação de uma restauração for verdadeira, então devemos esperar que a Igreja primitiva seja um protótipo da Igreja restaurada, pois não apenas ele, mas também seus ensinamentos, são os mesmos, ontem, hoje e para sempre. Segue-se, então, que para delinear a diferença entre a Igreja restaurada e as outras igrejas, basta familiarizar-se com a Igreja tal como foi organizada por Cristo e seus apóstolos no meridiano do tempo, e depois comparar as igrejas dos tempos modernos com aquela Igreja primitiva. Quaisquer diferenças que apareçam são as diferenças entre as igrejas dos homens e a Igreja restaurada de Jesus Cristo.

Além disso, nossa fé na materialidade e nas individualidades separadas do Pai e do Filho sustenta a fé na doutrina da segunda vinda de Cristo, quando ele reinará durante o milênio e teremos mil anos de paz. Os profetas antigos predisseram sua segunda vinda em termos nada incertos ou místicos. Referimo-nos a Jó, Salmos, Isaías, Joel, Zacarias, Malaquias e outros. Ele mesmo prometeu que viria na glória do Pai com seus anjos.

Lemos em Mateus: E quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;

E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas, (Mateus 25:31-32.) Paulo, ao escrever aos tessalonicenses, disse: Porque o mesmo Senhor descerá do céu com um brado, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus:

e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro:

(1 Tessalonicenses 4:16.) Testificamos da restauração do evangelho do Senhor Jesus Cristo. Testificamos que a Igreja foi organizada e que, como seu protótipo, a Igreja primitiva, está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Jesus Cristo a principal pedra angular. Por meio dessa restauração, foi dado aos homens o direito de falar e agir em nome de Deus como antigamente, e, por meio da concessão e do exercício desses dons entre os homens, a verdade foi restaurada, e nós humildemente a proclamamos.

O tempo não permitirá sequer mencionar outras — e há muitas outras — diferenças, mas repetimos: somos cristãos; cremos na Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, nas escrituras sagradas, antigas e modernas; cremos na doutrina da segunda vinda do Cristo, e cremos que, quando ele vier, será, como a Bíblia prometeu, um Ser glorificado e ressuscitado, cujos pés se colocarão sobre o Monte das Oliveiras. Aguardamos ansiosamente essa vinda e oramos para que Deus nos ajude, a nós e a todos os homens, a nos prepararmos para ela, em nome de Jesus Cristo.

Amém.

Como citar este discursoHugh B. Brown, “Somos Cristãos”, 1957 April General Conference, Third Day Morning Meeting (1957-04-07). Pulpit Vault, 1957-04-brown-1-humbly-pray-that-i-may-have. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).