Testemunhar de Coisas Vistas e Ouvidas: Seis Sugestões para Ensinar os Filhos
S. Dilworth Young
Ontem, foi-vos lida uma história pelo Élder Clifford E. Young a respeito de Pedro e João no átrio do templo, curando um homem coxo que pedia esmolas. Permiti-me terminar a história para vós: ¶
Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens iletrados e ignorantes, se maravilharam; e reconheciam que eles haviam estado com Jesus. ¶
Mas, vendo estar com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário. ¶
E mandando-os sair do Sinédrio, conferenciaram entre si, ¶
Dizendo: Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que habitam em Jerusalém é manifesto que por eles foi feito um milagre notório, e não o podemos negar; ¶
Mas, para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemo-los para que não falem mais nesse nome a homem algum. ¶
E chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus. ¶
Porém Pedro e João, respondendo, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; ¶
Porque não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos. (Atos 4:13-20.) É acerca desta última frase que desejo falar. Gostaria de aplicá-la às crianças. É a incumbência da Igreja, se algo assim pode ser uma incumbência, testemunhar das coisas "vistas e ouvidas". Como devemos ensinar as crianças? ¶
Elas não sabem tudo o que um adulto deveria saber, mas não deveriam ter dúvida quanto à posição em que os adultos estão. ¶
Todo menino tem o direito de sentir que seu pai e sua mãe e seu instrutor do sacerdócio, seu professor da Escola Dominical e seu chefe de escoteiros, ou qualquer pessoa com quem entre em contato na Igreja, sabe com certeza das coisas "vistas e ouvidas". Toda menina tem o direito à mesma garantia de que seus pais e líderes conhecem as coisas "vistas e ouvidas". Os próprios jovens ainda não sabem, mas a confiança que devem desenvolver vem porque aqueles em contato próximo com eles testificam-lhes constantemente, em ato, em obra, em palavra, que conhecem as coisas "vistas e ouvidas", as coisas vistas e ouvidas mencionadas por Pedro e João; as coisas mencionadas por Néfi no primeiro capítulo do Livro de Mórmon, ao falar de seu pai Leí, das coisas que ele viu e ouviu; as glórias do evangelho, e de Jesus Cristo, e de todas as coisas "vistas e ouvidas" a respeito dele, e as coisas que Joseph Smith "viu e ouviu". ¶
As crianças não são bem ensinadas apenas sendo instruídas verbalmente. Quando eu era jovem, trabalhei certa vez em um rancho em Idaho, para uma grande empresa de gado. Cercas eram mais uma curiosidade do que hoje. Na primeira manhã em que fui trabalhar para eles (e eu era inexperiente nisso), o patrão mandou o homem encarregado da "remuda", os cavalos, buscá-los antes do amanhecer. Eu estava curioso para saber como aqueles vaqueiros iriam laçar e selar seus cavalos, pois eu não via nenhum curral. Supus que os "peões" teriam um belo trabalho para persegui-los. Mas, ao amanhecer, eles vieram, cinquenta ou sessenta cabeças de cavalos a toda velocidade, e entraram em um curral que eu não havia notado. Estacas haviam sido cravadas em um grande círculo na pradaria, cada estaca sobressaindo cerca de dezoito polegadas acima do solo. No topo de cada estaca havia uma argola, e por essa argola passava uma corda; as extensões saíam de uma entrada de seis metros, talvez trinta metros de cada lado. Os cavalos entraram no cercado a toda galope. A corda não chegava até seus joelhos, e, no entanto, nenhum cavalo pisou sobre ela. Os peões entraram naquele pequeno curral improvisado e laçaram seus animais, selaram-nos e colocaram-lhes o freio, montaram e domaram-lhes os corcovos, e nenhum cavalo saltou por cima daquela corda para fora do curral. ¶
Perguntei ao capataz por que era assim, e ele disse: "Eles sabem que é melhor não." Não aprendi até mais tarde o que "melhor" ¶
significava, mas os cavalos, por meio do medo primeiro e do hábito depois, há muito haviam aprendido onde podiam ir e onde não podiam, e o que podiam fazer e o que não deviam fazer quanto a pisar sobre aquela corda. ¶
Ora, as crianças não são cavalos, nem mesmo semelhantes a cavalos, e não podemos ensiná-las pelo medo, porque isso tem um efeito ruim sobre elas, mas ensiná-las podemos e devemos. ¶
Permiti-me dar-vos meia dúzia de sugestões simples e caseiras que me parecem simples, com relação ao ensino dos filhos. Antes de dá-las, permiti-me dizer que ensinar é uma atitude. ¶
Não se aprende pelas palavras ditas, mas sim pela atitude e pelo espírito com que são ditas. Não se aprende sempre pela ação, mas pela felicidade com que a ação é realizada. E a lição precisa ser repetida vez após vez, durante todo o tempo em que a criança está crescendo. Certamente o Senhor sabia o que estava fazendo quando disse, em efeito: "Vou dar-vos estes filhos por vinte anos ou mais, antes que amadureçam, e nesses vinte anos repetireis com eles o que precisam saber bem." Vinte anos é muito tempo para uma criança. Tendes tempo suficiente para lhes dar o hábito de não pisar sobre a corda, sem que a temam. ¶
Primeiro, revivamos aquele costume feliz de fazer as refeições juntos. Aboli os bares de lanches em nossas cozinhas e estabelecei uma mesa ao redor da qual todos possam sentar-se, e deixai que o pai tome o café da manhã com seus filhos, assim como o jantar, e deixai que fiquem sentados por alguns momentos após cada refeição e conversem sobre assuntos a respeito dos quais o pai e a mãe gostariam de falar. Esse costume está desaparecendo rapidamente de nossa existência. ¶
É algo poderoso; fará maravilhas nos filhos. ¶
Segundo, quando o pai chegar em casa à noite, sugiro-lhe que resista a essa tentação e ponha o jornal em lugar escondido até que os filhos tenham ido dormir. O jornal não tem lugar no lar onde há filhos, até que o pai tenha passado a noite com eles. E é como ler por quinze minutos por dia — se passardes quinze ou vinte minutos com cada filho, de acordo com sua idade, fazendo coisas que lhe interessam e sendo-lhe um companheiro, tereis chegado mais perto de cumprir vossas obrigações como pai. Se deixardes isso por conta da mãe e vos escondendo atrás do jornal, penso que cometestes um pecado, porque a criança é negligenciada, e não cumpristes vosso dever. Portanto, sede firmes; ponde o jornal debaixo do tapete até que os filhos tenham ido dormir. ¶
Terceiro, tende o cuidado de passar tempo com cada filho, de acordo com a idade e os interesses daquele filho. Com uma menina de três anos, se for preciso, abaixai-vos e brinquei de bonecas de papel. Com um filho de dezessete anos, que quer ir ao jogo entre a Brigham Young University e a Universidade de Utah, é lá que devereis estar (a menos que tenhais de estar nesta reunião do sacerdócio). ¶
O ponto é que, quando o filho tiver vinte anos, ele deverá estar tão à vontade com seu pai que poderá falar-lhe sobre qualquer coisa que quiser. A maneira de conseguir isso é ser companheiro em cada fase de sua vida, desde o início. ¶
Por isso é importante aprender a cuidar de um bebê, pais, e fazer todas as coisas que um bebê requer. ¶
Quarto, é um pobre pai aquele que não está acordado quando os filhos voltam de festas ou de encontros tardios. ¶
Esse é o momento de convidá-los a conversar sobre o que aconteceu; a desfrutar das coisas que foram boas e a serem aconselhados a evitar as coisas que foram tristes; a serem aconselhados sabiamente sobre as coisas que possam ter feito de errado. Essa prática, mantida durante todos os dias de sua infância, será um grande impedimento para o filho que está ansioso para ficar fora mais tempo do que deveria. Minha mãe me esperava acordada, e eu nunca tive coragem de fazê-la esperar demais. Eu sabia que ela estava lá. Isso me ajudou. Ajudará a todos os filhos. ¶
Quinto, nenhum pai nesta Igreja está cumprindo seu dever a menos que faça do sábado o que ele deve ser. Deve ser um dia feliz, vivido em conjunto, com toda a família participando. Logo pela manhã, o pai e o Joãozinho vão à reunião do sacerdócio, e o pai deve levar o Joãozinho consigo, e não o Joãozinho levar o pai. Devem conversar sobre as coisas no caminho para lá e na volta também. ¶
Cada um deve sentir que o outro é igual a ele, e o pai deve ter especial cuidado para que o Joãozinho compreenda seu sacerdócio. O Sacerdócio Aarônico é vital. Isso é bem-sucedido não tanto pelo que é dito, mas pelas emoções e sentimentos não ditos que são gerados. ¶
E então, os pais devem encorajar os filhos, e a si mesmos tanto quanto puderem, a ir à Escola Dominical e às auxiliares. Mas, acima de tudo, toda a família, se vai fazer o que deve fazer, precisa ir à reunião sacramental. O pai e a mãe devem liderar o caminho, os filhos seguindo logo atrás e permanecendo ali até que seja encerrada. Se um filho é pequeno demais, alguém pode sair com ele, caminhando de um lado para outro até que ele se aquiete, ou, se uma criança pequena está chorando, pode ser preciso levá-la para casa; mas a família compreende que, na hora apropriada, todos estão juntos na reunião sacramental. ¶
Ora, essas sugestões, seguidas cuidadosamente com afinco, trarão outras. Não falei sobre muitas coisas que deveriam acontecer no lar, mas elas acontecerão: oração, amor, todas as coisas que as acompanham. ¶
Permiti-me concluir lembrando-vos da primeira coisa que disse, coisas "vistas e ouvidas". Quão necessário é para um pai dar esse testemunho! Tenho uma bisavó idosa, já falecida há muito tempo, que, em seu nonagésimo sétimo ano, foi procurada por alguém que perdera a fé, e, pensando talvez que a bisavó também houvesse perdido um pouco da sua, disse-lhe: "A senhora conheceu o Profeta. O que a senhora pensava dele?" Esta idosa senhora havia suportado as vicissitudes da jornada dos setentas de Kirtland ao Missouri, havia sofrido em Haun's Mill com seu filho de colo nos braços, havia contado as longas milhas através das planícies, e depois vivido anos de pobreza em Utah. Ela sorriu ao olhar para essa pessoa, e penso que decepcionou também a essa pessoa, porque foi isto que disse: "Todos nós sabíamos que ele era um Profeta." ¶
Assim, todos nós também sabemos que ele foi um Profeta, mas será que nossos filhos o sabem? ¶
Nossos filhos sabem que nós o sabemos? Essa, penso, é nossa maior obrigação ao enfrentarmos a vida com estes pequeninos que nos são dados para criar até a idade adulta. ¶
Meu testemunho é como o de minha bisavó: sei que Joseph Smith foi um Profeta e que ele viu e ouviu coisas gloriosas. Sei que ele possuía as chaves, e sei que ele as transmitiu a seus sucessores, até mesmo ao Presidente McKay e àqueles que o auxiliam. Este é o meu testemunho a vós, em nome de Cristo. Amém. ¶