Salvaguardas para a Moralidade e a Vida Familiar da Juventude
Delbert L. Stapley
MEUS IRMÃOS E IRMÃS, gostaria de expressar, antes de tudo, apreço pela edificação espiritual desta grande conferência. Fui inspirado por ela. Fui abençoado por ela. Tenho certeza de que vós também. ¶
Em seu discurso de abertura na última conferência geral de abril, nosso amado Presidente David O. McKay fez um apelo por estabilidade e harmonia no lar. Ele expressou esta preocupação oportuna: ¶
"Não tenho tanta certeza se estamos mantendo os altos padrões exigidos de nós em nossos lares. Sinto-me constrangido, portanto, nesta sessão de abertura, a fazer um apelo por mais estabilidade, mais harmonia e felicidade na vida familiar." ¶
Recomendaria, meus irmãos e irmãs, uma releitura e um estudo deste discurso inspirado e importante. A sabedoria contida nele é tão evidente para os líderes de ala e estaca familiarizados com os problemas na vida familiar de alguns casais da Igreja, e com o relacionamento pobre entre alguns pais e seus filhos. ¶
É evidente também para os líderes que trabalham com a juventude. A mensagem vital do Presidente trouxe resposta imediata dos oficiais administrativos do Conselho de Educação da Igreja. Convidaram-me gentilmente para discursar e conduzir uma discussão sobre o tema "Aconselhamento sobre Padrões de Moralidade", em um seminário de verão programado para os instrutores de seminário e instituto da Igreja no campus da Brigham Young University. ¶
Em minhas entrevistas pessoais com jovens por toda a Igreja e em minhas visitas a líderes de ala e estaca, eu havia adquirido algum conhecimento da existência de problemas morais entre grupos de jovens da Igreja. Contudo, na preparação para esta designação especial e importante junto aos instrutores de seminário e instituto, que têm a incumbência de ensinar o evangelho à juventude da Igreja e, portanto, estão próximos deles e de seus problemas, convidei a meu escritório um grupo representativo de cada categoria, além de quatro jovens escolhidos, dois rapazes e duas moças. O resultado dessas entrevistas, juntamente com as informações desenvolvidas na discussão em classe sobre o tema, foi revelador e um tanto alarmante. Com o risco de alguma possível crítica, desejo apontar franca e honestamente alguns fatos a respeito dos problemas inquietantes que nos afligem e fazer o que espero sejam algumas sugestões úteis. ¶
Aqui gostaria de tomar emprestado o parágrafo de abertura de um artigo que preparei recentemente para a edição de novembro da Relief Society Magazine, que aparecerá sob o título "Desenvolvendo Salvaguardas para a Juventude": ¶
"Um dos problemas sérios que enfrentam os pais hoje em dia é uma tendência crescente de relaxamento moral entre a juventude. ¶
Muitos pais não estão plenamente cientes de que tal condição existe. Portanto, cegos aos males a que seus filhos estão expostos, inconscientemente, e por isso mesmo sem pensar, contribuem para um aumento das práticas imorais e pecaminosas entre eles." ¶
Bons lares onde o evangelho é ensinado e vivido e onde predomina o amor são a base do verdadeiro caráter e dos altos padrões morais da juventude. Os pais devem reconhecer que há muito neste mundo moderno para desafiar os interesses dos jovens. ¶
Muito do que é oferecido é bom, mas parte é má, barata e de baixo padrão. ¶
As pressões de influências pouco sadias são apresentadas de forma tão sedutora e exercidas tão astutamente que, se aceitas, destruiriam as virtudes que constituem a verdadeira nobreza de caráter e uma vida de alegria e felicidade. ¶
Embora não desejássemos que fosse de outra maneira, há tanto conhecimento presente no mundo hoje; e amanhã e a cada dia sucessivo daí em diante, a descoberta, a invenção e o conhecimento continuarão a aumentar e a se tornar tão convenientemente disponíveis que o desenvolvimento mental e a aprendizagem virão cada vez mais cedo na vida da juventude. Com isso, a menos que a juventude esteja bem fundamentada na fé, virá a sofisticação mundana e as buscas e prazeres materiais. Sem maturidade de sentimentos e de julgamento, caminhos e atitudes errados podem ser facilmente adotados, o que prejudicaria a promessa, para eles, de uma vida rica, útil e feliz. ¶
Pais e líderes da juventude devem reconhecer as pressões mundanas a que os jovens estão constantemente sujeitos e não fechar os olhos aos males mundanos que corroem incessantemente os verdadeiros padrões morais ordenados por Deus para que o homem os obedeça. ¶
Nosso grande desafio é preparar a juventude agora, por meio de ensino e aconselhamento sábios e compreensivos, para escapar destes perigos à espreita que destruiriam suas próprias almas. Esperar até depois de os pecados serem cometidos, antes de tomar alguma ação, não eliminará as consequências, nem a tristeza e a angústia que se seguem à transgressão. Satanás, por meio de seus auxiliares humanos, tem astutamente concebido esquemas e tentações sedutoras que confundem e frustram a juventude quanto aos verdadeiros valores da vida. Os padrões morais e espirituais do evangelho são frequentemente ameaçados. O conhecimento da vida e de seus fatos é muitas vezes obtido pela juventude de fontes erradas e indesejáveis, porque o lar e os pais, a fonte apropriada, com demasiada frequência fecham a porta, evitando a questão, quando uma resposta ou explicação oportuna, inteligente e compreensiva poderia mudar para o bem todo o curso da vida de um jovem. ¶
Sem dúvida, muitos pais carecem de vocabulário adequado para se expressarem sobre assuntos tão íntimos, mas, se são pais de adolescentes, isso os exime de aprender e buscar o conselho e o treinamento adequados para cumprirem sua responsabilidade dada por Deus de criar os filhos nos verdadeiros caminhos do Senhor? ¶
Se os pais aproveitassem plenamente os planos e programas da Igreja por meio dos quóruns do sacerdócio, das organizações auxiliares e dos cursos de extensão da Brigham Young University sobre vida familiar, eles se qualificariam competentemente para a importante tarefa de orientar a juventude. Se os pais não se familiarizam plenamente com os problemas de seus filhos ao crescerem nesta era de liberdade em relação às restrições nos relacionamentos entre rapazes e moças, poderão reconhecer os sinais de perigo que possam estar se desenvolvendo em suas vidas? ¶
A maioria dos jovens é maravilhosa, ensinável e controlável. O mundo adulto, com sua conduta, os confunde. ¶
A correção nessa área resolveria em grande parte as perplexidades e os problemas da juventude. Quão versados estão os pais na gíria e na terminologia empregadas pela juventude, para lhes permitir avaliar o significado e a gravidade de amassos, de carícias leves e pesadas, de jogos de ousadia, do autoabuso e de outras práticas más com as quais a juventude está frequentemente familiarizada demais, e que enfraquecem as restrições e a resistência, destruindo assim os verdadeiros conceitos morais da vida? ¶
Pais, vivei próximos de vossos filhos, e mais particularmente durante os anos da adolescência, enquanto eles estão no processo de crescer e experimentar mudanças físicas, além de emoções novas e estranhas que ainda não compreendem plenamente. É um período crítico em suas vidas, quando um aconselhamento constante e uma influência estabilizadora são tão necessários e úteis. É um tempo para eles aprenderem sobre os sentimentos estranhos que motivam suas vidas e ações. Há neles perturbações e conflitos emocionais em desenvolvimento, difíceis de controlar, e se o conhecimento e a ajuda que necessitam não puderem ser obtidos dos pais, os jovens poderão buscar ajuda em fontes indesejáveis ou em companheiros cujo conhecimento e senso de valores são tão imaturos e infundados quanto os deles próprios. Aqui reside um perigo sério e uma armadilha que devem ser evitados. ¶
Talvez os filhos não devessem culpar os pais por seus próprios erros, mas frequentemente o fazem, após uma transgressão que uma instrução e um aconselhamento apropriados e oportunos poderiam ter evitado. Uma resposta simples e honesta a perguntas e problemas tão vitais para a juventude poderia fazer a grande diferença em suas vidas quando surgem as tentações. ¶
Os pais devem construir companheirismo e amor no lar e eliminar relações tensas para assegurar a estabilidade e a segurança da vida familiar para os filhos. No trato com os filhos, deve sempre haver amor e bondade, mas também firmeza, ao estabelecer controles e regras de conduta. ¶
A juventude, se propriamente ensinada, na maioria das vezes espera e deseja restrições que a orientem em atividades sociais e encontros. Salvaguardas e conselhos protetores são necessários para fortalecê-la contra familiaridades e intimidades que levam ao pecado. ¶
O que parece à juventude diversão, emoção ou glamour pode apresentar perigos ocultos. Se os pais desfrutam da confiança de seus filhos e sabem quais são seus planos, poderão então enxergar os perigos ocultos diante deles e, com base na experiência da paternidade, dar orientação e conselho protetores para ajudar a controlar suas emoções e salvaguardar a virtude e a honra, tão essenciais para a juventude ter uma vida feliz e satisfatória. ¶
A posse pessoal ou a liberdade de uso dos automóveis da família parece ser uma necessidade na vida da juventude hoje, mas, sem controles adequados e a observância de horários respeitáveis após festas ou bailes, os automóveis frequentemente se tornam instrumentos de intimidades e infrações morais. ¶
A responsabilidade dos pais e dos líderes da juventude, neste mundo moderno e científico em que vivemos, é ensinar e mostrar à juventude como viver entre esses fatores modernos e ainda assim expressar uma resposta sadia e integrada a eles, e construir um conjunto de padrões de vida, objetivos que dignamente eliminem da vida as coisas que destroem e cultivem aquelas virtudes que edificam a segurança e a paz da alma. Os pais devem ajudar a juventude a perceber que uma mente e um corpo limpos trazem felicidade agora e eternamente. ¶
Os jovens de hoje têm excesso de emoção, distração e entretenimento passivo. Talvez façamos demais por eles e os privemos da emoção, legítima e plenamente satisfatória, da criatividade que a juventude antigamente desfrutava. ¶
A moralidade é uma das mais elevadas conquistas a que um ser humano pode aspirar. Ela indica maturidade e orientação emocional plena e completa. É, portanto, muito complexa, e alcança campos da vida que ordinariamente não associamos à moralidade. Se algo interfere neste desenvolvimento da maturidade, isso pode ser a causa subjacente da imoralidade. ¶
O ambiente e a formação no lar tornam-se, então, uma consideração importante e primordial. Um jovem fez esta declaração profunda: ¶
"Sei, em minha própria vida, que uma das razões pelas quais fui casto foi que nunca pensei em ser de outra forma. Tive um ambiente bom e sadio e um profundo amor por meus pais, e as tentações foram eliminadas, em parte, por causa disso." ¶
Pais e professores, também os oradores do púlpito, ao longo dos anos têm enfatizado à juventude da Igreja a plena observância da Palavra de Sabedoria. Nossos jovens estão plenamente conscientes desta lei divina de saúde. O mesmo esforço e compreensão constantes, contudo, não foram dedicados à lei da castidade. Talvez seja por causa de sua natureza muito delicada e íntima que a castidade não recebe a mesma atenção no lar, na sala de aula ou do púlpito, como recebe a Palavra de Sabedoria. ¶
A violação da pureza moral é, dos dois pecados, de longe o mais sério aos olhos de Deus. Os jovens que são culpados de ofensas morais são, frequentemente, observadores fiéis da Palavra de Sabedoria. Isso é uma evidência de que a lei da castidade não está recebendo a atenção que merece no programa do lar ou da Igreja. ¶
Em uma pesquisa realizada por um grupo de seminários da Igreja, cada jovem recebeu uma lista de mandamentos e leis que regem a Igreja, entre os quais estavam a Palavra de Sabedoria e a castidade. Pediu-se aos jovens que listassem esses mandamentos e leis em ordem de importância. Na compilação dos resultados dessa pesquisa, a maioria dos estudantes colocou a Palavra de Sabedoria em primeiro lugar. Em algum ponto de sua formação, não lhes haviam ensinado adequadamente que o pecado mais sério, à exceção de cometer assassinato, é o da imoralidade. Os verdadeiros e vitalmente importantes valores da moralidade devem ser estabelecidos clara e inequivocamente nas mentes e nos corações da juventude, para assegurar sua aceitação e obediência. ¶
A religião deveria estar sempre em um plano compreensível e prático no lar, onde as crianças possam vivê-la e desfrutá-la. Talvez a Igreja devesse oferecer cursos de estudo para o sacerdócio, aplicando o evangelho para ajudar os homens a se tornarem melhores maridos e pais. Um curso comparável poderia ser sugerido para a Sociedade de Socorro, tratando do papel da mulher como esposa, mãe e edificadora do lar Santo dos Últimos Dias. ¶
Tais cursos, para terem valor, não devem tratar simplesmente de generalidades e admoestações, mas devem relacionar os princípios do evangelho ao conhecimento concreto da natureza e do comportamento humanos. ¶
Deus não nos desculpará por nossa falha em encontrar o pleno significado da vida em nossa teologia, nem por falharmos em aplicar seus valores ao lar e aos relacionamentos familiares. As crianças, por meio de uma sólida instrução religiosa no lar, podem ser ajudadas a alcançar satisfações sadias na vida, desenvolvendo lealdades básicas à Divindade, ao evangelho restaurado de Cristo, aos líderes designados do povo, ao lar e à família, e também aos princípios fundamentais da conduta moral apropriada. ¶
As mães, a menos que seja absolutamente necessário, não deveriam buscar emprego fora do lar, mas sim cumprir honradamente sua missão principal na vida como esposa, mãe e dona de casa. Muitos problemas da juventude decorrem de mães que aceitam empregos remunerados que as tiram, a elas e à sua influência sadia, de dentro do lar. Mãe e lar são sinônimos, e por isso importantes para a criação segura da juventude. ¶
Ao concluir, meus irmãos e irmãs, retorno novamente ao apelo do Presidente McKay, citado no início de meu discurso, e sugiro que façamos a nós mesmos, de forma perscrutadora, estas perguntas: Estamos mantendo os altos e importantes padrões do evangelho em nossos lares? A oração familiar é praticada diariamente? Damos o exemplo adequado, como santos verdadeiros e fiéis, para que nossos filhos o sigam com proveito e enriquecimento dos valores de caráter moral que lhes assegurarão uma vida de alegria e felicidade? A harmonia prevalece no lar, com o amor como força controladora e motivadora? O lar proporciona segurança e estabilidade para fortalecer os laços familiares? Nossos filhos estão confortáveis e felizes, desfrutando plenamente do ambiente e da companhia da vida familiar? Estas e muitas outras perguntas semelhantes poderíamos fazer a nós mesmos com proveito, ao contemplarmos todo o alcance da advertência do Presidente McKay. ¶
Oro sinceramente para que reconheçamos não somente os problemas do lar e da moralidade que de fato existem, mas para que, como pais e líderes, também nos resolvamos a qualificar-nos e a nos comprometer a ser exemplos vivos das virtudes cristãs, para que possamos dar conselho e orientação sábios, úteis e compreensivos à juventude no processo de crescimento. ¶
Oro para que a maturidade encontre cada um deles moralmente limpo, firme na fé, preparado e digno para as sagradas ordenanças e escolhidas bênçãos dos santos templos de Deus. ¶
Também oro, meus irmãos e irmãs, para que, como líderes, deemos consideração aos problemas da juventude, à necessidade de fazer algo construtivo que os ajude a compreender a vida, a obter conhecimento e um testemunho do evangelho que os conduza por terreno difícil a uma vida de alegria e felicidade, e isto peço humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶