Distinguindo os Dons do Espírito das Falsificações
Marion G. Romney
Convosco, meus irmãos e minhas irmãs, tenho desfrutado muito deste dia, e, em harmonia com o élder Sonne, ecoam em meu coração sentimentos de aprovação por tudo o que foi dito e feito. Junto-me aos demais irmãos em felicitar a Igreja por ter nosso grande Presidente, após cinquenta anos de maravilhoso serviço, como nosso líder. Já o amo há muito tempo. Conheci-o pela primeira vez na Califórnia, quando, ainda menino, eu era um refugiado mórmon do México. ¶
Vi-o mais tarde na distante Austrália. ¶
Mais recentemente, tive a grande honra de ser o primeiro membro do Conselho dos Doze escolhido por ele. Grandemente o honro. ¶
Penso que posso dar-vos minha mensagem para esta conferência de modo que a compreendais plenamente, se fizerdes uma pequena leitura. ¶
Por causa do grande interesse manifestado pelo público em certas manifestações chamadas sobrenaturais, tais como curas transmitidas pela televisão, exibições hipnóticas e a doutrina da reencarnação, e da confusão daí resultante, pensei que seria apropriado tomar como meu texto o sétimo Artigo de Fé, que diz: "Cremos no dom de línguas, profecia, revelação, visões, cura, interpretação de línguas, etc." ¶
Podeis obter a mensagem que gostaria de dar-vos, em mais detalhes do que terei tempo de dar-vos aqui, se lerdes a quadragésima sexta seção da Doutrina e Convênios e um editorial escrito pelo Profeta Joseph Smith em 1842, intitulado "Try the Spirits" ("Provai os Espíritos"), que encontrareis no Volume IV, History of the Church, página 571. Está também impresso em Teachings of the Prophet Joseph Smith, compilado por nosso amado Presidente do Conselho dos Doze, a partir da página 202. ¶
I. Os Dons do Espírito, Característica da Igreja de Cristo. Os dons mencionados no sétimo Artigo de Fé, citado acima, são dons do Espírito Santo. Desfrutar deles sempre foi uma característica distintiva da Igreja de Jesus Cristo. ¶
De fato, sem o dom da revelação, que é um dos dons do Espírito Santo, não poderia haver Igreja de Jesus Cristo. Isso é evidente pelo fato óbvio de que, para que sua Igreja exista, deve haver uma sociedade de pessoas que individualmente têm testemunhos de que Jesus é o Cristo. Segundo Paulo, tais testemunhos são revelados apenas pelo Espírito Santo, pois ele disse: ". . . ninguém pode [saber] dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo." (Ver 1 Coríntios 12:3.) Na 46ª seção da Doutrina e Convênios, o Senhor especificamente lista tal conhecimento como um dos dons do Espírito Santo, da seguinte forma: ¶
"A alguns é dado saber, pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é o Filho de Deus, . . ." (D&C 46:13.) Todo aquele que tem um testemunho de Jesus o recebeu por revelação do Espírito Santo. O Espírito Santo é um revelador, e todo aquele que o recebe recebe revelação. ¶
Onde quer e sempre que a revelação seja operante, manifestações de outros dons do Espírito Santo são prevalentes. Assim tem sido em todas as dispensações. Começou com o Pai Adão que, tendo obedecido, arrependido e clamado a Deus em nome do Filho, ". . . foi arrebatado pelo Espírito do Senhor e foi levado para a água e foi mergulhado na água e foi tirado da água. ¶
"E assim ele foi batizado e o Espírito de Deus desceu sobre ele; e assim ele nasceu do Espírito, . . ." (Moisés 6:64-65.) E naquele mesmo dia "desceu sobre" ele "o Espírito Santo," e ele "começou a profetizar." (Ibid., 5:9-10.) Os profetas, desde Adão até Malaquias, todos desfrutaram dons do Espírito. A Abraão foi mostrado em visão os espíritos dos homens tal como eram no mundo espiritual antes que esta terra rolasse à existência ou que "as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam." (Ver Jó 38:7.) Nos dias de Moisés, a vara de Arão se tornou serpente, as águas do Egito se converteram em sangue, para os israelitas foi provida uma passagem seca pelo Mar Vermelho, e no deserto água jorrou da rocha sólida para saciar sua sede. Nos dias dos profetas, o filho da viúva foi ressuscitado dos mortos, e fogo desceu do céu para consumir o sacrifício de Elias em seu confronto com os sacerdotes de Baal. O leproso Naamã foi instantaneamente curado ao seguir as instruções de Eliseu. ¶
Jesus exerceu poder sobre todas as coisas. ¶
Ele curou os enfermos, restaurou os coxos, deu vista aos cegos, expulsou demônios e ressuscitou os mortos. Transformou água em vinho, amaldiçoou a figueira estéril, acalmou a tempestade e andou sobre o mar. Alimentou miraculosamente os quatro e os cinco mil, e proveu o dinheiro do tributo. ¶
Entre os dons do espírito manifestos na Igreja Apostólica, Paulo enumera sabedoria, conhecimento, fé, cura, operação de milagres, profecia, discernimento de espíritos, diversos gêneros de línguas e interpretação de línguas. O Novo Testamento registra numerosos exemplos da manifestação desses dons. ¶
Entre os jareditas e os nefitas, as manifestações desses dons foram igualmente prevalentes. Mórmon testificou que não cessariam, exceto pela incredulidade, ". . . enquanto durar o tempo, ou existir a Terra, ou existir na face da Terra um homem para ser salvo?" (Morôni 7:36.) Infelizmente, porém, e por causa da incredulidade, cessaram, tanto no velho mundo quanto no novo. Por mais de quinze séculos, tanto quanto revelam nossos registros, nenhum homem mortal os desfrutou. Então, finalmente, veio aquele glorioso acontecimento de 1820, quando, pela aparição do Pai e do Filho, essa terrível escuridão foi posta em fuga, e o retorno desses dons do espírito foi anunciado. ¶
O Profeta Joseph traduziu o Livro de Mórmon pelo dom do Espírito Santo. As instruções que recebeu para organizar a Igreja vieram da mesma maneira. ¶
Dentro de um ano após a organização da Igreja, o Senhor estabeleceu, em uma revelação, os dons que seriam desfrutados na Igreja restaurada. Ele nomeou todos os que Paulo enumerou, aos quais foram acrescentados os seguintes: ¶
"A alguns é dado saber, pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que foi crucificado pelos pecados do mundo. ¶
"A outros é dado crer nas palavras deles, para que tenham também vida eterna se permanecerem fiéis. ¶
"E também, a alguns é dado, pelo Espírito Santo, saber as diferenças de administração, . . . ¶
"E . . . a alguns saber as diversidades de operações, se são de Deus, . . ." (D&C 46:13-16.) Em 1839, o Profeta Joseph disse ao Sr. Van Buren, então Presidente dos Estados Unidos, que a posse "do dom do Espírito Santo" era a diferença distintiva entre a Igreja restaurada e as demais religiões da época. ¶
Sei que os dons do Espírito Santo estão na Igreja hoje. Todo Santo dos Últimos Dias fiel sabe que estão. Quando a Irmã Romney e eu saíamos deste edifício, ao término de uma das reuniões da conferência ontem, uma irmã fiel nos esperava à porta. Ela chamou nossa atenção para uma administração recebida por ela, há cerca de três anos, em uma conferência de estaca na Califórnia. Ela, com câncer, e sua família, todos jejuando, buscaram para ela uma bênção. Ela relatou ontem que estava bem. Nenhum sinal de sua antiga aflição permanece. Atualmente é missionária de estaca. ¶
Sim, todos os dons do Espírito Santo estão na Igreja hoje. ¶
II. Nem Todas as Manifestações Sobrenaturais São Dons do Espírito. ¶
Pela afirmação da revelação sobre os dons espirituais, ". . . a alguns é dado, pelo Espírito Santo, saber as diversidades de operações, se são de Deus, . . . e a outros o discernimento de espíritos," parece que há algumas manifestações aparentemente sobrenaturais que não são operadas pelo poder do Espírito Santo. A verdade é que há muitas que não são. O mundo hoje está cheio de falsificações. Sempre foi assim. Já nos dias de Moisés, quando a vara de Arão se tornou serpente, os sábios, feiticeiros e magos de Faraó ". . . lançaram cada um sua vara, e tornaram-se em serpentes: . . ." (Êxodo 7:11-12.) Isaías advertiu contra buscar ". . . os que têm espíritos familiares, e os adivinhos que chilreiam e murmuram: . . ." (Isaías 8:19.) Jesus, em seu grande Sermão do Monte, declarou claramente que: ¶
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, . . . ¶
"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? ¶
"e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? ¶
"E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." (Mateus 7:21-23.) Antes do fim de 1830, o mesmíssimo ano em que a Igreja restaurada foi organizada, alguns dos irmãos dirigentes foram enganados quanto à fonte de certas manifestações espirituais. "Para nosso grande pesar . . .," escreveu o Profeta Joseph, "Satanás estivera à espreita para enganar, buscando a quem devorar. O irmão Hiram Page tinha em sua posse uma certa pedra, pela qual obtivera certas 'revelações' concernentes ao estabelecimento de Sião, à ordem da Igreja, etc., todas em completo desacordo com a ordem da casa de Deus, tal como estabelecida no Novo Testamento, bem como em nossas recentes revelações." (History of the Church, Vol. I, pp. 109-110.) Em uma revelação dada em resposta à oração do Profeta a esse respeito, o Senhor disse a Oliver Cowdery: ¶
". . . deverás procurar teu irmão Hiram Page, em particular, e dizer-lhe que as coisas que ele escreveu por meio daquela pedra não procedem de mim; e que Satanás o iludiu; (D&C 28:11.)" Os Santos foram advertidos pelo Senhor a andarem retamente perante ele, fazendo todas as coisas com oração e ação de graças, para que ". . . não fossem seduzidos por espíritos malignos, ou pelas doutrinas de demônios, ou pelos mandamentos de homens; . . ." (Ibid., 46:7.) Essas citações não apenas sustentam a proposição de que há falsificações dos dons do espírito, mas também sugerem a origem dessas falsificações. ¶
No entanto, não estamos obrigados a confiar apenas em suas implicações, por mais claras que sejam, pois o Senhor declara especificamente que algumas das falsificações ". . . são de homens, e outras de demônios." (Ibid., 46:7.) Algumas dessas falsificações são grosseiras e facilmente detectadas, mas outras simulam de perto as verdadeiras manifestações do espírito. Consequentemente, as pessoas ficam confusas e enganadas por elas. Sem uma chave, não se pode distinguir entre o genuíno e o falsificado. Os egípcios não conseguiam distinguir entre o poder pelo qual Moisés e Arão operavam e aquele pelo qual operavam os magos. No dia de Pentecostes, os incrédulos não reconheceram que os apóstolos falavam em línguas pelo poder do espírito; ao contrário, concluíram que estavam "cheios de mosto." O próprio Salvador disse: ". . . surgirão falsos cristos e falsos profetas, e mostrarão grandes sinais e prodígios; de tal sorte que, se possível fora, enganariam até os próprios eleitos, os quais são os eleitos segundo o convênio." (Joseph Smith-Mateus 1:22.) Ora, aqueles "que são os eleitos segundo o convênio" são membros da Igreja, de modo que nós mesmos estamos avisados para acautelar-nos. ¶
III. Distinguindo entre as Manifestações do Espírito e as Falsificações. ¶
Isso nos leva à nossa mais importante consideração. Crendo, como cremos, em todos os dons nomeados na 46ª seção da Doutrina e Convênios, e sabendo que há falsificações deles, como havemos de distinguir entre o verdadeiro e o falso, o genuíno e o falsificado? ¶
O Apóstolo João deu aos santos de seu dia o seguinte teste: ¶
"Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. ¶
"Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus: ¶
"E todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus: . . ." (1 João 4:1-3.) Este era um bom teste para eles. Contudo, não servirá para nós. A razão é dada pelo Profeta Joseph como segue: ¶
Não disse o Apóstolo a verdade? ¶
Certamente disse, mas falou a um povo que estava sob pena de morte no momento em que abraçassem o cristianismo; e ninguém, sem conhecimento desse fato, confessaria isso e se exporia à morte. (History of the Church, Vol. IV, p. 580.) O Profeta Joseph, tendo relatado algumas das obras de espíritos malignos em seus dias, disse: ¶
Um homem deve ter o discernimento de espíritos antes de poder trazer à luz do dia essa influência infernal e desvendá-la ao mundo em todas as suas cores destruidoras da alma, diabólicas e horrendas; pois nada é maior prejuízo aos filhos dos homens do que estar sob a influência de um espírito falso, quando pensam ter o espírito de Deus. Milhares sentiram a influência de seu terrível poder e efeitos funestos. Longas peregrinações têm sido empreendidas, penitências suportadas, e dor, miséria e ruína têm-se seguido em seu rastro; nações têm sido convulsionadas, reinos derrubados, províncias devastadas, e sangue, carnificina e desolação são os trajes com que se tem vestido. (History of the Church, Vol. IV, p. 573.) Sem tentar uma discussão exaustiva dessa questão, tomo a liberdade de sugerir três testes simples que, se aplicados, serão de grande valor para fazer a distinção. ¶
Primeiro, determinai se a alegada manifestação sobrenatural é edificante. ¶
Se não o for, então não é de Deus, porque os dons espirituais são dados para a edificação do povo de Deus. ¶
Paulo, escrevendo aos santos coríntios acerca dos dons espirituais, instruiu-os a "que tudo se faça para edificação." E, quanto aos que falariam em línguas, disse: "Não havendo intérprete, esteja calado na igreja; . . ." E, quanto à profecia, acrescentou: ". . . os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. ¶
"Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz. . . ." (1 Coríntios 14:26-33.) Comparou o falar em línguas sem uma clara interpretação a uma trombeta que dá som incerto, pelo qual ninguém saberia se preparar para a batalha. ¶
"Há," escreveu ele, ". . . tantos gêneros de vozes no mundo, . . . Se, pois, eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim." (1 Coríntios 14:8-11.) Para que os santos da jovem Igreja nesta dispensação não fossem enganados, o Senhor lhes suplicou que tivessem em mente que o propósito dos dons espirituais era beneficiar aqueles que o amavam e guardavam seus mandamentos. Não deveriam ser dados como sinais para os que os consumiriam em suas luxúrias. ¶
Segundo — isto se refere particularmente às supostas curas sobrenaturais — descobri se o suposto curador segue o procedimento divinamente estabelecido, isto é, se faz como Jesus fez quando impôs as mãos sobre os enfermos e os curou (ver Marcos 6:5), e como seus apóstolos fizeram quando, por sua orientação, "saíram e pregavam que se arrependessem. ¶
"E . . . expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com azeite, e os curavam." (Ibid., 6:12-13.) O padrão que prevaleceu na Igreja Apostólica, e que foi prescrito de novo por revelação nestes dias (D&C 42:43-44), é estabelecido por Tiago da seguinte forma: ¶
"Está alguém entre vós doente? Chame os anciãos da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; ¶
"E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." (Tiago 5:14-15.) Terceiro, descobri se o operador do suposto milagre recebeu, ele próprio, o dom do Espírito Santo por meio das ordenanças prescritas. Se não o recebeu, então suas obras, quaisquer que sejam, não são manifestações do Espírito Santo. Este é um teste fundamental porque, como já assinalamos, os dons do espírito são concedidos pelo poder do Espírito Santo. Sem o dom do Espírito Santo, as manifestações de seus dons não podem ser desfrutadas. O Profeta Joseph Smith declara essa doutrina fundamental da seguinte forma: ¶
Cremos que o dom do Espírito Santo tem sido desfrutado agora, tanto quanto o foi nos dias dos Apóstolos; cremos que é [o dom do Espírito Santo] necessário para constituir e organizar o sacerdócio, que nenhum homem pode ser chamado a ocupar qualquer cargo no ministério sem ele; cremos também em profecia, em línguas, em visões e em revelações, em dons e em curas; e que essas coisas não podem ser desfrutadas sem o dom do Espírito Santo. (History of the Church, Vol. V, p. 27.) Assim, aquele que nunca recebeu o dom do Espírito Santo não pode possivelmente operar milagres por seu poder. ¶
Ora, sabemos que há apenas uma maneira de obter o dom do Espírito Santo. ¶
Essa maneira é por meio das ordenanças prescritas do batismo por imersão para a remissão dos pecados e a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo. O procedimento do Apóstolo Paulo enfatiza a indispensabilidade dessas ordenanças. Chegando a . . . Éfeso, encontrando certos discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. ¶
E disse-lhes: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. ¶
Porém Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele haveria de vir, isto é, em Jesus Cristo. ¶
E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. ¶
E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam diversas línguas, e profetizavam. (Atos 19:2-6.) Esses dons do espírito não poderiam de forma alguma ter sido exercidos até que tivessem recebido o dom do Espírito Santo mediante o cumprimento das ordenanças apropriadas. Este tem sido o procedimento para receber o dom do Espírito Santo desde os dias do Pai Adão. Citamos, no início destas observações, o procedimento pelo qual ele o recebeu. Esse procedimento foi precisamente o mesmo seguido por Paulo ao conferi-lo. Assim será sempre o procedimento, pois foi Deus quem o estabeleceu. ¶
Disse o Profeta Joseph: O batismo é uma santa ordenança, preparatória para o recebimento do Espírito Santo; é o canal e a chave pela qual o Espírito Santo será administrado. ¶
O dom do Espírito Santo, pela imposição das mãos, não pode ser recebido por nenhum outro meio senão o princípio da retidão, pois, se as condições não forem cumpridas, ele de nada serve, mas se retira. (History of the Church, Vol. III, p. 379.) Ora, homens justos, portadores do santo sacerdócio do Deus vivo e dotados do dom do Espírito Santo, que magnificam seus chamados — e estes são os únicos homens na terra com o direito de receber e exercer os dons do espírito — hão de fazê-lo com circunspecção e em toda humildade. Não anunciarão espetacularmente seu poder divino nem se vangloriarão dele. Tampouco o exibirão por dinheiro. Disso podeis estar certos. ¶
IV. Testes para Alegações e Doutrinas Especiais. Ora, o Profeta deu outros testes aplicáveis a alegações e doutrinas especiais, dos quais os dois seguintes são típicos. ¶
(1) Deixou claro que nunca há mais de um homem na terra, a um só tempo, autorizado a receber revelações para a Igreja. Este princípio respondia às alegações das supostas revelações por meio de pedra vidente. ¶
(2) De uma entrevista com um Sr. Matthias, o Profeta escreveu: ¶
Ele disse que possuía o espírito de seus pais, que era descendente literal de Matias, o Apóstolo, que fora escolhido para o lugar de Judas, que caíra; que seu espírito ressuscitara nele; e que este era o caminho ou esquema da vida eterna — essa transmigração de alma ou espírito de pai a filho. ¶
Disse-lhe que sua doutrina era do diabo. (History of the Church, Vol. II, p. 307.) Assim, removendo toda dúvida a respeito da suposta doutrina da "transmigração das almas ou espíritos," hoje chamada de reencarnação. ¶
Em conclusão, chamo novamente a atenção para a afirmação do Profeta Joseph Smith já citada, de que "Um homem deve ter o discernimento de espíritos antes de poder trazer à luz do dia essa influência infernal e desvendá-la ao mundo em todas as suas cores destruidoras da alma, diabólicas e horrendas;" pois, afinal, as coisas de Deus só podem ser entendidas pelo espírito de Deus. (Ver 1 Coríntios 2:11.) O dom do "discernimento de espíritos" é a solução segura para este intrincado problema. ¶
Buscai este dom, irmãos e irmãs, e os dons a ele associados — conhecimento, sabedoria, e "saber as diversidades de operações se são de Deus" — e não os sinais e prodígios sensacionais e miraculosos. Lembrai-vos que . . . ao bispo da igreja, e àqueles designados e ordenados por Deus para zelarem pela igreja e para serem élderes da igreja, será dado discernir todos esses dons, para que ninguém haja entre vós que, sem ser de Deus, professe tê-los. ¶
E acontecerá que aquele que pedir em Espírito receberá em Espírito; para que a alguns seja dado possuir todos esses dons, para que haja uma cabeça, a fim de que todo membro se beneficie com isso. (D&C 46:27-29.) Finalmente: ¶
Sede virtuosos e puros; sede homens de integridade e verdade; guardai os mandamentos de Deus; e então sereis capazes de compreender mais perfeitamente a diferença entre o certo e o errado — entre as coisas [dons] de Deus e as coisas dos homens; e vosso caminho será como o dos justos, que resplandece cada vez mais até ao dia perfeito. (History of the Church, Vol. V, p. 31.) Que Deus conceda que assim seja, humildemente rogo em nome de Jesus Cristo. ¶
Amém. ¶