Que Farei Então de Jesus?
Sterling W. Sill
Muito se disse nesta conferência sobre a vida e a missão do Mestre. Oro para que o que eu disser não diminua o que já foi dito. ¶
Depois daquela longa e terrível noite de traição e julgamento, Jesus foi levado à presença de Pilatos. Pilatos acreditava que Jesus era inocente de qualquer mal e fez uma fraca tentativa de tentar salvar-lhe a vida, aproveitando-se de um de seus privilégios como governador romano de soltar um prisioneiro aos judeus por ocasião da Páscoa. Pilatos tinha sob sua custódia um notório insurrecionista e assassino de nome Barrabás, e provavelmente confiando no senso de justiça dos judeus, de que certamente eles não consentiriam na soltura desse notório criminoso e no castigo de um homem inocente, Pilatos disse: "E respondendo o governador, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?" (Ver Mateus 27:21.) ¶
E Pilatos deve ter ficado surpreso ao ouvi-los dizer: "Barrabás." Ele disse: "Que farei então de Jesus?" E os judeus responderam: "Seja crucificado." Pilatos disse: "Hei de crucificar o vosso rei?" E eles disseram: "Não temos rei senão César." Então Pilatos, pegando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: ". . . Estou inocente do sangue deste justo; isso é convosco." E os judeus disseram: ". . . O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos. Então soltou-lhes Barrabás, e tendo mandado açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado." (Ver Mateus 27:24-26.) ¶
Podemos supor com segurança que tanto Pilatos quanto os judeus sentiram que haviam resolvido permanentemente qualquer questão que pudesse ter surgido em conexão com a vida de Cristo — Pilatos meramente lavando as mãos, e os judeus dando morte ao próprio Filho de Deus. Mas há uma relação peculiar que existe entre a vida de Jesus Cristo e cada outra alma nascida no mundo. Naquele grande período de nossa pré-existência, Jesus foi designado e ordenado para ser o Salvador do mundo e o Redentor dos homens, e não há outro nome dado pelo qual o homem possa ser salvo. O que Pilatos e os judeus fizeram a Jesus não alterou essa relação nem um pouco, seja para eles, seja para nós. Pois Jesus também levou os nossos pecados, e somos, portanto, partícipes de seu sofrimento e de sua expiação. ¶
Em nossas vidas somos forçados a tomar muitas decisões. Por nossas respostas às perguntas da vida, determinamos nosso próprio destino. James Russell Lowell escreveu alguns versos significativos intitulados "The Present Crisis" (A Crise Presente). Ele diz — ¶
Uma vez para cada homem e nação / Vem um momento de decidir / Na luta entre a verdade e a falsidade / Pelo lado bom ou pelo mau. / Alguma grande causa, o novo Messias de Deus / Oferecendo a cada um a flor ou a praga / Separa os cabritos à esquerda / E as ovelhas à direita. / E a escolha prossegue para sempre / Entre as trevas e a luz. ¶
Certamente a maior pergunta a ser decidida por qualquer homem durante sua vida é aquela sugerida por Pilatos: "Que farei então de Jesus?" Os judeus tomaram sua decisão. Disseram: "O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos," e assim tem sido. E assim pode ser conosco, porque a pergunta ainda está diante de nós, e cada um deve responder por si mesmo. ¶
Pois Jesus ainda está sendo julgado. / Podeis ser infiéis a ele se quiserdes. / Ou podeis servi-lo no bem ou no mal. / Que fareis então de Jesus? / Podeis evadi-lo como Pilatos tentou / Ou podeis servi-lo, aconteça o que acontecer. / Em vão vos esforçareis para dele vos esconder / Que fareis então de Jesus? / Que fareis então de Jesus? / Neutros não podeis ser, / E algum dia vossa alma poderá perguntar — / Que fará ele de mim? ¶
Um dos melhores métodos para resolver um problema é pesar cuidadosamente cada uma das alternativas. Neste caso, parecem existir três. A primeira é que podemos seguir o exemplo dos judeus e rejeitá-lo, e assim, como diz Paulo, crucificamos de novo para nós mesmos o Filho de Deus. Tal curso é impensável. Mas grande parte do que os judeus fizeram, fizeram-no em ignorância. Na cruz, Jesus disse: ". . . Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem." (Lucas 23:34.) Os judeus não compreendiam realmente o que estavam fazendo ao dar morte ao Salvador do mundo. Pilatos não sabia que aquele jovem carpinteiro camponês diante dele era, de fato, o grande Jeová que havia criado a terra. Mas poderíamos perguntar-nos isto: Por que não sabiam? Provavelmente há apenas uma resposta: Faltaram-lhes o esforço honesto, a investigação séria e a oração humilde necessários para encontrar a verdade. ¶
Mas, em grande medida, cometemos exatamente os mesmos erros. Quando nos ausentamos da reunião sacramental, não compreendemos realmente o que estamos fazendo. Quando deixamos de pagar nosso dízimo, ou quando nos casamos "até que a morte nos separe," não sabemos o que fazemos. É a nossa ignorância, tanto quanto os nossos pecados, que se interpõe entre nós e a nossa salvação. Se os judeus sofreram penalidade tão grande por seus pecados cometidos em grande parte por ignorância, o que dizer de nós? Temos toda a informação que os judeus tinham, mas além disso temos o juízo do tempo brilhando sobre a vida de Cristo. Temos o testemunho dos apóstolos testificando de sua divindade e selando seu testemunho com seu sangue. Mas, além disso, uma grande enchente de novo conhecimento veio ao mundo. No início da primavera de 1820, Deus, o Pai, e seu Filho Jesus Cristo reapareceram na terra para restabelecer entre os homens a crença em Deus. Além disso, foram-nos dados três grandes volumes de novas escrituras, delineando e explicando em todo detalhe os simples princípios do evangelho. Se perdermos o nosso caminho, será por nossa própria escolha e não porque não podemos conhecer a verdade, exceto se, como os judeus, deixarmos de ser suficientemente reflexivos e diligentes, expondo-nos assim ao risco de rejeitar "ignorantemente" nosso Salvador pessoal e, com ele, nossas chances de exaltação eterna. ¶
A segunda alternativa desta pergunta, "Que farei então de Jesus?" é que podemos tentar ser neutros, e não crer nem numa coisa nem noutra. Isso é impossível, pois ou Deus é, ou Deus não é. Não há meio-termo. É tudo ou nada. Ou o aceitamos por decisão ou o rejeitamos por omissão. Pois, quando falhamos em decidir uma questão de um modo, automaticamente a decidimos do outro. Isto é, quando falhamos em decidir subir no trem, automaticamente decidimos ficar fora do trem. Contudo, há um grupo de pessoas que insistem em tentar manter essa danosa neutralidade. Não é apenas que não creem; seu ceticismo vai mais fundo. Não pensam sobre isso de uma forma ou de outra. Há algo mais grave do que meramente "não crer," e é "não se importar." Já se disse que há uma loucura maior do que a do tolo que diz em seu coração que não há Deus, e é a loucura daquele que diz não saber se há um Deus ou não. Com isso, ele é culpado de descrença, em vez de descrer conscientemente, e a descrença geralmente é uma confissão de que não se fez suficiente investigação honesta necessária para encontrar a verdade. ¶
Se um homem errasse ao crer que o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro, ele não poderia de forma alguma ser o perdedor por esse engano. Mas quão irreparável é a perda daquele que errasse ao supor que as revelações de Deus são falsas. Há muitas pessoas que tentam dispor desta pergunta, "Que farei então de Jesus?" dizendo que ele foi apenas um grande mestre. Isso é certamente um substituto pobre para conhecer a verdade. É também bastante perigoso, pois já se disse: ¶
Suponde que exista um Cristo, mas que eu esteja sem Cristo; / Suponde que exista uma purificação, mas que eu permaneça impuro; / Suponde que exista o amor de um Pai Celestial, mas que eu permaneça um estranho; / Suponde que exista um céu, mas que eu seja lançado ao inferno. ¶
Já se disse que "A maior indelicadeza do homem para com o homem não é odiá-lo, mas ser-lhe indiferente." "Aquele que é indiferente a seu amigo é indelicado para com seu amigo. Mas aquele que é indiferente a seu Salvador é desumano para consigo mesmo." ¶
Nossa terceira alternativa para esta pergunta de "Que farei então de Jesus?" é que podemos aceitá-lo. Podemos aceitá-lo ansiosa e entusiasticamente. Podemos encher nossas mentes com sua palavra e consagrar nossas vidas ao seu serviço. Temos seu próprio conselho sobre esta pergunta. Em nossos próprios dias ele disse: "Ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia." (D&C 4:2.) ¶
Cada um de nós foi cumprimentado por ter sido reservado para viver na terra nesta maior de todas as dispensações. Vivemos quando uma grande maré de maravilhas, conhecimento e realização foi liberada no mundo. Nossos antepassados viveram numa terra plana e estacionária, e lavravam a terra com paus de madeira. Mas nós vivemos numa terra de direção assistida e propulsão a jato. Noé pregou o evangelho por muitos anos e não conseguiu trazer a conversão de uma única pessoa fora de sua própria família. Mesmo na dispensação de Jesus, menos de cem anos se haviam passado antes que todos os apóstolos fossem mortos e o mundo estivesse bem a caminho das trevas da apostasia completa. Mas nós vivemos numa época em que "os campos já estão brancos para a ceifa." Temos exemplos de missionários de estaca que trouxeram a conversão à vida de cinco, dez ou vinte almas humanas num único ano, e assim como Samuel Walter Foss clamou: "Dai-me homens à altura de minhas montanhas," assim a Igreja está clamando por homens à altura das grandes oportunidades do dia presente. ¶
Em 1932, Walter Pitkin escreveu um livro intitulado Life Begins at Forty. Mas a vida começa a cada manhã. A vida começa quando nós começamos, e nosso verdadeiro progresso começa quando aceitamos a resposta de Deus para aquela maior pergunta de nossas vidas, "Que faremos então de Jesus?" Que nosso Pai Celestial nos inspire a obter a resposta certa antes que seja tarde demais, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶