Pulpit

Nunca Antes o Lar Significou Tanto Para Mim

Spencer W. Kimball

1955 October General Conference·Saturday Afternoon Session·1955-10-01

Meus irmãos e irmãs: nunca antes a palavra lar significou tanto para mim como significou esta semana, quando cheguei com outros ao porto de Nova York, vi a Velha Glória e a Estátua da Liberdade, e enquanto voava para o oeste e via as planícies áridas, e as altas montanhas Uintah, e as montanhas Wasatch tingidas de gelo, e então aterrissei no aeroporto aqui em Salt Lake City e fui recebido por minha família e meus irmãos.

Quando pousamos em Hannover, na Alemanha, muitas semanas atrás, a Irmã Gregory me disse, enquanto nos afastávamos do aeroporto de carro: "Ora, Irmão Kimball, o senhor esteve por toda a Europa. O que viu que foi mais interessante?"

Não sei o que ela tinha em mente, mas tenho certeza de que muitos estariam pensando em estátuas e monumentos, catedrais e museus, rios e geleiras. Não demorei muito para lhe dar a resposta:

"A coisa mais interessante que vi foi o povo."

Em 1937, a Irmã Kimball e eu fomos à Europa como turistas. Levamos conosco uma câmera e muito filme. Vimos todas as coisas estranhas e engraçadas da Europa. Percorremos muitos dos museus, e creio que a maioria das catedrais. Vimos os monumentos e muito do que era interessante. Vimos bicicletas aos milhões, vimos mulheres trabalhando nos campos, e ríamos enquanto escrevíamos em nossos diários sobre as coisas estranhas e incomuns.

Em 1955 fomos à Europa sem câmera — as únicas pessoas na Europa, creio, que não tinham câmera. Vimos as bicicletas como meio para um fim, para levar as pessoas ao trabalho e trazer as pessoas para os cultos da Igreja. Vimos as mulheres não apenas trabalhando nos campos, colhendo batatas e plantando colheitas, mas as vimos também em seus lares e no trabalho da Igreja. Vimos dentro de seus corações; ouvimos seus testemunhos; sentimos seu amor.

Fui grato por este privilégio que nos foi concedido, de conhecer o povo e ver o que o evangelho faz por eles quando entra em suas vidas. Percebíamos antes que havia noruegueses e finlandeses e alemães e franceses, mas quando o evangelho chega, todos se fundem numa figura composta.

Trazemos-vos as saudações de vossos missionários que estão nos países europeus, mil deles. Ouvimos mil testemunhos, doces, ressonantes, gloriosos testemunhos de corações repletos de fé e sacrifício. Olhei dentro de seus corações, e os achei bons. Eles vos amam a vós, os que estais em casa, mais do que jamais vos disseram. Um jovem disse: "Ah, espero que meu pai doente viva até que eu volte, para que eu possa lhe dizer o que realmente penso dele — o quanto o aprecio."

Aprendi por esses testemunhos, de centenas de pessoas que se tornaram ativas na Igreja por meio de seus filhos e filhas missionários, alguns dos quais se filiaram à Igreja, até pais e mães. Um exemplo:

Uma mãe dissuadiu seu filho mais velho de ir para o campo missionário. Ela e o pai dele não eram membros da Igreja. Disseram: "Estás perdendo teu tempo. Vai para a faculdade em vez disso; faz algo que valha a pena. Não vás numa missão." Usaram todo o seu poder de persuasão, mas por fim, quando perceberam que ele estava decidido a ir, disseram: "Está bem, vai em frente."

Duas semanas antes de o rapaz zarpar de Nova York, sua mãe se aproximou dele certa manhã e disse: "Filho, hoje estou sendo batizada."

Outro rapaz disse: "Minha mãe trabalha catorze horas por dia para me sustentar em minha missão." Outro rapaz disse: "Estou em minha missão por causa das bênçãos do Senhor. Meu irmão, formado no colégio, não poderia ir para a faculdade se eu fosse para a missão, mas minha mãe disse: 'Tu vais para a tua missão.' E quando eu estava quase pronto para partir, recebemos a notícia de que meu irmão mais novo havia recebido uma bolsa de estudos para a universidade, e bons vizinhos trouxeram uma nota de cem dólares para colocar em minha mão, e ainda estou no campo missionário e quase pronto para voltar para casa."

Nunca esquecerei de certa reunião de testemunhos. Um jovem que ainda estava bastante emocionado após o abalo daquela semana nos disse: "Acabei de receber um telegrama na semana passada anunciando a morte de meu pai." Ele continuou: "Telefonei através de um continente e através de um oceano, e ouvi a voz de minha mãe no fio, a doce voz de minha mãe recém-viúva." Ele disse: "Sou o mais novo de seus oito filhos, e eu lhe disse: 'Mãe, como estás?' e ela disse: 'Estou bem, filho; quero que fiques e cumpras tua missão.

O Senhor cuidará de nós.' "

Esse tipo de fé nos pais, esse tipo de fé nos filhos e filhas, traz ricos dividendos.

Trago-vos saudações de vossos militares, homens nas forças armadas. Vossos filhos, alguns dos quais têm suas famílias com eles, amam o evangelho com toda a sua alma e demonstram esse amor por suas ações. Encontramo-nos com oitocentos deles lá embaixo nos Alpes bávaros em Berchtesgaden, sob o famoso Ninho de Águia de Hitler, que se ergue no alto da montanha alpina. Os hotéis foram evacuados e entregues a esse grande concurso de homens e suas famílias.

Lembro-me, bem quando o programa de quatro dias estava terminando, de como os militares com suas famílias estavam saindo do hotel. Não havia havido fumaça, nem barulheira, mas quando saíam, entrou um clube de senhoras, mulheres com seus cigarros, poluindo o ar nos vestíbulos do hotel que haviam estado tão limpos e agradáveis por quatro dias, algo que aqueles hotéis, talvez, nunca tivessem visto antes.

Lembro-me bem do banquete que realizamos junto ao Lago Chiemsee, em outro edifício construído por Hitler e seus associados, mas que agora é usado pelo Exército dos Estados Unidos e que foi cedido a nossos rapazes para o programa de retiro. Lembro-me deste longo salão, certamente tão comprido quanto este tabernáculo, com 650 pessoas sentadas ao redor das mesas — na maior parte, nosso próprio povo, mas também alguns outros capelães e convidados especiais.

Havia 650 copos de leite sobre aquelas mesas, e nenhum copo ou xícara de mais nada. Creio que a Europa nunca viu nada assim antes.

Lembro-me destes militares ao vê-los ajudando mulheres idosas, austríacas e francesas e alemãs, a subir dois ou três ou quatro lances de escada até as casas de ramo.

Penso nesses jovens e em como financiam capelas que jamais habitarão. Lá embaixo em Heidelberg estavam arrecadando dinheiro para construir uma capela que seria usada pelos santos locais e que eles próprios jamais ocupariam. Novamente em Salzburgo, na Áustria, milhares de dólares foram arrecadados por eles para igualar o que foi tão generosamente dado pela Igreja, e outra bela estrutura está sendo erguida ali. Jovens altos, limpos, bonitos, robustos, na Inglaterra, França, Alemanha, Áustria, mesmo na Áustria, onde agora observam com grande interesse os vizinhos do leste arrumando suas malas e baús.

Trago-vos saudações dos membros, 36.000 deles ali, cerca de metade dos quais vimos e aos quais demos nosso testemunho, e de muitos dos quais ouvimos os testemunhos. Nós os vimos em todos esses muitos países. Na Noruega, de Oslo para o norte, por todas as principais cidades. Em Trondheim nossos corações bateram um pouco mais forte quando percebemos que aquele era o lar do Irmão Widtsoe, e sobrevoamos a pequena ilha onde ele nasceu, e sabíamos como ele ficaria feliz de ver a capela que agora está sendo erguida em sua cidade natal.

Aqui na Noruega encontramos um povo feliz, bonito e saudável, orgulhoso demais para ser mesquinho. Voamos baixo sobre os fiordes em hidroaviões. Podíamos ver todos os pequenos vilarejos de pesca e a beleza dos fiordes e das montanhas.

Chegamos a Boda, no norte, bem lá em cima no Círculo Ártico, e ali vimos uma placa que dizia: "vinte e duas horas até Los Angeles" sobre o Polo Norte. De fato, fomos tão para o norte que quase podíamos sentir o cheiro do enxofre no smog do sul da Califórnia.

Em Narvik as luzes se apagavam às 22h30 todas as noites, segundo determinação municipal. Depois de nossas reuniões, sentamo-nos para comer alguns lanches oferecidos por gentis amigos, e as luzes se apagaram, mas mal percebemos. Continuamos a comer e terminamos nossa noite, e então fomos para casa, e às duas horas daquela manhã, enquanto nos preparávamos para entrar na Suécia, li o jornal do lado de fora e depois de novo no quarto, sem nenhuma luz. Estávamos bem lá em cima, no extremo norte.

Cruzamos a fronteira sueca e os fiordes e o gelo espesso, e a neve profunda. Vimos os lapões e as renas; vimos quase todos, menos o Papai Noel, ali no país do norte.

Descobrimos que os suecos eram sólidos, confiáveis, um povo maravilhoso, e viajamos três semanas por toda a Suécia, por todas as principais cidades, dedicamos oito capelas naquela região e chegamos ao belo tapete verde do país plano do sul, onde há mais moinhos de vento, dizem, do que se encontra na Holanda.

A Finlândia foi um lugar que nos trouxe grande alegria, e ali encontramos a juventude reunida, jovens finlandeses, fortes e resolutos. A Finlândia tem sido a bola de futebol das nações vizinhas através dos séculos — a Finlândia, a pequena Finlândia, o pequeno país honesto que paga suas dívidas, a Finlândia que acabou de pagar sua indenização de guerra, não uma dívida, e acabou de completar o pagamento do tributo que lhe foi imposto por seus vizinhos do leste. Nunca os chamam pelo nome; sempre os chamam de os vizinhos. A pequena Finlândia está numa península de granito que as geleiras limparam de seu solo e deixaram dura e difícil, mas esse povo, sólido e determinado, é como o granito sobre o qual construíram suas casas, e eles seguem em frente. Encontramos o povo, e especialmente os membros da Igreja ali, 400 e tantos em número, crescendo e fiéis, missionários dedicados entre eles.

A Dinamarca tem sua terra plana, tão plana de fato que às vezes vos perguntais se estais vendo um grande transatlântico cruzando a terra. Não parece haver água além dele. São um povo feliz e independente.

Fomos à Grã-Bretanha, à Grã-Bretanha onde quatro sociedades se enrolam todas em uma — quatro sociedades que foram comparadas por um escritor a um cavalo, um touro, uma mula e um cervo: os escoceses com sua frugalidade e sua consciente afabilidade; o povo galês com suas devoções astutas, intensas, patrióticas; os irlandeses, com suas personalidades caprichosas, místicas, encantadoras; e então os ingleses com sua determinação — o povo que cantava enquanto era bombardeado quase até o último centímetro: "There will always be an England" ("Sempre haverá uma Inglaterra").

Fomos aos Países Baixos e encontramos ali um povo forte. Estiveram lutando contra o oceano e outros elementos durante toda a sua existência. São um povo saudável, caloroso, que leva suas famílias consigo para todo lugar, mesmo em suas bicicletas. Duas bicicletas levam uma família de quatro ou cinco ou seis pessoas à igreja, à praia, passeando. Vão como famílias.

A Bélgica está tanto na missão francesa quanto na dos Países Baixos. Aqui encontramos um povo muito parecido com os franceses, com quem tive dificuldade a princípio para me aproximar, mas eles crescem em nós, e encontrei pessoas doces, amáveis, mulheres idosas que amavam o evangelho tanto quanto qualquer uma de nossas mães ama o evangelho, e jovens dispostos a se sacrificar e se entregar a ele.

Encontramos alguns membros espanhóis na França, membros italianos na Suíça. Temos irmãos e irmãs indonésios na Holanda e iugoslavos na Áustria, membros da Igreja, membros fiéis. Encontramos gregos, e até russos na Alemanha Oriental pertencentes à Igreja. Uma de nossas missionárias alemãs orientais implorava pelo privilégio de ir numa missão entre os russos, ali na Alemanha Oriental ou na Rússia.

Fomos até o Saar, a Saarbrucken, e vimos a devastação ali. Não se pode esquecer a guerra; suas ruínas estão presentes por toda parte, embora já tenham passado dez anos. Não consigo imaginar o que o Irmão Benson viu há uma década, quando ainda há tanta destruição. Atravessei o Saar ao amanhecer. Caminhei com os trabalhadores enquanto seguiam com suas cestas de almoço para seus empregos, e cheguei a uma parte da cidade, a parte antiga, que mal teve um tijolo quebrado tocado desde que a poeira das bombas assentou, e todas as coisas feias e terríveis que ali estavam há dez anos permanecem como fantasmas do passado.

Na primeira manhã em Berlim chegamos à Capela de Charlottenburg para nossa reunião com os missionários. Já havíamos nos acostumado um tanto com a visão de homens sem braços e homens sem pernas nas ruas. Vimos homens sem visão e homens apoiados em muletas e homens marcados pela batalha, mas não estávamos de forma alguma preparados para a experiência que nos aguardava no caminho diante da capela, quando veio correndo até nós uma forma humana como um destroço à deriva no mar. Seu cabelo estava desgrenhado, os olhos esbugalhados, o rosto por fazer, as roupas em farrapos. Veio arrastando-se até nós, quase mais animal do que homem. Enrolou os braços em nossos pés; beijou nossas mãos; abraçou nossos braços, o tempo todo proferindo um grito lamentoso, e por fim, espalhando os dedos sobre os olhos para simular grades de prisão, exclamou em angústia: "Seis anos na prisão. Hoje, libertado da prisão inimiga." Chorávamos por dentro ao ver este homem reduzido, este ser que, como dezenas de milhares de outros, havia sofrido destinos semelhantes.

Outros pesares vieram em várias partes da cidade: mulheres idosas percorrendo plataformas de estações há muito desgastadas, ao encontro de trens e ônibus, seus cartazes dizendo: "Já viste meu filho?" Às vezes sua fotografia estava no cartaz, e fotografias e descrições estavam nos jornais de filhos, maridos e pais perdidos.

O marido de uma de nossas próprias e queridas irmãs desapareceu há dez anos. Uma sentença de vinte e cinco anos de prisão foi imposta a esse prisioneiro político, mas por cinco longos anos a família nunca soube se ele vivia ou morrera. Depois de cinco anos ele foi localizado numa prisão com mais vinte anos a cumprir. Agora sua esposa pode visitá-lo sob guarda meia hora a cada três meses; ele pode escrever vinte linhas uma vez por mês, cartas que são censuradas.

Levantei-me bem cedo certa manhã em Berlim e saí para ver as ruínas por todos os lados — do outro lado da rua, na volta do quarteirão, em toda parte estavam elas. Mergulhei numa triste e nostálgica meditação e caí no impulso de anotá-la, e voltei à máquina de escrever.

Permiti-me citar algumas linhas de meu diário:

Sexta-feira, 26 de agosto de 1955: Dez anos já desde a tragédia da guerra mundial! Aqui havia cercas em torno das antigas propriedades grandiosas — cercas de arame, cercas enferrujadas, cercas apodrecidas pelo vento, cercas orgulhosas, altivas, niveladas em humilhação. Portões de metal pendendo sem cuidado; dobradiças rangendo. Paredes nuas, paredes irregulares, paredes marcadas de buracos, e ervas daninhas crescendo de suas serrilhaduras pontiagudas como dentes; hera verde tentando arduamente cobrir a nudez das paredes — paredes escancaradas — paredes ausentes, mas com dezenas de tijolos quebrados ainda indicando onde estavam — paredes lascadas, grama no topo das paredes serrilhadas sustentando pequenas flores corajosas lutando pela existência. Havia janelas, janelas demais, frias, janelas abertas, abertas à tempestade e ao céu — janelas tapadas com tábuas, janelas tapadas com tijolos, janelas sem vidro. Havia chaminés dentadas perfurando os céus, camas de ferro pendendo das chaminés, canos de encanamento estendendo-se ao espaço como garras de dragões.

Aqui havia árvores — árvores sem membros, exceto por novos brotos, árvores altas inclinadas, galhos todos de um lado, membros amputados e troncos, mas não pela serra. Braços dentados apontando para — para quem estão apontando? Videiras subindo troncos nus para cobrir membros quebrados e árvores rasgadas e maltratadas. Árvores pequenas, arbustos rasgados crescendo dos escombros onde antes havia pianos, tapetes e quadros; árvores crescendo sem cuidado, videiras subindo e se espalhando para cobrir a feiura. A natureza tentando adoçar a azedume. Figuras grotescas destacando-se contra o céu, apontando para o espaço como mãos e dedos acusadores. Piscinas vazias, piscinas quebradas, uma lembrança do lazer e do luxo dos ricos esquecidos.

Aço retorcido, arcos sem prédios, portas sem paredes, varandas e portas, nada mais, varandas e portas. Pisos afundados, tetos de madeira estilhaçada, gesso despedaçado pendendo como teias de aranha. Escavações como sepulturas — escavações que são sepulturas — escavações onde roedores brincam e insetos encontram seus lares.

Propriedades orgulhosas, quarteirões inteiros, quintais fantasmas, casas espectrais, tudo tão parado. Silêncio, silêncio, silêncio mortal — sem gritos brincalhões, sem crianças rindo. Paredes silenciosas, casas silenciosas, quarteirões silenciosos, morte silenciosa. Há tijolos aqui — tijolos quebrados, tijolos pulverizados, tijolos empilhados, cobrindo ossos de humanos jamais encontrados. Escombros, escombros, escombros, fundações reviradas, madeira apodrecida, aço retorcido, destruição, devastação, desolação, fontes quebradas, estátuas despedaçadas, venezianas rangendo, caixas de correio enferrujadas, ferrugem! Feiura! Serrilhamento! Serrilhamento gritante! Esquilos desimpedidos correndo, pequenos pássaros gorjeando para trazer de volta a vida à morte. Paredes, chaminés, árvores, aparições grotescas se contorcendo! Pessoas? Coisas? Dragões? Coisas desfiguradas, deformadas, curvadas em miséria e vergonha.

Atravessamos o corredor para dentro de Berlim. Chegamos a sentir muito do que eles pareciam sentir, penso eu. O bater de uma porta assusta a pessoa. Uma nova voz que não se ouvira antes perturba por um momento. Há o corredor com suas numerosas inspeções por americanos e russos. Fui pegar o trem quando saímos, e ao descer do carro na estação, na escuridão, ouvi uma voz estranha que me assustou. Dizia: "Sr. Kimball. Deixe-me ver seu passaporte e permissões de viagem com as traduções russas." Descobri que era apenas um dos rapazes do Exército dos Estados Unidos, mas vindo da escuridão foi um bocado de susto.

Realizamos uma reunião o dia todo com os presidentes de distrito, cerca de cem deles vindos da Zona Russa, de Königsberg até Dresden e Leipzig. De toda a região tinham vindo para esta reunião, e fiquei em pé por três horas sem interrupção, explicando-lhes as doutrinas, o programa, a política, o plano da Igreja. Eles não podem obter muita ajuda da missão porque as autoridades da missão não conseguem atravessar a cortina de ferro. Podem vir ao setor americano de vez em quando, com certo risco para si mesmos.

Outro dia tivemos trinta e quatro missionários de além da cortina, missionários maravilhosos, numa sessão de testemunho e instrução que durou o dia todo. Havia doze moças e vinte e dois rapazes, exatamente como vossos próprios filhos, embora não tão dispendiosamente arrumados, poucas câmeras, pouco dinheiro para gastar. Muitos deles ganham em média cerca de $3,40 por mês. Isso é o que sustenta um missionário com a moeda desvalorizada da Alemanha Oriental. Trinta e quatro dólares sustentariam dez missionários por um mês; cem dólares quase sustentariam toda a missão por um mês, ou sustentariam um missionário durante toda a missão. Eles não têm muitos luxos, bem poucos de fato, mas seus testemunhos são calorosos e convincentes. Eu poderia ter passado semanas com eles, tanto me inspiraram!

Encontramos muitas famílias que foram desfeitas. O marido de uma querida membra havia sido presidente de distrito e desapareceu há dez anos, sem que dele se tivesse notícia desde então. O filhinho de dez anos que brincava junto aos joelhos do pai quando este desapareceu tem sido presidente de ramo num lugar na Alemanha Ocidental para onde foram evacuados, e agora ele está numa missão de tempo integral. Foi meu privilégio, dias atrás, ver aquela mãe e aquele filho juntos no Templo Suíço, graças às bênçãos de uma alma bondosa na América que tornou possível a essa mulher ir até a Suíça. Vi a doce mãe e o robusto filho se abraçarem e se beijarem ao se encontrarem no santo templo em Berna, e passaram juntos pelo templo para receber suas investiduras, e agora aguardam, é claro, até encontrarem seu marido e pai, ou saberem que ele morreu, para que o restante da obra do templo possa ser realizado.

O privilégio de assistir à dedicação do templo foi glorioso: estar com o Presidente McKay; sentir a inspiração daquela ocasião; sentir, como ele expressou, a proximidade daqueles que geralmente são tidos como distantes; ver os olhos brilhantes dos santos vindos de todos aqueles países; ouvir suas gratidões sussurradas; sentir sua paz recém-encontrada. Alguém disse ontem que nunca deveria ter havido uma Babel. Havendo havido uma Babel, agora ela está sendo revertida. A confusão de Babel está sendo superada. Os finlandeses e os holandeses e os britânicos, os alemães e os franceses e os holandeses, os escandinavos, italianos, austríacos, todos reunidos sob um mesmo teto! Todos ouviram a voz do profeta do Senhor. Cada um deles ouviu sua mensagem em sua própria língua. Cada um deles ouviu as ordenanças do evangelho, as ordenanças do templo, em sua própria língua. A confusão de Babel está em reversão.

Os ódios tão prevalentes no passado estão se derretendo — franceses, britânicos, holandeses e alemães, todos juntos com amor uns pelos outros. Tenho certeza de que o ódio não desapareceu totalmente na nação, mas sinto que está grandemente reduzido entre os santos, e eles se amam, e há sacrifício, e há devoção, e há fé, uma grande fé entre aquele bom povo.

Assim volto para casa da Europa, depois de seis meses de gloriosas experiências com o povo, com a excelente liderança, com os excelentes missionários, os fiéis militares. Volto para casa com uma apreciação mais profunda pelo evangelho e pela Igreja e por seu povo.

Mil novecentos e cinquenta e cinco é um ano importante. Se a imprensa da Europa soubesse o que de fato aconteceu em 1955, todo jornal teria manchetes estridentes e artigos de primeira página em página inteira sobre os acontecimentos do ano. Mas sabemos que, quando o Pai e o Filho apareceram em 1820, não houve manchetes, e talvez nenhum jornal tenha anunciado a vinda do Sacerdócio de Melquisedeque ao mundo em 1829, ou a organização da Igreja em 1830, ou a dedicação do templo em Kirtland em 1836. Em 1955, os quóruns do sacerdócio chegaram a todas as missões da Igreja, incluindo as missões europeias; o templo chegou à Europa; e a Igreja chegou à Europa como nunca havia chegado antes; e agora, como dissemos aos santos na Europa em centenas de reuniões em muitos lugares diferentes, se os santos na Europa permanecerem em suas terras e edificarem a Igreja e o reino na Europa, e treinarem e retiverem seus filhos e os levarem aos santos templos na Europa para o casamento, o reino poderá crescer e prosperar, e Deus os abençoará, e isso eu sei.

Presto-vos meu testemunho, ao expressar minha gratidão ao retornar para casa. Presto-vos meu testemunho de que o evangelho é verdadeiro, é glorioso, é bom, é saudável, é divino, e digo isso com seriedade, mas humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “Nunca Antes o Lar Significou Tanto Para Mim”, 1955 October General Conference, Saturday Afternoon Session (1955-10-01). Pulpit Vault, 1955-10-kimball-j-never-before-has-the-word-i. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).