Como Melhorar a Reverência e a Ordem em Nossas Capelas
William J. Critchlow Jr.
Meus caros irmãos, mal tive tempo de organizar meus pensamentos, muito menos minhas notas, desde que o Presidente McKay me convocou esta tarde para falar sobre o tema "Como Melhorar a Reverência e a Ordem nas Capelas de nossas Estacas". Creio que a obediência é um dos primeiros princípios do Evangelho e que a reverência é a própria alma do Cristianismo. Reverencio nosso Presidente, e oro para que eu tenha a coragem de sempre seguir seu conselho, de sustentá-lo a ele e às Autoridades Gerais da Igreja, e de seguir o conselho deles. Tal obediência, parece-me, é a verdadeira essência da reverência. ¶
Há cerca de um mês, o Presidente e a Irmã McKay assistiram a um jogo de beisebol da Pioneer League em Ogden, e meu coração se encheu de orgulho quando a atividade no campo parou e as três mil pessoas presentes se levantaram quando o Presidente e sua querida esposa entraram no estádio. Honra e respeito, meus irmãos, são elementos da reverência. ¶
Os ofícios do Sacerdócio que possuímos merecem nosso próprio respeito pessoal e honra, e o respeito com que os tratamos é, tenho certeza, uma medida de nossa reverência. ¶
Nosso Sacerdócio é sem dúvida o maior presente de Deus a seus filhos. Três razões motivam essa afirmação. Primeiro, nós que possuímos o Sacerdócio somos oficiais em seu Reino; estamos em treinamento; e maiores responsabilidades estão pela frente. Apenas um milhão e meio, dos dois bilhões de filhos — os filhos de nosso Pai — que hoje enchem a terra, estão atualmente inscritos em seu Reino, e visto que ele está destinado a cobrir a terra, o peso de nossas responsabilidades não é apenas evidente, mas também assombroso. Que o treinamento que agora experimentamos nos prepare para nossas tarefas. ¶
Segundo, os ofícios do Sacerdócio são acompanhados de um poder que está além de nossa capacidade atual de apreciar. Pode ser comparado à energia elétrica. Profissionalmente, tenho vendido eletricidade por anos, mas nunca a vi e não sei o que ela é, mas sei algumas das coisas que ela pode realizar, e tenho certeza de que serão descobertos usos adicionais. O poder do Sacerdócio é semelhante ao poder elétrico no sentido de que ele também não pode ser visto. E, novamente, não sabemos o que é, mas estamos cientes de muitas coisas milagrosas que resultam de seu uso. Vimos os enfermos serem curados; sabemos que os mortos foram ressuscitados; e nos foi dito que, pelo poder do Sacerdócio, mundos sem número foram criados. Como oficiais no Reino de Deus, temos acesso a esse poder, e à medida que progredimos em nosso treinamento, tomaremos conhecimento de muitas outras aplicações deste poder maravilhoso. ¶
Por último, se formos fiéis a nosso Sacerdócio e magnificarmos nossos chamados, poderemos ser santificados, assim nos é dito, pelo espírito para a renovação de nossos corpos, e tudo o que nosso Pai possui poderá ser nosso. ¶
Ora, irmãos, podeis pensar em um presente maior? Permiti-me repetir, nosso Sacerdócio merece honra e exige nosso maior respeito. Estes constituem a essência da reverência. ¶
Meu objetivo não é filosofar sobre este tema da reverência. Fui convidado a dizer-vos o que um presidente de estaca pode fazer para promover e aumentar a reverência em sua estaca. Em minha estaca, pedimos à nossa Junta Geral da Primária da estaca que introduzisse e liderasse uma atividade que aceitaram na última Conferência Geral da Primária. Prepararam uma pequena esquete dramática envolvendo o tema da reverência, que interessará a qualquer faixa etária. Foi apresentada a nossos executivos de estaca em nossa reunião mensal de liderança de estaca, onde estavam presentes oficiais da Escola Dominical, da A.M.M., da Primária e outros oficiais de estaca. Também foi apresentada em nossa Reunião mensal de Liderança do Sacerdócio, onde estavam presentes bispados, presidências de élderes, setentas e quóruns de sumos sacerdotes. Solicitamos que fosse apresentada em Reuniões de Liderança de Ala e a grupos de pais, convidados por nossos bispos com o propósito expresso de discutir o problema da reverência. Recomendo-a a vós, presidentes de estaca, com a sugestão de que peçais a vossas Juntas Gerais da Primária de estaca, a quem a esquete foi disponibilizada pela Junta Geral, que a apresentem aos líderes em vossas respectivas estacas. Testemunhar a esquete criará mais interesse e será mais útil do que qualquer coisa que eu possa dizer esta noite sobre o tema da reverência. ¶
A conduta, bem como as atitudes dos líderes nas estacas e alas, com muita frequência promovem a irreverência. Ensinamos tanto pelo exemplo quanto pelo preceito, e o primeiro passo para resolver o problema da reverência, ou qualquer outro problema, aliás, é o reconhecimento franco de que o problema realmente existe. ¶
O treinamento mais precoce em disciplina pertence ao lar, mas, uma vez que os pais em geral negligenciam ensinar o Evangelho em seus lares, é razoável suspeitar que o treinamento em reverência é igualmente negligenciado. O problema, consequentemente, recaiu sobre os líderes e professores da Igreja, e somos obrigados a compensar essa negligência dos pais para gozarmos de reverência em nossas reuniões ou ajuntamentos. ¶
Recentemente, observei um bispado em ação. Cinco minutos antes de a Reunião Sacramental começar, eu estava sentado sozinho na tribuna; o bispado cumprimentava as pessoas na porta. Quando chegou a hora de começar a reunião, subiram à tribuna, conferenciaram entre si, depois sinalizaram ao organista para parar de tocar, e então a reunião começou, tardiamente. Não obstante a linda música preliminar, havia desordem. A conversa era abundante, até que o bispo se levantou para dar início ao serviço. ¶
Parece-me que a ordem, ou a reverência, poderia muito bem começar com os líderes. Os bispados deveriam ser aconselhados a estar reverentemente em seu lugar durante a música de acalmar os ânimos. Como podem esperar que os outros se abstenham de conversar quando eles próprios estão conferenciando entre si? Na esquete da Primária, à qual fiz referência, professores foram observados chegando atrasados à reunião, bem como despreparados. Foram mostrados reunidos em grupo, decidindo quem conduziria, quem lideraria o canto, qual hino cantar, quem ensinaria uma classe e quem oraria. ¶
A preparação, meus irmãos, é uma chave para a reverência. A pontualidade em começar as reuniões gera respeito, e a disciplina nasce do respeito. ¶
Um de meus bispos, há algum tempo, visitou uma reunião da Primária. Chegou antes dos professores e encontrou crianças dançando sobre um piano de cauda; outras escalando pelas janelas da capela. Ele proibiu com raiva sua Primária de realizar reuniões subsequentes naquela linda capela. Mais tarde, cedeu, mediante a promessa da presidente de ter pelo menos um oficial da Primária ali cedo, para supervisionar as crianças à medida que chegassem. Queremos que nossas crianças gozem do ambiente de nossas lindas capelas. Ambientes bonitos — salas de aula lindas — promovem a reverência. ¶
Uma nova presidente da Primária veio até mim certa vez e disse: "Nosso zelador na capela se recusa a deixar as crianças entrarem no edifício antes do horário exato de início de nossas reuniões, porque as crianças correm soltas e estragam o mobiliário. Ele é rude; tem um gancho de ferro no lugar de uma mão que lhe falta, e assustou as crianças, afastando-as da Primária." O que realmente havia acontecido era óbvio. Os oficiais e professores da Primária chegavam mais tarde do que as crianças. Não havia supervisão, e descobri que as crianças haviam de fato sido deixadas na chuva e na neve até que os professores chegassem. Este problema, novamente, foi facilmente remediado com a simples designação de um professor para estar presente quando as crianças chegassem, com instruções adicionais para ficar de vigia enquanto os outros professores desfrutavam de uma reunião de oração antecipada. ¶
Quando foi a última vez que vós, bispos, assististes a uma reunião da Primária, ou a uma reunião da A.M.M.? Alguns de vós vistes o filme aqui ontem à noite. Testemunhastes o interesse que os conselheiros do Sacerdócio Aarônico demonstravam pelos rapazes, como trabalhavam com eles, conversavam com eles e os visitavam em seus lares. Quando todos os nossos líderes exibirem o mesmo amor e interesse pelos membros de seus grupos, a disciplina, ou a reverência, deixará de ser um problema. ¶
Os executivos de todas as nossas organizações bem podem se dar ao luxo de realizar reuniões de oração preliminares, nas quais os preparativos para os professores e todos os outros assuntos da reunião a seguir possam ser verificados. Os professores nunca deveriam ausentar-se das classes sem providenciar substitutos e deveriam sempre lembrar-se de que estão ensinando crianças, e não lições. ¶
Recentemente visitei uma reunião de quórum de élderes. O professor passou o manual de lições, convidando os membros a lerem seções da lição. Detectei um espírito de irreverência. Obviamente, a classe ressentia-se do procedimento; alguns relutavam em ler, preferindo, tenho certeza, ser ensinados pelo professor. Ele, obviamente, estava despreparado. A falta de preparo por parte de um professor pode muito bem ser um fator que contribui para um estado de irreverência. ¶
Agora, uma palavra sobre as crianças menores nas reuniões sacramentais. Bispos, tendes a responsabilidade de aconselhar taticamente os pais a não deixarem seus filhos correrem para cima e para baixo pelos corredores. Esta prática distrai a atenção e também perturba os oradores. Membros já foram francos o suficiente para me dizer que não gostam de ir às reuniões. "Muitas crianças barulhentas", disse um deles. Muitas de nossas capelas agora possuem salas de choro. Pais com filhos barulhentos deveriam ser taticamente aconselhados a usá-las. ¶
Alguns de nós podemos estar ocupando novas capelas no momento. Não há melhor ocasião para iniciar um programa de reverência. O edifício é novo, bonito, e naturalmente se deseja respeitá-lo como Casa do Senhor. Anos atrás, assisti a uma reunião sacramental em uma nova capela em Brigham City. Meu anfitrião me disse, quando estávamos prestes a entrar: "Por favor, não sussurres durante o serviço, caso contrário, um dos vigilantes designados, sentado atrás, poderá observar e certamente virá dar-te um tapinha no ombro. Não nos deixemos humilhar." Podeis ter certeza de que não sussurrei. ¶
Ora, irmãos, sejamos também firmes nesta questão da reverência. Nossa abordagem deve ser firme, sincera, e é claro, tática. A irreverência pode, de fato, estar afastando alguns de nossos membros de nossas reuniões. ¶
Nossa Junta Geral da Primária de estaca fez uma pesquisa, a pedido da Junta Geral, para descobrir o que as crianças gostavam ou não na Primária. Uma das perguntas feitas foi: "Como meu professor poderia melhorar a Primária?" Muitas crianças responderam: "Manter a ordem na classe." Outra pergunta foi: "O que menos gostas na Primária?" A resposta de uma criança resumiu as muitas: "Desordem — especialmente quando o professor não vem." A pesquisa indicou claramente que as crianças querem ser disciplinadas. O tipo de professor de que gostam são os bons, os rigorosos, os que sabem dar uma boa lição, os que sabem manter a classe quieta, os bondosos, etc. Pesquisas deste tipo podem ser reveladoras. Para perguntas que possam envolver constrangimento, os adultos tendem a ser evasivos; as crianças falarão com sinceridade, além de ansiosamente. Descobrimos isso em outra pesquisa com crianças, há vários anos. Perguntamos: "Quantos de vós tendes orações familiares em vossos lares?" As respostas sinceras foram surpreendentes, para dizer o mínimo. Aprendemos algumas coisas sobre os hábitos de alguns de nossos líderes. ¶
Em conclusão, permiti-me acrescentar uma outra razão muito boa para a mais profunda reverência possível em nossos ajuntamentos sagrados, a saber, evitar ofender nossos visitantes invisíveis. Houve momentos em que, conduzindo conferências de estaca, pensei sentir a presença de visitantes invisíveis. Sempre pedimos a ajuda de nosso Pai Celestial em nossas orações de abertura. Por que, então, é irracional imaginar a presença dessa ajuda solicitada? Não é igualmente razoável esperar que as autoridades do lado invisível do Reino de nosso Pai estejam interessadas no que possamos estar fazendo? ¶
As Autoridades Gerais vêm às nossas conferências de estaca para nos ajudar e verificar; as autoridades de estaca vão às alas para ajudar e verificar; e imagino que algumas das outras autoridades de nosso Pai igualmente venham, ocasionalmente, para inspirar e verificar. E, por causa delas, devemos ser profundamente reverentes. ¶
Presidentes de estaca e bispos não podem escapar da responsabilidade de promover a reverência em nossas respectivas estacas e alas. A responsabilidade pode ser delegada, mas, ao delegá-la, presidentes e bispos não perdem nada dela, ainda que aqueles a quem foi delegada a recebam integralmente. É como "comer o bolo e ainda tê-lo." Essa, contudo, é a natureza peculiar da responsabilidade. ¶
Encontrei uma excelente aplicação sobre reverência nesta história contada por uma professora da Primária. "Rupert estava à beira da estrada, observando um número incomum de pessoas passarem apressadas. Por fim, reconheceu um amigo. 'Para onde vão todos vós com tanta pressa?' perguntou. O amigo parou. 'Não ouviste?' disse ele. 'Não ouvi nada', respondeu Rupert. 'Bem', continuou o amigo, 'o Rei perdeu sua esmeralda real! Ontem ele assistiu ao casamento da nobreza e usava a esmeralda numa fina corrente de ouro em volta do pescoço. De alguma forma, a esmeralda se soltou da corrente. Todos estão à procura, pois o Rei ofereceu uma recompensa de dez peças de ouro a quem a encontrar. Vem, precisamos apressar-nos.' 'Mas não posso ir sem pedir permissão à minha avó', hesitou Rupert. 'Então não posso esperar. Quero encontrar a esmeralda', respondeu seu amigo. Rupert correu de volta para a cabana à beira do bosque, para pedir a permissão de sua avó. 'Se eu pudesse encontrá-la, poderíamos deixar esta cabana com sua umidade e comprar um pedaço de terra lá em cima na encosta', implorou ele à avó. Mas sua avó balançou a cabeça. 'O que fariam as ovelhas?' perguntou ela. 'Já estão inquietas no cercado, esperando para serem levadas ao pasto, e por favor não te esqueças de levá-las para beber água quando o sol estiver a pino no céu.' Tristemente, Rupert levou as ovelhas ao pasto e, ao meio-dia, conduziu-as ao riacho no bosque. Ali se sentou numa grande pedra à beira do curso d'água. 'Se ao menos eu tivesse tido a chance de procurar a esmeralda do Rei!' pensou. Virando a cabeça para olhar o fundo arenoso do riacho, de repente ficou fitando a água. O que era aquilo? Não podia ser! Saltou na água, e seus dedos apertados agarraram algo verde com um pedaço fino de corrente dourada. 'A esmeralda do Rei!' exclamou. Devia ter sido lançada da corrente quando o Rei atravessava a ponte, na estrada, e a água a trouxe até ali. Com os olhos brilhando, Rupert correu para a cabana de sua avó para contar-lhe seu grande achado. 'Bendito sejas, meu filho', disse ela, 'mas nunca a terias encontrado se não estivesses cumprindo teu dever, cuidando das ovelhas.' E Rupert soube que isso era a verdade." ¶
Irmãos, nós também jamais encontraremos a reverência que buscamos, a menos que cumpramos nosso dever. Que nosso Pai Celestial nos ajude a cumprir nosso dever a este respeito, humildemente oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶