Pulpit

As Bênçãos da Europa e o Perigo da Autocomplacência

Ezra Taft Benson

1955 October General Conference·Sunday Morning Session·1955-10-02

Meus amados irmãos e irmãs e amigos: agradeço a Deus por aquele emocionante hino mórmon que acabamos de cantar.

["Pela Força dos Montes."] Em profunda humildade, apresento-me diante de vós nesta manhã. Busco um interesse em vossa fé e orações, e nas bênçãos de nosso Pai Celestial, para que eu possa ter o seu Espírito a me sustentar.

Esta é uma grande honra, uma séria responsabilidade e um sagrado privilégio. Vibro com esta grande conferência e com as mensagens que foram dadas. Embora eu tenha de receber parte das mensagens pela palavra escrita, sou muito grato ao Senhor por ter podido assistir a parte das reuniões ontem e por estar aqui nesta manhã.

Tornou-se necessário comparecer a uma importante reunião do gabinete em Washington na sexta-feira, e fazer escala em Denver a caminho de Salt Lake City.

Gostaria de dizer-vos, meus irmãos e irmãs e amigos, que tenho grande satisfação em relatar, com base nessa visita e em uma conversa telefônica cinco minutos antes de esta sessão começar, que o Presidente dos Estados Unidos continua a apresentar excelente progresso. Ele foi informado das orações espontâneas que se elevaram ao nosso Pai Celestial nas sessões desta grande conferência, e mais particularmente da oração que foi oferecida em seu favor pelas Autoridades Gerais da Igreja, ao se reunirem em torno do sagrado altar do templo em jejum e oração na quinta-feira. Conhecendo o Presidente como um homem grande e bom — um homem de fé e de profunda espiritualidade —, sei que ele gostaria que eu expressasse a todos os que me ouvem sua gratidão pela fé e pelas orações que foram oferecidas.

Tenho ficado profundamente impressionado, nos últimos anos, com o crescimento em espírito, companheirismo e fraternidade que parece evidente na Igreja.

Nos últimos três anos, tenho viajado aproximadamente cem mil milhas por ano. Quase por toda parte onde estive, fui recebido por membros da Igreja, seja no aeroporto, seja em reuniões — às quais não eram obrigados a comparecer — e sempre havia expressões de amor e confiança e orações em meu favor, e uma expressão de interesse e orgulho no crescimento da Igreja em todo o mundo. Creio ter também encontrado evidências de fé e devoção crescentes.

É bastante apropriado, parece-me, que muita referência tenha sido feita nesta conferência às condições na Europa e aos grandes eventos que ali ocorreram nos últimos meses: a dedicação do templo em Berna; o lançamento da primeira pedra de um novo templo na Inglaterra; o anúncio de um possível terceiro templo.

Referência tem sido feita à turnê europeia do coro, à fé dos santos e às bênçãos de que hoje desfrutam, em comparação com apenas alguns anos atrás — sim, apenas uma curta década atrás.

Sou muito grato ao Presidente McKay e aos demais membros da Presidência por termos sido, a irmã Benson e eu, convidados a comparecer àquela gloriosa dedicação em Berna, na Suíça. Penso que jamais senti, em toda a minha vida, o véu tão fino quanto o senti há três semanas, nesta mesma manhã, quando nos reunimos na sessão de abertura daquele serviço de dedicação, naquele adorável recanto da casa do Senhor, e quando ouvimos a oração oferecida pelo Presidente McKay e as palavras que precederam aquela oração. Certamente ele estava inspirado, e certamente todos fomos edificados e convencidos, sem sombra de dúvida, de que a medida tomada pela Primeira Presidência ao estender templos à Europa tinha a bênção e a aprovação de nosso Pai Celestial. Jamais esquecerei aquele glorioso acontecimento! Para mim, foi o acontecimento mais importante que se deu na Europa em cento e dezoito anos, desde que o evangelho foi levado pela primeira vez àquelas praias. Sou grato ao Senhor por meus deveres oficiais terem permitido que eu comparecesse àquela dedicação, quase de maneira milagrosa, porque, não fosse o adiamento de uma semana, provavelmente eu não teria tido a oportunidade. Penso, Presidente McKay, que o adiamento foi, em parte, uma resposta às minhas orações.

Naturalmente, fiquei profundamente impressionado com o contraste entre as condições na Europa em 1946, quando lá estive pela última vez, e as condições como as encontramos agora. Tenho voltado, de tempos em tempos, em memória, desde a dedicação, revendo em minha mente as condições que ali existiam quando fui em uma missão de emergência, em resposta ao chamado da Primeira Presidência em 1946, e as condições tais como as vimos, e como outros as viram, nesta recente turnê do coro, na visita dos demais irmãos e na dedicação do templo. Certamente o Deus dos céus abençoou a Europa e o povo daquelas nações. Quase me parecia impossível perceber que, em 1946, ao viajar mais de 60.000 milhas, a maior parte delas em aviões militares — aviões sem aquecimento, com bancos rústicos — em jipes, e parte em vagões de madeira e em trens militares —, boa parte da Europa se encontrava em completo colapso econômico e espiritual; quase parecia impossível perceber a mudança que havia ocorrido, os confortos hoje disponíveis que então estavam totalmente ausentes. Naquele tempo havia estações ferroviárias bombardeadas e destruídas, horários irregulares e pouco confiáveis, cidades inteiras devastadas, serviços interrompidos e negócios paralisados. Agora tudo parece estar em ordem — não mais dormir em camas de palha ou viver de rações "K". Tudo parece promissor e pacífico.

O povo também mudou — não mais a tremer de frio; não mais sinais de desnutrição; não mais pessoas mal vestidas e em trapos; não mais gente faminta e passando fome, especialmente as crianças pequenas. Não mais grandes correntes de refugiados apinhando as estradas do interior, com todos os seus pertences terrenos nas costas; não mais grandes multidões de pessoas deslocadas, famílias desfeitas, pessoas desanimadas, desorientadas, frustradas, angustiadas! Sim, houve uma grande mudança, e agradeço a Deus por suas bênçãos terem sido derramadas sobre aquelas nações, particularmente as que tanto sofreram por causa da Segunda Guerra Mundial.

Gostaria de mencionar, nesta manhã, apenas uma simples experiência para ilustrar não somente as mudanças que ocorreram, mas também algo da influência e do poder da música e do Coro do Tabernáculo. Desde que retornei, tenho desejado relatar isto ao Coro do Tabernáculo. Embora nem todos estejam aqui nesta manhã, quero mencioná-lo.

Vos lembrareis dos relatos do bombardeio daquela grande cidade de Hamburgo, uma cidade grande e orgulhosa, um grande centro industrial. Quando ali estivemos, na primavera de 1946, parecia que a cidade inteira era um amontoado de ruínas. Não havia nada além de escombros. Não havia bondes em funcionamento, nem linhas de ônibus — todos os serviços estavam interrompidos. Tudo parecia estar despedaçado. Se bem me lembro, estimaram que a cidade estava mais de setenta por cento destruída. Mil aviões haviam se lançado sobre aquela cidade, noite após noite. Durante uma noite terrível — e ouvi o relato em primeira mão de muitos de nossos fiéis santos — durante uma noite terrível, cinco de nossos seis locais de reunião foram destruídos. Perdemos, se bem me lembro, vinte e seis portadores do sacerdócio.

Seguiu-se então uma das melhores demonstrações do espírito do programa de bem-estar que, penso, esta Igreja oferece: o presidente de distrito reuniu os santos, e estes trouxeram os alimentos, roupas de cama e vestimentas que puderam salvar, e os depositaram aos pés da presidência de distrito para distribuição entre os membros da Igreja, de acordo com a necessidade.

Enquanto essa experiência ainda estava fresca em nossas mentes, estávamos reunidos na cidade de Herne com os santos da devastada área industrial do Ruhr, para sua primeira conferência de distrito após a guerra. A reunião era realizada em uma velha escola bombardeada. Não me recordo exatamente quantas pessoas estavam ali, mas eram várias centenas. Havíamos marcado a reunião para as onze horas, a fim de lhes dar tempo de caminhar as longas distâncias que muitos tinham de percorrer, alguns deles carregando bebês nos braços, porque não havia condução pública disponível, e a maioria havia gasto suas bicicletas ou não conseguia obter peças de reposição.

A presidência de distrito havia preparado, com nossa cooperação, uma surpresa especial para a congregação naquela manhã. De algum lugar, haviam conseguido um velho rádio, que colocaram encoberto em um canto do prédio. Em certo momento daquele culto, que jamais esquecerei, os controles daquele rádio foram sintonizados na Rádio Stuttgart, a estação de rádio do exército americano operada por um militar mórmon, e ouvimos os acordes do Coro do Tabernáculo se espalharem sobre a plateia naquele emocionante e belo cântico pioneiro, "Vinde, Ó Santos."

Depois que o segundo número, "Ó Meu Pai," foi cantado, penso que não havia um olho seco entre os adultos daquela plateia. Vi diante de mim uma plateia literalmente derretida em lágrimas ao ouvir nosso grande coro cantar hinos mórmons. Parecia que todas as preocupações daqueles santos sofredores foram esquecidas naquela manhã. Mesmo durante o período de almoço de trinta minutos — quando o item mais comum para o almoço era uma mistura de grão triturado e um pouco de água, como os que costumávamos usar para alimentar pintinhos — mesmo durante o período do almoço, falavam de suas bênçãos e expressavam sua gratidão pelo evangelho.

Então, ao partirmos naquela noite, após a segunda sessão, a expressão comum era, ao lhes dizermos adeus: "All is gut, irmão Benson" [tudo está bem]. Bem, agora tudo está realmente bem. Com a vinda dos templos, com a restauração material que veio a essas nações, e com o que espero seja um interesse mais profundo nas coisas espirituais — para o qual o templo contribuirá em grande medida —, espero também que haja um grande aumento de interesse nas coisas espirituais, para que essas nações possam ser preservadas em paz.

Que Deus abençoe aquele povo maravilhoso que será recipiente das bênçãos do templo, desde que se preparem para essas bênçãos vivendo o evangelho. E sinceramente espero e oro para que não apenas eles, mas também todos nós, em toda parte, façamos essa preparação, a fim de que possamos desfrutar das mais ricas bênçãos conhecidas pelos homens e mulheres neste mundo, que estão ligadas às sagradas ordenanças e bênçãos dos templos de Deus. Embora reconheça que há muitos santos que ainda estão isolados e que provavelmente não conseguirão chegar aos templos, este movimento na Europa, que tenho certeza foi feito sob inspiração, aproximará os templos de muitos milhares dos filhos de nosso Pai.

Àqueles que ainda estão isolados, permiti-me dizer isto: a meu humilde juízo, se continuardes a viver o evangelho e a guardar os mandamentos, e a vos manterdes puros e sem mácula do mundo, o Senhor, de alguma forma, vos compensará aquilo que pareceis estar perdendo por não vos ser possível ir ao templo. Não sereis privados das bênçãos que vossas vidas merecem.

Ora, meus irmãos e irmãs, muito tem sido dito a respeito da atitude do mundo em relação à Igreja e ao reino de que fazemos parte. Parece que fomos, por assim dizer, aceitos pelo mundo. Muitos elogios, muitos reconhecimentos, muitos comentários favoráveis na imprensa e em outros lugares têm sido feitos a respeito da Igreja nos últimos anos. A irmã Benson e eu ficamos encantados ao viajar oficialmente por seis países da Europa. Ficamos encantados ao constatar, ao visitarmos autoridades governamentais e líderes agrícolas, homens de destaque, em jantares e recepções, e em reuniões informais, que em toda parte havia comentários favoráveis a respeito da Igreja e de seu povo. Muitas, muitas foram as conversas que tivemos a respeito da Igreja e de seu programa.

Mas gostaria de fazer esta advertência, meus irmãos e irmãs. Neste período de aparente boa vontade — de bom sentimento para com a Igreja —, quando parece que já não temos os grandes obstáculos que outrora tínhamos, deveria haver profunda preocupação. A meu juízo, na hora do nosso sucesso está o nosso maior perigo. E, aparentemente, esta é uma hora de grande sucesso. Não mais perseguição — perseguição que, outrora, tendia a nos unir e a nos tornar um só! Agora parecemos ser aceitos pelo mundo. Significará isso desunião? Significará que descansaremos sobre os louros e nos acomodaremos, por assim dizer, pensando que tudo vai bem em Sião? Penso que há real perigo neste período, este período de elogios e reconhecimento. Alegro-me com isso, desde que sejamos cuidadosos, desde que estejamos alerta. Os louvores do mundo não nos salvarão. Não nos exaltarão no reino celestial. Somente o viver os princípios do evangelho nos trará a salvação e a exaltação. E assim espero que nosso desempenho ao vivermos o evangelho seja igual ao reconhecimento e ao elogio que recebemos, que nosso desempenho pelo menos se equipare à nossa reputação, e temos uma boa reputação. Que Deus conceda que mereçamos todas as coisas boas que têm sido ditas a nosso respeito, e que mais coisas boas possam, com exatidão, ser ditas a nosso respeito no futuro.

Reconheço que o diabo está alerta. Ele é o inimigo desta obra. Ele é o inimigo de toda retidão, e sei que ele é astuto, que jamais tira férias. Ele trabalha horas extras. Ele é engenhoso. Estou confiante de que ele inventará novas maneiras de combater esta obra. Talvez não saibamos exatamente que forma esses esquemas assumirão, mas devemos estar vigilantes.

O Presidente McKay, penso eu, disse muito sabiamente ontem à noite que, se a oposição vier, a melhor maneira de a enfrentarmos é vivendo de modo a desmentir qualquer falsa acusação. De todo o coração, subscrevo esse sentimento.

Mas há real perigo, meus irmãos e irmãs. Há real perigo de que, durante este período, baixemos nossa guarda, por assim dizer; de que sejamos tentados a nos unir ao mundo e a adotar alguns de seus padrões, contra os quais fomos advertidos pelo Senhor. Penso que isso é particularmente verdadeiro no campo social. Há bem pouco tempo, chegou ao meu conhecimento o fato de que um grupo de jovens senhoras, esposas, algumas cujos maridos são empregados no governo dos Estados Unidos, e de homens que haviam alcançado certo grau de destaque em seus respectivos campos, tinham mais ou menos concluído que, para serem aceitas pelo mundo, para que seus maridos pudessem progredir no mundo, teriam de abrandar um pouco seus padrões. Haviam concluído que teriam de servir coquetéis e café em suas casas quando amigos as visitassem.

Quero testificar a vós, meus irmãos e irmãs, e particularmente aos jovens casais desta Igreja, que essa conclusão não é apenas insensata e injustificada, mas também perigosa e só pode levar à angústia, à desilusão e à perda da fé. Estou confiante de que agora, talvez mais do que nunca, é tempo de vivermos o evangelho, de guardarmos os mandamentos, de mantermos cada padrão da Igreja e de sermos fiéis a nossos convênios. Ao fazê-lo, não apenas garantimos e resguardamos nosso próprio futuro, nossa salvação e exaltação, mas também tenderemos a resguardar o futuro de nossos próprios descendentes e a assegurar, em muito maior medida, nosso próprio sucesso nos campos que escolhermos, sejam quais forem esses campos.

Penso que foi Néfi quem disse que viria o tempo em que haveria uma tendência de o povo se pacificar; seriam ninados em uma falsa segurança; haveria aqueles que estariam à vontade em Sião, dizendo: "Sião prospera, tudo vai bem"; e que o diabo enganaria suas almas e os conduziria cuidadosamente ao inferno. (Ver 2 Néfi 28:21.)

Penso que precisamos estar alerta, hoje, para que isso não aconteça na Igreja. Tive ocasião, muitas vezes, nesta última turnê pela Europa, como já tivera antes, de agradecer ao Senhor pela Palavra de Sabedoria. Muitas foram as conversas que tivemos a respeito da Igreja, e particularmente as que minha boa esposa teve, quando nos sentávamos a jantares, almoços, etc., e chegava ao conhecimento deles que não bebíamos bebida alcoólica, não fumávamos, etc. Imediatamente queriam saber mais a respeito da Igreja, e sempre havia reconhecimento por nossos padrões. Nem uma única vez houve qualquer constrangimento. Sempre havia, de nossa parte, um sentimento de gratidão e ação de graças ao final do dia ou da noite, por causa dos padrões que o Deus dos céus proveu em sua Igreja.

Isso era o mesmo, não importava quão elevada fosse a posição das autoridades com quem nos reuníamos. E digo-vos que isso sempre será verdade quanto aos homens de boa vontade, homens de caráter. Como Santos dos Últimos Dias, não podemos nos dar ao luxo de abrandar nossos padrões, de recusarmo-nos a viver o evangelho completa e plenamente.

Que Deus nos abençoe, meus irmãos e irmãs, para que continuemos sendo um povo peculiar, como Pedro disse dos santos de antigamente. Ele se referiu a eles como um povo peculiar. Assim somos nós, e que continuemos assim. Que nós, que possuímos o sacerdócio de Deus, não temamos avançar e proporcionar a liderança justa que é necessária em nossos vários campos de atividade! Este é um tempo de demonstração, meus irmãos do sacerdócio, para que o mundo conheça algo dos frutos do mormonismo, algo dos testemunhos que damos, algo de nossa fé e de nossa determinação de viver o evangelho.

Sim, façamos o que é certo, e não teremos motivo para preocupação. Testifico-vos, com toda a minha alma, que esta obra em que estamos engajados é a verdade. Deus voltou a falar dos céus. Sua obra está sobre a terra. Joseph Smith foi, em verdade, um Profeta de Deus. O mesmo poder e autoridade que ele possuiu estão agora nas mãos do Presidente David O. McKay.

Que Deus nos ajude a reconhecer esses fatos e a atentar para o conselho de nosso grande líder e daqueles que servem como líderes do sacerdócio em toda parte, peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoEzra Taft Benson, “As Bênçãos da Europa e o Perigo da Autocomplacência”, 1955 October General Conference, Sunday Morning Session (1955-10-02). Pulpit Vault, 1955-10-benson-r-beloved-brethren-and-sisters-and-friends. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).