O Templo e a Escola na Nova Zelândia
Wendell B. Mendenhall
Presidente McKay, Presidente Richards, Presidente Clark e Presidente Smith, prezados membros do Sacerdócio de Deus, rogo que o Espírito do Senhor me dê palavras nesta noite, para que eu possa trazer-vos uma mensagem do povo que habita nas profundezas do Pacífico Sul. Peço a nosso Pai Celestial que me abençoe para que eu possa trazer-vos o espírito desse povo que tem vivido por muitas centenas de anos, resguardado nas Ilhas do Pacífico Sul, um povo que tem o sangue de Israel a correr ricamente em suas veias. ¶
Agradeço ao Presidente McKay e à Primeira Presidência pela incumbência que me foi dada, e fui muito humilde no desempenho deste dever, conhecendo algo da natureza da missão que eu tinha de cumprir. Meus bons irmãos, convido-vos esta noite a permitirem-se comigo imaginar que cada um de vós fosse um missionário retornado de uma das muitas Ilhas do Pacífico Sul. Convido-vos a fazer isso para que possais apreciar plenamente as coisas que estão sendo feitas em benefício daquele povo que é membro da Igreja. Sou grato por conhecê-los, por conhecer seus corações e seus sentimentos. Sou, acima de tudo, grato pela simplicidade de suas almas, pela confiança implícita que têm em Deus, seu Pai Eterno. ¶
Rogo diariamente a meu Pai Celestial que eu jamais deixe, em toda a minha vida, de ser um deles, que eu possa manter o espírito de sua fé simples, de sua humildade e de sua confiança nas coisas que são divinas. Eles literalmente creem nas palavras de Deus e nas palavras dos profetas de Deus. Creem que, se guardarem os mandamentos de Deus, Deus os abençoará, e esta é a premissa sobre a qual vivem. Eu apenas desejaria que todo membro do sacerdócio da Igreja pudesse ter estado lá e pudesse ter testemunhado a manifestação do espírito daqueles homens, mulheres e crianças quando, pela primeira vez, viram o Profeta do Deus Vivo nesta era. Devemos lembrar que, na terra da Nova Zelândia, o Profeta de Deus jamais havia estado, e, tanto quanto sabemos, é a primeira vez na história registrada que o Profeta de Deus pisou nessa terra. Este povo verdadeiramente apreciou esta gloriosa experiência. ¶
Uma noite, enquanto nos preparávamos para realizar uma reunião a fim de organizar o itinerário do Presidente McKay, uma mulher se levantou na audiência e disse: "Presidente Mendenhall, não nos importa se ouviremos uma única palavra do Profeta de Deus. Tudo o que queremos é vê-lo. Se eu puder apenas trazer meus seis filhos e deixá-los vê-lo, isso lhes servirá por todos os dias de suas vidas." ¶
Gostaria que toda a membresia da Igreja pudesse ter ouvido seu humilde testemunho. Gostaria que todo membro da Igreja pudesse ter a mesma simplicidade de fé, essa humildade para crer verdadeiramente na grandeza do Profeta do Deus Vivo. As experiências que se seguiram à visita do Presidente McKay ali foram muitas e tocaram os corações de milhares. ¶
Como o Presidente McKay vos contou, uma de minhas incumbências foi selecionar vários locais possíveis nos quais um templo pudesse ser construído. Vários locais que pareciam desejáveis foram encontrados, mas, enquanto eu viajava de carro certa tarde, deparei-me com outro local e, sem qualquer sombra de dúvida, soube o motivo pelo qual o templo deveria ficar ali. Subi ao topo de uma colina que dominava a área, e minha decisão foi confirmada. ¶
Na manhã seguinte, ao amanhecer, voltei sozinho para observar o local e tirar algumas fotografias. Cerca de dez dias depois, o Presidente McKay chegou. Ele chegou à faculdade em Hamilton depois de escurecer. Ao amanhecer do dia seguinte, saímos para inspecionar as propriedades. Subimos a esta colina, abrimos um portão e saímos para o pasto cercado. Fomos até o local que eu havia visto. Éramos cinco no carro, e, ao pararmos, três dos irmãos saíram pelo lado direito, enquanto o Presidente McKay e eu saímos pelo lado esquerdo. Ele me tomou pelo braço, caminhamos cerca de 15 ou 20 passos afastados do carro, e ele se voltou para mim e disse: "O que achas?" ¶
Eu não lhe havia dito uma palavra sequer. Ninguém mais sabia de nada. Quando o Presidente McKay olhou ao redor da área e viu aquela bela colina, disse: "Este é o lugar onde o templo deve ficar," e essa afirmação confirmou aquilo que estava em meu coração. Então, uma semana depois, o Presidente McKay voltou a este belo local, e testifico a vós, meus irmãos, que vi o Profeta desta Igreja no espírito da visão, e, quando ele se afastou daquela colina, sabia que a Casa do Senhor deveria ser erguida naquele local em particular. ¶
A propriedade não era nossa. Situava-se entre duas parcelas de propriedade pertencentes à Igreja. Tivemos de investigar e descobrir se era possível comprar aquela propriedade. Pertencia a três irmãos, sua irmã e sua mãe. Fui vê-los. No entanto, eu já os havia visitado antes, e eles me haviam dito que não queriam vender. Um dia, enquanto saíamos da faculdade, os três irmãos se aproximaram do carro e disseram que gostariam de falar comigo. O Presidente McKay seguiu até a casa, e eu fiquei para conversar com eles. Disseram: "Presidente Mendenhall, decidimos que não queremos vender a propriedade de jeito nenhum, mas, depois que o Presidente McKay tiver terminado sua excursão, o senhor virá nos visitar?" ¶
No dia em que o Presidente McKay partiu para a Austrália, o Élder George Biesinger, que está encarregado da construção, e eu, voltamos para ver os irmãos Murray. Sentamo-nos na colina naquela manhã e conversamos com eles sobre sua propriedade, e por volta de onze horas decidimos procurar um advogado. Havia dois dos irmãos presentes, então chamaram o outro irmão, que estava pescando. Chamaram a irmã de outra comunidade, foram buscar a mãe deles, e todos foram à cidade. Às três horas daquela tarde, haviam decidido vender a propriedade. ¶
O Élder Biesinger e eu havíamos examinado a propriedade muito minuciosamente e havíamos feito uma avaliação dela, dividindo-a em vários lotes e acres. Reunimo-nos com o advogado, e ele superavaliou consideravelmente a propriedade. Após discutir o assunto por cerca de uma hora, ele disse: "Estariam dispostos a considerar esta compra se eu dividir esta propriedade à minha maneira e chegar ao seu valor?" E arriscamos e dissemos: "Sim." Ele calculou a propriedade à sua maneira, sem saber o que havia em nossos corações nem que já tínhamos nossa própria avaliação em papel nos bolsos. Passou-nos seu papel. Olhamos para ele. Era exatamente o mesmo número, até o centavo, que havíamos calculado naquela manhã antes de irmos a seu escritório. Às cinco e meia daquela tarde, tínhamos os documentos assinados. ¶
O advogado mandou sua estenógrafa a sua casa redigir o contrato. Depois, precisava passar pelo Tribunal de Terras, o Tribunal de Agregação, para determinar se o governo aprovaria esta compra. Já havíamos ido à Casa do Parlamento. O Presidente McKay e seu grupo haviam tido uma visita com o vice-primeiro-ministro, e havíamos visitado o Ministro de Terras e Assuntos Maoris, entre outros interessados. Após nossas visitas aos diferentes gabinetes, e devido à impressão favorável que o Presidente McKay havia causado nesses homens, fomos assegurados de que o Ministro de Terras e Assuntos Maoris viria inspecionar a propriedade. ¶
Nesse ínterim, a propriedade foi recusada pelo Tribunal de Agregação, mas o Ministro não sabia disso. Às dez horas da manhã seguinte, ele veio, e o acompanhamos pela propriedade, e mais tarde ele disse: "Levará cerca de duas semanas para determinar se aprovaremos esta compra ou não." E, enquanto passávamos de carro pelos belos edifícios em construção ao redor da faculdade, ele se voltou para mim e perguntou: "Sr. Mendenhall, quais são suas intenções quanto a esta escola? É apenas para os maoris?" Eu disse: "Não, senhor, Sr. Corbett. Esta escola é tanto para os maoris quanto para os pakihas (isto é, os ingleses) igualmente. Cremos em desenvolver o povo maori ao mais alto padrão de qualquer povo nesta terra," e ele respondeu: "Essa é exatamente a política em que eu creio." ¶
Ao sairmos pelo portão, o Sr. Corbett se voltou para mim e disse: "Poderia, por favor, anotar este ditado?" Tirei um bloco de meu bolso, e ele disse algo neste sentido: "Recebi hoje asseguração pessoal do Ministro de Terras e Assuntos Maoris de que o Governo da Nova Zelândia não se oporá à aquisição desta propriedade." E a transação foi concluída. A propriedade agora pertence à Igreja e em breve estará pronta para ser usada com o propósito de construir um templo e desenvolver a escola e as terras agrícolas. Que eu saiba, não há outro projeto em andamento na Igreja que se compare a este na Nova Zelândia. ¶
Em 1949, o Presidente Gordon C. Young comprou a primeira parcela de propriedade na Nova Zelândia para a Igreja, na qual a faculdade seria construída. Há uma história muito espiritual por trás desta compra e da maneira como foi realizada, semelhante à que acabo de relatar. No entanto, uma parte da propriedade foi adquirida, e mais tarde propriedade adicional foi comprada. O Élder George Biesinger foi enviado para ser o diretor da construção. Começaram do zero. Não tinham licenças de transporte. Não tinham nada com que construir. Não tinham madeira. Uma das primeiras coisas de que precisaram foi de uma olaria. Depois precisaram de concreto. Depois precisaram de alguém para lhes ensinar como proceder. Precisaram de mão de obra, e assim se estabeleceram nesta base. Adquiriram uma pedreira e mais de 4.000 acres de terras florestais. ¶
Compraram uma serraria e começaram a serrar madeira. Começaram a britar pedra. O concreto começou a chegar dos Estados Unidos. Ensinaram os rapazes maoris a fazer tijolos. Construíram uma grande fábrica de aplainamento na qual fazer o trabalho de marcenaria. Tiveram de obter toda sua maquinaria e materiais, bem como todos os instrumentos necessários para a construção. Tiveram de desenvolver a propriedade para a agricultura, e saíram e convocaram cerca de 200 rapazes para dedicar seu tempo e serviço a este programa de construção. Os rapazes vinham à faculdade e eram sustentados por seus pais e pelo distrito missionário. Quando o Presidente McKay chegou, a maioria dos rapazes já trabalhava havia dois anos. Alguns já haviam voltado para casa. O Presidente McKay perguntou a muitos deles se sabiam algo sobre seu ofício quando começaram a trabalhar, e eles lhe disseram que não, que não sabiam nada sobre trabalho de construção. ¶
Sob a direção do Irmão Biesinger, o grupo enviado de Sião fez um trabalho maravilhoso ao dirigir esta obra. As mulheres que foram enviadas daqui estão trabalhando 12 e 14 horas por dia neste programa. Todos estão trabalhando nas serrarias, nos britadores de pedra, nas caleiras, na fábrica de cimento, na fábrica de aplainamento, na madeira, e alguns estão assentando tijolos. Nunca vistes uma organização pioneira assim em vossa vida, nem condições em que estão trabalhando. Construíram 5 capelas e fizeram todos os materiais para essas capelas bem ali no local da faculdade. A escola está, sem dúvida, em progresso agora. As famílias estão aprendendo a produzir. Estão aprendendo a viver. Os rapazes estão aprendendo ofícios. Todos estão aprendendo algo sobre a vida durante a construção desta escola. ¶
É surpreendente o que está sendo feito sob a direção dessas pessoas que foram chamadas para lá dirigir esta grande obra. É o mais eficaz missionário individual na Nova Zelândia, e, sem dúvida, é o alvorecer de um grande período de progresso para a Igreja na Nova Zelândia. Todos têm os olhos voltados para este vasto programa de construção. ¶
O Irmão Biesinger está em seu sexto ano na Nova Zelândia. Tem sua esposa e seis filhos lá, três dos filhos tendo nascido na Nova Zelândia. Não podemos dar a este homem crédito suficiente pelas coisas que fez. Quero que saibais que ele dedicou muito mais horas do que a maioria de nós pode apreciar, e sua vida é dedicada e devotada a esta obra, à construção da escola e à construção de missões e outros projetos no Pacífico. ¶
O Presidente McKay designou o Élder Biesinger e a mim para percorrer a missão a fim de convocar homens para virem ajudar a construir e a terminar a escola. Íamos localizar 15 ou 20 homens. Cobrimos todos os distritos da missão, exceto quatro, e voltamos com 100 homens. Alguns deles tinham seu próprio negócio. Alguns eram carpinteiros, pedreiros. Havia agricultores, encanadores, e simplesmente largaram seu trabalho e disseram: "Estamos dispostos a dar nosso tempo e nossos serviços à construção desta faculdade." Não sabiam absolutamente nada sobre o templo naquele momento. Vinham apenas para construir a faculdade em resposta a um chamado. ¶
Por volta das seis horas de uma manhã, eu estava conversando com um homem, e ele disse: "Presidente Mendenhall, sou membro da Igreja há apenas duas semanas. Posso trazer minha esposa e ir à faculdade construir? Passarei o resto de minha vida fazendo o que quer que o senhor queira que eu faça." Após esta conversa, outro homem se aproximou de mim e disse: "Tenho ordenhado vacas a vida toda. Deveis ter um laticínio na faculdade. Tenho 12 vacas e uma instalação de ordenha, e, se trouxerem um caminhão e levarem as 12 vacas, eu vos darei tanto a instalação de ordenha quanto as vacas, e dedicarei o resto de minha vida ao laticínio." ¶
Tínhamos um homem que havia passado a maior parte de seu tempo na cama por mais de dois anos, que nos chamou certa manhã enquanto passávamos, e acenou com uma nota de 50 libras de sua janela. Pediu-nos que entrássemos, o que fizemos. Ele disse: "Não posso ajudar a construir esta faculdade, mas sustentarei um homem por dois anos, e aqui está uma nota de 50 libras como minha primeira prestação para manter esse homem no trabalho." ¶
Eu estava conversando com um homem nos terrenos da faculdade um dia, e disse: "Quem és tu?" Ele respondeu: "Pertenço a fulana de tal, que é minha esposa, e ela é membro da Igreja." Eu disse: "O que fazes aqui?" Ele respondeu: "Vim aqui porque minha esposa me pediu para vir." Eu disse: "Fazes tudo o que tua esposa te pede?" e ele respondeu: "Claro que sim. Ela é mórmon e eu creio no que ela diz." Eu disse: "És membro da Igreja?" e ele respondeu: "Não, senhor." Então eu perguntei: "Por que não és membro da Igreja?" e ele respondeu: "Porque minha esposa ainda não me pediu." Bem, é assim que essas coisas acontecem. Hoje, esse homem é membro da Igreja. Alguém além de sua esposa lhe pediu. ¶
Meus irmãos, este povo tem fé verdadeira. Estão dispostos a responder ao chamado da autoridade, e este vasto programa que está em andamento na Nova Zelândia merece nossas humildes orações e nossa humilde atenção. Rogo humildemente que todos nós possamos ter interesse por este povo. Devemos muito a Matthew Cowley, que inspirou este programa em grande medida, e testifico a vós, e como o Presidente McKay também o faria, que em muitas ocasiões, enquanto ali estávamos, a presença do Irmão Cowley era verdadeiramente sentida. ¶
O Presidente McKay falou disso uma noite na pequena cidade de Tauranga, onde o Irmão Cowley iniciou sua primeira missão, e testifico a vós que o espírito grandioso e poderoso daquele homem, assim como sua influência, foi sentido muitas vezes enquanto o Presidente McKay percorria aquela missão. ¶
Ao final da excursão, houve uma grande despedida oferecida ao Presidente e à Irmã McKay no Aeroporto de Auckland. Após as danças e cantos preparados para esta despedida, foi feito um anúncio pelo alto-falante de que haveria uma oração de encerramento. Todos, inclusive os oficiais do aeroporto, tiraram seus chapéus. Um amigo muito pessoal do Presidente McKay levantou-se ao microfone e ofereceu uma oração belíssima. Ao olhar ao redor, vi centenas de pessoas com a cabeça inclinada. Jim Elkington, um homem maori que o Presidente McKay conhece há 34 anos, fez esta oração e pediu as bênçãos do Senhor sobre o Presidente e a Irmã McKay e o Irmão Murdock. Foi verdadeiramente comovente. ¶
Pouco antes de o Presidente McKay partir, foi lida uma mensagem de despedida ao povo da Nova Zelândia, e gostaria de lê-la a vós. "Nossa semana designada na Nova Zelândia terminou — uma curta semana. Verdadeiramente o tempo passa correndo por nós como o vento. As boas-vindas dadas à Irmã McKay, ao Presidente Murdock e a mim pelo povo deste grande país permanecerão para sempre entre os tesouros de nossos corações. Ao Governo, aos oficiais do Condado, do Município e da Cidade, aos muitos amigos que não são membros, aos oficiais da Igreja, aos missionários no campo e na faculdade, aos milhares de leais membros da Igreja, que tão graciosamente expressaram seu amor no significativo 'haere mai, haere mai', a cada um e a todos, dizemos com corações cheios de gratidão por vós, e especialmente pelo Evangelho de Jesus Cristo, que nos torna um só, 'Obrigado. Adeus, e Deus vos abençoe.' Afetuosamente, David O. McKay." ¶
A influência do profeta do Senhor em todo o Pacífico é histórica, e as bênçãos do templo no Pacífico farão mais por aquele povo do que nada, em toda a história do mormonismo, jamais fez por eles. Isto lhes traz a plenitude do Evangelho. Deus os abençoe por seu desejo de servi-lo e de guardar seus mandamentos, e dou meu testemunho a vós de que sei que estas coisas são verdadeiras, e que o Evangelho é verdadeiro, e minha vida só é importante para mim e para outros na medida em que guardo os mandamentos de Deus e o sirvo, tudo o que peço em nome de Jesus. Amém. ¶