O Bom Pastor e a Esperança da Ressurreição
Hugh B. Brown
Meus irmãos e irmãs, o Presidente McKay teve a bondade de avisar antecipadamente as Autoridades Gerais de que poderiam ser chamadas a discursar em certas sessões da conferência. Minha vez seria na próxima quarta-feira. Durante meio século de serviço ativo na Igreja, jamais me senti tão inteiramente inadequado, tão totalmente dependente da orientação divina quanto me sinto agora. Por essa orientação, oro humildemente. ¶
Cantamos ontem "Graças Te Damos, ó Deus, por um Profeta". Este hino referia-se originalmente ao Profeta Joseph Smith. Em uma reunião não muito tempo atrás, quando o Presidente McKay anunciou que a congregação cantaria "Graças Te Damos, ó Deus, por um Profeta", ele disse, como lhe é característico: "Gostaria que tivésseis em mente o Profeta Joseph Smith ao cantardes hoje." ¶
Gostaria de oferecer uma oração que tenho guardado no coração há anos, uma oração que creio estar no coração de todo Santo dos Últimos Dias em todo o mundo. ¶
"Graças te damos, ó Deus, pelo profeta David O. McKay, para nos guiar nestes últimos dos últimos dias. Graças te damos porque, por tuas bênçãos, ele teve a vitalidade, o vigor e a saúde para levar a mensagem do evangelho aos quatro cantos da terra. Graças te damos porque sua influência e sua presença têm revitalizado os Santos onde quer que ele tenha ido, e lhes têm dado coragem e esperança. Graças te damos porque ele, mais do que qualquer homem entre nós, mais do que qualquer um de seus predecessores, tem levado a inspiração e a mensagem do evangelho ao maior e sempre crescente público internacional. Oramos para que o abençoes continuamente e o poupes para nós, a fim de que possamos desfrutar de sua grande liderança por muitos anos vindouros." ¶
Do fundo de meu coração, apoio e sustento estes homens, o Presidente da Igreja e seus Conselheiros, o Presidente do Conselho dos Doze e cada membro individual daquele Conselho, e o Patriarca, como profetas, videntes e reveladores da Igreja. Sou grato pelo privilégio de reunir-me com eles ocasionalmente. ¶
Alguns de nossos amigos têm dito que somos inclinados a adorar as Autoridades Gerais. Nós as amamos; escutamos seu conselho; agradecemos a Deus por elas; mas elas não nos permitiriam adorá-las. Se fôssemos assim inclinados, elas seriam as primeiras a nos repreender. Sem dúvida, nos diriam o que o anjo disse a João, na Ilha de Patmos, quando ele estava prestes a ajoelhar-se diante dele, ¶
Olha, não faças tal; sou teu conservo . . . adora a Deus. (Apocalipse 19:10.) ¶
Mas é nosso privilégio sermos guiados por seu conselho inspirado. Oro para que Deus nos ajude a jamais perder de vista, e a sermos sempre gratos pela extraordinária liderança que a Igreja tem hoje. ¶
O élder Alma Sonne mencionou a época pascal. Esta é a estação do ano em que sabemos que a primavera está chegando, embora aqui em Salt Lake City, hoje, seja preciso muita fé para acreditar nisso. Mas é a estação do ano em que as coisas se revitalizam e se renovam, e é a época do ano em que os cristãos, em toda parte, celebram a Páscoa em comemoração da ressurreição do Senhor. ¶
Ao falar destes homens e de sua liderança, lembro-me de algumas razões adicionais pelas quais devemos ser gratos pela época pascal. Por meio da restauração do evangelho, temos conhecimento e certeza a respeito da ressurreição real do corpo do Senhor Jesus Cristo. Não apenas que ele ressuscitou dentre os mortos, mas também que ascendeu ao céu com seu corpo glorificado, e que virá novamente em forma e substância material. Somos gratos pelo consolo e pela esperança que vêm com essa certeza. ¶
As revelações a respeito da natureza e dos atributos de nosso Pai Celestial e de seu Filho, Jesus Cristo, são de importância transcendente para todos os homens em toda parte. A confirmação e a elucidação modernas da evidência bíblica sobre este assunto de suma importância começaram com a Primeira Visão no Bosque Sagrado, em 1820, e foram renovadas e continuadas naquela gloriosa visão de 1832, em Hiram, Ohio, quando o Senhor declarou, ¶
Ouvi, ó céus, e dai ouvidos, ó Terra, e regozijai-vos, vós, seus habitantes, pois o Senhor é Deus e além dele não há Salvador algum. ¶
Grande é sua sabedoria, maravilhosos são seus caminhos e a extensão de suas obras ninguém pode descobrir. ¶
Seus propósitos não falham, nem há quem seja capaz de reter a sua mão. ¶
De eternidade em eternidade ele é o mesmo e seus anos nunca se acabam. (Doutrina e Convênios 76:1-4.) ¶
A restauração do evangelho de Jesus Cristo veio em cumprimento a uma promessa profética e foi uma sequência necessária à grande apostasia. Foi durante a apostasia que se tentou harmonizar a filosofia pagã com a verdade cristã. Essa tarefa foi empreendida a mando de imperadores não cristãos e resultou em declarações não inspiradas, nas quais Deus foi definido — ou antes, negado — ao ser declarado imaterial, incompreensível e sem corpo ou partes, não ocupando parte alguma do espaço finito ou infinito, em outras palavras, inexistente. ¶
Agradecemos a Deus pela restauração do evangelho, que refuta tal doutrina. Em sua tentativa de incorporar Jesus, o Cristo, ao seu conceito pagão da Trindade, os imperadores romanos, por meio de seus delegados nomeados para vários concílios, empreenderam fazê-lo despojar-se de seu corpo, aquele corpo que saiu do túmulo quando o anjo removeu a pedra, aquele corpo glorificado com o qual ascendeu ao céu diante do olhar maravilhado de seus discípulos. Evidentemente, esse corpo ressuscitado, sendo material, não poderia fazer parte de seu Deus imaterial, que não tinha partes. Eles o teriam despojado daquele corpo e, com isso, negado tudo o que a Páscoa representa; pois, se ele é incompreensível e imaterial, então não é um ser ressuscitado; e, se não é um ser ressuscitado, a Páscoa não tem sentido. ¶
Repito, agradeçamos a Deus pela clarificação que veio por meio da revelação moderna a respeito dos atributos pessoais dos três membros da Trindade. ¶
Jesus Cristo nos revelou o Pai e disse: ". . . quem me vê a mim vê o Pai." (João 14:9.) O Filho era sua imagem expressa. Ele revelou um Pai compassivo, um Progenitor divino, em quem estavam incorporados os atributos de justiça, juízo, misericórdia e verdade. Ele revelou um Deus de amor, de perdão e de compreensão. O evangelho restaurado substitui os motivos de temor e reverência temerosa por fé e confiança. O discípulo amado nos diz: ". . . o perfeito amor lança fora o temor." (1 João 4:18.) O amor, como atributo dominante de Deus e qualidade salvadora no homem, é reafirmado e enfatizado. ¶
O novo mandamento que Jesus deu foi: "Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei." Seu amor por nós é eterno. Nada pode separar-nos dele. O pecado pode separar-nos dele, mas seu amor perdura para sempre. Ouvi o testemunho de Paulo: ¶
Gostaria de falar a estes jovens que têm cantado para nós, e a outros jovens da Igreja, pois, como outros que falaram, meu coração está com a juventude de Sião. Gostaria de dizer a estes jovens que Deus é o Pai deles, que o Salvador está rogando por eles e com eles para que se mantenham puros, puros em seu pensamento, em sua fala, em sua conduta, que ele espera que sejam dignos dele e do sacrifício que fez por eles e por todos nós. Ele é o Bom Pastor, que deu sua vida pelas ovelhas. Ele demonstrou a solicitude do Bom Pastor em sua última instrução a Pedro: "Apascenta as minhas ovelhas." (João 21:16.) ¶
Gostaria de acrescentar mais uma palavra aos jovens. Uma das armas mais letais que o Adversário concebeu para destruir os jovens da Igreja e do mundo é persuadi-los de que, se cometeram um erro, estão perdidos, não há esperança. Segundo essa doutrina, se um jovem, num momento de fraqueza, torna-se culpado de alguma falta, poderia muito bem prosseguir rumo à delinquência juvenil, ao crime e ao delito grave, pois já está perdido de qualquer forma. Assim o diabo gostaria que acreditassem, e assim os conduziria ao inferno. ¶
Jovens, vosso Pai nos céus vos ama; ele vos ama com um amor além do que vossos pais terrenos podem conhecer. Se cometerdes erros — e cometereis, como todos nós já cometemos —, nosso Pai Celestial está pronto para perdoar e acolher-vos quando vierdes a vós mesmos e voltardes as costas às vagens e o rosto para casa. Ele vos abraçará e dirá: "Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado." (Lucas 15:24.) Mas que ninguém pense que não terá de pagar por sua loucura. O Pai não poderia, em justiça, dizer ao pródigo o que disse a seu filho mais velho: "Todas as minhas coisas são tuas." (Idem, v. 31.) ¶
Nosso Pai é bondoso, amoroso e misericordioso, mas há uma lei inexorável que não foi revogada. É a lei da colheita. "Aquilo que o homem semear, isso também ceifará." (Ver Gálatas 6:7.) Não podemos semear cardos e colher figos, nem plantar espinhos e colher uvas. Mas, quando já tivermos tido o suficiente de cardos e espinhos, poderemos ter as uvas e os figos, se estivermos dispostos a pagar o preço — e custam menos. Embora o nosso seja um mundo governado por lei rígida e inabalável, o homem tem arbítrio; pode escolher obedecer ou desobedecer à lei, mas deve, é claro, arcar com as consequências de sua escolha. ¶
Mais uma coisa aos jovens — às vezes vindes a nós com problemas, quando estais perplexos e confusos, e sentis que estais inibidos, sem liberdade para pensar ou expressar opiniões. Quando vos falamos do livre-arbítrio e explicamos que ele se refere não somente às ações, mas também aos pensamentos e opiniões, vós vos perguntais se isso é sempre assim. Alguns de vós já nos disseram: "Mas nosso direito de expressar nossas próprias opiniões é tolhido ou restringido pelas declarações autoritativas de pais, professores e outros." ¶
Jovens, protegeremos vossa liberdade de pensar, de expressar vossos pensamentos e de buscar a verdade. Queremos que continueis essa busca sem temor. Prometemos que sereis desinibidos nessa busca. Deveis lembrar, porém, que Deus nos deu fontes por meio das quais podemos ter algumas respostas autoritativas. Não todas as respostas, não! Se tivéssemos todas as respostas, chegaria ao fim a busca. ¶
Não devemos esperar ter todas as respostas imediatamente, pois o próprio Deus, em sua sabedoria, reteve algumas delas. Cremos na revelação contínua e continuada, o que significa que cremos haver coisas a serem reveladas que ainda não conhecemos. Cremos ser bom reservar o julgamento sobre problemas de difícil solução até que venha mais luz. Este princípio de reter o julgamento e aguardar nova revelação deveria aplicar-se a todos os campos do saber. Os cientistas, por vezes, fazem afirmações bastante definitivas, mas alguns de nós já vivemos o suficiente para vê-los emendar ou abandonar suas descobertas à luz de verdades recém-descobertas. Enquanto os cientistas ainda estiverem buscando e descobrindo, e enquanto nova revelação for prometida, por que insistir em respostas finais agora? É minha convicção de que a nova revelação virá quando tivermos aprendido a viver de acordo com a verdade que já temos. A sabedoria aconselha paciência. ¶
E assim, no tocante a algumas coisas que agora parecem difíceis de compreender, bem podemos esperar até termos todos os fatos, até que todas as evidências estejam disponíveis. Ora, não me entendais mal. Jamais chegará o momento em que qualquer revelação de verdade vinda de Deus estará em conflito com qualquer outra verdade por ele revelada, seja ela vinda como revelação direta, seja como recompensa por uma busca diligente. Se parece haver conflito, é porque os homens, homens falíveis, são incapazes de interpretar corretamente as revelações de Deus ou as descobertas do homem. ¶
Que ele nos ajude a avançarmos, destemidos, mas reverentes, em nossa busca da verdade, e a termos o devido respeito não somente por nossos pais e mestres, mas também por aqueles por meio de quem Deus prometeu suas revelações. ¶
Pelo mesmo motivo, não devemos empreender declarar o momento nem a ordem em que o evangelho será dado a qualquer das raças ou nações da terra. Não devemos tentar regular o programa de Deus por nossos pequenos relógios de pulso, nem insistir que ele seja governado por nosso cronograma de eventos. Ele prometeu o evangelho a toda nação, família, língua e povo, e somente ele sabe quando estarão prontos para sua mensagem e suas bênçãos. Quando esse tempo chegar, dou-vos meu testemunho, testemunho profético, se assim o quiserdes chamar, de que ele revelará sua vontade aos líderes da Igreja a respeito de todo o seu povo. Ele disse, ¶
Lembrai-vos de que o valor das almas [de todas as almas] é grande à vista de Deus; ¶
Pois eis que o Senhor vosso Redentor sofreu a morte na carne; portanto, sofreu a dor de todos os homens, para que todos os homens se arrependessem e viessem a ele. ¶
E ressuscitou dentre os mortos, para trazer a si todos os homens, sob condição de arrependimento. ¶
E quão grande é sua alegria pela alma que se arrepende! (Doutrina e Convênios 18:10-13. Itálico acrescentado.) ¶
Irmãos e irmãs, dou-vos humildemente meu testemunho de que sei que Deus é meu Pai, que Jesus de Nazaré é meu Redentor e meu amigo. Agradeço-lhe pelo abençoado privilégio de participar do ministério, e louvo seu santo nome porque, por meio de seus servos, ele tem mostrado sua disposição de usar o mais fraco de nós para fazer um pouco de bem nesse ministério. ¶
Que Deus nos abençoe para que o reconheçamos como o Bom Pastor e avancemos com fé, sem temor do futuro, e com plena confiança para dizer com o salmista: ¶
O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. ¶
Deitar-me faz em verdes pastos; guia-me mansamente a águas tranquilas. ¶
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por causa do seu nome. ¶
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. ¶
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda. ¶
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para sempre. (Salmo 23.) ¶
Oramos para que isso seja verdade para todos nós, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶