A Vida Perfeita de Jesus, o Cristo
Alma Sonne
Meus irmãos e irmãs, garanto-vos, desde o início, que manterei os olhos no relógio. Sei que meus irmãos também manterão os olhos no relógio. Peço-vos um interesse em vossa fé e orações. Há tanto a dizer numa ocasião como esta, e há tantos para dizê-lo, que o tempo se torna muito precioso. ¶
Há uma semana, estive diante de um grupo de estudantes do ensino médio em uma das estacas não muito longe daqui. Exortei-os, naquela ocasião, a aceitar como projeto a leitura do Evangelho segundo Mateus, a fim de se familiarizarem com a vida de Jesus Cristo. Recordo-me de ter lido, anos atrás, sobre Lew Wallace, que escreveu a grande história Ben-Hur. Parece que, enquanto escrevia este livro, foi visitado por certo agnóstico bem conhecido e talentoso. O agnóstico o encorajou a escrever o livro. "Mas", disse ele, "não enfatizeis a divindade de Jesus Cristo. Tratai este personagem como trataríeis qualquer outro personagem da história." Mas Lew Wallace havia lido os Evangelhos com afinco e formado suas opiniões sobre o Mestre com base no registro deixado por Mateus, Marcos, Lucas e João. ¶
Temos ouvido muitas coisas durante esta conferência, e durante esta época de Páscoa, sobre Jesus, o Cristo. Sua vida perfeita tem sido exaltada. Seus ensinamentos têm sido expostos. Sua ressurreição tem sido explicada à luz das escrituras modernas e antigas, e sua missão divina tem sido enfatizada por todos os que discursaram desta tribuna durante a conferência. ¶
Alguém já disse: "Jesus ainda é amado, mas também é odiado, entre os homens." Há os que o crucificariam pela segunda vez, desta vez no coração dos homens. Contudo, não se oferece explicação alguma para sua maravilhosa vida e seu perfeito registro, exceto a que ele mesmo deu. "Saí do Pai," e "Se me vistes a mim, vistes o Pai." Em sua oração de intercessão por seus Doze Apóstolos, ele disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." ¶
Na mesma oração, ele disse: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." Ele não deixou margem para equívoco ou discussão quanto à questão de sua divindade e de sua condição de Filho, e sinto-me feliz, hoje, ao estar aqui, por pertencer a uma Igreja que aceita esse ensinamento como algo muito fundamental. ¶
Foi William Jennings Bryan quem afirmou, em sua famosa palestra intitulada O Príncipe da Paz: "É mais fácil crer que ele é divino do que explicar de qualquer outra forma o que ele disse, fez e foi." Há marcas de distinção que o separam de todos os outros que já viveram sobre a terra. Ele era o senhor de toda situação que enfrentava. Respondia a todas as perguntas que lhe faziam, quando uma resposta esclareceria o interrogador. ¶
Albert J. Beveridge, senador de Indiana, afirmou, muitos anos atrás: "O Filho de Maria é o príncipe dos oradores públicos." Ele estava certo, pois o Sermão da Montanha é o maior sermão já pregado. Suportou dezenove séculos de crítica. Sobreviveu à apostasia, à Idade das Trevas, ao Renascimento e à Reforma, e sua poderosa mensagem ainda reverbera pelo mundo. Jamais morrerá. ¶
Ontem, sei que fostes tocados, como eu fui, quando nosso grande coro cantou "A Oração do Senhor". "A Oração do Senhor", diz alguém, "é perfeita em sua dicção. É abrangente em seu alcance." Ela cobre as fases essenciais da existência humana. Suas histórias e parábolas viverão para sempre. "A história do Filho Pródigo", disse Charles Dickens, "é a mais bela história já contada." ¶
Há outra semelhante a ela. É a história do Bom Samaritano, e penso em mais uma com a qual estais muito familiarizados. Ela começa: "Um semeador saiu a semear." (Lucas 8:5.) Que bela afirmação é essa! Todas essas histórias, chamadas parábolas, encantam e cativam o leitor. São atuais hoje, tão frescas quanto eram há mil e novecentos anos, quando foram dadas. Elas incitam o coração a uma vida melhor e mais nobre. São uma força para a retidão no mundo. ¶
E há outra coisa que chamei à atenção dos jovens estudantes há uma semana, quando disse: "Jesus é a personalidade mais cativante da história humana." Ele disse duas palavras a seus seguidores: "Segue-me" (Mateus 8:22), e homens fortes abandonaram suas redes de pesca e o seguiram até a morte. ¶
Pilatos estava inquieto e perturbado diante dele. Quando entrardes no grande Templo de Salt Lake, e ao adentrardes o Salão de Assembleias, gostaria que fizésseis como tenho feito com frequência — examinar aquela magnífica pintura do Senhor Jesus diante de Pôncio Pilatos — Jesus tão calmo e sereno; Pilatos tão profundamente perturbado. O contraste é impressionante. ¶
Recordo-me de outro incidente. Aconteceu no Jardim do Getsêmani, quando os soldados romanos foram prender o Mestre. Ao entrarem, Jesus disse a estes homens de semblante duro: "A quem buscais?" Responderam: "A Jesus Nazareno." "Sou eu", replicou Jesus, e aqueles homens, em silenciosa homenagem, "recuaram, e caíram por terra." Ele perguntou novamente: "A quem buscais?" Responderam: "A Jesus Nazareno." "Já vos disse que sou eu", respondeu o Senhor, e então, de modo característico de sua grande alma, disse: "Se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes", referindo-se, é claro, a seus discípulos. (Ver João 18:4-8.) ¶
O escritor daquele episódio dá mais uma frase, que diz: "E Judas, que o traía, estava também com eles." (Ver idem, 18:5.) Pergunto-me quais teriam sido os pensamentos de Judas enquanto ali estava, testemunhando a coragem e o amor de Jesus, a quem já havia traído. O lado moral do caráter de Cristo não tem paralelo. ¶
Nele encontramos a perfeição absoluta. Não se descobre falha, mácula ou fraqueza alguma. Ele é sem pecado. Foi tão grande quanto o evangelho que pregou. Enfrentou toda situação com perfeição. Disse e fez a coisa certa no momento certo. ¶
Isso me faz lembrar dos espiões enviados pelos principais sacerdotes para tentar fazê-lo tropeçar e apanhá-lo em armadilha, se pudessem. "É lícito pagar tributo a César?" perguntaram. ¶
Jesus pediu uma moeda. Apresentaram-lhe o que se tratava de uma moeda de tributo, com a qual os judeus pagavam impostos ao governo romano. "De quem é a imagem que está na moeda?" perguntou Jesus. "É a imagem de César." Então disse o Senhor: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus." (Ver Mateus 22:17-21.) Sustento que essa foi a melhor resposta que se poderia dar nas circunstâncias. E não somente isso, foi um grande sermão, embora muito breve, sobre o assunto da honestidade. ¶
Que possamos adorar o Senhor e Mestre em espírito e em verdade. Que cada um de nós tenha a convicção de que ele é o Redentor do mundo e o Messias prometido, e que possamos unir as mãos para levar adiante sua obra e explicar o evangelho restaurado, que veio à terra nestes, os últimos dias, por meio do instrumento de Joseph Smith, o Profeta. Oro mui humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶