Pulpit

A Restauração do Evangelho

Henry D. Moyle

1954 October General Conference·First Day — Afternoon Meeting·1954-10-01

A RESTAURAÇÃO DO EVANGELHO — Esta afirmação pressupõe dois fatos fundamentais: (1) a existência anterior do evangelho sobre a terra; (2) sua perda — desaparecimento, etc. Existiu uma igreja divina? É tanto nossa missão na terra proclamar a existência do evangelho em dispensações anteriores quanto qualquer outra coisa possa ser. O mundo hoje se pergunta por que enviamos missionários às chamadas nações cristãs, em vez de restringir nossos esforços de proselitismo às chamadas nações pagãs. A resposta é importante. O chamado cristianismo perdeu o conhecimento do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo tal como estabelecido em tempos anteriores.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;

Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão muitos. (Mateus 24:4-5.) Vamos ao mundo para ensinar-lhes tanto o evangelho anterior quanto o evangelho dos últimos dias de Jesus Cristo. Não disseram os profetas Isaías e Miqueias:

E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor.

E julgará entre as nações, e repreenderá muitos povos; e converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; não alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor. (Isaías 2:2-5; ver também Miqueias 4:1-3.) Não faz muitos anos, em Knoxville, Tennessee, vi um letreiro em bronze na esquina de um edifício de banco que dizia, em substância: "A igreja da esquina ensina o evangelho antigo de Jesus Cristo." Esta própria tentativa, por parte desta grande igreja, de distinguir-se de outras igrejas atuais, é evidência suficiente da necessidade de se realizar obra missionária entre aqueles que professam fé em religiões modernas concebidas pelos homens, e entre aqueles que negam toda fé, negam até mesmo a existência de Deus.

Temos a missão de pregar o evangelho — a existência e a verdadeira concepção de Deus a nossos semelhantes, o estabelecimento de sua Igreja sobre a terra por seu Filho Unigênito, Jesus Cristo. Não podemos, de fato, proclamar a restauração do evangelho sem proclamar sua pré-existência. A restauração deve trazer de volta aquilo que foi originalmente estabelecido. Outra coisa não seria uma restauração; tampouco se pode restaurar aquilo que já está aqui.

Só podemos restaurar aquilo que está perdido, que se foi, que desapareceu. Restauração significa trazer de volta aquilo que anteriormente tínhamos.

O fundamento sobre o qual a Igreja de Jesus Cristo está organizada nestes últimos dias é a declaração de Jesus Cristo ao menino que, na força e na simplicidade de sua fé, orou a Deus buscando esclarecimento exatamente sobre este assunto. Onde se há de encontrar a Igreja de Jesus Cristo? O menino de quatorze anos perguntou ao Senhor qual de todas as seitas era a verdadeira e a qual deveria filiar-se. O Senhor disse-lhe que não deveria filiar-se a nenhuma delas, pois todas estavam erradas, que todos os seus credos eram uma abominação a seus olhos, que se aproximavam dele com os lábios, mas seu coração estava longe dele.

Ensinam como doutrina os mandamentos dos homens, tendo uma forma de piedade, mas negam o seu poder.

Novamente proibiu o menino de filiar-se a qualquer uma delas. Uma restauração da Igreja divina haveria mais tarde de ser efetuada por intermédio deste menino, quando ele crescesse e se tornasse homem, o Profeta Joseph Smith. O Anjo Morôni disse mais tarde ao Profeta, em setembro de 1823:

Eis que vos revelarei o Sacerdócio pela mão de Elias, o profeta, antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor. (D&C 2:1.) A Joseph Smith não apenas foi dado o sacerdócio — cujas chaves Elias detinha —, mas anteriormente ele e Oliver Cowdery também haviam recebido o sacerdócio apostólico das mãos de Pedro, Tiago e João, com autoridade e instrução para, mais uma vez, escolher doze apóstolos.

O sacerdócio de Deus foi assim mais uma vez restaurado à terra, a autoridade pela qual a Igreja divina deveria ser restabelecida sobre a terra; tão vital para o mundo em geral, seja cristão ou pagão, é esta restauração, que todo portador do sacerdócio deveria estar bem versado nos fatos históricos que temos a respeito dos fundamentos originais do evangelho — seu desaparecimento e sua restauração, bem como os primeiros princípios do próprio evangelho. O que poderia ser mais apropriado para o vasto corpo do sacerdócio da Igreja do que dirigir periodicamente seu estudo a estas questões de tão grande valor histórico para nós e para nossa obra missionária? Temo-los estudado agora há três anos.

Não fomos deixados sem evidência de uma apostasia do evangelho tal como nos foi dado pelo Salvador. Nosso curso de estudo, preparado pelo Élder James L. Barker, deu-nos muitos fatos históricos importantes com os quais devemos estar familiarizados.

Outros hão de encontrar e, de tempos em tempos, acrescentar mais ao nosso acervo de conhecimento, assim como os Élderes Parley P. Pratt, James E. Talmage e B. H. Roberts, e outros, fizeram no passado, a partir de fontes históricas. As próprias escrituras profetizam a respeito do afastamento do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo.

Lemos:

Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino,

Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, conforme as suas próprias concupiscências amontoarão para si mestres;

E desviarão os ouvidos da verdade, e se tornarão às fábulas. (2 Timóteo 4:1-4.) Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:21.) Mas também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos mestres, que introduzirão encobertamente heresias destruidoras, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.

E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas, sobre os quais já de largo tempo não está ocioso o juízo, e a sua destruição não dorme. (Idem, 2:1-3.) A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra.

Porque a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno.

Por isso a maldição consome a terra, e os que habitam nela serão desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão. (Isaías 24:4-6.) E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo,

Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. (Apocalipse 14:6-7.) Este evangelho, agora restaurado à terra, é um plano de vida e salvação, um meio pelo qual, mediante nossa obediência, podemos ser trazidos de volta à presença de nosso eterno Pai Celestial, coroados de glória, imortalidade e vidas eternas. Ele sempre teve uma aplicação universal. Era o mesmo evangelho em Jerusalém, Constantinopla, Éfeso ou Roma. É eterno em sua permanência. Se fôssemos a qualquer uma destas cidades, ou a qualquer outro lugar aonde os Apóstolos de Cristo levaram o verdadeiro evangelho, e eles alegassem ser os legítimos sucessores de Cristo, teríamos um padrão absoluto, imutável, exato e, ao mesmo tempo, simples, pelo qual poderíamos julgar a validade de suas alegações, considerando, como os fatos exigem, que, depois de um tempo relativamente curto, os ensinamentos daqueles que professavam ser seguidores de Cristo diferiam praticamente em cada país, senão em cada grande cidade. Tem sido o propósito destes cursos do sacerdócio, delineados pelo Irmão Barker, submeter estas várias alegações atuais a este teste — será que algum de seus ensinamentos e práticas está em conformidade com os de Cristo?

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho,

Que não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem distorcer o evangelho de Cristo.

Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema. (Gálatas 1:6-8.) (Itálico acrescentado.) Porque, se alguém viesse pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou recebêsseis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de bom grado o suportaríeis. (2 Coríntios 11:4.) Os fatos pertinentes tiveram de ser pesquisados nos escritos de quase incontáveis homens, ao longo de quase dois mil anos, todos eles escritos, com poucas exceções, se é que alguma, por homens que, por sua vez, trataram o assunto de seus escritos como objeto de pesquisa intensiva. Por sua própria natureza, os fatos encontrados não se prestaram a grande simplificação. Os quóruns do sacerdócio, nos últimos três anos, têm se esforçado com estas lições.

Alguns deles se colocaram no espírito do pesquisador e conseguiram obter o maior proveito disso. São eles os que se qualificaram, a partir da própria história secular, escrita em sua maior parte pelo clero, diretamente afetados pela narração dos fatos, pelas mudanças de doutrina que de fato ocorreram em suas próprias igrejas, pelos afastamentos das simples verdades enunciadas pelo próprio Salvador, pelo estabelecimento de práticas pagãs dentro da igreja, para estabelecer o afastamento de todas as igrejas do mundo, em 1830, das simples verdades do evangelho de Jesus Cristo.

Basta referirmo-nos a alguns exemplos que são tão claramente expostos nos manuais do sacerdócio dos últimos três anos. Tomemos, por exemplo, o batismo sem autoridade, realizado de outra forma que não por imersão; as doutrinas da condenação infantil, da transubstanciação, da predestinação, de um Deus imaterial que criou o homem, corpo e alma, a partir do nada, de que o homem pode ser salvo somente pela graça, as indulgências, as absolvições, a intercessão dos santos, juntamente com o poder milagroso das relíquias, das missas, da adoração de imagens nas igrejas, do purgatório, do monasticismo. Um afastamento tão marcante dos simples princípios do evangelho de Jesus Cristo. A mudança foi tão óbvia que as pessoas pensantes se viram compelidas a participar da grande Reforma, assim que a própria Bíblia chegou às suas mãos.

Somos informados de que, por volta do ano 1520, já havia dezoito traduções da Bíblia em alemão, onze em italiano, quatro em boêmio e duas em holandês. Assim, aqueles que leram a Bíblia pela primeira vez ficaram chocados com a profundidade e a extensão do afastamento que havia ocorrido, nas igrejas do mundo, das simples verdades do evangelho de Jesus Cristo. Estes são os benefícios que vieram àqueles que estudaram com afinco os manuais do sacerdócio dos últimos três anos.

Outros se esforçaram sem entrar tão profundamente no espírito em que esta grande obra, intitulada The Divine Church, foi escrita. Tem sido um assunto que não pôde ser dominado sem esforço.

Permitam-me dizer que ela não foi escrita sem esforço. Parece haver uma relação entre o esforço do autor e aquele exigido do estudante para dominar o curso. Outros, somos informados, ficaram pelo caminho e substituíram-no por outros cursos mais de seu agrado pessoal. Não se prepararam para enfrentar estas questões, tão vitais e atuais hoje em nosso convívio com nossos semelhantes, na propagação da luz que é nossa, entre nossos vizinhos, dentro e fora de nosso país.

Para o próximo ano, preparamos um curso de estudo para considerar a restauração dessa mesma Igreja divina sobre a terra, com a restauração de seus simples princípios e práticas. Esperamos que nossos líderes do sacerdócio aceitem estas lições no espírito em que foram escritas. Ao estudá-las, voltai constantemente, ao considerar a restauração, à história do afastamento dela por parte das igrejas do mundo. Queremos continuar a nos aperfeiçoar a este respeito, mediante o estudo contínuo da importante história delineada nos manuais dos últimos três anos. Deveria ser nosso propósito, ao ensinar e estudar estas lições sobre a restauração, seja como professores ou estudantes, relacionar nossos estudos de volta à apostasia, mediante uma comparação dos detalhes da restauração do evangelho com os princípios que eram ensinados nas igrejas do mundo em 1830. Deste modo, poderemos aprender, nos próximos dois anos, ao considerarmos estas lições sobre a restauração, escritas pelo Élder Roy A. Welker, tanto ou mais dos fatos contidos em nossos três manuais anteriores sobre a Igreja divina, tratando eles, como tratam, da apostasia, assim como fizemos durante os próprios anos passados. Isso é importante também, porque muitos que terão ocasião de frequentar as reuniões de quórum do sacerdócio este ano e no próximo ano não estavam presentes durante os últimos três anos. Surge naturalmente a pergunta — como podemos estudar a restauração, como tenho procurado enfatizar, sem algum estudo daquilo que estamos restaurando? Respondendo à pergunta: se o mundo um dia a teve, o que fez dela? O próprio fato de que estes três volumes do Élder Barker sobre The Divine Church não foram tão simples quanto alguns desejavam é razão adicional para que os leiamos uma segunda vez, e aqueles que, nesse ínterim, foram promovidos ao Sacerdócio de Melquisedeque, ou que retornaram das forças armadas ou de missões, ou de ambos, poderão ter o benefício deles pela primeira vez. Recomendamos muito seriamente uma primeira leitura destes manuais por todos os que ainda não os dominaram.

Os dividendos a serem recebidos de um estudo como o sugerido são certos, não apenas em nos qualificar para ensinar outros, mas, acima de tudo, em dar a cada um de nós um fundamento mais amplo de conhecimento sobre o qual nossa própria fé possa repousar.

Nunca perdemos de vista, em todo o nosso trabalho de classe e estudo, o fato de que a glória de Deus é inteligência. Conhecimento é poder. A verdade é jubilosa.

Além disso, no estudo da restauração, devemos inteirar-nos das doutrinas atuais das igrejas do mundo. Em muitos casos, descobriremos que estas doutrinas mudaram um tanto desde 1830, para se conformarem mais de perto aos ensinamentos do evangelho restaurado de Jesus Cristo.

Podemos esperar que, com o passar do tempo, e de fato podemos ter esperança de que as igrejas do mundo continuem não apenas a ver, mas também a apreciar a luz que foi trazida à terra pela restauração do evangelho de Jesus Cristo nestes últimos dias, por intermédio do Profeta Joseph Smith, e a perceber que, assim como a igreja foi organizada pelo Salvador quando ele esteve sobre a terra, assim também deve continuar ao longo da restauração.

Esperamos que o povo do mundo aprenda a apreciar as palavras de Paulo aos Efésios:

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,

Para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo;

Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.

Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engodo dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. (Efésios 4:11-14.) Que o Senhor apresse o dia em que os povos do mundo perceberão a fonte desta luz que está iluminando o mundo. Deveria ser o propósito do sacerdócio da Igreja qualificar-se de tal modo que possa, individual e coletivamente, ser uma luz posta sobre um monte.

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte,

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mateus 5:14, 16.)

Como citar este discursoHenry D. Moyle, “A Restauração do Evangelho”, 1954 October General Conference, First Day — Afternoon Meeting (1954-10-01). Pulpit Vault, 1954-10-moyle-finhe-restoration-of-the-gospel-this-i. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).