O Poder Milagroso da Intervenção Divina
Harold B. Lee
Parece-me incrível, ao pensar nisso hoje, que há seis meses, ontem, minha querida companheira jazia gravemente enferma no LDS Hospital, seu corpo cruelmente fraturado num infeliz acidente. Se alguém tivesse dito a mim e aos médicos, há seis meses, que antes que outros seis meses se passassem ela me acompanharia numa designação ao Oriente, onde em dois meses viajaríamos 20,000 milhas e visitaríamos seis países e povos, isso me teria parecido uma impossibilidade tão grande a ponto de ser totalmente impensável. ¶
Mas quando nosso amado líder, o Presidente da Igreja, nos recebeu em seu escritório e nos deu bênçãos para esta missão, eu pouco imaginava como o Senhor poderia, mesmo então, além da habilidade dos médicos ou da mente e da capacidade humanas, abençoar aquela querida companheira e cumprir à letra as palavras do Presidente quando lhe disse: "A senhora voltará desta viagem com maior força e curada em seu corpo." Tem sido um dos maiores testemunhos que já me vieram, e hoje me ponho humildemente de pé e presto testemunho da eficácia das orações e bênçãos, não somente de nosso Presidente, mas também dos fiéis Santos em toda parte. ¶
Se eu pudesse tomar como uma espécie de texto as palavras do Mestre, talvez meus sentimentos de hoje pudessem ser mais bem expressos em suas próprias palavras. João Batista havia enviado seus discípulos a Jesus, depois de João ter recebido notícias sobre a obra do Mestre, e vieram perguntar-lhe: "És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?" A resposta que Jesus deu, para que a levassem de volta a João Batista, foi esta: ¶
Ide, e anunciai a João as coisas que vistes e ouvistes: que os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia o evangelho. (Lucas 7:20, 22.) A vós, Presidente McKay, diante do corpo da Igreja hoje, como um humilde servo que enviastes ao Extremo Oriente para verificar os assuntos de lá, para visitar nossos rapazes no serviço militar, nossos Santos dispersos naquela terra distante, volto a vós testificando, assim como o Mestre disse aos discípulos que testificassem a João, que o poder miraculoso da intervenção divina está lá, o que é um dos sinais da divindade da obra do Senhor. ¶
Vimos alguém "quase à morte" ser levantado miraculosamente durante esta visita. ¶
Vimos a mão do Todo-Poderoso deter as tempestades e os ventos, e vencer obstáculos que, de outra forma, teriam tornado impossível o cumprimento de nossa missão. Passamos por uma região repleta de perigos, a apenas algumas centenas de milhas de onde se prepara uma guerra. Vimos os humildes e os pobres tendo o evangelho pregado a eles. Os sinais da divindade estão no Extremo Oriente. A obra do Todo-Poderoso está crescendo com um ímpeto tremendo. ¶
Não sei se foi apenas coincidência, ou se o Presidente McKay teve algum pensamento a respeito, mas um dos generais comandantes, quando me foi apresentado na Coreia, disse: "Bem, o senhor tem muitos parentes neste país." Os cinco sobrenomes mais proeminentes na Coreia são Yi, Chang, Kim, Pak e Lee. Na China, descobri que havia mais de quinhentos mil chineses com o sobrenome Li (Lee), e, de fato, algumas autoridades de imigração, quando eu assinava meu nome, ou viam meu nome em meu passaporte, perguntavam: "Chinês?" E eu respondia: "Não, americano." Então vinha o comentário: "O senhor parece chinês." ¶
Assim, fui aceito, Presidente McKay, quase como um nativo. Minha coloração de cabelo, olhos e pele parece adequar-se ao ambiente geral. ¶
Há alguns anos, li uma afirmação contida em The Key to Theology, de Parley P. Pratt. Perguntei-me então qual seria o significado dessa afirmação, e hoje volto a vós testificando que se tratava de uma profecia que hoje está sendo cumprida. ¶
Leio daquela inspirada declaração: ¶
Falando fisicamente, parece que apenas a consumação de mais dois grandes empreendimentos é necessária para completar os preparativos necessários ao cumprimento de Isaías e de outros Profetas, no tocante à restauração de Israel à Palestina, vinda dos quatro cantos da terra... sob os auspícios daquela grande, universal e permanente teocracia que há de suceder ao longo reinado do mistério. ¶
Em seguida, ele nomeia esses dois grandes empreendimentos: um, a ferrovia da Europa à Ásia, que então estava em processo de consumação; e o outro, a Grande Ferrovia Ocidental, do Atlântico ao Pacífico, neste país. Depois disse o seguinte: ¶
Falando politicamente, ainda restam algumas barreiras a serem removidas, e algumas conquistas a serem alcançadas, tais como a subjugação do Japão e o triunfo da liberdade constitucional entre certas nações onde a mente, o pensamento e a religião ainda são prescritos por lei. (The Key to Theology, 7576.) Subjugação significa conquistar pela força. ¶
Quero dizer-vos que uma das coisas mais significativas que vi no Extremo Oriente é o cumprimento daquilo que o Élder Parley P. Pratt testificou que seria um dos desenvolvimentos significativos necessários à consumação dos propósitos de Deus: "a subjugação do Japão e o triunfo da liberdade constitucional entre certas nações onde a mente, o pensamento e a religião ainda são prescritos por lei." ¶
Viajei nesta designação com a Irmã Lee e o Presidente Hilton A. Robertson e a Irmã Robertson. Havíamos visitado nossos Santos nativos e militares em todos os distritos do território continental do Japão, desde Hokkaido, ao norte, até Kyushu, ao sul, e representantes das grandes cidades. Em seguida, atravessei com o Presidente Robertson até a Coreia, e depois até Okinawa, Hong Kong, as Filipinas e Guam. Quero dizer aos pais, que ansiosamente perguntam por seus filhos, algo que espero que acalme vossos sentimentos e vos encoraje em vossa fé. ¶
Desde o momento em que a Primeira Presidência anunciou esta designação, nossos telefones não paravam de tocar, em casa e no escritório, com pais ansiosos, e a essência de sua ansiedade estava resumida no que um pai disse: "O senhor verá meu filho lá, e lhe levará o amor de um pai saudoso?" ¶
Reunimo-nos com um total de 1563 rapazes Santos dos Últimos Dias em serviço militar, em nossas conferências no Japão, na Coreia, em Okinawa, nas Filipinas e em Guam. Eles haviam organizado conferências distritais que simulavam nossas conferências de estaca, e foi como realizar uma conferência de estaca a cada dois dias, ao longo de toda esta viagem, devido ao esmero com que haviam organizado seu trabalho. ¶
Nunca ouvi sermões melhores do que os que ouvi pregados por nossos cinco capelães Santos dos Últimos Dias e nossos líderes de grupo lá. Eles estão estudando o evangelho. É digna de nota a excelência de sua organização e a ordem de seus procedimentos, sob um comitê de missão composto por três tenentes-coronéis, responsáveis, é claro, perante o presidente da missão, e estes, por sua vez, supervisionados pelos capelães e pelos líderes de grupo. Em cada acampamento aonde fomos, sob ordens militares, foi-nos concedido todo privilégio que se poderia conceder a alguém que entrasse naquelas áreas, e o primeiro procedimento era invariavelmente uma apresentação ao general comandante do acampamento, e uma breve entrevista, durante a qual ele nos estendia todas as cortesias do acampamento e nos dava as boas-vindas, e, em vários casos, comparecia à nossa reunião. ¶
Eles conhecem nossos rapazes. Conhecem a obra dos Santos dos Últimos Dias, e talvez sua atitude para com nossos rapazes esteja mais bem resumida no que o General Richard S. Whitcomb nos disse em Pusan, na Coreia, depois de termos estado no refeitório do general na noite anterior, e ele havia indicado que gostaria de comparecer à nossa reunião na manhã seguinte. ¶
Com 109 de nossos rapazes presentes, o General Whitcomb levantou-se para falar-lhes e, depois de uma palavra de saudação, disse o seguinte, e perguntei-lhe se poderia repeti-lo a vós, Presidente McKay, e aos pais e mães lá em casa. (O General Whitcomb é caracterizado por nossos rapazes lá como um dos disciplinadores mais rígidos do Exército dos Estados Unidos.) "Sempre soube que os membros de vossa Igreja são um povo sólido. ¶
"Aqui na área de Pusan, tenho a maior responsabilidade em cortes marciais de qualquer comando do Exército dos Estados Unidos, mas nunca tive alguém de vossa fé trazido perante mim para corte marcial ou ação disciplinar, neste comando. Onde quer que eu tenha estado, nunca soube de um Santo dos Últimos Dias jamais ser levado a qualquer ação disciplinar." ¶
Em Guam, foi-me entregue um pequeno boletim do acampamento que indicava que, no mês de agosto, um de nossos rapazes lá, o Irmão Douglas K. Eager, havia sido designado "Aviador do Mês de Agosto", e a menção dizia: "Ele conquistou o prêmio com base em sua dedicação ao dever, caráter, aparência, diligência e postura militar." ¶
Um dos capelães supervisores, para citar outro exemplo, do Campo de Clark, nas Filipinas, disse-me isto ao sairmos de uma reunião com os capelães protestantes da base: "Nunca conheci, em minha experiência militar, nenhum grupo de homens com maior devoção a seu país, a seu Deus e a sua Igreja — não há caracteres mais nobres do que os que se encontram entre os rapazes dos Santos dos Últimos Dias." ¶
Ao longo de todas as nossas visitas, eles haviam organizado seus próprios programas — cantavam três cânticos repetidamente, sem que ninguém o sugerisse. Cantavam, primeiro, "Graças Te Damos, ó Deus, Pelo Profeta", e em cada conferência distrital sustentavam as Autoridades Gerais da Igreja. Foi um dos pontos altos de sua conferência. ¶
O outro cântico que parece ter se tornado seu hino-tema durante o serviço militar é: ¶
Vinde, vinde, ó Santos, não temais labor nem fadiga, Mas com alegria, segui vosso caminho... ¶
Por que haveríamos de lamentar ou achar dura nossa sorte? ¶
Não é assim, tudo está bem... ¶
E se morrermos antes que nossa jornada se cumpra, Dia feliz, tudo está bem. ¶
Então estaremos livres do labor e também da tristeza, Com os justos, habitaremos. ¶
E, finalmente, deveis saber o que mais eles cantavam. Cantavam sobre as colinas do lar, "Ó Montanhas Altas, onde o céu azul e claro se arqueia sobre os vales dos livres", e repetidas vezes ouvi as esposas de nossos poucos homens, a quem era permitido estar com eles em alguns lugares, e nossos rapazes em toda parte, ao apertarem as mãos, dizerem, com os olhos cheios de lágrimas: "Não senti saudades de casa até apertar sua mão, Irmão Lee." Alguém de casa! ¶
Depois diziam algo como isto: "Digam ao pessoal lá em casa para não se preocupar conosco. Estamos bem, mas às vezes nos preocupamos com o pessoal lá em casa." ¶
Penso que minha avaliação do que vi entre os rapazes ali poderia ser expressa no que se atribui a Ralph Waldo Emerson ter dito: "É fácil no mundo viver segundo a opinião do mundo. É fácil, na solidão, viver segundo a própria opinião, mas o grande homem é aquele que, em meio à multidão, mantém, com perfeita doçura, a independência da solidão..." Foi assim que encontrei nossos rapazes, com as marcas da verdadeira grandeza em sua fronte, mantendo "com perfeita doçura a independência da solidão." ¶
Das contribuições de nossos militares no Extremo Oriente, arrecada-se, todo mês, dinheiro suficiente para sustentar 21 missionários de tempo integral, do Japão, que de outra forma não poderiam cumprir missões como missionários de tempo integral na Missão Japonesa. Isso equivale a quarenta dólares por mês para cada missionário, ou um total entre oitocentos e novecentos dólares por mês. Este é o segundo grupo de missionários, o qual, ao ser completado, significará que nossos rapazes ali contribuíram, de seus escassos soldos militares, um total de mais de quarenta mil dólares para enviar missionários locais a fazer a obra que, de outra forma, não poderia ser feita. ¶
Como resultado direto da obra dos militares Santos dos Últimos Dias, houve 47 conversos no ano passado, enquanto outros 103 já foram batizados este ano pelos missionários da Missão Japonesa. Foi no primeiro domingo do mês passado, às 6:30 da manhã, exatamente ao romper do dia, em Seul, na Coreia, que batizamos um estudante nativo coreano e um jovem militar. No Campo de Clark, no último domingo de manhã, às 7:30, batizamos quatro pessoas, uma delas uma jovem mãe filipina nativa, que mais tarde prestou seu testemunho na sessão da conferência. O que isso significa para os militares, ao ingressarem na Igreja, talvez esteja mais bem expresso no humilde testemunho de um jovem marinheiro que veio a Tóquio, vindo do porta-aviões Hornet, que atracara em Yokohama. Mais tarde, encontramo-lo em Manila Bay. Ele se aproximou ao final da reunião em Tóquio, com o braço em tipoia, e explicou que tinha um braço com infecção grave. Ao apertar minha mão, disse: "Estou me preparando para ser batizado membro da Igreja, e, se estivermos em Manila quando eu o encontrar lá, espero poder dizer-lhe que já fui batizado." ¶
Em Manila, ele veio, seu braço agora perfeitamente curado, e disse: "Fui batizado em 27 de agosto. Algo aconteceu comigo depois que saí daquela conferência em Tóquio. Meu braço estava inchado e doía durante toda a reunião, mas, depois que apertei sua mão, entrei no trem de volta ao navio. De repente, a dor cessou, meu braço sarou, e agora estou voltando para aquela querida esposa que tem orado para que eu endireitasse minha vida. ¶
"Eu fumava, bebia, e fiz muitas coisas que a fizeram sofrer, e estou voltando para aquela minha amada, e vou passar o resto da minha vida tentando provar-me digno de seu amor." Sua fé havia trazido cura a seu corpo e a sua alma. Foi isso que o evangelho significou para este marinheiro, que se tornou um converso ao evangelho de Jesus Cristo. ¶
Lá temos rapazes com saudades de casa. O quanto pensam em suas mães, esposas e namoradas é sugerido pelo fato de que, quando a Irmã Lee falava, muitas vezes vinham ao final das reuniões e me diziam algumas palavras de apreço, mas depois diziam: "Apreciamos muito a palestra da Irmã Lee", e reuniam-se ao redor dela porque ela era um toque de mãe. Diziam-lhe o quanto ela lhes lembrava suas mães. ¶
Ela era o símbolo do lar ao qual um dia esperavam voltar, e creio que quase encheram um caderno para ela com nomes, endereços e números de telefone do pessoal lá em casa a quem queriam que ela ligasse e com quem conversasse. ¶
Talvez o que nossos rapazes estão fazendo lá possa ser mais bem ilustrado no que disse o Élder Aki, um jovem missionário japonês na bela Nikko, beneficiário das contribuições missionárias de nossos militares, que estava justamente concluindo uma missão de dois anos, ao prestar seu testemunho em inglês: "Por mais terrível que tenha sido a guerra no Japão, ela se revelou uma grande bênção. Porque, como resultado, trouxe de volta ao Japão os militares Santos dos Últimos Dias, que abriram caminho para a reabertura da Missão Japonesa." ¶
Presidente McKay, uma das coisas que me surpreende e que é significativa diz respeito ao idioma ali. Por mais difícil que seja, devido aos caracteres peculiares, bem como à dificuldade do idioma, o Senhor parece estar nos ajudando até mesmo a resolver esse problema. Desde que as tropas chegaram, toda escola no Japão e na Coreia está ensinando inglês, e a maioria desses jovens estudantes, que estão sendo atraídos pelo evangelho, consegue falar um pouco de inglês. Eles estão ajudando a derrubar a barreira do idioma e facilitando a obra dos missionários. ¶
Em Osaka, onde tivemos 179 pessoas presentes, ao observar aquela plateia e tentar estimar a idade dos presentes, diria que, das 179 pessoas ali, menos de 16 tinham mais de 30 anos de idade. O que estes jovens farão para auxiliar naquela conversão é mais bem ilustrado por dois incidentes. ¶
Em abril do ano retrasado, enquanto eu estava nas Ilhas Havaianas, entrevistei e designei, sob instruções da Primeira Presidência, seis adoráveis jovens para irem ao Japão como missionárias. ¶
Uma delas, uma jovem irmã japonesa, estava um tanto hesitante em ir, porque vinha de uma família budista. Sua mãe se opusera a que ela fosse. Seu irmão a espancara com bastante crueldade por causa de sua insistência na atividade na Igreja. Ela estava quase um farrapo nervoso, mas tinha a fé de que, de algum modo, o Senhor a ajudaria a superar seus problemas, e a enviamos em sua missão. ¶
Encontrei-a numa dessas conferências, e ela me sussurrou sua história. ¶
Ela disse: "Vinte e três pessoas, Irmão Lee, estão sendo atraídas ao evangelho, em parte por meus esforços", e então apresentou-me a uma avó idosa, cujo marido é um ministro episcopal, e a netinha desta avó idosa foi quem tocou para nosso canto durante a conferência. Esta menina voltou para casa, depois de ter se filiado à Igreja, e disse à avó: "Vovó, sua igreja não é verdadeira, porque a senhora não compreende Deus, e não compreende a respeito da Trindade", e então passou a ensinar-lhe a lição missionária sobre a Trindade. ¶
Esta avó idosa disse: "Qualquer igreja que possa ensinar uma criança daquele modo deve ter algo." Nossa jovem missionária japonesa, das Ilhas Havaianas, agora relata: "Aquela avó está agora se preparando para ser batizada membro da Igreja, por meio dos esforços missionários de sua netinha, com talvez não mais de onze ou doze anos de idade." ¶
Há outra evidência de um despertar no Japão. Representantes de alguns dos principais jornais do Japão, muitos deles, nos entrevistaram e escreveram artigos, tanto em inglês quanto em japonês. Nossos Santos japoneses ficaram um tanto divertidos com um desses artigos, cujo título era: "Polígamo Mórmon Visita o Japão." Felizmente, a afirmação enganosa foi corrigida no corpo do artigo. Após aquele anúncio, recebemos um convite de um grupo que se autodenominava "A Liga das Novas Organizações Religiosas do Japão", que alega ter um seguimento de dez milhões de pessoas. Pela primeira vez, o Japão está desfrutando de liberdade religiosa. Pediram-me que me reunisse com quinze líderes destas quinze organizações religiosas que compõem a liga, e que ali discutisse com eles o mormonismo, e depois me submetesse a uma discussão após esse momento. ¶
O convite deles é um tanto interessante! ¶
Convite para a reunião de conversa amistosa com um dos líderes da Igreja "Mórmon". Como o Revº Harold B. Lee, que é um dos mais altos líderes da "Igreja Mórmon" (A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), que é uma das igrejas mais influentes da América, está visitando o Japão em sua jornada para cumprir sua missão na área do Oceano Pacífico. A fim de promover a boa vontade, gostaríamos de realizar uma reunião de conversa amistosa... Além disso, respeitando as leis do mormonismo, nenhum refresco de chá ou bolo será servido naquela reunião. ¶
Durante aquela hora, com o Irmão Tatsui Sato, do escritório da missão, traduzindo minhas palavras, eles ouviram. Nenhum destes homens alegava ser cristão, e, no entanto, na discussão que se seguiu, aprendi que eles eram, na verdade, mais cristãos do que muitos dos chamados cristãos que não aceitam nem a divindade da missão de Jesus, nem sua realidade como o Filho do Deus vivo. ¶
Eles gravaram minha palestra num gravador, e, quando terminou a meia hora destinada à discussão, ainda estavam fazendo perguntas, de modo que nossa entrevista se estendeu por duas horas e meia, e prometeram que aquela gravação seria mais tarde apresentada em seu jornal trimestral, onde se propunham a dar-lhe publicidade. Disse-lhes que, se estivessem interessados e me enviassem seus nomes e endereços, eu providenciaria para que cada um recebesse um exemplar do Livro de Mórmon para estudar. ¶
Poucos dias depois, recebi uma carta em japonês, que o Irmão Sato traduziu, e na qual o presidente responsável me deu os nomes e endereços. Sua carta dizia: ¶
Não temos palavras para expressar nossa gratidão por seu discurso tão instrutivo, que nos proferiu outro dia. Embora estivesse muito ocupado e devesse estar cansado em sua jornada para pregar o evangelho na área oriental, ainda assim compartilhou conosco seu precioso tempo, pelo qual temos de ser muito gratos. ¶
Então disse: ¶
Poderíamos aproveitar-nos de suas palavras de que nos apresentaria o Livro de Mórmon para que pudéssemos compreender melhor? Enviamos-lhe a lista de nomes dos que compareceram à reunião. ¶
Exemplares do Livro de Mórmon foram enviados a estes líderes. ¶
Há mais uma coisa que gostaria de vos contar. Em Pusan, temos apenas três membros registrados, e, quando chegamos a uma reunião — que foi para nós uma espécie de festa surpresa —, descobrimos, para nosso assombro, que tínhamos presentes não apenas três membros, mas, além de nossos mais de 100 militares, tínhamos 103 coreanos, quase todos jovens em idade de ensino médio, e, como parte das cerimônias, apresentaram-me este pergaminho, escrito em papel de seda, tanto em coreano quanto em inglês, no qual haviam escrito estas palavras — notai bem, isto foi escrito e apresentado por um grupo formado, em sua quase totalidade, por não membros: ¶
Nós sinceramente damos as boas-vindas ao Apóstolo Harold B. Lee, que veio à Coreia. A missão de sua visita à Coreia é muito importante, e somos gratos a nosso Pai Celestial, do fundo do coração, pelo grande apoio que nos destes, ao povo da Coreia. ¶
Aqui gostaríamos de expressar nossa gratidão aos soldados que permaneceram na Coreia. ¶
E nos pregaram o verdadeiro evangelho, e também a oportunidade que tivemos de nos reunirmos com eles em nome de nosso Pai Celestial, portanto estamos sob o voto de retribuir sua bondade. Com agradecimentos e com todo o nosso louvor a vós, por vosso distinto serviço de fidelidade, que cumprirá vossa importante missão de vir à nossa Coreia. E de visitar nossa Coreia, apesar de ser tão longa distância. Humildemente oramos em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶
De: Grupo Coreano em Pusan da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Bem, isso é significativo, porque, pela primeira vez, eles também estão desfrutando de liberdade religiosa. ¶
Devo contar-vos, Presidente McKay, sobre a reunião com nosso querido povo chinês em Hong Kong. Não tínhamos local de reunião. Eles não tiveram muita oportunidade desde que foram batizados. Já faz quase um ano desde que receberam o sacramento. Mas, em nosso quarto de hotel, com vista para o porto, de Kowloon a Hong Kong, realizamos uma reunião sacramental. Prestamos-lhes testemunho. Havíamos subido àquele ponto elevado com vista para Hong Kong, onde o Irmão Cowley, em companhia do Presidente Robertson, do Presidente Aki e de suas esposas, havia dedicado aquela terra para a abertura de uma missão, em 14 de julho de 1949. ¶
Ali também inclinamos a cabeça e agradecemos ao Senhor pela medida da bênção do Irmão Cowley que havíamos recebido, e pedimos ao Senhor um novo derramamento de sua bênção. Depois, tendo visitado brevemente estes jovens estudantes chineses, uma delas era uma menina — a pequena Yook Sin Yuen — a quem chamam Nora, uma linda menininha que fala bom inglês, como lhe ensinaram os missionários. Quando nosso ônibus partiu do hotel no dia seguinte, para nos levar ao aeroporto, ela ergueu a mão pela janela e me disse, como palavra de despedida: "Apóstolo Lee, digam ao Presidente McKay que, por favor, mande a Igreja de volta à China." E eu lhe disse, com lágrimas também em meus olhos: "Minha querida e doce menina, enquanto tivermos um grupo fiel e dedicado como vós, que, sem pastor, permaneceis fiéis, a Igreja está na China." ¶
Pois bem, digo, Presidente McKay, como comecei, fui agora sob vossa designação ao Extremo Oriente. Vimos os milagres da intervenção divina de Deus. Vimos como o evangelho tem sido pregado aos pobres, como evidência de sua divindade. Deus permita que não esteja distante o tempo em que o domínio mortal do comunismo será desfeito, e aqueles povos serão livres para receber em plenitude o evangelho de Jesus Cristo, pois estou convencido de que há centenas de milhares de almas que imploram pela verdade. ¶
Presto-vos meu solene testemunho de que sei que estas coisas são verdadeiras, de que Deus vive, e de que esta é a sua obra, e presto-o humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶