Usando o Sacerdócio
S. Dilworth Young
NA TERÇA-FEIRA, 6 de abril de 1830, seis homens reuniram-se na casa da família Whitmer e organizaram a Igreja. Lembro-me da surpresa com que soube, pela primeira vez, há anos, que isso não aconteceu num domingo. Aparentemente, o sexto dia de abril era mais importante do que o dia da semana. Joseph Smith, o Profeta, no dia da organização da Igreja, ordenou Oliver Cowdery a ser um dos Élderes Presidentes; Oliver Cowdery ordenou Joseph Smith a ser um dos Élderes Presidentes. Havia, assim, dois oficiais presidentes sobre outros quatro. ¶
Ontem à noite, sentei-me com a multidão reunida que encheu este edifício. Relatórios diziam que havia aqui perto de nove mil homens. Se tomássemos todos os homens que são oficiais presidentes no Sacerdócio de Melquisedeque, as presidências de estaca que os orientam em seu trabalho e os sumos conselheiros que auxiliam as presidências de estaca a dirigir os esforços das presidências dos quóruns, e os colocássemos neste edifício, o grupo seria praticamente tão grande quanto o número que aqui esteve ontem à noite. Em 124 anos, a Igreja e seu Sacerdócio de Melquisedeque cresceram o suficiente para que seus oficiais agora encham este edifício. Os bispados ou oficiais do Sacerdócio Aarônico não estão incluídos neste total. ¶
Não percebo que Joseph Smith jamais tenha carecido de confiança no destino da Igreja. Quanto de nossos dias ele pôde ver, não sei. Suspeito que o Senhor lhe mostrou o fim último, senão todos os passos imediatos. ¶
Sempre me maravilho de que ele não vacilasse quanto ao que seria realizado. Ele não estabeleceu um cronograma, mas a garantia está ali, para que todos nós a leiamos e compreendamos que a Igreja encherá a terra. Já estamos bem encaminhados. Nós mesmos não devemos vacilar, porque isso não pode ser detido. Desde o início, com dois oficiais, crescemos até o ponto em que os que presidem mal conseguem caber neste tabernáculo. ¶
Temos levado muito tempo para aprender a usar a autoridade presidente. Oficiais têm sido nomeados às centenas e não souberam o que fazer com suas nomeações. Creio que há, e já há algum tempo vem havendo, um novo despertar nos corações dos homens que dirigem a grande organização do sacerdócio. Eles estão aprendendo a presidir e a conduzir seus assuntos, de modo que o corpo do sacerdócio está começando a ocupar seu devido lugar. ¶
Tenho sobre minha mesa várias estatísticas que confirmariam esse pensamento. Gostaria de me referir a apenas duas delas, que considero importantes neste momento. ¶
Há um quórum de élderes numa cidade não muito distante daqui. (Não a identificarei.) Os membros deste quórum são compostos, em grande parte, por homens que trabalham em turnos; por conseguinte, seu tempo é consumido justamente nos momentos em que deveriam comparecer às suas reuniões. Esse quórum de élderes, sob a direção de um presidente que parece saber como fazê-lo, com o hábil auxílio de dois excelentes conselheiros, tem tido, nos últimos dois ou três meses, se os fatos foram relatados corretamente, cinquenta e cinco por cento de seus homens comparecendo à reunião semanal matutina do sacerdócio. Ele levou sessenta por cento deles à reunião mensal do sacerdócio da estaca. Ele os organizou de tal forma que não há uma única classe na Escola Dominical de sua ala em que um dos élderes não esteja designado a sentar-se ali, com a lição totalmente preparada, pronto para participar caso o professor titular não compareça ou precise de auxílio. ¶
O mesmo é feito nas demais organizações auxiliares, caso sejam necessários. ¶
Tal é a possibilidade dos quóruns do sacerdócio, se reconhecerem a necessidade. ¶
O notável nisso é que não há um só homem que possua o sacerdócio que, se se sentir necessário e desejado, não se lance à causa. ¶
Vossa tarefa, irmãos, é fazê-los sentir-se necessários e desejados. ¶
Outro exemplo: um grande número de quóruns do Sacerdócio de Melquisedeque, de cerca de 135 estacas, está participando de um determinado trabalho. Calculo que há algo em torno de mil quóruns. Num item, o de saber se os presidentes dos quóruns e seus conselheiros visitam com frequência seus membros para encorajá-los, houve uma melhora de mais de quatrocentos por cento. Ora, isso é uma estatística. Não gosto de estatísticas, mas gostaria de vos dizer que, quando o presidente de um quórum, e seus conselheiros, pegam seus chapéus e casacos e, com coragem no coração e humildade na alma, deixam suas lareiras para sair e encontrar seus irmãos do sacerdócio, para animá-los e fazê-los sentir-se necessários, isso deixa de ser uma estatística e passa a se aproximar daquilo que o Salvador deve ter querido dizer quando declarou: "Ninguém tem maior amor do que este. . . ." (João 15:13.) Certamente eles estão encontrando seus amigos. ¶
Se continuarem assim, os frutos dessa única ação ativarão seus irmãos, até que não haja mais necessidade de acumular cargos nas várias alas e organizações auxiliares da Igreja. Isso também terá seu efeito sobre o lar. Quando a Igreja foi organizada com seis membros, em 1830, foi profetizado que ela encheria a terra. ¶
Gostaria de dizer isto sobre um homem, uma esposa e quatro filhos. Perfazem seis. Sempre que qualquer homem nesta Igreja ocupa seu devido lugar no lar, como cabeça desse lar, sob a retidão do sacerdócio, e cuida de sua família da maneira devida, criando seus filhos para crer, ter fé e aceitar os princípios, o destino final dessa família, o resultado final para esse homem, será o mesmo que se ele tivesse organizado uma igreja. Na contabilidade final, sua posição será tão elevada que seus seis se terão multiplicado numa multidão. Assim, nós mesmos, irmãos, podemos fazer coisas que reproduzirão para nós, individualmente, o que o Profeta fez tão nobremente por todos nós. ¶
Pois bem, isso é usar o sacerdócio. Tenho me perguntado, muitas vezes, o que aconteceria a um homem que de repente se visse sem ele. Muitos de nós não damos muita importância a isso e o deixamos escapar, mas suponhamos que não o tivéssemos? Suponhamos que não pudéssemos usá-lo? Suponhamos que, de repente, nos dissessem que não poderíamos exercê-lo? ¶
Tive essa experiência certa vez, durante a Segunda Guerra Mundial. Meu filho teve ocasião de vir para casa de licença de seu acampamento militar. Era durante o período em que se realizava a conferência e, em obediência à solicitação do governo, a Igreja havia deixado de realizar suas reuniões neste edifício, realizando-as no Salão de Assembleias. Por conseguinte, devido ao seu tamanho, a entrada tinha de ser feita mediante ingresso. A menos que um homem ocupasse um cargo presidente na Igreja, não podia obter um ingresso. Simplesmente não havia espaço suficiente para que comparecesse alguém além dos líderes de estaca e de ala. A Presidência da Igreja, em sua bondade, pensando nesses rapazes que precisavam de um ânimo extra, providenciou para que qualquer rapaz que viesse para casa de licença pudesse obter um ingresso e entrar. Lembro-me de trazer meu filho de Ogden e parar no portão sul, observando-o passar. Quando o guarda o deixou passar e fechou o portão diante de mim, encostei-me nas grades, observando-o até que finalmente desapareceu pela porta aberta do Salão de Assembleias. E então, creio que soube o que significa quando uma pessoa, de repente, não pode fazer o que gostaria de fazer nesta Igreja, não pode conviver com aqueles com quem gostaria de conviver. ¶
Fui completamente privado de meus direitos. ¶
Eu possuía o sacerdócio, mas não podia exercê-lo. Havia porteiros e assistentes, e jardineiros, e recepcionistas ali — mas não me foi permitido entrar. ¶
Afastei-me com a terrível sensação de estar excluído. Espero jamais ter uma experiência semelhante novamente. Foi para mim uma lição do que poderia me acontecer se eu perdesse meus direitos. Não quero perder meus direitos. Quero ser capaz, quando chegar a hora, de atravessar aquele portão e encontrar minha família e meus entes queridos, e então prosseguir para aquele destino reservado para os que desejam ser retos. Creio que expresso o sentimento de todos os que possuem o sacerdócio ou que são esposa ou filho de alguém que o possui. ¶
Lembro-me de uma escritura que gostaria de aplicar a vós, homens que possuís o sacerdócio e que presidis sobre o sacerdócio, porque, sem vossa presidência ativa, pouco acontecerá. ¶
Nesta Igreja, os homens têm sido ensinados a esperar até serem designados para fazer algo; normalmente, os homens não se oferecem voluntariamente para ocupar um cargo ou prestar serviço. ¶
Esse é um método tradicional. Portanto, se quiserdes que esses homens trabalhem, irmãos, deveis procurá-los, deveis encontrá-los, deveis visitá-los, e deveis fazê-los sentir-se necessários e desejados. Então, vede-os responder. ¶
Esta é a escritura: ¶
Em verdade eu digo: Os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão. (D. & C. 58:27.) Que o Senhor nos ajude a fazê-lo, rogo, em nome de Cristo. Amém. ¶