Conselho Financeiro aos Santos
Delbert L. Stapley
Meus irmãos e irmãs, gostaria de prestar homenagem ao nosso saudoso e amado associado, o Élder John A. Widtsoe, homem que contribuiu muito para esta Igreja e seu povo. Ele deixou muitos livros, manuscritos e folhetos que todos podemos usar e aproveitar. Também quero dar boas-vindas ao Élder Adam S. Bennion ao Quórum dos Doze e garantir-lhe que tem meu amor, minhas orações, minha bênção, minha ajuda. Sei que ele contribuirá muito para a obra. Ele está preenchendo o lugar de um indivíduo muito importante, mas sei que ele se elevará às grandes responsabilidades deste chamado. ¶
Gostaria que guardásseis em mente, meus irmãos e irmãs, enquanto vos falo, os discursos do Presidente David O. McKay sobre o lar, do Bispo Thorpe B. Isaacson sobre a segurança no evangelho de Jesus Cristo, e o discurso do Presidente Bruce R. McConkie sobre o Espírito Santo, seus poderes e funções. ¶
Perto do fim de seu ministério, Cristo ensinou a seus discípulos que ele deveria sofrer muitas coisas e ser crucificado, e ressuscitaria no terceiro dia. Pedro repreendeu o Salvador, dizendo: "Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te aconteça isso." Jesus se voltou para Pedro e disse: "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens." (Mateus 16:22-23.) Se o Senhor andasse entre nós hoje, seríamos para ele uma pedra de tropeço e estaríamos sujeitos a repreensão por preferirmos as coisas dos homens às coisas de Deus? ¶
Nosso mundo moderno, científico e material, com suas grandes realizações, comodidades, confortos e tentadora prosperidade, tem desviado muitos homens de bem de seu propósito declarado de servir a Deus fielmente. ¶
As oportunidades de riqueza, e o poder que as acompanha, muitas vezes impelem os homens a buscar posses crescentes, dinheiro e as honras dos homens mais do que o amor e o favor de Deus. A fé de muitos desses homens é frequentemente destruída, e suas oportunidades e bênçãos espirituais, sacrificadas. Tornam-se frios e indiferentes à religião e trespassam a si mesmos e a suas famílias com muitas tristezas. ¶
. . . é a vontade de Deus que o homem se arrependa e o sirva com saúde, e na força e no poder de sua mente, a fim de assegurar sua bênção, e não espere até ser chamado a morrer. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, 197.) ¶
Temos a responsabilidade, como pais, de prover para os nossos, e em nossos melhores esforços para fazê-lo normalmente há acumulações de bens materiais. ¶
Não há nada contra o fato de uma pessoa ganhar e desfrutar de posses materiais, desde que não se prejudique espiritualmente no processo e cumpra completamente seus convênios celestiais e sagradas obrigações para com seu Deus. "Pois a vida do homem", diz o Salvador, "não consiste na abundância das coisas que possui." ¶
O Senhor nos deu as boas coisas da terra para que pudéssemos servi-lo melhor. De alguma forma as pessoas se confundem em seus valores e deixam de reconhecer os propósitos importantes da vida terrena que um Pai Celestial bondoso e amoroso tão graciosamente lhes proveu. ¶
Nossa posse mais importante é o evangelho. Não tem equivalente. Abrange toda a verdade. É o único plano de vida e salvação eterno e aplicável a toda a humanidade. ¶
A obediência a seus princípios, doutrinas e ordenanças é nossa única esperança de proteção e paz num mundo perturbado. O Senhor nos aconselhou "a buscar primeiro o reino dos céus e a sua justiça, e tudo o mais será acrescentado." Os nefitas, após o ministério de Cristo entre eles, durante duzentos anos usufruíram plenamente dos benefícios de seguir esse conselho. Houve uma época sem precedentes de retidão e fé entre esse povo. Tinham todas as coisas em comum entre si. ¶
Não havia ricos nem pobres, servos nem livres, e não havia contendas nem disputas entre eles. Tratavam-se com justiça uns aos outros; o Senhor os prosperou grandemente; e edificaram grandes cidades. Em Quarto Néfi lemos: ¶
E aconteceu que não havia contendas na terra, em virtude do amor a Deus que existia no coração do povo. ¶
E não havia invejas nem disputas nem tumultos nem libertinagens nem mentiras nem assassinatos nem qualquer espécie de lascívia; e certamente não poderia haver povo mais feliz entre todos os povos criados pela mão de Deus. (4 Néfi 15-16.) ¶
Deus os abençoou em todos os seus feitos, mas mais tarde, porém, a riqueza, o orgulho e o desejo de influência e poder levaram à sua completa destruição como povo e nação. A decadência moral sempre foi a ruína dos povos e das nações. ¶
A fé em Deus e em seu filho Jesus Cristo deve encontrar acolhida e expressão plena e contínua em cada coração, ou o homem será destruído por sua própria ignorância e materialismo. Hoje, o mundo do homem, com o Cristo e seus ensinamentos, está à beira do desastre. Ao pensar nisso, pergunto-me em que condição estaria o mundo se não tivesse um Cristo e não tivesse seus ensinamentos, com o grande plano de salvação como o conhecemos e compreendemos. Sem dúvida o povo do mundo teria sido destruído há muito tempo. ¶
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ganhou influência e prestígio entre os homens. Suas oportunidades de fazer o bem são ilimitadas. Se a Igreja há de ser como uma luz sobre um monte e um farol para todos os povos, estou firmemente convencido de que nosso dever mais importante é sermos discípulos verdadeiros, fiéis e devotados de Cristo, e não como o povo do mundo, pois o Senhor nos chamou para fora do mundo, um povo a ele peculiar. Em I João lemos: ¶
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. ¶
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba da vida, não é do Pai, mas é do mundo. ¶
E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (I João 2:15-17.) ¶
Isso não significa que o Senhor negará ao seu povo as boas coisas que a ciência e a invenção modernas proveram para melhor desfrute da vida, mas somos aconselhados a renunciar aos empreendimentos e prazeres mundanos em favor das coisas celestiais e espirituais. ¶
O Profeta Joseph Smith disse: "Como Igreja e como povo, cabe-nos ser sábios e procurar conhecer a vontade de Deus, e então estar dispostos a fazê-la, pois bem-aventurado é aquele que ouve a palavra do Senhor e a guarda." Para realizar os propósitos do reino dos últimos dias do Senhor, seu povo deve mostrar visão e compreensão por meio de escolhas e julgamentos corretos nos assuntos pessoais, à medida que são influenciados pelo Espírito Santo, o dom celestial e o poder dado para guiar seus Santos fiéis. Isso estabelece um exemplo e um padrão de conduta empresarial que todos os homens podem seguir com proveito e confiança. Sob as atuais condições econômicas duvidosas, nós, como Santos dos Últimos Dias, não devemos sobrecarregar nossos recursos, tomando riscos imprudentes e perigosos. Fazê-lo nos tornaria vulneráveis a reveses e perdas, afetando assim seria e adversamente nossas vidas e a obra do Senhor. ¶
Manter-nos financeiramente fortes e seguros naquilo que possuímos é da maior importância para cada um de nós. Creio ser sensato ter disponível capacidade de empréstimo não utilizada, mesmo em condições menos que normais, e também contas bancárias ou poupanças satisfatórias (que poderiam ser dólares baratos) para nos sustentar em situações ou condições difíceis. Quaisquer reveses sem fundos disponíveis ou privilégios de empréstimo poderiam pôr em risco todos os nossos haveres. Este não é o momento de termos nosso crédito esticado ao limite e nenhuma reserva de caixa disponível. ¶
Nesta grande terra nossa, desfrutamos de doze anos de prosperidade. Nenhum período anterior chega perto de se comparar a isto, seja em volume ou em duração. Pareceria agora prudente, sábio e oportuno estabilizarmos nossas posições financeiras, tornando seguros nossos bens e posses, para assegurar segurança, padrões de vida adequados, vantagens culturais e econômicas para nós mesmos e nossas famílias, e também tornar possível nosso mais sagrado dever, o de edificar o reino do Senhor na terra. ¶
O Senhor aconselhou seu povo a orar por seus rebanhos e manadas, o que se aplica aos interesses de todo homem. ¶
Se vivemos fielmente o evangelho e honramos o Santo Sacerdócio de Deus, temos o direito e a reivindicação sobre ele quanto às suas bênçãos e à inspiração para nos guiar na tomada de decisões corretas na condução de nossos negócios neste período de incerteza econômica. ¶
Há sérios obstáculos pela frente, luzes de advertência piscando que os Santos dos Últimos Dias não podem ignorar. Nesta última semana, o mercado de ações correu em busca de refúgio diante de indícios de uma possível paz na Coreia. Os negócios e os mercados são sensíveis a qualquer mudança nas condições mundiais. Devemos reconhecer os sinais dos tempos, conforme indicado pela profecia, e ter visão e sábia compreensão das tendências nacionais e mundiais para salvaguardar nossos interesses e assim fortalecer a causa de Sião, tal como José do passado tão sabiamente planejou e se preparou para os dias de fome e adversidade, tornando-se assim um grande benfeitor para os egípcios e para a família de seu pai. Precisamos de toda a ajuda que a fé, a oração e a inspiração podem dar. ¶
Os Santos dos Últimos Dias, ao se libertarem das dívidas e assim garantirem seus bens, poderiam dar um bom exemplo para todos os povos. Fomos recentemente aconselhados, deste púlpito, pelo Presidente Stephen L Richards, a nos livrarmos das dívidas, e esse conselho, agora, sob as atuais condições econômicas, e particularmente à luz dos acontecimentos da última semana, é muitíssimo oportuno e sábio. Com tal admoestação não deveria haver motivo para errarmos em nossos julgamentos quanto ao rumo que devemos seguir. ¶
Estamos cientes das recentes medidas de economia governamentais que, espero, todos aprovamos e pelas quais elogiamos nossos líderes nacionais, mas isso de fato indica uma tendência cautelosa em nossa vida nacional e certamente se espalhará para outros setores. ¶
Também testemunhamos um ajuste nos preços de produtos agrícolas e de gado. ¶
Apesar dos pesados pedidos militares do governo, os produtos de consumo estão se tornando mais abundantes e as escassezes progressivamente menos numerosas. Os preços em algumas linhas estão amolecendo, e o índice do custo de vida está diminuindo. O longo período de expansão inflacionária sustentada, possibilitado pelo susto de guerra, pelos altos impostos, por uma dívida governamental descomunal, além de problemas mundiais cada vez mais sérios com a paz em jogo, são sinais de perigo que exigem cautela e decisões sábias. ¶
Os ajustes econômicos que agora se processam deveriam, a longo prazo, ser benéficos para nossa economia nacional, mas alguns segmentos de nossa vida econômica não podem deixar de ser prejudicados pelos preços mais baixos causados por tais ajustes. Alguns de nosso povo já sofreram perdas sérias e onerosas. ¶
É geralmente aceito que 1953 será um bom ano de negócios, o primeiro semestre favorável, o segundo talvez duvidoso, e 1954, bastante nublado. Os Santos dos Últimos Dias deveriam aproveitar quaisquer bons tempos remanescentes pela frente para se livrarem das dívidas, tornarem seguros os bens presentes, e não arriscarem contra as probabilidades de uma alta taxa de prosperidade continuar. Ninguém pode jamais ser criticado por consolidar sua posição e seus bens para garantir segurança e oportunidades para si mesmo e sua família. Devemos lembrar que pagamos nossas obrigações e cumprimos nossos compromissos com o que resta depois dos impostos. ¶
A tributação é um capataz pesado e um professor rigoroso. Pergunto-me se cargas tributárias mais pesadas, deixando-nos menos para mostrar por nosso trabalho e nossos hábitos econômicos, são necessárias antes que percebamos quais são os verdadeiros valores da vida. ¶
O Profeta Joseph Smith emitiu este aviso: ¶
Profetizarei que os sinais da vinda do Filho do Homem já começaram. Uma pestilência assolará após outra. . . . Alguns podem ter clamado paz, mas os Santos no mundo terão pouca paz de agora em diante. . . . Guerras estão próximas. . . . Devemos ter a edificação de Sião como nosso maior objetivo. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, 160.) ¶
Chamo vossa atenção para a declaração do Presidente Joseph Fielding Smith na sessão de conferência do último sábado, quando disse que a paz não virá à terra até que o Salvador a traga em sua segunda vinda. ¶
Ora, neste discurso, meus irmãos e irmãs, não pretendo causar pânico ou medo nos corações do povo Santo dos Últimos Dias. Novamente, 1953 é considerado um ano razoável; contudo, um programa ordenado e planejado de liquidação de dívidas, com proteção dos interesses, eliminando todos os riscos e perigos, deveria ser muito útil e não prejudicial à economia nacional, e, como interpreto as condições atuais, parece-me ser o rumo sábio a seguir. Sei que isso trará paz e conforto de mente, e um glorioso sentimento de segurança e bem-estar para aqueles que amamos e que dependem de nós, com plena confiança e crença, para as necessidades e oportunidades da vida. ¶
Minha alma está repleta do espírito desta obra dos últimos dias. É de suma importância. ¶
Não pode falhar. Deus nos chamou para santos chamados e conta conosco para nos mantermos livres de enredamentos e envolvimentos financeiros, a fim de servi-lo livre e eficazmente e promover seu glorioso reino na terra. Que possamos sempre guardar em mente estas sugestões e sermos fiéis e verdadeiros em nossas obrigações para com a Igreja, oro em nome de Jesus Cristo. ¶
Amém. ¶