Pulpit

Fé para o Arrependimento

Mark E. Petersen

1953 April General Conference·Second Day Afternoon Meeting·1953-04-05

Permiti-me ler novamente as belas palavras que acabaram de nos ser cantadas por nosso maravilhoso coro.

O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.

Deitar-me faz em verdes pastos; guia-me mansamente a águas tranquilas.

Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por causa do seu nome.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum,

porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para sempre. (Salmos 23.)

Isso é um grande testemunho. Sou grato de que o coro tenha cantado este número, dando este testemunho do salmista, porque esta tem sido uma conferência de testemunhos — testemunho após testemunho da divindade do Senhor Jesus Cristo, testemunho após testemunho da bondade do Senhor nosso Pai para com todos os homens que o seguirem e verdadeiramente o fizerem seu pastor. As pessoas que assim o seguem testificam de novo, dia após dia, que o Senhor é seu pastor; nada lhes faltará, e dizem: "Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para sempre."

Lembro-me também que este coro cantou palavras de Isaías: "Todos nós como ovelhas andávamos desgarrados." (Isa. 53:6.) E então me lembro desta linda história do Salvador:

Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou?

E se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior alegria tem por aquela do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.

Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. (Mateus 18:12-14.)

A obra da Igreja é uma obra de conversão. Isso ficou bem demonstrado pelos testemunhos e pelos maravilhosos discursos que foram dados aqui, e pelos apelos que foram feitos por novas conversões. Buscamos a conversão de nós mesmos, de nossos filhos, e de toda a humanidade que nos ouvir — conversão até o ponto em que nós e eles estejamos dispostos a aceitar os ensinamentos e mandamentos do Senhor nosso Salvador, e ao segui-los, realizar nossa salvação. Como o Senhor diz aqui, "... não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca." (Idem, 18:14.) Mas apesar de todo o trabalho que se faz na Igreja no sentido de conversão e ensino, e tanto trabalho maravilhoso é feito, há alguns casos em que as pessoas retrocedem e se afastam. Às vezes aceitam os ensinamentos de falsos líderes e falsos mestres que as desviam.

Muitas vezes me pergunto por que algumas pessoas apostatam da verdade. Nunca acreditei que uma pessoa se afaste de repente, tudo de uma vez, mais do que uma pessoa que tenha sido reta e honesta a vida toda de repente saísse e assaltasse um banco.

Há algum trabalho preparatório feito de antemão. Há algum processo de "amolecimento" que leva à condição de apóstata. Grandes pecados geralmente são precedidos por pequenos, e creio que isso é verdade a respeito das pessoas que se afastam da verdade.

Sementes são semeadas, sementes de dúvida, descrença, desconfiança, desrespeito. Estas sementes são regadas; são nutridas, e finalmente se desenvolvem plenamente até produzirem seu fruto maligno.

Quem semeia estas sementes de dúvida e desconfiança? Elas são semeadas de muitas maneiras.

Poderia mencionar algumas.

Ouvi falar de um homem que afirma ser um muito bom Santo dos Últimos Dias. Ele afirma que ama a Igreja, mas também ama o mundo, e vive tão perto quanto pode da linha da desobediência sem realmente violar a letra da lei. Ele não percebe que deve evitar até mesmo a própria aparência do mal. Ele não percebe, possivelmente, que ao viver tão perto quanto pode da linha da desobediência, semeia sementes de dúvida e desconfiança na mente dos outros.

Há aqueles que vivem em rebelião aberta contra a palavra de Deus e violam os mandamentos contínua e intencionalmente, e é claro que sempre deixam dúvida na mente dos outros, com algum desrespeito por eles mesmos.

E há ainda as sementes que são semeadas por alguns de nossos professores e pregadores dentro de nossa própria organização, que gostam de propor alguma nova doutrina, ou alguma nova interpretação, ou alguma teoria especulativa, ou de propor algo sensacional, porque propor o sensacional parece alimentar seu ego, na medida em que se tornam o centro de uma discussão.

A maioria de nossos professores e pregadores é maravilhosa. Ensinam a verdade; promovem conversões na mente e no coração daqueles que os ouvem. Mas há esses poucos professores que semeiam sementes de dúvida por meio de doutrinas especulativas e infundadas, e ao fazê-lo "amolecem", para usar a expressão militar, alguns de seus ouvintes que mais tarde podem ser assimilados pelos professores apóstatas que surgem entre eles.

É minha plena convicção que sempre que qualquer um de nós aceita um cargo de qualquer descrição na Igreja, aceitamos junto a responsabilidade daquele cargo, seja ele qual for. Creio que se uma pessoa aceita um cargo de professor em uma de nossas organizações, ou se aceita a responsabilidade de pregar do púlpito, essa pessoa aceita a responsabilidade que acompanha esse chamado. Ela se torna representante da Igreja naquele cargo.

Todo professor e todo pregador, portanto, tem o dever, ao aceitar tal chamado, de representar as opiniões e doutrinas oficiais da Igreja, e de ensinar essas doutrinas oficiais em sua classe ou do púlpito, com o único pensamento em mente de que a conversão deve ocorrer no coração daqueles que o ouvem. Não creio que a conversão à verdade venha por meio do ensino de meias-verdades ou inverdades.

Nossas salas de aula e salões de reunião foram construídos a grande custo com apenas um pensamento em mente, que é que neles possamos ensinar a verdade para que possamos converter aqueles que ali vêm, para que eles, por sua vez, vivam o evangelho e realizem sua salvação na terra.

Não creio que as salas de aula ou os púlpitos de nossa Igreja sejam para fins de laboratório em que se experimentem novas doutrinas e noções especulativas. Eles são exclusivamente para o uso daqueles que estão dispostos a converter homens, mulheres, meninos e meninas à verdade.

Há apenas um homem em todo o mundo que tem o direito de introduzir uma nova doutrina nesta Igreja, e esse homem é o Presidente da Igreja. Então, professores, até que se tornem o Presidente da Igreja, estarão dispostos a se contentar com as doutrinas atualmente aceitas oficialmente pela Igreja?

Não creio que possamos escapar da responsabilidade de encaminhar alguém pelo caminho errado se ensinarmos princípios errados. Não creio que nenhum de nós possa se dar ao luxo de assumir essa responsabilidade.

Não creio, portanto, que possamos trazer para nossas classes ou sermões visões e doutrinas que não são aceitas e oficialmente advogadas pela Igreja.

Não creio que nenhum professor em nenhuma organização tenha o direito de descartar o curso de lições prescrito e substituí-lo por artigos de revista, discussões filosóficas, palestras, ou qualquer outro assunto estranho.

Não creio que possamos trazer para nossas salas de aula ou sermões as filosofias e doutrinas de homens não inspirados do mundo, por mais bem instruídos que sejam, e apresentá-las como verdade aceita.

Não creio que devamos aceitar toda teoria proposta por homens de ciência como se fosse verdadeira. Esses homens mudam de opinião com demasiada frequência para isso.

Não creio que devamos trazer para nossas classes e sermões as doutrinas de outras igrejas e ensiná-las como verdade aceita.

Não creio que devamos ensinar as doutrinas do Israel Britânico ou organizações semelhantes, por mais sensacionais que sejam, apresentando-as ao nosso povo como se fossem verdadeiras.

Não creio que devamos dar tempo em nossas classes a discussões sobre as alegadas interpretações das medidas da Grande Pirâmide do Egito, tão fantásticas e não confiáveis quanto costumam ser.

Não creio que devamos aceitar as opiniões atuais de que as dez tribos perdidas foram encontradas nas nações do norte da Europa, ou que foram nomeadas, indexadas e classificadas.

Não creio que possamos aceitar a noção peculiar de que o mítico Odin do Norte era na realidade o Salvador do mundo realizando sua obra entre as nações do norte da Europa ou as dez tribos.

Não creio que devamos dar crédito às teorias altamente especulativas sobre a geografia do Livro de Mórmon.

Não creio que houvesse duas Colinas Cumorah, uma na América Central e outra em Nova York, para a conveniência do Profeta Joseph Smith, para que o pobre rapaz não precisasse caminhar até a América Central para conseguir as placas de ouro.

Não creio que possamos ser bons Santos dos Últimos Dias e questionar a integridade de Joseph Smith.

Não creio que possamos ser bons Santos dos Últimos Dias e questionar o testemunho das onze testemunhas do Livro de Mórmon.

Não creio que tenhais um testemunho da verdade se questionardes a precisão da tradução do Livro de Mórmon.

Não creio que tenhais os fatos ou sejais honestos convosco mesmos se questionardes o Manifesto tal como aparece em Doutrina e Convênios.

Não creio que devamos tentar estabelecer nossos modismos pessoais como doutrina da Igreja. Não creio que minha salvação eterna seja afetada de nenhuma forma se eu comer pão branco ou açúcar branco. Não creio que as doutrinas da Igreja estejam de nenhuma forma envolvidas em saber se meu trigo integral é moído em pedra ou cortado em aço.

Não creio que possamos ser bons cristãos, seja qual for a denominação, se nos recusarmos a crer que Jesus Cristo morreu na cruz. Não creio que ninguém possa ser um bom cristão, seja qual for a denominação, se questionar a realidade da ressurreição literal e física de Jesus Cristo no terceiro dia após sua crucificação.

Não creio que possamos ser bons cristãos de qualquer denominação e rejeitar o Antigo Testamento. Não creio que possamos ser bons cristãos de qualquer denominação e rejeitar as epístolas do Novo Testamento.

Não creio que possamos ser bons Santos dos Últimos Dias, ou que sejamos leais a esta Igreja, se aceitarmos alegadas revelações de homens e mulheres que afirmam tê-las recebido para os membros da Igreja, quando sabemos que o Senhor designa o Presidente da Igreja como o único na terra a quem ele revelará sua mente para a Igreja em geral.

Não creio que possamos ser bons Santos dos Últimos Dias ou bons cristãos de qualquer denominação e aceitar os ensinamentos de alguns de que a morte foi um erro, que pode ser evitada, e que podemos alcançar a imortalidade sem passar pela morte, apenas seguindo os ensinamentos de algum falso profeta.

Não creio que possamos ignorar os ensinamentos do Salvador quando disse,

... não haverá disputas entre vós, como até agora tem havido; nem haverá disputas entre vós sobre os pontos de minha doutrina, como até agora tem havido.

Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros. (3 Néfi 11:28-29.)

Por outro lado, creio mais positivamente que, se trouxermos falsos ensinamentos para nossas classes ou sermões, fazemos um grande desserviço ao nosso povo, pois confundimos sua mente, fazemo-los duvidar da verdade quando lhes é dada, e os "amolecemos" para os ataques dos professores apóstatas que surgem entre eles.

Creio positivamente que sempre que ensinarmos alguma noção especulativa ou tentarmos desvendar algum mistério, ou propor alguma doutrina não aceita pela Igreja, contribuímos para a delinquência espiritual daqueles que influenciamos.

Creio que sempre que, por nossos atos ou nossos ensinamentos, refletirmos descrédito sobre a Igreja ou suas doutrinas, contribuímos para a delinquência espiritual daqueles ao nosso redor.

Creio que Deus nos responsabilizará por todo ato e palavra pelos quais contribuímos para a delinquência espiritual de outras pessoas.

Creio que o Presidente da Igreja é, em verdade, o porta-voz de Deus na terra, o profeta, vidente e revelador do Senhor, e que ele, e somente ele, tem o direito e o poder de dar à Igreja quaisquer novas doutrinas ou novas interpretações de doutrinas existentes.

Creio que Jesus Cristo é o Filho do Deus Eterno, Criador dos céus e da terra, que morreu na cruz e ressuscitou no terceiro dia, literal e fisicamente.

Creio positivamente que, assim como todos morremos, também nós, pelo poder de Jesus, o Cristo ressuscitado, seremos literal e fisicamente ressuscitados.

Creio que as doutrinas e ensinamentos revelados de Cristo nos salvarão sem quaisquer adições de pessoas não autorizadas.

Creio que o Senhor deu aos Santos dos Últimos Dias uma boa dose de inteligência. Creio que ele espera que usemos essa inteligência ao estudar sua palavra revelada e seguir seus profetas aqui na terra, para que não sejamos levados de um lado para outro por todo vento de doutrina.

Creio que ele espera que nossos professores e pregadores usem o bom senso que ele lhes deu para ensinar a verdade simples que salva, em vez das especulações e teorias dos homens, que apenas confundem a mente e levam alguns de nosso povo para fora da Igreja.

Creio que, pelo ensino apropriado da verdade revelada, podemos converter a nós mesmos e a nossos filhos e a todos os outros que estejam dispostos a nos ouvir.

Creio que as pessoas se convertem à verdade apenas pela verdade e não pelo ensino de meias-verdades e inverdades.

Creio que somente ao ensinar e viver lealmente os verdadeiros princípios do evangelho podemos cumprir a responsabilidade que Deus nos deu, e este é o meu testemunho em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoMark E. Petersen, “Fé para o Arrependimento”, 1953 April General Conference, Second Day Afternoon Meeting (1953-04-05). Pulpit Vault, 1953-04-petersen-ay-i-read-again-the-beautiful-words. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).