Revigorando Nossa Confiança em Deus
Marion G. Romney
Venho a vós nesta manhã representando um povo para quem a inscrição em nossa moeda nacional, "Em Deus Confiamos" — tem real significado. Pois sabemos que persiste um relacionamento efetivo entre Deus e esta terra e seu povo. ¶
Séculos atrás, o Senhor designou a América como uma terra boa, escolhida acima de todas as outras, para ser reservada a um povo justo. Ainda que fosse desconhecida dos eurasianos, ele decretou que só seria descoberta sob sua orientação, e prometeu a seus habitantes, desde então e para sempre, que eles "... se veriam livres da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu" (Éter 2:12), se o servissem. Por outro lado, advertiu que, se não o servissem, "seriam levados ao cativeiro, e também à destruição, tanto temporal quanto espiritualmente". ¶
Antes da vinda de Colombo, dois poderosos povos que habitavam esta terra prosperaram ao obedecer aos mandamentos de Deus e, ao rebelar-se contra eles, afundaram no esquecimento. Seus registros são prova eloquente da certeza da advertência e da promessa de Deus. ¶
Os construtores da América moderna, embora sem conhecimento do decreto divino, têm estado cientes de Deus, permanecendo "na sombra, velando sobre os seus". ¶
Colombo, sem saber que tal decreto havia sido dado, ainda assim testemunhou a verdade da declaração de que os descobridores da América seriam guiados por inspiração divina. "Deus me deu a fé e, depois, a coragem, de modo que fiquei inteiramente disposto a empreender a viagem", disse ele a seu filho, e em seu testamento escreveu: ¶
Em nome da santíssima trindade, que me inspirou a ideia e depois me fez perceber com toda a clareza que eu poderia navegar e chegar às Índias partindo da Espanha, atravessando o oceano rumo ao ocidente. ¶
Os primeiros colonizadores do litoral atlântico testemunharam que foram guiados e sustentados pelo poder de Deus. Os colonos, rejeitando a tirania do Rei Jorge, apelaram "ao Supremo Juiz do mundo pela retidão" de suas intenções e, "com firme confiança na proteção da Divina Providência", ¶
lutaram pela liberdade. ¶
Num momento crítico, Franklin dirigiu-se assim à convenção constitucional: Fomos assegurados, senhor, nos escritos sagrados, de que "se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam". ¶
Creio firmemente nisso; e também creio que, sem sua ajuda concorrente, não teremos, nesta construção política, êxito maior do que os construtores de Babel. (Documentary History of the Constitution of the United States, vol. III, pp. 235-237.) Em sua Proclamação de Ação de Graças de 1789, Washington fez sete referências distintas ao Todo-Poderoso, a quem reconheceu como a fonte de todas as bênçãos da nação, incluindo a vitória na Revolução e "a oportunidade de estabelecer uma forma de governo para" nossa "segurança e felicidade". ¶
Talvez nenhum americano, exceto os profetas, tenha depositado uma confiança tão implícita em Deus quanto o Grande Emancipador. ¶
A partir de suas experiências pessoais, ele testemunhou que estava tão certo de que Deus age diretamente nos assuntos humanos quanto estava certo de um fato evidente aos sentidos, como o de estar na sala onde então falava. Disse ele: ¶
Tive tantas evidências de sua orientação, tantos casos em que fui controlado por algum outro poder que não a minha própria vontade, que não posso duvidar de que esse poder vem do alto. Frequentemente vejo com clareza o caminho para uma decisão quando estou consciente de que não tenho fatos suficientes para fundamentá-la. Mas não consigo lembrar-me de um único caso em que segui meu próprio julgamento, fundamentado em tal decisão, cujos resultados fossem insatisfatórios; ao passo que, em quase todos os casos em que cedi aos pontos de vista de outros, tive ocasião de me arrepender. (Abraham Lincoln — Man of God, John Wesley Hill, 124.) Uma acentuada diminuição de nossa confiança em Deus ocorreu na América desde os dias de Lincoln, cujo efeito é evidente por toda parte. Nós e nosso amado país estamos hoje numa encruzilhada em nossos esforços para manter a nossa gloriosa herança americana de liberdade política, temporal e espiritual, conquistada e legada a nós pelos fundadores, que a haviam inscrito em seus corações, tanto quanto em seu dinheiro, "Em Deus Confiamos". Em cada povoado de nossa terra surge um clamor pungente por um retorno àquela confiança em Deus com a qual os fundadores construíram nossa nação. Creio que estamos chegando quase a uma unanimidade no sentimento de que a grande e imperiosa necessidade desta hora de decisão para a América é revigorar nossa confiança em Deus. ¶
Creio que podemos fazê-lo. Sei que podemos fazê-lo, se apenas estivermos dispostos a pagar o preço. Possuindo um conhecimento seguro da verdade do que digo, aponto dois pré-requisitos para a realização dessa nossa grande necessidade: primeiro, devemos, em humildade, buscar em oração fervorosa o Deus em quem confiamos; segundo, devemos dedicar-nos a guardar seus mandamentos. ¶
"Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto", aconselhou Isaías. (Isaías 55:6.) "De tarde e de manhã e ao meio dia orarei, e clamarei, e ele ouvirá a minha voz", cantou o Salmista. ¶
(Salmos 55:17.) "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação" (Mateus 26:41), ensinou Jesus. E em sua vida perfeita ele estabeleceu o exemplo. Ele orou (Lucas 3:21) e jejuou quarenta dias (Mateus 4:2) no início de seu ministério público; orou no deserto (Lucas 5:16); orou ao amanhecer (Marcos 1:35); orou a noite inteira antes de escolher os Doze Apóstolos (Lucas 6:12); orou por força no Getsêmani; e, por fim, na cruz, na hora de sua morte, orou. (Ibid., 23:34.) Todos os homens que, "sob Deus", fizeram avançar a causa da retidão na América foram homens de oração. Quem não ouviu o relato de Isaac Potts sobre Washington ajoelhado na neve, em oração, em Valley Forge? A sublime confiança de Lincoln em Deus veio depois que ele, muitas vezes, fora levado a ajoelhar-se em oração. Assim explicou ele ao General Sickles a razão da serenidade que sentiu enquanto o desfecho da batalha de Gettysburg estava por decidir-se: ¶
No momento crítico daquela campanha, quando todos pareciam tomados de pânico e ninguém sabia dizer o que iria acontecer, oprimido pela gravidade dos acontecimentos, fui um dia ao meu quarto, tranquei a porta e me ajoelhei diante do Deus Todo-Poderoso, e orei-lhe fervorosamente por vitória em Gettysburg. Disse-lhe que esta guerra era dele, e que nossa causa era a causa dele, mas que não poderíamos suportar mais um Fredericksburg ou Chancellorsville. Ali mesmo, fiz um voto solene ao Deus Todo-Poderoso de que, se ele ficasse ao lado de nossos rapazes em Gettysburg, eu ficaria ao lado dele; e ele ficou ao lado de nossos rapazes, e eu ficarei ao lado dele. E depois disso, não sei como foi, e não sei explicar, logo um doce conforto invadiu minha alma. Veio-me o sentimento de que Deus havia tomado todo o assunto em suas mãos, e de que as coisas dariam certo em Gettysburg, e é por isso que eu não tinha medo algum a vosso respeito. ¶
(Hill, op. cit., 339-340.) Se quisermos revigorar nossa confiança em Deus, nós — vós e eu — devemos ajoelhar-nos e orar-lhe como Lincoln orou, com toda a energia de nossas almas. ¶
E devemos fazê-lo como o Salmista, de tarde, de manhã e ao meio-dia. Não podemos deixar isso para o próximo; devemos fazê-lo nós mesmos, e devemos fazê-lo agora. Se começarmos e encerrarmos cada dia orando a nosso Pai Celestial em segredo, como o Salvador admoestou, agradecendo-lhe por nossas vidas, por sua proteção sobre nós e sobre os que amamos, por nosso conforto material, pela liberdade de que desfrutamos nesta gloriosa terra; se lhe rogarmos que nos guie nos caminhos da retidão para que mereçamos a continuação de suas misericórdias; se o chefe de cada lar reunir diariamente sua família ao seu redor e, orando com ela, e ela orando com ele, adorar verdadeiramente o Senhor, o primeiro passo longo e seguro será dado rumo a revigorar nossa confiança em Deus. ¶
Para dar o segundo passo, devemos aprender que, na relação entre Deus e nós mesmos, ambas as partes têm obrigações. Devemos ficar ao lado do Senhor, como Lincoln prometeu fazer, pois ele prometeu dar-nos proteção contra o cativeiro temporal e espiritual, e contra todas as outras nações debaixo do céu, somente se o servirmos. Orar é uma forma de servi-lo; outra forma é guardar seus mandamentos. Há inúmeras maneiras pelas quais os estamos violando na América hoje. ¶
Em muitos pontos, o Senhor nos deu orientação específica quanto à conduta de nossas vidas; por exemplo, ele disse: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. (Êxodo 20:7.) Em harmonia com esse mandamento, Washington emitiu a seguinte ordem em 1776: ¶
O General lamenta ser informado de que a tola e perversa prática de praguejar e blasfemar, um vício até então pouco conhecido num exército americano, está se tornando moda. Ele espera que os oficiais, tanto pelo exemplo quanto pela influência, procurem coibi-la, e que tanto eles quanto os soldados reflitam que pouco podemos esperar das bênçãos do céu sobre nossas armas se as insultarmos com nossa impiedade e insensatez. Além disso, é um vício tão mesquinho e baixo... que todo homem de bom senso e caráter o detesta e despreza. ¶
Que respeito se presta hoje a essa proibição contra a profanação? Se ouvis o que eu ouço, sabeis que não colocamos o Senhor em nossa dívida por meio de sua observância. ¶
"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar" (Êxodo 20:8) é outro mandamento familiar. ¶
Que era reverenciado pelo grande Lincoln, evidencia-o uma ordem geral ao exército e à marinha, por ele assinada em 15 de novembro de 1862. Dessa ordem, cito: ¶
O Presidente, comandante-em-chefe do exército e da marinha, deseja e determina a observância ordeira do sábado pelos oficiais e soldados nos serviços militar e naval. . . . A disciplina e o caráter das forças nacionais não devem sofrer, nem a causa que defendem deve ser posta em risco, pela profanação do dia ou do nome do Altíssimo. (Abraham Lincoln, The War Years, III, Carl Sandburg, 374.) Como estamos nós, como nação, hoje, quanto a esse assunto? Não é ele antes notado por sua transgressão do que por sua observância? ¶
"Não adulterarás", ¶
(Êxodo 20:14) falou o Senhor em meio aos trovões e relâmpagos do Sinai, contra um dos mais degradantes pecados, prática que precedeu a desintegração de toda civilização decaída. ¶
A afirmação de Paulo de que nossos corpos são o templo de Deus, de que "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá" (1 Coríntios 3:17), é um princípio eterno ainda em vigor. Grande parte de nossa tristeza e angústia decorre da violação desse mandamento divino. ¶
Poderíamos continuar com outros: "Não furtarás", "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo", "Não cobiçarás" (Êxodo 20:15-17), mas já temos em mente o suficiente para nos persuadir de muitas maneiras pelas quais podemos melhorar, se estivermos realmente, em verdade e sem hipocrisia, comprometidos a guardar os mandamentos de Deus. ¶
Rogo-vos, meus amigos, que revigoremos nossa confiança em Deus por meio de oração fervorosa e do cuidadoso cumprimento dos mandamentos do Senhor. Todo substituto que já experimentamos nos deixou mais afundados no lodo. Nossa integridade, nossas liberdades, nossos tesouros, escoam como areia entre nossos dedos. Nosso cinismo e nosso saber ímpio nos afastam cada vez mais da verdade. Por que não haveríamos de pôr à prova o único plano ainda não experimentado, o da conformidade autodisciplinada aos mandamentos simples e claros do Deus em quem professamos confiar? Fazendo isso, sem desviar-nos nem para a direita nem para a esquerda, tornar-nos-emos fortes e de bom ânimo. O Senhor estará conosco e nos prosperará, aonde quer que formos. Estando assim nossa confiança nele revigorada numa realidade presente e todo-poderosa, o mais forte baluarte em todas as nossas defesas, cantaremos com firme convicção: Deus de nossos pais, a ti, Autor da liberdade, A ti cantamos; Que por muito tempo brilhe nossa terra Com a santa luz da liberdade; Protege-nos com teu poder, Grande Deus, nosso rei. ¶
Para que assim o façamos, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶