O Poder Espiritual do Jejum e da Oração
Delbert L. Stapley
Meus irmãos e irmãs, regozijo-me convosco pelas bênçãos desta conferência. Completei um ano de serviço, e sou muito grato pelas experiências deste último ano. Desejo dar as boas-vindas ao Élder Marion G. Romney no Conselho dos Doze. Por anos o tenho admirado e respeitado por sua devoção e por seu espírito amistoso. Tenho certeza de que todos nós ficaremos satisfeitos com a qualidade do serviço que ele poderá prestar ao povo da Igreja. Desejo também dar as boas-vindas àqueles que foram escolhidos como assistentes do Quórum dos Apóstolos, e empenho-lhes meu amor e apoio. ¶
Espero, meus irmãos e irmãs, não diminuir o espírito desta conferência. Rogo sinceramente pelas bênçãos de nosso Pai Celestial. Ao longo das sessões desta conferência, tivemos um tremendo fortalecimento espiritual, e o conselho dado de guardar os mandamentos de Deus e permanecer em lugares santos foi realmente oportuno. ¶
Jejum e Oração
Ao viajar pela Igreja nestes últimos meses com membros do comitê geral de bem-estar e ao ouvir seus discursos sobre o jejum e a oração, senti que esse princípio possui grande poder espiritual e é uma oportunidade para que as bênçãos de Deus alcancem o povo da Igreja e a própria Igreja. Fiquei impressionado com seu grande significado espiritual. Parece-me que é uma fonte de força, uma fonte de poder, uma fonte de bênção que talvez, como povo, não estejamos utilizando o suficiente; que possui um valor espiritual tremendo para aqueles que observam a lei e a aplicam fielmente. Parece-me também que o jejum e a oração podem ser empregados para abençoar outros, e que, se observássemos fielmente essa lei, as bênçãos de nosso Pai Celestial seriam dadas coletivamente ao povo da Igreja. ¶
O Presidente Joseph F. Smith disse, falando do jejum, que "a lei para os Santos dos Últimos Dias, tal como entendida pelas Autoridades da Igreja, é que não se deve comer nem beber por vinte e quatro horas, 'de uma tarde a outra', e que os Santos devem abster-se de todas as satisfações e indulgências corporais." A maioria dos Santos dos Últimos Dias, penso eu, compreende que se trata de deixar de fazer duas refeições em relação ao jejum mensal e de dar ao bispo o equivalente em dinheiro como ofertas de jejum, mas pergunto-me se, junto com nosso jejum, reunimos nossa família e oramos com ela para que possa desfrutar das bênçãos do Senhor. Compreendemos também que o verdadeiro jejum pressupõe autocontrole e pureza do corpo, abstendo-nos de todas as satisfações e indulgências corporais? Parece-me que a alma não pode ser humilhada nem santificada para as bênçãos de Deus a menos que isso seja verdade. ¶
A Observância Traz Bênçãos
Os Santos, jejuando e orando, podem santificar a alma e elevar o espírito à perfeição semelhante à de Cristo, e assim o corpo seria trazido à sujeição do espírito, promoveria a comunhão com o Espírito Santo e asseguraria força e poder espiritual ao indivíduo. ¶
Observando o jejum e a oração em seu verdadeiro espírito, os Santos dos Últimos Dias não podem ser dominados por Satanás ao tentá-los para o mal. ¶
Esta manhã, no discurso radiofônico do Élder Cowley, intitulado "O Homem Não Vive Somente de Pão", ele enfatizou o jejum de quarenta dias do Salvador. Ao pensar sobre o longo jejum e as orações do Salvador a Deus, sei que seu espírito foi humilhado, sua alma foi santificada, e isso lhe deu a força moral e o poder espiritual para resistir às tentações de Satanás. Também o preparou para seguir adiante e cumprir a grande missão que Deus o enviara à terra para realizar em prol da humanidade. ¶
Foi por meio do jejum e da oração que o anjo de Deus apareceu a Cornélio, e alcançou para ele e sua casa o evangelho de Jesus Cristo. Quando Pedro chegou à casa de Cornélio, este quis saber por que motivo fora chamado. Disse Cornélio: ¶
Há quatro dias eu estava em jejum até esta hora, e à hora nona orei em minha casa, e eis que um homem se apresentou diante de mim com vestes resplandecentes e disse: Cornélio, tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas estão em memória diante de Deus. (Ver Atos 10:3-4.) ¶
Os Filhos de Mosias
Quando Alma viajava da terra de Gideão para o sul, em direção à terra de Mânti, encontrou os filhos de Mosias que retornavam à terra de Zaraenla. Esses filhos de Mosias haviam passado catorze anos fazendo obra missionária entre os lamanitas. Alma, durante todo esse tempo, não os havia visto, e ficou radiante de alegria com esse encontro casual. Alegrou-se por eles ainda serem irmãos na Igreja e no reino de Deus, e diz Mórmon em seu resumo do registro de Alma: ¶
. . . sim, e haviam-se fortalecido no conhecimento da verdade; porque eram homens de grande entendimento e haviam examinado diligentemente as escrituras para conhecerem a palavra de Deus. ¶
Isto, porém, não é tudo; haviam-se devotado a muita oração e jejum; por isso tinham o espírito de profecia e o espírito de revelação; e quando ensinavam, faziam-no com poder e autoridade de Deus. (Alma 17:2-3.) Isso indica as grandes bênçãos que advêm àqueles que observam e guardam esse princípio tão sagrado do jejum e da oração. ¶
A Observância dos Missionários
Recentemente, tive o privilégio de percorrer a Missão do Norte da Califórnia e, ao ouvir os missionários, vossos filhos e filhas, fazerem seus relatórios e prestarem testemunho, fiquei muito satisfeito ao ouvi-los referir-se repetidas vezes ao jejum e à oração, aos quais recorriam com frequência para obter as bênçãos de Deus para si mesmos em seu trabalho. Jejuavam e oravam pelos que estavam doentes entre eles, e, quando achavam difícil impressionar as pessoas com a mensagem do evangelho da Igreja restaurada, jejuavam e oravam a respeito, e recebiam grandes bênçãos desse jejum e dessa oração. ¶
Muitos deles jejuavam e oravam para que seus familiares em casa, inativos, se tornassem ativos na Igreja. Parece-me que vós, que sois líderes, fareis bem em jejuar e orar para que o Espírito Santo vos guie na seleção de oficiais e professores para os cargos da Igreja. Deixai que o Senhor vos dê, por meio de seu Espírito Santo, os homens e as mulheres que ele escolheu. ¶
O Chamado dos Irmãos
Lemos no décimo terceiro capítulo dos Atos dos Apóstolos que havia na Igreja em Antioquia certos profetas e mestres, entre os quais estavam Barnabé e Saulo. O registro diz: Servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamei. ¶
Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. (Atos 13:2-3.) Tivemos ocasião, no salão superior do templo, há alguns dias, de testemunhar uma experiência semelhante na seleção do Élder Romney para o Conselho dos Doze. Quando seu nome foi apresentado, houve um sentimento unânime de que esse homem havia sido chamado de Deus para a importante posição que agora ocupa. ¶
A Necessidade de Poder Espiritual
Sinto, meus irmãos e irmãs, que em nosso trabalho e em nossos chamados, e também em nossos lares, precisamos individualmente do poder espiritual, da força, da orientação e das bênçãos que o jejum e a oração podem obter. ¶
Em certa ocasião, quando Jesus se aproximou de seus discípulos, encontrou os escribas fazendo-lhes perguntas. Ao indagar sobre a natureza dessas perguntas, um homem se adiantou e disse que trouxera seu filho, possuído de um espírito maligno, aos discípulos, e que eles não haviam conseguido expulsá-lo. Suplicou ao Salvador que expulsasse aquele espírito maligno que tanto afligia seu filho. O Salvador perguntou-lhe se ele cria, e ele respondeu: "Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade." O Mestre expulsou o espírito maligno do filho e o restituiu ao pai. Ao entrar em casa, os discípulos vieram a ele e disseram: "Por que não o pudemos nós expulsar?" E Jesus respondeu: "Esta casta não pode sair por coisa alguma, senão pela oração e jejum." ¶
(Ver Marcos 9:14-29.) Parece-me, meus irmãos e irmãs, particularmente meus irmãos que portam o Sacerdócio de Melquisedeque, que, quando somos chamados a administrar aos enfermos que estão gravemente aflitos, se humilharmos nossa alma por meio do jejum e da oração, estaremos próximos de nosso Pai Celestial e teremos direito a suas bênçãos para aqueles a quem amamos e buscamos ajudar. ¶
A Cidade de Nínive
No interesse de poupar tempo (pois muitos outros exemplos mostrando o grande valor do jejum e da oração poderiam ser dados), permitam-me dizer que há grandes poderes, virtudes e bênçãos nessa lei divina. ¶
Quando Jonas foi enviado à cidade de Nínive para adverti-los de sua destruição por causa da maldade, arrependeram-se em pano de saco e cinzas, e, por decreto, todos naquela cidade jejuaram e oraram. Seus rebanhos e manadas também foram obrigados a ficar sem comida e água. Deus aceitou essa demonstração de arrependimento e humildade por meio do jejum e da oração, e afastou sua ira, e a cidade não foi destruída. ¶
Parece-me que, se uma cidade pôde obter tal bênção pelo jejum e pela oração, uma nação também poderia ser igualmente abençoada por Deus. Nós, como povo, ao dar ênfase a esse princípio, poderíamos obter grandes bênçãos para nós mesmos e para a Igreja em geral. ¶
Muitas vezes, durante esta conferência, fomos lembrados de que as condições são graves, de que os assuntos do mundo estão em confusão, de que há muitas incertezas, de que os homens, por sua própria sabedoria e erudição, não estão encontrando as grandes respostas para os problemas da humanidade e do mundo. E, como resultado, o coração dos homens desfalece. Certamente, nessas condições de incerteza, nessas condições de maldade e vício, precisamos do poder sustentador e orientador do Deus Todo-Poderoso, que podemos obter de nosso Pai Celestial mediante o exercício deste grande princípio do jejum e da oração. Como povo, precisamos da direção, das revelações e das bênçãos do Deus Todo-Poderoso, que só podemos obter humilhando nossa alma por meio do jejum e da oração e guardando os mandamentos de Deus. Portanto, devemos jejuar e orar por aqueles que ocupam altas posições na Igreja, para que Deus os favoreça com as revelações de sua mente e vontade, a fim de que sejamos guiados durante este período de incerteza e trevas. ¶
O Exemplo dos Nefitas
Lemos no Livro de Mórmon que, no início do quinquagésimo primeiro ano dos Juízes, o povo de Néfi desfrutava de paz, prosperidade e fartura, mas ainda assim era um povo fiel em guardar os mandamentos de nosso Pai Celestial. Contudo, durante esse ano dos Juízes, o orgulho começou a se infiltrar no coração do povo, e aqueles que se haviam ensoberbecido nesse orgulho começaram a perseguir seus irmãos; por isso, tornou-se difícil para os membros fiéis exercerem a liberdade de suas crenças religiosas. O relato diz: ¶
Não obstante, jejuavam e oravam frequentemente e tornavam-se cada vez mais fortes em sua humildade e cada vez mais firmes na fé em Cristo, enchendo a alma de alegria e consolo, sim, purificando e santificando o coração, santificação essa resultante da entrega de seu coração a Deus. (Helamã 3:35.) Meus irmãos e irmãs, se jejuarmos e orarmos com frequência, tenho certeza de que nós também poderemos nos tornar cada vez mais fortes em nossa fé e em nossa humildade, de modo que nosso coração se encha de alegria e consolo; que também purifiquemos e santifiquemos nosso coração, santificação essa que virá porque entregamos nosso coração a Deus. ¶
Que Deus nos abençoe, que nos ajude a compreender este grande princípio do jejum, ajude-nos a observá-lo em seu verdadeiro espírito, ajude-nos a dar ao bispo o equivalente em dinheiro das refeições de que nos abstivermos, em favor dos pobres da Igreja; e tenho certeza, e vos prometo, que, como povo, seremos abençoados. Sereis também abençoados individualmente na observância deste grande princípio. ¶
Que assim seja, rogo humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶