Despertai, Defensores de Sião: As Ameaças ao Lar e à Unidade
Stephen L Richards
"Despertai, defensores de Sião! ¶
O inimigo está à porta de vossos lares; Que cada coração seja o coração de um leão. ¶
Inflexível e altivo enquanto ele vagueia." ¶
Estas são as linhas de abertura de um hino militante do falecido Charles W. Penrose, escrito por ocasião de um grande perigo iminente para as comunidades dos Santos dos Últimos Dias, durante seu estabelecimento inicial nos vales destas montanhas. O inimigo era um exército, com uma missão hostil às liberdades, aos interesses e às aspirações do povo. Este chamado clarim, que apenas ecoava as proclamações dos líderes, eletrizou o povo. "Até o último homem" ¶
responderam às suas várias designações. Não há registro de qualquer dissensão. Os defensores salvaram Sião. ¶
Um Chamado Desafiador
Creio, meus irmãos e irmãs, na Igreja Restaurada de nosso Senhor, que está dentro das conveniências e das necessidades urgentes desta hora emitir hoje outro chamado assim tão desafiador. Não desejaria a acusação de "alarmista," mas a suportaria se pensasse que tal chamado militante despertaria nosso povo a um estado de alarme sobre as condições ameaçadoras que nos afligem. ¶
"O inimigo à porta de nossos lares" não é um exército de homens em marcha com equipamento militar, como o era há quase cem anos. E os lares a serem defendidos não são as casas em que habitamos. ¶
O inimigo de hoje é muito menos tangível e discernível. Está amplamente difundido e é insidioso. Seus métodos são múltiplos, e é muito mais difícil preparar-se para a defesa, pois o inimigo dos dias atuais ataca tanto dentro quanto fora da Igreja. ¶
Se, no tempo que me é destinado nesta grande conferência, eu puder acrescentar algo, por menor que seja, às admoestações de meus irmãos, que possa servir para alertar nosso povo aos perigos que o confrontam, serei extremamente grato a meu Pai Celestial. ¶
Sião e o Mundo
Repito, o inimigo de hoje assume muitas formas. Creio, porém, que podem ser geralmente classificadas sob o título de "Imitar os Costumes do Mundo." Conheço poucas coisas mais salutares para um Santo dos Últimos Dias do que ter constantemente em mente a distinção entre Sião e o mundo. Ambos os termos são um tanto confusos, porque são usados com significados e aplicações variadas. Ambos têm aplicação geográfica, e ambos têm importância teológica e moral. ¶
Para meu propósito aqui hoje, considerarei Sião como sendo uma condição, e não um lugar, e o mundo, igualmente. ". . . em verdade, assim diz o Senhor, que Sião se regozije, pois isto é Sião — os puros de coração." (D. e C. 97:21.) Não há cerca ao redor de Sião nem do mundo, mas, para quem tem discernimento, estão mais completamente separados do que se cada um estivesse cercado por altos muros intransponíveis. Seus conceitos, filosofias e propósitos subjacentes estão em completa discordância um com o outro. A filosofia do mundo é autossuficiente, egoísta, materialista e cética. A filosofia de Sião é humildade, não servilismo, mas um reconhecimento voluntário da soberania de Deus e dependência de sua providência. ¶
Um Princípio de Força
Os críticos de Sião confundem humildade com fraqueza. Em sua ignorância ou falta de visão, deixaram de observar que, de modo geral, os humildes da terra têm sido seus maiores benfeitores, na ciência, na arte de governar, e em grandes movimentos para a elevação da humanidade, sendo o principal de todos o Autor da humildade, nosso Senhor e Salvador. Às vezes é difícil compreender como a humildade pode ser um princípio de força e poder, e por que as grandes vitórias da vida têm ido para os humildes. ¶
Creio que a explicação é esta: os autossuficientes não estão em posição de convocar em seu auxílio a maior e mais eficaz força do mundo — o Espírito de Deus. Os humildes dependem deste poder; ele não os falha. As batalhas pela retidão e pela liberdade, que são uma dádiva divina, sempre podem ser vencidas se os que travam a guerra forem dignos da vitória. Esta é a explicação e a lição que, mais do que qualquer outra, o mundo precisa hoje. ¶
Sinto-me hesitante em dizê-lo, mas me sinto compelido a fazer a afirmação, mesmo que possa parecer altamente presunçosa a muitos que a ouvem, de que a Igreja Restaurada de nosso Senhor, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, está em melhor posição, está mais especificamente incumbida da responsabilidade, e tem maior conhecimento revelado do que qualquer outra instituição para ensinar ao mundo esta uma lição vital de que ele tanto necessita. ¶
Ao fazer esta declaração, não pretendo desdenhar os justos e puros de coração do mundo. Não tenho tempo para tentar definir sua relação com o Sião do reino. Receberão a compensação do Senhor por sua própria bondade, e gratidão duradoura por sua contribuição ao bem-estar da humanidade. ¶
Só podemos trazer efetivamente esta lição ao mundo à medida que edificarmos Sião e a protegermos de seus inimigos. Proponho enumerar, com vossa indulgência, e espero que não ofensivamente, alguns dos ataques que o inimigo sutil e insidioso, vindo do mundo e de sua filosofia e práticas, está fazendo contra Sião. ¶
Ataques ao Lar
Começarei pelo lar, a instituição mais fundamental de nossa sociedade. O inimigo está atacando nosso conceito divinamente dado de que o matrimônio é um pacto eterno entre um sacerdote e uma sacerdotisa do Altíssimo, incumbidos da sagrada missão de trazer filhos ao mundo, e depois guiá-los com segurança de volta à presença de Deus, de onde vieram seus espíritos. O Presidente Clark nos deu ontem um discurso muito esclarecedor e impressionante sobre esse assunto. O cumprimento dessa missão envolve sacrifício. A prática cada vez mais crescente do mundo eliminaria esse sacrifício. ¶
Emanciparia as mulheres (creio que é assim que chamam isso). ¶
Não as manteria em casa tanto quanto no passado. ¶
Fá-las-ia mais instruídas em cultura geral e em responsabilidades cívicas, o que soa muito bem e parece altamente desejável, exceto por uma falha séria no programa. ¶
Esta prática mundana, em muitos casos, tira a mulher de seu lar durante tanto tempo, e absorve sua atenção a tal ponto, que ela não pode, e não dá, à sua família o cuidado amoroso, paciente e inteligente que tanto merece e necessita. ¶
Há mães cujo trabalho em clubes tem sido ostensivamente dedicado ao progresso social, cujos próprios filhos têm sido os problemas da sociedade que buscam servir. ¶
Há outras distrações mais frívolas que afastam as mães de seus lares. Estas são justificadas pela alegação de que as mães precisam de mais relaxamento e mais liberdade das responsabilidades do lar. Concedemos que tais alegações devem ser verdadeiras no caso de mulheres que nunca descobriram a arte de viver feliz e contente em seus lares e com suas famílias. Em Sião dizemos às mães: é verdade, precisais de alguma diversão. Ainda que ameis vossa vida em casa, um descanso de vosso trabalho e vossas preocupações é desejável. ¶
A Igreja apresenta muitas oportunidades para vosso serviço nos campos social, educacional, caritativo, missionário e recreativo. ¶
Encontrareis felicidade e satisfação mais duradouras numa reunião da Sociedade de Socorro do que num clube de bridge; e, de modo geral, vossas diversões sociais devem ser tidas melhor na companhia de vosso marido. ¶
O mundo está fazendo borboletas das mulheres e uma prisão do lar. ¶
A Diminuição das Famílias
Talvez o aspecto mais grave deste ataque do inimigo que se faz a nossos lares esteja na restrição arbitrária do tamanho das famílias. Os proponentes dessa doutrina mundana tornam-se mais e mais ousados a cada ano. Reivindicam apoio em prognósticos matemáticos quanto às crescentes demandas das populações, e o suprimento limitado do sustento da terra. Reivindicam a melhoria da raça por meio de sua limitação. Vêm fazendo essas alegações há muitos anos, e conquistaram muitos adeptos para sua causa, especialmente entre a chamada intelectualidade do mundo. ¶
Em grande parte, o mundo tem estado sob a liderança dessa intelectualidade restritiva de nascimentos por muitos anos. E onde estamos? Temos mais conforto físico, mais educação talvez. Temos melhor governo? Estamos progredindo mais no desenvolvimento das virtudes cristãs entre os homens? Temos mais fraternidade, paz e desprendimento? ¶
Duvido que exista em todo o mundo qualquer lugar ou instituição comparável a uma grande família para a inculcação do princípio do desprendimento e da consideração mútua, as elevadas qualidades de caráter tão indispensáveis à solução dos problemas do mundo. Sei que há grandes famílias más e pequenas famílias más; mas, de modo geral, presumo que há mil por cento mais chance de um grande líder para uma boa causa surgir de uma família de dez do que de uma família de um. ¶
Ora, se não tomar cuidado, estarei debatendo esta questão. Não quero fazer isso, primeiro, porque tenho certeza de que não estou fortificado com todos os argumentos, e poderia sair perdendo, dependendo de quem sejam os juízes; e, segundo, porque nós, de Sião, não precisamos debater essa questão. Conhecemos a doutrina que emana das revelações do Senhor. ¶
Sabemos que ele ordenou a multiplicação da terra a partir dos lares de seu povo, como disse ontem o Presidente Clark. O Senhor tenha piedade daqueles que se sujeitam à sua repreensão por negarem a entrada dos filhos de espírito que ele enviaria à mortalidade, e o Senhor tenha piedade daqueles casais sofisticados que pervertam a sagrada instituição do matrimônio, transformando-a num arranjo de conveniência social e gratificação pessoal egoísta. ¶
Simpatia pelos Pais
Ora, pais e mães da Igreja, alguns concluirão, depois de ouvir estes comentários, que estou sem simpatia pelo sacrifício que as mães fazem, e pelas dificuldades impostas aos pais na criação de uma família nestes tempos econômicos opressivos. Os que assim concluem estão em parte certos e em parte errados. Não tenho muita simpatia por um pai, um pai Santo dos Últimos Dias, que decide que um bebê não pode vir ao lar até que uma casa de dez ou quinze mil dólares tenha sido construída e mobiliada, e o dinheiro esteja no banco para pagar as despesas, e que deixa sua esposa ir trabalhar para conseguir essa chamada segurança econômica. Não tenho muita simpatia por casais Santos dos Últimos Dias que não têm fé de que, se fizerem a vontade de Deus, ele os abençoará. ¶
Tenho simpatia, porém, por todos os pais, nestes dias, pelo esforço hercúleo exigido para manter os filhos nos caminhos da virtude e da verdade. Tenho simpatia pela resistência, pelas noites sem sono de angústia atroz dos pais que não sabem onde estão seus filhos e o que estão fazendo; e meu coração sangra pelos inocentes que são vítimas da desonra trazida sobre suas famílias pelos pecados dos desgarrados. ¶
Estou convencido, meus irmãos e irmãs, de que não há medida corretiva que ofereça mais promessa na alívio da angústia doméstica que afeta marido e mulher, e pais e filhos, do que o firme estabelecimento do caráter sagrado e religioso da vida familiar, do matrimônio na Igreja e no templo; e, como adjunto necessário a isso, o restabelecimento do princípio, dado por Deus, do sacrifício no cumprimento das obrigações paternas e filiais. ¶
Queremos aliviar a mãe do trabalho penoso. Se pudesse, colocaria uma máquina de lavar louça em cada lar, mas boas mães e bons pais, com a visão do lar concedida a eles no evangelho restaurado, não querem ser aliviados da obrigação de despender suas forças e energias, e dar sua vida pelos filhos de Deus confiados a seu cuidado. ¶
Ataque à Pureza Moral
Há outra ameaça a Sião, talvez transcendendo todas as demais em gravidade. É o ataque do inimigo a nosso conceito e padrão tradicionais de pureza moral pessoal. Este ataque é tão mau e tão repugnante ao nosso senso de decência e virtude que não o discutirei nesta presença reverente. ¶
Devo contentar-me com a oração de que Deus, que vê nossa necessidade, venha em nosso socorro, e que desperte o poderoso poder de Sião contra este inimigo devastador, para que cada homem, mulher e criança entre nós possa ser fortificado com a armadura da retidão e da virtude, para que os ofensores sejam repreendidos, e se arrependam em pano de saco e cinza; e para que os vigias nas torres, os oficiais e o sacerdócio da Igreja, sejam alertados para o inimigo, cumpram seus deveres solenes, e nos protejam. ¶
Tomei tanto tempo no esforço de apontar o que temos a temer na invasão de conceitos e práticas mundanas sobre a vida familiar e a virtude, que resta pouco tempo para mencionar outros aspectos dos grandes perigos que nos confrontam. Confio, porém, que a natureza séria destes itens justificará uma breve consideração deles. ¶
Crítica à Unidade
O inimigo está atacando nossa unidade. Nós, em Sião, temos desfrutado de uma reputação muito incomum de unidade de propósito e realização. ¶
Isso ocorreu porque sempre tem sido nossa disposição seguir e render obediência a nossos líderes. Nossos críticos, que não têm compreendido nossos conceitos, que observaram nossa votação unânime ao apoiar oficiais, e outras evidências de nossa ação conjunta, chamaram-na de obediência cega, induzida por algum tipo de temor ou outra compulsão. ¶
Não tenho tempo de analisar e apontar a premissa falsa desta crítica, mas nego categoricamente sua validade. A obediência que prestamos é voluntária e não cega, mas inteligente; e a unidade que manifestamos surge de uma compreensão comum de nossos propósitos e uma devoção comum à sua realização. Buscamos e desfrutamos a influência do Espírito Santo, que, nos aspectos maiores da vida, nos move a todos igualmente. Nossa unanimidade é uma resposta a esse Espírito. ¶
Essa condição não é geralmente prevalente no mundo. A divisão, as opiniões divididas, e o debate sobre elas são elogiados. Talvez, quando as pessoas não sabem para onde estão indo e não têm objetivos definidos, a crítica e o debate sejam louváveis. Homens e mulheres, dentro e fora da Igreja, deixam de observar essa distinção. Querem debater nossos objetivos. Esqueceram que eles nos foram divinamente estabelecidos e estão além do debate. Parecem pensar que nossa unidade nos diminui. Esta é uma doutrina mundana. Não tem lugar em Sião. ¶
Uma ameaça à nossa unidade deriva de antagonismos pessoais inconvenientes desenvolvidos na controvérsia política partidária. A Igreja, embora se reserve o direito de advogar princípios de bom governo subjacentes à equidade, à justiça e à liberdade, à integridade política dos oficiais, e à participação ativa de seus membros, e ao cumprimento de suas obrigações nos assuntos cívicos, não exerce nenhuma restrição sobre a liberdade dos indivíduos de fazerem suas próprias escolhas e filiações. Estou autorizado pelo Presidente McKay a dizer que qualquer homem que afirme o contrário o faz sem autoridade e sem justificativa nos fatos. ¶
Justiça nas Opiniões Políticas
É razoável supor que os homens possam ter honestas divergências de opinião a respeito da política governamental. Na América, e em muitos outros países, foi criado um sistema ordenado para a determinação de questões que surgem dessas divergências. ¶
Com tais métodos disponíveis, por que haveria qualquer homem, particularmente os da fraternidade de Sião, de permitir-se nutrir animosidades pessoais contra seus opositores? Certamente não há nada de cristão em atacar motivos apenas por causa de uma diferença de opinião. ¶
Espero de todo o coração que os homens do sacerdócio, talvez do mesmo quórum, e as mulheres da irmandade da Igreja, não se permitam ser afastados em nenhum grau por essas considerações, e que sempre subordinem tais diferenças e suas próprias ambições pessoais à realização do elevado e sublime objetivo ao qual empenharam sua eterna lealdade — a edificação do reino de Deus. ¶
Tenho andado por esta Igreja há quase trinta e cinco anos, cumprindo designações para instalar oficiais em estacas, alas e missões, e nunca perguntei a uma única pessoa sobre sua política, e em muito poucas ocasiões tive qualquer conhecimento sobre o assunto. Creio que minha própria experiência tem sido comparável à de meus irmãos. Temos sido justos convosco, meus companheiros membros da Igreja. Agora vos pedimos que sejais justos uns com os outros. ¶
A Ameaça da Indiferença
Talvez a maior ameaça, tanto à nossa unidade quanto ao nosso progresso em Sião, seja a da indiferença e do descuido. Estas deficiências não são novas. Existiram em certo grau ao longo de toda a nossa história. ¶
Sou levado a crer que aumentaram como força dissuasora nos anos recentes. Creio também que essa lamentável indiferença ao dever e à oportunidade é, em grande medida, atribuível a "imitar os costumes do mundo." ¶
Um homem do sacerdócio, digamos, está associado, em negócios, na vida de clube, e em outras capacidades, a um homem do mundo. Este homem pode ser seu vizinho. Ele vê seu vizinho numa manhã de domingo, na varanda, fumando seu cachimbo e lendo o jornal, ou o vê partir para um jogo de golfe, ou uma excursão de pesca. Tudo lhe parece relaxante e agradável, e então ele esquece quem é e onde está. Esquece que foi comissionado como servo de Deus, e esquece que está em Sião; e, esquecendo, sai de Sião para o mundo, não tudo de uma vez, às vezes tão gradualmente que a mudança é quase imperceptível para ele, e ele relutar em reconhecer sua nova condição. Convence-se de que essa vida confortável e fácil é muito agradável. ¶
Então vai mais longe — mais longe do que pretendia. Sucumbe a muitas práticas que outrora abominava. Deixa de pagar o dízimo, e as pontadas de consciência que outrora sentia por abandonar o dever gradualmente diminuem. Está confortavelmente fora de Sião. Depois de algum tempo, chega à percepção de que seus filhos, já crescidos, estão dispostos a imitar suas próprias práticas, assim como ele imita as do mundo. ¶
Também começa a perceber que sua querida e devotada esposa está sofrendo grande decepção. Ela dá grande valor às promessas feitas em seu casamento, e percebe que as bênçãos eternas só se obtêm por meio da fidelidade dela e de seu marido. ¶
Ela o vê perdendo seu sacerdócio por negligência. Isso a entristece, e, se sua consciência não estiver demasiado adormecida, ele percebe a tristeza dela. ¶
Ele tem o poder de mudar, de alegrar o coração de sua esposa e de seus filhos, mas lhe faltam coragem e resolução. ¶
Os hábitos mundanos se fixaram com uma centena de tentáculos em sua própria alma. Não consegue livrar-se deles. Desespera-se; e então, um dia, algo o toca — uma morte, uma tragédia, um amigo, talvez seu bispo, ou o presidente do quórum, ou um missionário. ¶
Finalmente a luz que havia perdido acende-se novamente nele. O Espírito volta a habitar nele. Em penitência e humildade, ele exclama: "Ó Deus, perdoa-me pela minha negligência." Graças ao Senhor há perdão e misericórdia para os que se arrependem, e alegria sem igual na recuperação dos que se desviaram. Que nenhum homem entre nós se envergonhe de seu sacerdócio. Nada de maior valor jamais entrará em sua vida. ¶
Desprezo pela Ortodoxia
Mais um item e concluirei. Há uma ameaça mundana a nosso ensino teológico e à fé da juventude. Esporadicamente sempre foi assim, mas nos anos recentes é mais pronunciada. ¶
Este não é um ataque frontal do inimigo. Nunca tivemos muita dificuldade em enfrentar acusações ou críticas abertas. O inimigo está atacando de tocaia, com atiradores furtivos e infiltrados, com armadilhas para os incautos. ¶
Parte da propaganda é que não há garantia para uma interpretação oficial das doutrinas e padrões da Igreja, que qualquer um pode ler e interpretar por si mesmo, e adotar apenas tanto da doutrina quanto escolher, e que pode classificar as revelações como essenciais ou não essenciais. Esses propagandistas ou ignoram, ou desconhecem, a declaração do Senhor de que "nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação." (II Pedro 1:20.) Desprezam a ortodoxia como tal, e orgulham-se do pensamento liberal. Muitos deles mantêm sua lealdade à Igreja, e alguns talvez creiam honestamente que estão fazendo um favor e um serviço à Igreja ao defender seus assim chamados conceitos de mente aberta. ¶
Infelizmente, algumas pessoas dentro da Igreja que subscrevem essas opiniões não percebem que estão caindo em uma armadilha, elas mesmas. Estão dando ajuda e conforto ao inimigo; estão minando seus próprios testemunhos e os dos outros. Advirto a Igreja contra elas, e as advirto contra si mesmas; e imploro-lhes que desistam, que abandonem suas discussões agnósticas, e se unam aos fiéis na promoção da causa que, em seu coração, um dia amaram, e creio que ainda amam. ¶
Ataques a Joseph Smith
Não poucos desses atiradores furtivos deleitam-se em atirar contra Joseph Smith. De maneira surpreendente, tornou-se de certo modo popular, estimulado, presumo, por livros que foram escritos para estudantes e estudiosos, empreender pesquisas exaustivas sobre a vida deste grande homem. Em alguns casos, talvez, o propósito dos projetos de pesquisa possa ser louvável, explorar as coisas grandes e nobres na vida e nas obras do Profeta, mas em muitos outros casos, temo que o propósito da pesquisa seja meramente exploratório, na esperança de descobrir algo que renda uma leitura sensacionalista e talvez um lucro para o escritor. Nunca consegui descobrir nenhuma razão muito substancial para essas pesquisas além da que acabei de mencionar. ¶
Aqui está uma vida vivida recentemente. Muitos de nós, nesta assembleia hoje, conhecemos e conversamos com pessoas que conheceram o Profeta, e, no entanto, pela maneira como os pesquisadores vão atrás dele, pensaríeis que era uma pessoa de grande antiguidade, e que algo da natureza de uma escavação de materiais pré-históricos tivesse de ser empreendido para descobrir os fatos de sua vida. Duvido que exista uma pessoa que tenha vivido nos últimos dois séculos cuja vida esteja mais plenamente documentada do que a deste homem, a menos que porventura seja entre a realeza ou aqueles em altos cargos públicos. ¶
Quase todo evento importante em sua vida foi registrado por ele mesmo, por sua mãe, e por aqueles que o conheceram intimamente. Sua vida não é um mistério; é um livro aberto, ao menos para os membros da Igreja que têm acesso ao conhecimento que ele trouxe ao mundo. ¶
Repreendo os membros da Igreja que lançam calúnias sobre o honrado nome do Profeta Joseph Smith, e que de qualquer maneira depreciam sua nobre obra. Ao fazê-lo, destroem a fé, a sua própria e a de outros, e o Senhor os responsabilizará. ¶
Testemunho da Missão Divina
Repito o que já disse deste púlpito antes: meu avô foi amigo íntimo e companheiro deste homem. Conheceu-o tão intimamente quanto um homem pode conhecer outro. Teve ampla oportunidade de detectar qualquer falha em seu caráter e descobrir qualquer engano em sua obra. Não encontrou nenhum, e deixou seu testemunho a sua família e a todo o mundo de que este homem era verdadeiro, que foi divinamente comissionado para a obra que tinha a fazer, e que deu sua vida ao cumprimento de sua missão. Tenho plena certeza de que Willard Richards não mentiu sobre seu amigo, e, por minha própria conta, independentemente do testemunho de meu avô, nascido do espírito dentro de mim, sei que Joseph Smith era um profeta do Deus Vivo, e que a obra em que foi instrumento de estabelecer na terra é o verdadeiro reino de nosso Pai Celestial. ¶
Tendo esse conhecimento, e uma profunda reverência por seu ilustre nome, deploro e ressinto as tentativas miseráveis feitas para desacreditá-lo; e predigo que todas resultarão em nada, que ele sobreviverá a todo ataque, que ainda ganhará a estima e o respeito de todos os homens de bem, e que o Pai já o glorificou. ¶
Preservação de Sião
Se fui capaz, em algum grau, de esclarecer nossa compreensão sobre Sião e sua relação com o mundo, se o Espírito do Senhor entrou em vosso coração, meus irmãos e irmãs, para vos dar maior amor por Sião e despertar em vós uma consciência mais aguda dos perigos que o inimigo trouxe às nossas próprias portas, e se a resolução agora tomar conta de vosso coração para que vos levanteis e defendais Sião, ficarei profundamente grato. E algum dia os justos do mundo serão gratos, pois "Vós sois o sal da terra; e se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar?" (Mat. 5:13.) Ó Deus, ajuda-nos, teus filhos favorecidos, a preservar Sião, humildemente peço em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶