O Livro de Mórmon É um Grande Missionário no México
Arwell L. Pierce
Meus irmãos e irmãs, esta é uma experiência humilhante para mim. ¶
Tenho vindo a este Tabernáculo, para assistir às conferências, nos últimos 47 anos. A primeira vez foi em 1904, quando vim a Salt Lake City para ser designado como missionário no México. Alguns anos depois, vim aqui em meus chamados de Presidente de Ramo e Bispo em El Paso, Texas, e como membro da Presidência da Estaca de Juárez. Também, durante os mais de sete anos e meio em que a Irmã Pierce e eu presidimos a Missão Mexicana, viemos frequentemente a estas Conferências Gerais, onde recebemos instrução e inspiração para nos ajudar em nosso trabalho. Esta, porém, é a primeira vez que já falei em uma Conferência Geral. A Irmã Pierce e eu somos gratos pelo privilégio que tivemos de viver na Cidade do México, e de trabalhar em muitos lugares da República do México, bem como nas repúblicas centro-americanas, fazendo obra missionária pela Igreja. ¶
Sou grato ao Senhor por meus avós, do lado paterno, terem aceitado o evangelho e se tornado membros da Igreja em 1833, apenas três anos após a organização da Igreja. Meu avô Pierce perdeu a vida nas perseguições contra a Igreja naqueles primeiros dias, quando tinha apenas trinta anos. Minha avó viúva atravessou as planícies e veio para Utah com seus três filhos pequenos no ano de 1852, apenas cinco anos depois de os primeiros pioneiros chegarem a este grande vale. Tenho orgulho dessa herança. Tenho orgulho também do fato de que meus antepassados Pierce estiveram entre os primeiros colonizadores desta grande terra da América. Vieram da Inglaterra já entre 1620 e 1625. ¶
Sou grato por meu pai ter sido um Pioneiro nas Colônias dos SUD ¶
no México. Ele foi para lá com sua família em 1890, apenas cinco anos depois de os primeiros Pioneiros chegarem, e ajudou a estabelecer aquelas Colônias. Muitas vezes me perguntei por que meu pai foi para o México com sua família naquela época. Ele não se mudou para lá apenas para poder viver sem perturbações com sua família, mas também para que sua posteridade pudesse se tornar missionária entre o povo mexicano. Os filhos e netos de meu pai deram 47 anos de serviço missionário na Missão Mexicana. A Irmã Pierce e eu desfrutamos imensamente de nosso trabalho missionário no México e na América Central. ¶
Lembro-me de que, há vários anos, em 1906, dois membros do Conselho dos Doze, os Élderes John Henry Smith e Francis Marion Lyman, foram visitantes de conferência de estaca nas Colônias no México. Em sua viagem de volta à fronteira, encontrei-os em Ciudad Juárez, do outro lado do rio, ao sul de El Paso, Texas, e os levei ao escritório do Cônsul americano, onde os apresentei como Apóstolos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Em resposta à apresentação, o Élder John Henry Smith, em seu conhecido modo diplomático, disse de maneira muito impressionante: "Sim, Cônsul Edwards, somos membros da Igreja de Cristo, que é a Igreja primogênita da América. Assim como Cristo é o primogênito de Seu Pai, também a Igreja que leva o Seu nome, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é a Igreja primogênita da América." Pelo que sei, essa afirmação é verdadeira, pois todas as outras igrejas daquela época tiveram origem no velho mundo, no hemisfério oriental. ¶
O Presidente George Albert Smith visitou El Paso no ano de 1926, a caminho de visitar a Missão Mexicana. O Presidente Rey L. ¶
Pratt, com o Apóstolo Melvin J. Ballard, estava na América do Sul para abrir a obra missionária ali. O Irmão Smith não pôde entrar no México naquela ocasião, por causa de distúrbios revolucionários, e por isso ficou hospedado em minha casa por vários dias, descansando. Certa manhã de domingo, um de meus bons amigos, um advogado que era mestre da classe bíblica em sua Igreja, telefonou e me convidou para dar uma palestra à sua classe naquela manhã. Fiquei feliz em lhe dizer que o Irmão George Albert Smith, um dos Apóstolos de minha Igreja, estava hospedado em minha casa. O advogado então convidou o Élder Smith para falar à sua classe bíblica naquela manhã de domingo, o que ele fez de boa vontade. Ao ficar diante daquela classe bíblica, o Élder Smith ergueu um livro e disse: "Esta é a Bíblia dos Mórmons." Os homens ficaram, naturalmente, intensamente interessados. O Élder Smith então virou o livro, para que pudessem ver o título. ¶
Ele então disse: "Esta é a Tradução do Rei Tiago da Bíblia. É a mesma Bíblia que tendes, e é também a nossa Bíblia." O Irmão Smith então comentou: "Vós, é claro, estais interessados em ver o que o mundo chama de a Bíblia dos Mórmons." Ergueu então o Livro de Mórmon e disse: "Bem, esta é a chamada Bíblia dos Mórmons, conhecida por nós como o Livro de Mórmon." O Irmão Smith então explicou à classe bíblica dos homens que o Livro de Mórmon é, na verdade, a Bíblia do povo da América, e contém a palavra de Deus tanto quanto o livro conhecido no mundo como a Bíblia. ¶
Recordo com muito interesse a visita do Presidente George Albert Smith à Missão Mexicana em maio de 1946. O motivo especial de sua visita foi receber oficialmente de volta à Missão e à Igreja cerca de 1.200 membros que, por dez anos, haviam estado separados da Igreja sob seus próprios líderes. Durante a visita do Presidente Smith ao México, foi providenciado que ele e sua comitiva visitassem o Presidente do México, General Manuel Ávila Camacho, e lhe apresentassem um exemplar do Livro de Mórmon em espanhol. O Secretário de Economia Gustavo P. Serrano, que apresentou o Presidente Smith e sua comitiva ao Presidente do México, havia nos pedido que falássemos ao Presidente Camacho sobre nossos colonos mórmons no norte do México, o que fizemos com prazer. O Presidente Camacho então comentou, dizendo: "Quero que saibam que recebi muitos bons relatos sobre os vossos colonos americanos Santos dos Últimos Dias em Chihuahua. Sei que são um povo virtuoso, um povo honesto e um povo trabalhador. Se houver algo que eu possa fazer, a qualquer momento, por vós ou por vosso povo, estou pronto para fazê-lo." ¶
Depois de termos explicado brevemente ao Presidente Camacho sobre nossa missão e nosso trabalho no México, dissemos: "Senhor Presidente, não somos apenas mais uma seita que veio ao vosso meio, pois viemos com uma mensagem especial para vós e vosso povo. Estamos aqui para vos falar de vossos antepassados e do evangelho restaurado de Jesus Cristo." ¶
Então perguntamos: "Senhor Presidente, tendes uma história que dê a origem de vosso povo?" O Presidente respondeu, dizendo: "Não temos; infelizmente, não conhecemos nossa origem." Então lhe dissemos: "Temos um livro que pretende ser a história de vosso povo. Ele fala de um grande profeta que, com sua família e outros, deixou Jerusalém 600 anos antes de Cristo, e veio a este país, esta grande terra da América, conhecida por eles como uma 'terra prometida, escolhida acima de todas as outras terras'. Este Livro de Mórmon também fala da visita de Jesus Cristo a este continente, e de como Ele organizou Sua Igreja e escolheu Seus doze discípulos." ¶
Ao ouvir a respeito desse livro, o Presidente Camacho ficou muito interessado e ansioso, dizendo que nunca havia ouvido falar do Livro de Mórmon. Perguntou então: "Seria possível eu conseguir um exemplar do Livro de Mórmon? Nunca ouvi falar dele antes." ¶
O Presidente Smith então presenteou o Presidente Camacho com um exemplar do Livro de Mórmon em espanhol, encadernado em couro. Chamamos sua atenção para a folha de referências especiais que havíamos colocado no início do livro, e observamos que, por falta de tempo, talvez ele quisesse ler apenas as passagens ali listadas. O Presidente Camacho respondeu: "Lerei o livro inteiro, pois isso é de grande interesse para mim e para o meu povo." ¶
Fiquei tão feliz por o Presidente Smith ter podido fazer aquela viagem, pois ele parecia desfrutá-la imensamente. Como sabeis, o Presidente Smith tinha um agudo senso de humor. Ora, ele estava decidido a subir ao topo da Pirâmide do Sol, e assim dois Élderes missionários, um de cada lado do Presidente, ajudaram-no a subir aqueles muitos degraus íngremes até o topo. Na metade da subida, aproximadamente, o Presidente Smith parou e, sorrindo, olhou primeiro para um, depois para o outro Élder, e disse: "Bem, eu poderia ajudar um de vós a subir aqui, mas por que ajudaria os dois?" (risos) Irmãos e irmãs, a obra do Senhor está crescendo rapidamente no México e na América Central. Encontramos, entre aquele povo, muitos que são profundamente religiosos. Eles amam o Livro de Mórmon, uma vez que o recebem e aprendem o que ele pretende ser, a história de seus antepassados. Levam-no consigo e ensinam o evangelho a partir dele. ¶
O Livro de Mórmon é um grande missionário no México. ¶
Desde que voltamos para nosso lar em El Paso, Texas, tenho tido muitas conversas sobre o evangelho com amigos, tanto americanos quanto mexicanos. Recentemente, o Rotary Club de Juárez (Juárez fica logo ao sul, do outro lado do rio, de El Paso, Texas), do qual eu era membro antes de sair em minha missão para o México, convidou-me para falar com eles e dar um relato de meus oito anos de ausência de casa e do clube. Ao me colocar diante do grupo, eu disse: "Amigos do Rotary, não posso vos dar um relato do que tenho feito no México nestes últimos oito anos sem dizer algo sobre minha Igreja e as coisas que ela ensina." Eles responderam, dizendo: "Prossiga, teremos prazer em ouvir o que tem a dizer." Falei-lhes então de nossa entrevista com o Presidente Manuel Ávila Camacho, e da história do Livro de Mórmon, que é a história de seus antepassados, e sua Bíblia. Aqueles homens ouviram atentamente tudo o que eu tinha a dizer, e, quando terminei minha palestra, aplaudiram calorosamente, levantando-se de pé. O Presidente veio até mim e me deu o tradicional abraço mexicano, para demonstrar seu apreço. Depois da reunião, vários membros do clube perguntaram a meus filhos, que estavam presentes, se seria possível conseguir um daqueles Livros de Mórmon. ¶
Gostaria de dizer, irmãos e irmãs, que tem sido meu privilégio visitar muitos homens em altas posições políticas no México e na América Central. Além de três Presidentes de repúblicas, e vários membros de gabinete, visitei governadores de estados, prefeitos de cidades, reitores de universidades, médicos, advogados e homens de negócios — todos os quais me receberam com gentileza. Nenhum deles se recusou a me receber, a mim e a minha mensagem. Cada um deles se expressou como grato ao Senhor e a nós por trazer mensagens tão interessantes e maravilhosas. ¶
Recentemente, encontrei um amigo meu, um pastor proeminente, em um hospital local em El Paso. Eu havia ido ao hospital visitar um membro doente de meu quórum de Sumos Sacerdotes. O pastor estava no hospital visitando um de seus membros. O pastor e eu somos bons amigos há muitos anos, de modo que, quando nos encontramos, ele perguntou: "Bispo Pierce, quando voltou para casa? Estamos muito felizes por tê-lo de volta conosco. Como foram seus anos no México?" Não vou tomar tempo para contar todos os detalhes daquela conversa muito interessante. Por fim, perguntei a meu amigo pastor se ele já havia lido o Livro de Mórmon. Ele disse que nunca o havia lido, e deixou claro que não tinha interesse em lê-lo. Disse-lhe que o Livro de Mórmon é a Bíblia da América, e é tão palavra de Deus quanto a Bíblia, pois é uma nova testemunha de Cristo. Assinalei que era razoável que as Américas tivessem sua própria Bíblia, assim como o Hemisfério Oriental, pois os povos de ambos os hemisférios eram filhos de nosso Pai Celestial. Sugeri-lhe então que estava negligenciando sua educação por não ler o Livro de Mórmon. ¶
Expliquei-lhe que o Livro de Mórmon falava da visita de Cristo a este continente americano, além de muitas outras coisas interessantes sobre o livro. Ele pareceu satisfeito com as verdades do Livro de Mórmon que lhe apresentei, e então perguntou: "Onde posso conseguir um Livro de Mórmon? Creio que gostaria de ler esse livro." ¶
Disse a este pastor que ele tinha tanto direito às verdades do evangelho quanto eu, e que eu tinha certeza de que gostaria de ler o Livro de Mórmon. Sinto como o Presidente George Albert Smith frequentemente expressava: "Não podemos forçar as pessoas a fazer as coisas, mas podemos, com amor, levá-las a fazer o que é certo, e a viver em retidão." Os pastores também são candidatos, se ao menos pudermos tocar seus corações com a mensagem do evangelho restaurado. ¶
Desejo expressar minha gratidão à Primeira Presidência e ao Conselho dos Doze, bem como a outras das Autoridades Gerais, pelo excelente apoio e incentivo que a Irmã Pierce e eu recebemos deles enquanto presidíamos a Missão Mexicana. Tivemos a honra e a bênção de receber a visita de dois membros da Primeira Presidência durante nossa presidência. ¶
Uma visita do Presidente George Albert Smith, como já relatado, e duas visitas do Presidente David O. McKay. Em suas visitas, o Presidente McKay muito fez para nos incentivar e ajudar no planejamento da construção de capelas. Quando a Irmã Pierce e eu entramos na Missão em 1942, não tínhamos boas capelas como temos agora. Alguns de nossos membros anglo-americanos manifestaram a opinião de que, como os membros mexicanos são pobres e acostumados a lares mal equipados, quase qualquer tipo de salão barato de adobe já seria bom o suficiente como capela para eles. Sinto, no entanto, que, uma vez que temos, no evangelho restaurado de Jesus Cristo, a melhor filosofia de vida para dar ao povo mexicano, por que não lhes daríamos capelas à altura do valor das verdades do evangelho que lhes damos? ¶
Que Deus nos abençoe e que continuemos fiéis e verdadeiros ao evangelho que recebemos. A Irmã Pierce e eu estamos agora de volta ao nosso lar em El Paso, depois de nossa missão e de 45 anos de trabalho de liderança na Igreja. Estamos desfrutando de nosso lar e de um breve descanso. Que o Senhor nos abençoe a todos, rogo, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶