Um Exército de Retidão
Henry D. Moyle
Meus irmãos e irmãs, estou verdadeiramente grato por esta oportunidade de prestar meu testemunho a vós e àqueles que nos ouvem. Sou grato por ser contado como membro da grande Igreja e reino de Deus aqui na terra. E sou especialmente grato por minha vida ter sido tocada tão de perto e tão intimamente pela vida de nosso falecido Presidente, George F. Richards. Quero unir-me hoje a meus outros irmãos em prestar homenagem à sua memória. Ele sempre permanecerá em minha memória como um homem de Deus cujo testemunho da divindade da obra em que estamos empenhados arderá para sempre em meu coração. Isso aumentou meu testemunho e sua intensidade, porque sei que o que ele sabia e o que testificou era verdade. Sou também muito grato pela estreita convivência que tive, tanto dentro quanto fora da Igreja, com nosso falecido irmão, Frank Evans. ¶
Tive o privilégio de exercer a advocacia nos mesmos tribunais e nos mesmos condados que ele. E, seja em sua profissão, seja em suas atividades na Igreja, ele exemplificou as mais elevadas virtudes que encontramos em nosso próximo. ¶
Um Exército de Retidão
Sentado aqui durante esta conferência, olhando para os vossos rostos, tenho tido consciência de que representamos apenas uma pequena parte deste grande corpo de homens e mulheres cujas vidas estão dedicadas à obra ligada ao estabelecimento do reino de Deus aqui na terra. Se tivéssemos um edifício capaz de conter vinte vezes mais pessoas do que as que aqui estão hoje, dificilmente teríamos tantas pessoas quantas nos reunimos a cada três meses em nossas conferências trimestrais em toda a Igreja. Pensai bem nisso: um grande exército de retidão lutando contra o mal! Que poder e que força somos no mundo. Foi em 1899 que o Presidente Heber J. Grant proferiu estas palavras: ¶
Os Santos dos Últimos Dias são de fato, como o Profeta Joseph Smith disse que seriam, um povo poderoso no meio das Montanhas Rochosas, e estamos simplesmente em nossa infância. Estamos começando a crescer e a nos tornar um povo poderoso, mas não somos nada perto do que seremos. Não há dúvida em minha mente de que o Senhor multiplicará os Santos dos Últimos Dias e os abençoará mais abundantemente no futuro do que jamais fez no passado, desde que, é claro, sejamos humildes e diligentes, desde que busquemos o progresso do reino de Deus e não façamos nossa própria vontade e nosso próprio parecer. (Conference Report, abril de 1899, p. 28.) ¶
O Que É Importante?
Gostaria de dizer algumas palavras nesta tarde sobre esse último assunto. Há tantas pessoas na terra hoje que desejam fazer sua própria vontade, em vez da vontade do Pai. E, sempre que penso nessas pessoas, pergunto-me o que há que possamos fazer em nosso ministério para tocar suas vidas, para fazê-las perceber as bênçãos ligadas à obediência às leis de Deus. O que há na vida, afinal, que seja tão importante a ponto de não podermos e não devermos deixá-lo de lado para cumprir plenamente nosso dever para com nosso Criador? O Salvador disse a seus discípulos de antigamente: ¶
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. (1 João 2:15.) Há algo que o mundo tenha a nos oferecer hoje que seja tão precioso quanto as verdades do evangelho de Jesus Cristo? O evangelho traz conforto e alegria às nossas vidas, dá-nos um senso de segurança que o mundo não pode nos oferecer. Algumas pessoas hoje, e hoje é um dia de prosperidade, tornam-se tão apegadas às suas riquezas que passam a bastar-se a si mesmas. Deixam de depender de Deus. Não sentem necessidade alguma de qualquer direção que venha dele, e seguem seu próprio caminho. E, tão certamente quanto o fazem, vão gradualmente se conduzindo rumo à destruição. Quando o Senhor nos abençoa com riqueza e prosperidade, temos uma grande missão a cumprir. Podemos utilizar aquilo que o Senhor tão generosamente nos deu para edificar o seu reino, para ajudarmo-nos uns aos outros, para realizar o bem, e para nos tornarmos mais, e não menos, dependentes de nosso Pai Celestial. Na verdade, a prosperidade, economicamente falando, não é a única força no mundo que nos afasta das coisas de Deus e nos infla em nossa própria estima — que nos leva a criticar os profetas de Deus aqui na terra, pensando que nosso julgamento e nossa sabedoria são superiores aos deles. Parece que, quando os homens obtêm poder nesta terra, seja ele político ou de outra natureza, eles constroem dentro de si um egotismo que destrói aquela fé simples em Deus tão essencial para os homens encarregados de importantes responsabilidades na vida pública e em outros lugares. ¶
Religião e Moralidade São Necessárias
O Irmão Bowen nos leu, nesta manhã, um trecho do discurso de despedida do Presidente George Washington. Washington compreendeu que a religião e a moralidade são os pilares que sustentam a Constituição dos Estados Unidos, e sem os quais a Constituição ruiria. Washington também compreendeu, e exemplificou em sua vida, a necessidade da religião e da moralidade na vida daqueles encarregados da responsabilidade de manter nossa Constituição, e sem as quais os homens serão desviados da verdade. Os homens serão levados a seguir o rumo que, no fim, destruirá a Constituição, em vez de sustentá-la, contra os próprios juramentos de seu cargo, se um dia lançarem fora o manto da moralidade e da religião. Ninguém pode deixar de sustentar a Constituição e ser um bom cidadão, e muito menos um funcionário público digno. Aquele que desconsidera a Constituição não é digno de nosso apoio, seja politicamente, seja de outra forma. ¶
Entristeceu-me muito, este ano, ouvir um homem candidato a cargo público censurar o fato de que outro homem, do campo político oposto, tivesse religião consigo, como se isso o desqualificasse totalmente para o cargo público. Quando os homens, no exercício do poder que detêm em virtude dos cargos do governo para os quais foram eleitos, começam a desacreditar a religião, deixam de ser aptos para ocupar cargo público. E espero e rogo que, como povo, sejamos levados a exercer os direitos que são nossos neste grande governo que temos, votando naqueles homens que têm alguma concepção religiosa e que procuram ordenar suas vidas de acordo com os princípios da verdade e da retidão; homens que respeitam, sustentam, obedecem, honram e apoiam a Constituição dos Estados Unidos. ¶
Organizações que Surgem por Toda Parte
Temos em nosso meio organizações sociais. Elas parecem surgir todos os dias, de uma forma ou de outra; e, porque há algum poder, alguma distinção, alguma prerrogativa que acompanha aqueles que se tornam membros e dirigentes dessas organizações (sejam elas puramente sociais ou não), muitos parecem pensar que isso é mais importante em suas vidas do que magnificar os chamados que lhes cabem no sacerdócio. Ouvimos algo dito nesta manhã sobre o saber, e o mesmo se aplica a esse respeito. Ao nos tornarmos absorvidos pela sabedoria, pelo saber e pela filosofia dos homens, a menos que tenhamos humildade e fé em nós, seremos desviados tão certamente quanto a riqueza ou o poder poderiam produzir o mesmo efeito. Há uma margem muito estreita entre o bem e o mal em nossas vidas. Às vezes, quando vejo meus amigos errando um pouco, pergunto-me por que não conseguem eliminar essa margem e ser tão fortes e fiéis em guardar os mandamentos do Senhor quanto o seu próximo. ¶
Quero dizer que meu coração se enche de carinho por vós, irmãos e irmãs, aqui hoje, e por aqueles nas alas e estacas da Igreja que são tão fiéis aos chamados que são vossos, e que buscam tão sinceramente magnificar o sacerdócio que é vosso. Tenho certeza de que a história, em nenhuma época do mundo, poderia registrar maior fidelidade do que a que encontramos hoje na vida de nossos bispos, de nossos presidentes de estaca, e daqueles que trabalham sob sua direção nas estacas e alas desta Igreja. Quando olho para os rostos desses irmãos que voltaram de suas missões como presidentes de missão, sinto reverência por sua integridade, sua lealdade, sua fidelidade, sua coragem. Esses homens têm estado dispostos a abandonar seus negócios e suas profissões, deixar suas famílias e seus lares, e sair pelo mundo, e permanecer pelo tempo que durar seu chamado, sem se preocupar com o que acontecerá no futuro. Não há riqueza, não há posição política, não há poder ou distinção social que pudesse chegar a esses homens que os tentasse minimamente. ¶
Incutir Fé e Devoção
E assim, é o nosso propósito na Igreja sair entre o povo nas alas e estacas e ver se conseguimos incutir em seus corações o tipo de fé e devoção que encontramos nesses grandes presidentes de missão que temos. É uma das alegrias da minha vida poder entrar numa missão e travar íntimo conhecimento e convivência com esses homens enquanto dirigem os esforços dos filhos e filhas de Israel no campo missionário. Eles nos dão um exemplo que nós, isto é, a maioria de nós, procuramos refletir em nossas próprias vidas. Tenho certeza de que, à medida que refletirmos isso na vida daqueles sobre os quais presidimos, esta grande Igreja e reino de Deus na terra continuará a crescer e a se desenvolver, assim como o Presidente Grant disse que aconteceria em 1899. Tenho certeza de que essa profecia ainda não se cumpriu. Ainda estamos em nossa infância, e ainda temos todas essas forças e poderes mundanos para combater e vencer. ¶
Temos alguns remédios simples que nos foram dados pelo Senhor para realizar seu propósito; não conheço remédio mais eficaz do que o ensino dos professores orientadores da ala. Se os bispos e os presidentes de estaca cuidassem de que esse trabalho fosse realizado no verdadeiro espírito do sacerdócio, o espírito dessa obra tal como o Senhor a concebeu, poderíamos tocar a vida dessas pessoas. Na verdade, poderíamos até viver mais próximos daqueles que ocupam cargos públicos, se nossos professores orientadores da ala os visitassem uma vez por mês e chamassem sua atenção para os deveres e as responsabilidades que devem ao povo que os elegeu para esse cargo. ¶
Retidão no Cargo Público
Gostaria de dizer mais uma palavra sobre o cargo público. Parece haver entre nós, neste estado — e presumo que ainda mais em outros — uma tendência a pensar que, quando atuamos como prefeito de uma cidade ou membro de um conselho municipal, não somos obrigados a exercer aquele mesmo grau de retidão que exerceríamos em nossa própria vida individual. Tenho em mente hoje, particularmente, um caso em que um prefeito e um conselho municipal julgaram perfeitamente correto violar as leis do estado de Utah e permitir, em sua cidade, apostas mútuas, jogo de azar em uma de suas piores formas, ligado a corridas de cavalos realizadas ali durante uma de suas festividades municipais. Pareciam pensar, quando seus atos foram contestados, que, por ocuparem cargo público e por o tesouro municipal receber a renda desses vícios, estavam plenamente justificados. Detenhamo-nos um momento para ver aonde tal raciocínio, em última análise, nos levaria. Se todas as cidades de Utah fizessem a mesma coisa, então os prefeitos e os conselhos municipais anulariam as leis da assembleia legislativa estadual. Tomariam para si poderes que não lhes pertencem. Revogariam a lei por meio de suas próprias práticas ilegais e imorais. Mas, dizia o povo daquela cidade, nem todos fazem isso, e fomos nós que tivemos essa ideia, e devíamos poder continuar a lucrar com ela. Fiz-lhes uma pergunta simples. Quem é que vem à vossa cidade assistir a essas corridas? Bem, vêm de todo o estado. Ora, não é essa a resposta? Terá algum prefeito, terá algum conselho municipal o direito de permitir ilegalmente o jogo de azar na cidade, sob os auspícios do poder de polícia da cidade, e convidar todo o resto do estado a vir, para que aquela cidade possa lucrar explorando as fraquezas alheias, convidando, por assim dizer, o público a vir ali não só para exibir suas fraquezas, mas também para perder seu dinheiro? Não pode ser mais censurável que um indivíduo pratique o jogo de azar dentro da cidade do que seria para a própria cidade fazê-lo. Parece-me, na verdade, que aqueles que fizeram um solene juramento de sustentar e apoiar as leis e a Constituição do país deveriam ser os últimos a violá-las, não importa em nome de quem o façam. ¶
Exercer o Direito de Voto com Inteligência
Espero e rogo que esta próxima eleição demonstre ao mundo a firmeza dos Santos dos Últimos Dias em sua determinação de avançar como um exército de retidão, de combater o mal em todas as suas formas onde quer que o encontrem, colocando em cargos públicos homens e mulheres que defendam nossos mais elevados ideais, moral e religiosamente. Devemos ser criteriosos ao procurar exercer quaisquer direitos que nos pertençam. Devemos zelar para que esses direitos sejam exercidos com inteligência, para que saibamos em quem estamos votando e o que essas pessoas defendem quando votamos nelas. É nosso privilégio, sim, nosso dever, conhecer a posição que os legisladores assumirão em todos os assuntos de nosso interesse. Aqueles que buscam nosso apoio nas urnas, se eleitos para a assembleia legislativa deste estado, votarão a favor da venda de bebidas alcoólicas por dose? Votarão a favor de corridas de cavalos com apostas mútuas, com jogo por trás? Baixarão de algum outro modo as barreiras da moralidade e permitirão que homens venham para nossas comunidades explorar as fraquezas da carne? Nenhum homem deveria orgulhar-se muito de suas realizações, se essas realizações consistirem em capitalizar sobre as fraquezas e as debilidades humanas alheias. De um modo geral, são os jovens, os rapazes e as moças, que naturalmente tendem a ser um pouco imprudentes. Eles se deixam levar, por assim dizer, para o hábito do jogo de azar, aprendendo esse hábito tão vicioso de tentar obter algo por nada. É comum hoje, na vida individual de nosso povo e em todas as instâncias de nosso governo, dar ao povo o máximo possível de graça e ver o quão pouco, no fim, se exigirá que o povo trabalhe pelo que recebe. Espero e rogo que chegue o dia em que todo Santo dos Últimos Dias defenda a entronização do trabalho, da indústria e da economia. Que Deus nos abençoe para sermos sábios, discretos, criteriosos e perspicazes, e para utilizarmos toda força e todo recurso que tivermos, a fim de assegurar que nossos governos sejam conduzidos por homens que sustentem a Constituição incondicionalmente, que creiam em Deus, que prestem obediência a seus mandamentos, rogo humildemente em nome do Senhor Jesus Cristo. ¶
Amém. ¶