Pulpit

A Regra Áurea Diante do Egoísmo Pecaminoso

Joseph F. Merrill

1950 October General Conference·Sunday Morning Session·1950-10-01

Muitos que não estão visivelmente presentes podem estar ouvindo os trabalhos desta conferência graças às maravilhas do rádio moderno. Eu vos saúdo a todos.

Causa das Condições Perturbadoras

Muito se diz e se escreve hoje em dia sobre as condições perturbadoras que prevalecem local, nacional e internacionalmente. A guerra na Coreia, nas últimas semanas, tem talvez atraído mais atenção nas manchetes dos jornais. Mas rumores e falas de guerra também têm vindo de outros lados. O aumento dos custos e dos preços igualmente tem atraído muita atenção. Os conflitos entre patrões e empregados também têm figurado nas manchetes. A política partidária tem despertado raiva e amargura.

Olhando para qualquer direção, vereis tudo, menos harmonia e condições de paz. Por que tudo isso, alguém poderia perguntar. Serão todas essas coisas necessárias? Será que Deus as quer? Em sua ignorância, alguns dizem: "Sim."

Durante os três anos em que viajamos pela Europa, de 1933 a 1936, percebemos que o sentimento era mais ou menos geral de que não existe um Deus de quem sejamos filhos, e que nos ame como um pai bondoso ama seus filhos; se existisse, não teria permitido a grande Guerra Mundial (a primeira, como agora a chamamos). Tal afirmação implica que Deus é responsável pelas guerras — algo que é totalmente falso. Deus deu o "livre-arbítrio" a cada filho que nasce na mortalidade, um dom inestimável pelo qual cada um que o recebe será responsabilizado. Deus não é responsável por nossas guerras, nem por qualquer uma das nossas muitas aflições e atos pecaminosos. Esta verdade é um dos muitos ensinamentos característicos do mormonismo, definido como os ensinamentos e as doutrinas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Lei de Causa e Efeito

Trazemos nossas aflições sobre nós mesmos, seja por ignorância, seja de outra forma. Vivemos num mundo e num universo governados por leis imutáveis que, se plenamente obedecidas, resultam em bela harmonia e paz.

Isso é verdade tanto no âmbito material quanto no espiritual — assim ensinam as autoridades nos campos da ciência e da religião.

Segundo o Profeta Joseph Smith: Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam — E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia. (D. e C. 130:20-21.) As experiências humanas testificam da veracidade dessas afirmações.

Os cientistas há muito ensinam que todo fenômeno na natureza é o resultado de causas antecedentes. Esse fato é comumente conhecido como a lei de causa e efeito.

A Religião como Modo de Vida

Em abril passado, poucos dias depois da conferência anual, uma senhora falou comigo na rua e perguntou como eu ousava misturar política e religião num discurso de conferência. Minha resposta foi que entendo que nossa religião é essencialmente um modo de vida e, portanto, abrange, de maneira ampla, todo o campo das relações morais humanas, como indicam as Regras de Fé onze, doze e treze. Como todos sabeis, não limitamos nossa religião ao ensino de um conjunto de doutrinas teológicas. Um de nossos ensinamentos fundamentais é que a fé sem obras é morta. (Ver Tiago 2:14-26.) Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7:21.) Assim disse Jesus em seu grande Sermão da Montanha.

Em outra ocasião, um doutor da lei perguntou a Jesus: Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

E Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

(Idem, 22:36-40.) Aceitamos esses ensinamentos de todo o coração. Interpretamos a palavra "próximo" nesse mandamento como significando nossos semelhantes.

Numa breve ampliação do segundo mandamento, Jesus disse:

. . . portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles, porque esta é a lei e os profetas. (Idem, 7:12.) Essa exigência é geralmente chamada de Regra Áurea. Essa exigência está implícita na décima terceira Regra de Fé, que diz o seguinte:

Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens. . . .

Necessidade de Arrependimento

Comecei este discurso mencionando algumas das muitas condições perturbadoras que afligem este país. Por que existem essas condições? Todas elas são criadas pelo homem, podendo, portanto, ser eliminadas se os homens tivessem o desejo e a vontade de eliminá-las. Mas isso nunca será feito até que os homens se arrependam de seus caminhos maus e deixem de fazer as coisas que provocaram essas condições. Para ser mais específico, entre outras coisas, devemos controlar nosso egoísmo, o que não é fácil de fazer; pois o egoísmo é uma fraqueza herdada, uma qualidade inata que todo homem possui em maior ou menor grau. Contudo, pode manifestar-se de maneiras louváveis ou condenáveis. No vigésimo quinto capítulo de Mateus está escrita uma bela parábola em que o Senhor disse: Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; . . .

Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; . . .

(Mateus 25:35-36.) Perguntados quando haviam feito isso, o Senhor respondeu: . . . Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. (Idem, 25:40.) Sim, servimos ao Senhor servindo desinteressada e retamente ao próximo. E é isso que nossos missionários, aqui e no exterior, procuram fazer. Como recompensa, desenvolvem um profundo amor pelo povo entre o qual trabalham e experimentam alegrias, deleites e satisfações num grau e numa natureza que os capacitam a dizer, com verdade, que muito desfrutaram de suas missões e que voltariam de bom grado a elas, se fossem chamados a voltar. Sim, esses missionários estavam lá fora, às suas próprias custas, dedicando todo o seu tempo a esforços desinteressados para entregar uma mensagem que, se aceita e vivida, seria uma bênção eterna para aqueles que a recebessem.

Causa das Aflições

Muitas respostas diferentes podem ser dadas à pergunta: por que o mundo — as pessoas em todas as terras e climas — está numa condição incerta e perturbada? A natureza das aflições atuais é tal que muitas pessoas olham para o futuro com medo e um desespero quase sem esperança quanto ao resultado. Há pessoas inteligentes e bem informadas que veem a terceira guerra mundial como iminente e certa de vir num futuro não distante. E, ouvindo ou sabendo algo sobre a enorme capacidade destrutiva dos instrumentos de guerra atuais, têm razão para sentir-se apavoradas com a ideia de uma Terceira Guerra Mundial.

Mas por que há perigo de que tal guerra estoure? Uma resposta é o egoísmo desmedido e perverso de homens em posições de poder.

Houve algum chefe de nação mais egoísta, ganancioso e ambicioso do que Adolf Hitler no início da Segunda Guerra Mundial? Se não for controlado, o egoísmo dos homens no poder levará à guerra mais mortífera que este mundo já conheceu.

Mas a maioria de nossas aflições desconcertantes não é de natureza internacional. Elas surgem em nossos lares, comunidades e nação, e muitas delas também se devem a algum tipo de egoísmo pecaminoso.

Qual é a causa básica das tendências inflacionárias dos últimos anos? Conheço a resposta que os economistas costumam dar. É mais ou menos padronizada. Não sou economista, apenas um leigo, mas tenho uma resposta, e creio que é correta. A causa básica é o egoísmo. Mas o egoísmo pode ser louvável ou condenável. É um egoísmo louvável que motiva nossos missionários — seu desejo de ajudar e abençoar seu próximo. Eles são movidos pelo espírito da Regra Áurea. Mas o egoísmo deixa de ser louvável quando ultrapassa os limites da Regra Áurea. Ele então se torna mais ou menos pecaminoso, dependendo, é claro, das circunstâncias.

Aumentos de Salários e Preços

Por volta da época da rendição do Japão em 1945, os dirigentes de alguns sindicatos trabalhistas começaram a fomentar uma agitação por um aumento de salários. Insistiam que seus membros deveriam continuar a ter a mesma renda semanal que recebiam durante a guerra — o mesmo valor por quarenta horas semanais que antes recebiam por quarenta e oito horas. Assim, foi feita uma reivindicação de aumento salarial de trinta centavos por hora. Mas insistiam que não deveria haver aumento nos preços, nenhum aumento no custo de vida — um absurdo. Quando o custo de produção sobe, não devem também os preços subir, para que os negócios possam continuar?

Pois bem, qual foi o resultado? Houve reivindicações, greves, distúrbios, etc., e, por fim, chegou-se a um acordo, por recomendação do Presidente, concedendo um aumento salarial de dezoito centavos e meio por hora. Esse aumento tornou-se geral em todas as grandes indústrias de produção. E os preços? Claro que subiram — o custo de vida aumentou. Por causa disso, no ano seguinte houve mais reivindicações, agitações, greves e, finalmente, acordos concedendo um segundo aumento salarial, seguido de outra alta no custo de vida. Essa foi, essencialmente, a história do terceiro ano, do quarto ano, e agora do quinto ano, resultando numa espiral inflacionária que ainda continua, com os salários mais altos da história para os trabalhadores nas indústrias produtivas e um correspondente aumento no custo de vida. Parece, portanto, que o aumento dos salários é, em grande parte, responsável pela inflação neste país nos últimos anos. Mas uma parte triste da história é que a maioria dos trabalhadores do país tem sido prejudicada pela inflação que se seguiu aos aumentos salariais — sua renda não aumentou tão rapidamente quanto os preços subiram.

A Inflação Prejudica Milhões

De outra maneira, a inflação tem prejudicado os milhões de americanos leais e econômicos que investiram suas economias em títulos de guerra. Uma depreciação do poder de compra do dólar resultou na perda de muitos bilhões de dólares para aqueles que compraram esses títulos. Os muitos milhões de apólices de seguro de todos os tipos foram, é claro, desvalorizadas. E esses fatos parecem não ter incomodado em nada aqueles que administram o governo. De qualquer forma, não ouvi falar disso. Por uma questão de justiça para com todos, não deveria o governo fazer tudo o que fosse viável para manter constante o poder de compra do dólar? Quem se beneficiou da inflação? Certamente a grande maioria foi prejudicada.

A Lei Taft-Hartley

Falei dos chefões sindicais. Sem dúvida, há dirigentes de sindicatos que são homens bons e honrados, dispostos a agir com justiça, retidão e correção em suas negociações. E certamente a maioria dos membros dos sindicatos são americanos bons e leais, que não cometeriam conscientemente atos prejudiciais ao próximo. Mas parece que multidões deles são mal informados por alguns de seus líderes astutos, que lhes disseram, por exemplo, que a lei trabalhista Taft-Hartley escraviza o trabalhador e que todos os seus apoiadores no Congresso deveriam ser derrotados nas próximas eleições de novembro. Mas, se bem entendo o assunto, essa lei de fato limita o poder de chefões sindicais egoístas, mas concede, correspondentemente, uma medida maior de liberdade aos membros dos sindicatos do que tinham até então. Estou disposto a confiar em trabalhadores americanos informados, honestos e leais. Tudo o que peço aos membros dos sindicatos é que, antes de votarem em candidatos que exigem a revogação dessa lei, estudem a lei que seus líderes exigem que seja revogada, e então votem conscientemente. Neste país, o voto é secreto. Todos têm o direito, dado por Deus, do livre-arbítrio, mas Deus os responsabilizará por como o utilizarem.

Chefões Sindicais

Falando em chefões sindicais, permita-me perguntar se lestes o editorial do Deseret News publicado em 24 de setembro de 1950, intitulado "John L.

Lewis Mostra as Presas Outra Vez, com um Sorriso e um Rosnado Macabros." Nesse editorial, chamava-se a atenção para uma carta escrita por Lewis, na qual ele diz:

Taft nasceu envolto em calças de veludo e viveu para cravar uma coleira de ferro no pescoço de milhões de americanos. Ele é o instrumento implacável, embora tolo, dos opressores do trabalhador.

Vedes agora por que insto todos os membros dos sindicatos a se familiarizarem com as disposições da lei Taft-Hartley antes de votar? Que vejam por si mesmos se a lei não lhes dá liberdade, em vez de escravidão.

Eis outra ilustração do egoísmo dogmático demonstrado por chefões sindicais. Durante várias semanas recentemente, a General Electric Company vinha tentando negociar novos contratos com um dos sindicatos (um novo) que representa seus empregados. No boletim informativo da empresa de 4 de agosto, constavam estas declarações:

O cerne do argumento do I.U.E. é, hoje, admitidamente, que simplesmente não conta sempre que oferecemos ou colocamos em prática, de boa vontade, quaisquer benefícios que não pareçam publicamente ter sido arrancados de nós pelo sindicato.

. . . E o I.U.E. argumenta que não pode se dar ao luxo de nos reconhecer mérito algum por qualquer coisa que estejamos dispostos a fazer voluntariamente. . . . O I.U.E. deu a entender que outros nunca haviam sido suficientemente firmes nas negociações coletivas conosco.

Mostram essas declarações algum desejo de ser justos?

Aumentos de Preços Injustificados

Falando novamente do egoísmo pecaminoso como o principal fator na produção da inflação, permita-me sugerir que a maioria de nós é mais ou menos culpada de egoísmo pecaminoso — ultrapassamos os limites da Regra Áurea ao promover nossos próprios interesses. Isso é compreensível, mas dificilmente justificável à luz de nossos ensinamentos. Na medida em que assim procedemos, violamos o segundo grande mandamento, não é verdade?

Quando estourou a guerra da Coreia, os preços subiram imediatamente. Por quê?

Por causa do egoísmo pecaminoso daqueles que tinham coisas para vender.

Quando os bens se tornam escassos, seu preço aumenta. Por quê? Pela mesma razão. Nesses casos, os custos de produção não aumentaram, mas o egoísmo dos vendedores precisa ser satisfeito.

Cerca de quarenta e sete anos atrás, Cache Valley, no norte de Utah, teve um inverno longo. O preço do feno para o gado subiu bruscamente. Marriner W. Merrill, presidente do Templo de Logan, foi informado pelo administrador de seus negócios agrícolas de que ele tinha várias toneladas de feno sobrando. A procura era intensa. Ofereciam-se quinze dólares a tonelada, ou mais.

O Irmão Merrill ficou em silêncio por alguns instantes e depois aconselhou que se vendesse tanto feno quanto pudesse ser dispensado. E o preço? Oito dólares a tonelada. Esse, ele acrescentou, é um preço justo para o custo de produção, mas não deixem que mais de uma tonelada vá para o mesmo indivíduo. Se o espírito que ele demonstrou prevalecesse por toda a América, quão melhor seria para todos nós, e quão maior seria a nossa felicidade! Então os dirigentes de empresas e sindicatos seriam motivados a ser justos e honestos em todas as suas negociações.

Vivei a Regra Áurea

Sim, entre as situações perturbadoras que a América enfrenta estão a inflação, o comunismo e o monopólio dos chefões sindicais; e as mais iminentes dessas três são a inflação e o monopólio. Ambas desapareceriam da noite para o dia se todos os envolvidos se arrependessem imediatamente e vivessem a Regra Áurea. E isso todos os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são obrigados a fazer, pelos convênios que fizeram nas águas do batismo e ao participar do santo sacramento.

Testemunho

Agora, para concluir, permita-me dizer que, há três anos, em abril passado, estive neste púlpito e fiz a pergunta: "Será que Joseph Smith, o menino de quatorze anos no bosque, realmente e verdadeiramente viu duas personagens celestiais de suprema glória, Deus o Pai e Jesus Cristo o Filho, e ouviu a voz de cada um deles?" Se um juiz justo, imparcial e competente fosse encarregado de fazer um estudo minucioso de todo o material relativo e, então, responder à pergunta, a resposta seria, sem dúvida, afirmativa — tão forte é a evidência. Quanto a mim, estou bem seguro de que, tão certo quanto estardes sentados aí e eu estar aqui de pé, sei que Deus vive e que esta é a sua Igreja. Ele mesmo, por meio do Espírito Santo, revelou-me isso. Em resposta à oração, tenho sido o feliz recipiente, várias vezes, de revelação direta de Deus, dada verbalmente, uma vez de modo oral. Por isso, sei positivamente que ele vive. Nos últimos anos, tenho relatado publicamente algumas dessas experiências muitas vezes. Muitos milhares de outros Santos dos Últimos Dias têm testemunhos tão fortes quanto o meu. Mas todos os verdadeiros Santos dos Últimos Dias são firmes em nossa preciosa fé. Que todos nós a deixemos ser nossa luz orientadora, e que ela nos mantenha leais à liderança da Primeira Presidência da Igreja, eu rogo em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Merrill, “A Regra Áurea Diante do Egoísmo Pecaminoso”, 1950 October General Conference, Sunday Morning Session (1950-10-01). Pulpit Vault, 1950-10-merrill-many-who-are-not-visibly-present-may. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).