Pulpit

A Obra do Senhor entre os Lamanitas

Spencer W. Kimball

1950 October General Conference·Saturday Morning Session·1950-09-30

Meus irmãos e irmãs, gostaria de expressar aqui meu grande amor e admiração pelo Presidente George F. Richards, que esteve conosco em nossa última conferência, mas que desde então faleceu. De todos os homens que conheci em minha vida, nenhum se elevou a maiores alturas, em minha opinião, do que o Élder George F. Richards em santidade, em visão, em compreensão, e em amor, humildade e poder.

Orações pelos Lamanitas

Fiquei contente que o Presidente Beckstead tenha mencionado, em sua oração, o programa lamanita. Pensei, enquanto ele orava: "Não seria glorioso se duzentas mil famílias de Santos dos Últimos Dias, toda manhã, antes do café da manhã, em suas orações familiares, pedissem que a obra do Senhor entre os lamanitas fosse promovida; e se essas mesmas duzentas mil famílias também se ajoelhassem antes de se deitar à noite para pedir novamente, entre outras coisas, que as bênçãos do Senhor fossem trazidas a este grande povo?"

Plano Concebido pelo Senhor

O Senhor concebeu um plano muito abrangente, e tenho a firme convicção de que o projeto que ele elaborou há muitos milênios será seguido, e a estrutura será construída de acordo com ele.

O Profeta Joseph Smith dedicou o Templo de Kirtland em 1836. Sua oração, que ele declarou mais tarde ser uma revelação do Senhor, abrangeu muitos assuntos, e nela ele fez esta declaração:

E faças com que os remanescentes de Jacó, que foram amaldiçoados e feridos por causa de suas transgressões, convertam-se de sua condição indômita e selvagem à plenitude do evangelho eterno. (D. & C.

109:65.) Nosso Pai começou a falar pela boca dos profetas há longos séculos, delineando em palavras proféticas a história desses muitos séculos que haviam de seguir-se. Tenho certeza de que ele inspirou um garotinho, Cristóvão Colombo, a ficar nos cais de Gênova, na Itália, e a ansiar pelo mar. Ele se encheu do desejo de navegar pelos mares, e cumpriu uma grande profecia feita há muito, muito tempo, de que esta terra, escolhida acima de todas as outras terras, seria descoberta. E assim, quando amadureceu, foi-lhe concedida a oportunidade de enfrentar mares desconhecidos, de encontrar esta terra que havia sido isolada do resto do mundo por longos séculos, e de abrir a porta, por assim dizer, para o ensino desse povo e para trazê-lo de volta a seu Pai Celestial.

Tenho a firme convicção de que o Senhor conduziu os peregrinos e os puritanos através do oceano, talvez tenha permitido as perseguições que os trariam para cá, para que, ao chegarem às costas americanas com seu sangue justo e seus elevados ideais e padrões, formassem a base de uma nação que tornaria possível a restauração do evangelho. Tenho certeza de que, como não havia liberdade religiosa, nem liberdade política aqui, o Senhor permitiu que esses poucos homens mal armados e mal vestidos em Valley Forge e em outros lugares derrotassem um grande exército com sua soldadesca treinada e seus muitos mercenários — poucos contra muitos, mas os poucos tinham a seu lado o Senhor Deus do céu, que lhes deu a vitória. E com isso vieram a liberdade política e a liberdade religiosa, tudo em preparação para o dia em que um jovem rapaz surgiria e buscaria e faria contato com o Senhor e abriria novamente as portas do céu. Seguindo-se àquela grande manifestação a Joseph Smith, veio a abertura do monte Cumora e a fala dos mortos desde o pó.

Propósitos a Serem Cumpridos

Tenho certeza de que tudo isso teve um propósito bem planejado. O Senhor sabia exatamente o que estava fazendo, e, embora forças do mal estivessem em ação, todas foram levadas a curvar-se, para que os propósitos do Todo-Poderoso se cumprissem.

Gostaria de citar-vos um parágrafo de Wilford Woodruff, declarado por ele em 1873:

Estou esperando o cumprimento de todas as coisas que o Senhor falou.

Por longos séculos o Senhor disse como este povo escolhido cairia em transgressão e como, alguns séculos depois de Cristo, estariam tão mergulhados no pecado que perderiam a fé, e que alguns deles seriam destruídos. Ora, o Irmão Woodruff diz que sabe que todas essas coisas se cumprirão, . . . e se cumprirão tão certamente quanto o Senhor vive. Sião está destinada a erguer-se e florescer. Os lamanitas florescerão como a rosa nas montanhas. Estou disposto a dizer aqui que, embora eu creia nisso, quando vejo o poder da nação destruindo-os da face da terra, o cumprimento dessa profecia é, para mim, talvez mais difícil de crer do que qualquer outra revelação de Deus que já li.

O Irmão Woodruff viveu na época em que os lamanitas estavam sendo destruídos. Eram os "Americanos em Extinção" naquela época, e estavam sendo perseguidos, expulsos, mortos e confinados a reservas naquele período da história da nação. Ele continuou:

Parece que não restarão o suficiente para receber o evangelho; mas, apesar desse quadro sombrio, cada palavra que Deus já disse a respeito deles se cumprirá, e eles, com o tempo, receberão o evangelho. Será um dia do poder de Deus entre eles, e uma nação nascerá num só dia. Os chefes se encherão do poder de Deus e receberão o evangelho, e sairão a construir a Nova Jerusalém, e nós os ajudaremos. Eles são ramos da casa de Israel, e, quando a plenitude dos gentios tiver entrado e a obra cessar entre eles, então irá com poder à semente de Abraão.

A Obra Começou

Compreendemos que a obra começou quando o livro veio à luz, pois em Éter, quarto capítulo, lemos:

Portanto, quando receberdes este registro, sabereis que a obra do Pai começou sobre toda a face da Terra. (Éter 4:17.) O Profeta Joseph Smith nos deu a ideia de que o Senhor nos trouxe para cá, do leste, para levar o evangelho aos lamanitas. Uma das coisas mais importantes que podem possivelmente acontecer nesta Dispensação da Plenitude dos Tempos é levar aos lamanitas o conhecimento de Deus. Ele diz:

. . . haverá dezenas de milhares de Santos dos Últimos Dias que se reunirão nas Montanhas Rochosas, e ali abrirão a porta para o estabelecimento do evangelho entre os lamanitas, que receberão o evangelho, suas investiduras e as bênçãos de Deus.

Brigham Young parece ter captado essa visão. Disse que o Senhor não poderia ter concebido um plano melhor do que colocar-nos onde estamos, a fim de realizar exatamente aquilo: educar e ensinar os lamanitas. Nossos antepassados percorreram milhares de quilômetros pelo deserto, sob terríveis perseguições e dificuldades, para se estabelecerem onde os gentios haviam dispersado os lamanitas. Estes já haviam sido praticamente "confinados a reservas" aqui nos estados do oeste. Estavam em cada um de nossos condados, e o Senhor nos trouxe para cá a fim de que lhes ensinássemos o evangelho.

Irmãos e irmãs, essa obra tem continuado, com algumas interrupções, ao longo do século. Agora o Senhor deu mais um passo.

Parece-me que ele está trazendo os lamanitas de volta a nós. Foram enviados para reservas por todo o oeste, e agora a maior delas, a Reserva Navajo, não consegue sustentar seu povo. Os navajos estão passando fome. Estão voltando para o meio de nós, para os campos de beterraba e algodão, para as ferrovias e para as minas, em busca de emprego. Estão voltando para as estacas de Sião, onde temos missões de estaca e onde temos milhares de bons Santos dos Últimos Dias que vivem o evangelho, e milhares de dedicados missionários de estaca que lhes ensinarão a verdade. Eis aqui nossa grande oportunidade.

Parece que o Senhor planejou tudo por nossa causa. Se falharmos com nossa oportunidade, tenho certeza de que o Senhor não nos perdoará facilmente.

Membros Lamanitas

Interessa-vos saber que há cerca de quarenta mil membros lamanitas da Igreja no mundo, incluindo as ilhas do mar. Há provavelmente dez mil membros lamanitas na América do Norte, nas missões mexicanas e na missão indígena. Há 902 membros lamanitas nas missões de língua inglesa nos estados do Leste, do Norte, Central e em outras missões norte-americanas. E essa obra tem progredido esplendidamente sob alguns de nossos presidentes de missão. Batizamos 1823 lamanitas nos últimos dois anos e meio, nas três missões que se especializam no proselitismo lamanita na América do Norte. Batizamos 480 índios na pequena missão indígena, com um número simbólico de missionários. Foi abençoado um número aproximadamente igual, crianças com menos de oito anos de idade que pertencem a famílias de amigos, investigadores e membros, de modo que agora temos ali mais de mil e duzentos membros neste curto período de trabalho missionário. Temos aproximadamente mil e setecentos membros índios nas estacas de Sião. Batizamos 347 nas sessenta e cinco estacas que já apresentaram relatório até agora, neste período, desde que a obra foi inaugurada.

Nas missões dos Estados Unidos e do Canadá, batizamos 248 índios neste curto período. Interessa-vos saber que estamos batizando mais índios por missionário do que a Igreja está batizando no resto do mundo. Houve três e três décimos de batismos por missionário na missão indígena em 1949, em comparação com cerca de dois terços desse número nas outras missões da América do Norte. Temos cerca de cinquenta batismos de jovens índios que vieram da reserva e que estão vivendo em lares de Santos dos Últimos Dias em uma relação de filha-mãe e filho-pai. Aqui, o rapaz ou a moça índia torna-se um membro não oficial da família, e não é nem serviçal nem hóspede, onde pais adotivos cuidam deles e lhes dão educação e formação, e logo eles ingressam na Igreja por sua própria vontade. Temos cerca de cinquenta e um missionários lamanitas no campo missionário agora, e estarão aumentando muito rapidamente, tenho certeza.

Temos uma moça navajo de sangue puro que parte para o campo missionário na segunda-feira de manhã, a primeira daquela nação. Temos um índio pima no campo missionário agora, e temos um índio catawba vindo do leste que entrará em breve na casa da missão, a caminho de uma das outras missões da Igreja. O Irmão (E. Wesley) Smith nos disse ontem que havia dez missionários lamanitas do Havaí que estavam no Oriente, creio eu.

Palavras dos Primeiros Irmãos

Gostaria de dar-vos algumas citações de alguns dos primeiros irmãos. Joseph Smith disse que essa obra era extremamente essencial, e enviou Oliver Cowdery, Peter Whitmer, Parley P.

Pratt e Ziba Peterson já em outubro de 1830. Não fazia muito tempo que as placas haviam saído do monte Cumora. Na seção trinta e dois de Doutrina e Convênios, o Senhor Jesus Cristo diz destes missionários lamanitas:

. . . e eu mesmo irei com eles e estarei em seu meio; . . .

e nada prevalecerá contra eles. (D. & C. 32:3.) E então o Profeta Joseph Smith disse: . . . e ali (nas Montanhas Rochosas) eles (os Santos dos Últimos Dias) abrirão a porta para o estabelecimento do evangelho entre os lamanitas, que receberão o evangelho, suas investiduras e as bênçãos de Deus.

E o Irmão John Taylor disse:

. . . a obra entre os lamanitas não deve ser adiada, se desejamos conservar a aprovação de Deus.

Oliver Cowdery, ainda naqueles primeiros dias, encontrara os navajos no extremo sudoeste, e relatou isso aos irmãos, sentindo que era algo muito importante. Wilford Woodruff, então, disse ainda mais o seguinte, quando desceu ao sudoeste, no Novo México, e visitou os índios daquela região. Disse ele:

Em minha breve comunicação do dia dois do corrente, prometi dar um relato mais completo de minha visita aos isletas, o que agora procurarei fazer.

Os isletas são um dos grupos pueblo lá no Novo México.

Considero minha visita entre os nefitas uma das missões mais interessantes de minha vida, embora breve. Digo nefitas, porque, se há nefitas neste continente, nós os encontramos entre os zunis, os lagunas e os isletas, pois são uma raça de povo inteiramente diferente dos lamanitas. Classifico os navajos, os moquis (hopis) e os apaches entre os lamanitas, embora estejam à frente de muitas tribos indígenas da América. Classifico os zunis, os lagunas e os isletas entre os nefitas.

E então ele prossegue dizendo que, assim que dispensaram aquela reunião em particular entre os isletas, e estavam prestes a partir, um dos nefitas se levantou.

. . . cheio do espírito do Senhor, e disse: "Amigos, por que nos dispensam e nos deixam assim? Esta é a primeira vez que ouvimos falar de nossos antepassados e do evangelho e das coisas que temos esperado, pelas tradições de nossos pais. Se nossas esposas e filhos estão cansados, que voltem para casa. Nós queremos ouvir mais. Queremos que falem a noite toda. Não nos deixem assim."

O Irmão Brigham Young disse: "É nosso dever alimentar e ensinar estes índios." Permiti-me citar algumas linhas dele. Ele nos aconselhou a "educá-los e ensinar-lhes o evangelho" para que não se passassem muitas gerações antes que se tornassem um povo branco e deleitável.

Esta é a terra pela qual eles e seus pais têm caminhado, chamando-a de sua. E têm hoje tanto direito de chamá-la de sua quanto quaisquer filhos têm de chamar qualquer terra de sua. Sepultaram aqui seus pais, suas mães e seus filhos. Este é o seu lar, e nós tomamos posse e ocupamos a terra onde costumavam caçar. Agora a caça acabou, e eles ficaram entregues à fome. . . . O Senhor nos deu a capacidade de cultivar a terra e colher fartas colheitas. Temos abundância de alimento para nós mesmos e para o estrangeiro. . . . Estamos vivendo das posses e nos lares deles.

Gostaria de citar novamente o Presidente John Taylor. Disse ele:

A obra entre os lamanitas não deve ser adiada, se desejamos conservar a aprovação de Deus. Até aqui, temo-nos contentado simplesmente em batizá-los e deixá-los voltar à sua vida selvagem, mas isso não pode continuar; o mesmo esforço dedicado, o mesmo cuidado em instruir, a mesma organização e sacerdócio devem ser introduzidos e mantidos na Casa de Leí como entre aqueles de Israel reunidos dentre as nações gentias.

Até agora, Deus tem feito tudo, e nós, comparativamente, nada. Ele tem conduzido muitos deles até nós, e eles têm sido batizados, e agora devemos instruí-los mais, organizá-los em congregações com presidências próprias, vinculá-los às nossas estacas, organizações, etc., em uma palavra, tratá-los exatamente, nesses aspectos, como tratamos e trataríamos nossos irmãos brancos.

Histórico da Obra entre os Lamanitas

Brigham Young pôs isso em prática, a proclamação do evangelho aos lamanitas, e enviou missionários até o Salmon, até o Vale de Carson, até Moab, até o Santa Clara, até perto de Blackfoot, e a outros lugares. Também enviou uma missão ao território indígena. Fizemos cinco tentativas de estabelecer a obra naquela área. Doze missionários foram em 1855.

Os missionários foram retirados de quase todos esses lugares quando o Exército de Johnston chegou a Utah. E assim a obra cessou em muitos lugares. A malária, a perseguição e a morte prejudicaram a obra, e, por volta de 1860, o trabalho missionário no território indígena havia se extinguido. Havia poucos missionários para enviar, a Guerra Civil estava em curso, e as condições em casa eram difíceis, e havíamos apenas começado a nos estabelecer aqui no Oeste. Passou-se um período de dezessete anos, e aqueles conversos e investigadores foram, é claro, perdidos, sem ninguém para ensiná-los. Em 1877, outro grupo de missionários foi ao território indígena. Depois de seis meses, voltaram. A malária foi demais para eles. Um ano depois, o Élder George Teasdale foi enviado com outros missionários, e a obra recomeçou, mas eles também voltaram após cerca de seis meses. A malária foi muito severa.

Dois anos depois, foi feita uma quarta tentativa de estabelecer a obra, e missionários foram enviados novamente. Embora a malária fosse severa, permaneceram, e a missão perdurou até os dias atuais; mas outras mudanças severas sobrevieram à obra indígena.

Texas, Kansas, Missouri e outros estados foram acrescentados à Missão do Território Indígena, que se tornou a Missão dos Estados Centrais, e a ênfase foi gradualmente transferida dos índios para os não índios. Quando estive naquela missão em 1914, nunca se fazia menção aos índios, sendo toda a obra realizada entre os brancos.

Cerca de dois anos atrás, o Presidente Francis Brown daquela missão enviou novamente missionários para trabalhar entre os índios em Oklahoma, e a obra novamente está progredindo.

Nossa Responsabilidade

É tempo agora de começarmos a dar a devida ênfase a esta grande obra de trazer os lamanitas ao conhecimento de seu Deus.

É nossa responsabilidade e nossa oportunidade. Agora, irmãos e irmãs, nas estacas e missões tereis a oportunidade de ensinar os índios. Que vossas orações se elevem ao Senhor em favor deles, e então fazei o máximo para conduzi-los a padrões mais elevados e, acima de tudo, dai-lhes o evangelho do reino e o conhecimento de Deus, como um dia tiveram.

Que o Senhor abençoe o povo lamanita, e nos abençoe para que possamos compreender nossas responsabilidades para com eles. Isto oro, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “A Obra do Senhor entre os Lamanitas”, 1950 October General Conference, Saturday Morning Session (1950-09-30). Pulpit Vault, 1950-10-kimball-my-brothers-and-sisters-i-should-like. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).