Confiança em Deus e Obediência aos Mandamentos
Ezra Taft Benson
Venho a vós, meus irmãos e irmãs, ao nos aproximarmos do encerramento desta gloriosa conferência, em espírito de jejum e oração, na esperança de que o Senhor julgue por bem sustentar-me durante os poucos momentos em que estarei diante de vós. Ao contemplar com apreensão esta experiência tão solene, tenho tido motivos para agradecer ao Senhor muitas vezes por suas bênçãos. ¶
Apoio da Família
Enquanto eu estava sentado sozinho em um cômodo de minha casa, após a sessão desta manhã, um de meus filhos entrou na sala e disse: "Pai, tenho observado que o senhor tem jejuado e orado bastante durante esta conferência. Só queria vir dizer-lhe que tenho feito o mesmo. Que o Senhor o abençoe." ¶
Ao sair do quarto, fui recebido por minha boa esposa, sempre leal e dedicada, que disse: "Os filhos mais novos sugeriram que seria bom ajoelharmo-nos em oração familiar." Depois acrescentou: "Já tivemos oração esta manhã, mas eles gostariam de orar com o senhor agora." Sou grato, meus irmãos e irmãs, pelo apoio de nossas famílias. ¶
Gratidão pelos Irmãos
Sou grato pelo espírito desta grande obra dos últimos dias. Sou grato por meus irmãos entre os quais trabalho — por seu apoio, sua confiança e sua fé. Meu coração respondeu a cada mensagem proferida nesta conferência e a cada testemunho que foi dado. ¶
Minha alma ecoou os sentimentos expressos em favor de nosso grande líder, o Presidente George F. Richards. Eu o amava quase como um filho ama um pai. Lembro-me vividamente de estar em sua presença — a sós com ele em seu escritório — pouco antes de eu partir para as terras da Europa devastada pela guerra. ¶
Lembro-me de suas últimas palavras de conselho. Jamais as esquecerei, nem o terno abraço que me deu quando eu estava prestes a partir naquela missão de emergência sob a direção da Primeira Presidência. ¶
Fiquei feliz ao ouvir as palavras proferidas a respeito de meu bom amigo e irmão, Frank Evans, a quem tenho amado por muitos anos e que não foi amado somente na Igreja, mas também pelo povo em toda a América rural. ¶
Regozijo-me, meus irmãos e irmãs, com a nomeação do Irmão Stapley para o nosso Conselho, e gostaria de lhe dizer, e tenho certeza de que expresso o sentimento de todos os meus colegas, que ele verá, sentirá e testemunhará um amor não superado entre homens em nenhuma parte do mundo, ao reunir-se em conselho com a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze. Sou grato por estas ricas bênçãos. ¶
Estou emocionado, meus irmãos e irmãs, com o doce resumo da conferência apresentado pelo Irmão Lee esta manhã, e particularmente com seu testemunho. Agradeço a Deus por ter implantado no coração dos homens — homens fortes, homens bons — um testemunho ardente da divindade desta grande obra dos últimos dias. ¶
Espírito de Fraternidade
Há um verdadeiro espírito de fraternidade e companheirismo na Igreja. É algo muito poderoso, de certa forma intangível, mas muito real. Eu o sinto, assim como meus colegas, ao viajarmos por todas as estacas e alas de Sião e por todas as missões da terra. Não importa onde estejamos. Podemos reunir-nos em grupo com o sacerdócio, numa das estacas, ou numa das missões, mas há sempre aquele sentimento de companheirismo e fraternidade. É uma das coisas doces relacionadas com sermos membros da Igreja e reino de Deus. Senti-o lá em cima no Alasca, ao reunir-me com nossos irmãos e irmãs de lá. Senti-o bem longe, na Prússia Oriental, por todas as missões da Europa, lá no México, em algumas das ilhas do mar, e por toda esta terra de Sião. É muito real. Ah, eu sei, meus irmãos e irmãs, que não é o que deveria ser; não é o que poderia ser; não é o que o Senhor gostaria que fosse, mas, ainda assim, não há nada semelhante em todo o mundo. É uma das marcas da divindade desta grande obra dos últimos dias, e nisso me regozijo. A coisa mais importante de tudo, para mim, é o espírito desta grande obra em que estamos empenhados. É esse espírito que traz às nossas almas a convicção da divindade desta obra. Ninguém pode explicá-lo por completo, e, no entanto, é muito poderoso e muito real. ¶
Elevação Espiritual Experimentada
Um de meus amigos não mórmons, falecido há apenas alguns dias, que era bastante conhecido, que escrevia para revistas nacionais e era presidente do conselho de administração de uma de nossas grandes universidades, veio a esta cidade há alguns meses para discursar numa reunião de produtores de laticínios, a maioria dos quais membros da Igreja. ¶
Depois que a reunião terminou, ele veio à minha casa para uma visita e para renovarmos nossa amizade. Enquanto eu o levava de volta ao hotel naquela noite, ele se voltou para mim, após alguns momentos de silêncio, e disse: "Não sei o que é, mas cada vez que venho entre o seu povo, experimento algo que nunca experimento em nenhum outro lugar do mundo. É algo intangível, mas muito real." ¶
Ele acrescentou: "Tenho tentado analisá-lo; tenho tentado descrevê-lo; mas o melhor que posso dizer é que, toda vez que venho entre o seu povo, recebo uma elevação espiritual. O que é que me dá esse sentimento que não recebo em nenhum outro lugar?" ¶
Irmãos e irmãs, o que é isso? Vós o sentis. Nós o sentimos nestas grandes conferências da Igreja. Nós o sentimos nas estacas de Sião. Nós o sentimos em pequenas reuniões de ramo ou em reuniões com missionários nas partes mais distantes da terra. É algo doce. É algo inestimável. É uma marca da divindade desta grande obra em que estamos empenhados. ¶
Recordo-me de que, morando no Leste há alguns anos, convidei um de meus bons amigos, que não era membro da Igreja, para assistir à nossa reunião sacramental. Ele prometeu que iria algum dia. Passaram-se semanas; encontrei-o na rua certo dia, após um almoço do Rotary Club, e ele disse: "Fui à sua reunião no domingo passado à noite, mas o senhor não estava lá." Expliquei que eu estava visitando outra ala, e então ele disse, em resposta à minha pergunta sobre se havia gostado da reunião: "Sim, gostei, especialmente do espírito dela, mas", disse ele, "gostaria que me dissesse uma coisa. Por que é que, quando o seu povo chega ao fim de uma reunião e a bênção final é proferida, parece que ninguém tem para onde ir?" Ele disse: "Aquele grupo se levantou, reconhecendo que a reunião havia terminado, mas ficaram ali parados, conversando e conversando, até eu pensar que nunca sairia daquele prédio. Por fim, quando cheguei ao vestíbulo, estava ainda mais apinhado." Pois bem, essa é mais uma evidência deste espírito — este espírito de amor, este espírito de fraternidade tão real, meus irmãos e irmãs, na Igreja. ¶
Força Impulsora do Evangelho
Nós o testemunhamos em nossas atividades missionárias. Lembro-me vividamente, e isso me foi trazido à mente pelas palavras do Irmão Sonne esta tarde, de estar nas costas da Europa devastada pela guerra, logo após o conflito, observando os presidentes de missão — vários dos quais estão aqui diante de mim esta tarde — retornarem às costas da Europa. Perguntei-me em meu coração: O que é que os leva a deixar o conforto de seus lares e vir para estas terras devastadas pela guerra, onde há escassez de tudo o que é necessário para uma vida civilizada? ¶
O que é que leva um homem a vender seu negócio de mantimentos e ir até lá em cima, à Noruega, em sua terceira missão? O que é que leva um homem a vender seu negócio na Califórnia e ir até a Suécia? ¶
O que é que levou um homem a entregar seu negócio de móveis em Salt Lake City e vir para as costas da Holanda devastada pela guerra, onde havia escassez de alimentos, escassez de roupas, escassez de combustível e transporte, e onde praticamente não havia conforto algum? O que é que leva um homem a deixar sua cadeira numa universidade, cercado de todo o conforto conquistado por uma longa vida de serviço, e voltar para a França devastada pela guerra? E assim por diante. Eu vos digo, meus irmãos e irmãs, é algo maravilhoso. Não há nada semelhante em lugar nenhum. ¶
O que é que faz com que nossos jovens missionários queiram sair e servir sem nenhuma esperança de recompensa material? Entrevistei um deles numa estaca da Califórnia recentemente. Não pudemos aceitá-lo porque ele ainda não tinha idade suficiente. Ele desatou a chorar. Disse: "Irmão Benson, desde que eu era diácono, tenho desejado ir numa missão." Declarou: "Nos últimos meses, minha noiva e eu temos planejado minha missão e o que viria depois, e o apoio que ela me daria enquanto eu estivesse no campo." E contou como seus pais haviam orado para que chegasse o tempo em que ele fosse considerado digno de sair e representar a Igreja no mundo. ¶
Quase seis mil deles estão pelo mundo enquanto nos reunimos aqui hoje. Qual é a força impulsora por trás disso? ¶
Como sabia o Profeta Joseph, ainda jovem, que homens e mulheres responderiam ao chamado para cumprir missões, para sair pelo mundo representando uma causa impopular, para levar esta gloriosa mensagem? Como sabia ele que os Santos, ao aceitarem o evangelho, responderiam ao chamado do recolhimento e viriam para Sião? Sim, o espírito desta obra, meus irmãos e irmãs, é algo maravilhoso e inestimável. ¶
Período Crítico
Agora, neste período crítico — e é realmente um período crítico que estamos atravessando —, espero que mantenhamos sempre aceso em nosso coração o espírito desta grande obra que representamos. Se assim fizermos, não teremos ansiedade; não teremos medo; não nos preocuparemos com o futuro, porque o Senhor nos deu a garantia de que, se vivermos retamente, se guardarmos os seus mandamentos, se nos humilharmos diante dele, tudo estará bem. Recorro hoje a duas passagens das escrituras que gostaria de ler: ¶
. . . Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares. ¶
(Josué 1:9.) Esta foi a admoestação do Senhor a seu filho Josué, encorajando-o a confiar em Deus. Josué respondeu a essa admoestação, em conselho ao seu povo, com estas palavras: ¶
. . . escolhei hoje a quem sirvais; . . . porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor. (Ibid., 24:15.) ¶
Elementos Essenciais para a Segurança
Nestas duas passagens das escrituras estão contidos os dois principais elementos essenciais para a segurança e a paz: primeiro, confiança em Deus; e segundo, a determinação de guardar os mandamentos, de servir ao Senhor, de fazer o que é correto. Os Santos dos Últimos Dias que vivem de acordo com estas duas admoestações — confiar em Deus e guardar os mandamentos — nada têm a temer. ¶
O Senhor deixou bem claro nas revelações que, mesmo que os tempos se tornem perigosos, mesmo que sejamos cercados pela tentação e pelo pecado, mesmo que haja um sentimento de insegurança, mesmo que o coração dos homens desfaleça e a ansiedade encha suas almas, se apenas confiarmos em Deus e guardarmos os seus mandamentos, não precisaremos ter medo algum. ¶
Na revelação moderna, o Senhor deixou isso bem claro. ¶
Ainda antes de a Igreja ser organizada, quando havia apenas um punhado de pessoas seguindo a liderança do jovem Profeta, o Senhor disse a seus Santos: "Portanto, não temais, pequeno rebanho; fazei o bem; deixai que a Terra e o inferno se unam contra vós, pois se estiverdes estabelecidos sobre minha rocha, eles não poderão prevalecer. . . ." ¶
"Buscai-me em cada pensamento; não duvideis, não temais." (D. & C. 6:34, 36.) Ele também disse: ". . . é meu propósito suprir a meus santos, pois todas as coisas são minhas." ¶
(Ibid., 104:15.) ¶
Verdadeira Dedicação Necessária
Meus irmãos e irmãs, não bastará aceitar passivamente os ensinamentos, os padrões e os ideais da Igreja. Será necessária atividade real, verdadeira dedicação aos princípios da retidão, se quisermos enfrentar o futuro sem temor. Mas, se tivermos a coragem, o bom senso e a fé para assim proceder, então, aconteça o que acontecer, poderemos enfrentar qualquer situação com coragem, com fé e com a certeza de que Deus nos sustentará. Sei que isto é verdade, meus irmãos e irmãs. Sei que agora é o momento, talvez mais do que em qualquer outra época de nossa vida, para vivermos o evangelho. Não devemos deixar-nos embalar por uma falsa segurança, como Néfi disse que muitos estariam nos últimos dias. Não devemos apaziguar-nos e sentir em nosso coração que podemos pecar um pouco, que podemos comparecer às reuniões apenas parte do tempo, que podemos pagar um dízimo simbólico, que podemos viver o evangelho quando for conveniente, e que tudo estará bem. Não devemos estar "tranquilos em Sião" e dizer: "Sião prospera, tudo está bem." Mas devemos viver o plano do evangelho todos os dias de nossa vida, em sua plenitude. Nisso está a segurança. ¶
Disso advirá uma satisfação, proveniente da vida reta, que entrará em nosso coração e nos dará a coragem e a força de que necessitamos. Não há segurança na iniquidade. Os que pecam vivem sempre em desespero. ¶
Necessidade de Retidão
Temos uma grande missão. Devemos estar preparados, tanto jovens quanto idosos. Devemos permanecer como fermento entre as nações, fiéis aos princípios da retidão. ¶
Precisamos ser humildes. Precisamos ser gratos. Precisamos, como famílias, ajoelhar-nos em oração familiar, de noite e de manhã. Umas poucas palavras acrescentadas à bênção sobre os alimentos, o que está se tornando costume em algumas regiões, não é suficiente. Precisamos ajoelhar-nos em oração e gratidão, como Alma admoestou. (Ver Alma 34.) Precisamos do espírito de reverência em nossas casas de adoração, mencionado pelo Presidente McKay em seu belo discurso ontem à noite, na reunião do Sacerdócio. Precisamos guardar o dia de sábado com santidade. Precisamos fechar nossos negócios aos domingos e, como Santos dos Últimos Dias, abster-nos de fazer compras no dia de sábado, exceto em casos de emergência. ¶
Precisamos abster-nos de ir ao cinema no dia de sábado, e, se administrarmos casas de espetáculo, devemos fechá-las aos domingos. Não devemos buscar diversão de forma alguma no dia de sábado. ¶
Devemos manter-nos firmes em oposição ao beisebol dominical e a outras diversões, independentemente do que grande parte do mundo cristão possa fazer. ¶
Devemos opor-nos ao jogo de azar em todas as suas formas, inclusive as apostas mútuas nas corridas de cavalos, mencionadas com tanta eficácia pelo Irmão Moyle. Devemos abster-nos do hábito de jogar cartas, contra o qual temos sido aconselhados pelos líderes da Igreja. Devemos permanecer unidos em oposição à maior distribuição e uso de álcool e de outras coisas declaradas pelo Senhor como prejudiciais. ¶
Mandamentos a Observar
Se guardarmos os mandamentos, nos absteremos de ingressar em ordens secretas e lojas. Nossa primeira lealdade será para com a Igreja e os quóruns do sacerdócio. Compareceremos às nossas reuniões. Levaremos nossa família conosco à reunião sacramental, sentaremos com ela e adoraremos junto com ela. Se guardarmos os mandamentos, pagaremos nossos dízimos e ofertas, nossas ofertas de jejum e nossas contribuições para o bem-estar. Responderemos aos chamados na Igreja, e não renunciaremos a cargo algum quando chamados sob a autoridade do Santo Sacerdócio. Seguiremos o conselho da liderança da Igreja e reuniremos nossa família periodicamente em serões familiares, a fim de que o lar seja resguardado e a solidariedade da família aumentada. Leremos as escrituras em nossos lares, como o Senhor nos tem admoestado. Não violaremos os convênios sagrados que fizemos sobre nós nas águas do batismo e nos templos do Senhor, nem profanaremos ou deixaremos de lado as vestes do Santo Sacerdócio. Cuidaremos de nosso trabalho no templo. Tornar-nos-emos, de fato, salvadores no Monte Sião. ¶
Boa Cidadania
Se guardarmos os mandamentos, seremos bons cidadãos. Exerceremos nosso direito de voto. Seguiremos o conselho que o Senhor deu nas revelações a respeito de nossa obrigação de procurar "homens honestos e homens sábios" (D. & C. 98:8-10) que defendam princípios, homens que coloquem os princípios acima da conveniência política. Procuraremos homens de fé que creem que a Constituição foi inspirada e que esta nação tem um fundamento espiritual. Se estivermos vivendo o evangelho, sentiremos em nosso coração que a Primeira Presidência da Igreja não só tem o direito, mas também o dever, perante os céus, de dar conselhos sobre qualquer assunto que afete o bem-estar temporal ou espiritual dos Santos dos Últimos Dias, independentemente de alguns homens julgarem que tal conselho possa ter implicações políticas. ¶
Devemos permanecer firmes por aquilo que sabemos ser correto, meus irmãos e irmãs, e apoiar estes homens que foram sustentados como nossos líderes no Israel moderno. Tudo isso faremos, e mais ainda, se vivermos o evangelho. Manter-nos-emos limpos e imaculados do mundo. Viveremos vidas de pureza. Seremos fiéis às nossas esposas e famílias. Viveremos de acordo com o plano do evangelho. ¶
Bênção
Que Deus nos abençoe, meus irmãos e irmãs, para que confiemos em Deus e guardemos os seus mandamentos. Isso é tudo o que o Senhor espera de nós. ¶
A alegria e a felicidade entrarão em nosso coração ao fazermos isso. São os iníquos que fogem quando ninguém os persegue. Os justos são ousados como um leão. ¶
As pessoas que vivem retamente nada têm a temer. Apesar da turbulência, da ansiedade e da insegurança que parecem estar em toda parte, poderemos permanecer de pé e seguir em frente com coragem e fé. Não devemos transigir com o mal. "Escravizam os filhos de seus filhos aqueles que transigem com o pecado." ¶
Que Deus nos abençoe para vivermos o evangelho, para sermos gratos por tudo o que temos e somos, e por tudo o que desfrutamos neste reino de Deus, é o que humildemente rogo; e presto a vós meu fervoroso testemunho da verdade das palavras que foram proferidas nesta conferência, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶