Pulpit

O Espetáculo em Cumorá e a Conferência no Bosque Sagrado

Thorpe B. Isaacson

1949 October General Conference·Third Day Afternoon Session·1949-10-02

Presidente Smith, e meus caros irmãos e irmãs, outro dia, enquanto tentávamos adivinhar em que momento seríamos chamados a falar, o Bispo Wirthlin falou e disse: "Ninguém sabe o dia nem a hora", e ele não estava se referindo à passagem original das escrituras, tampouco.

Gratidão pelo Coro

Sei que todos somos gratos por este coro hoje. Pensei esta manhã, quando o Presidente McKay dava o número de missionários no campo, que provavelmente o coro deveria ser incluído. Os homens do coro forneceram nossa música ontem à noite, na reunião geral do sacerdócio, e foi muito bonito, e esta manhã, de novo, seus cânticos foram tão apropriados. O coro vem aqui toda semana, toda quinta-feira à noite e todo domingo de manhã cedo, para ensaiar. Estou confiante de que todos temos muito orgulho deles. São um coro de serviço. São, de fato, um coro missionário, e sei que somos gratos ao regente, o Irmão J. Spencer Cornwall, e aos excelentes organistas e a todos os membros do coro, o Irmão Lester F. Hewlett, o presidente, e todos os que estão associados com ele. Não podemos pensar no coro na manhã de domingo sem pensar na Palavra Falada de nosso amado irmão e amigo, o Presidente Richard L. Evans.

Força na Oração

Ao olhar para esta grande audiência, sinto-me muito fraco e muito humilde, e rogo que o Senhor me ajude. Orei ao Senhor, não uma vez, mas muitas vezes nos últimos dias, e oro ao Senhor, primeiro, porque creio na oração, e, segundo, oro ao Senhor porque conheço minhas fraquezas e conheço minhas incapacidades, e sou muito dependente da ajuda do Senhor. Sentiria pena de qualquer um que tentasse ocupar esta posição se sentisse que sua própria força, sua própria suficiência, fosse bastante. Ficarei muito grato se disserdes uma breve oração por mim, porque preciso muito dela.

Às vezes desejei que todos vós pudésseis ter esta oportunidade por apenas um momento, não porque penso que a apreciaríeis mais do que eu, mas porque é, de fato, uma experiência humilhante e certamente uma experiência sóbria.

Senti que as orações desta conferência foram, na verdade, muito fortalecedoras, cada uma delas. Apreciei as palavras de nossos irmãos. Amo-os como homens; admiro-os e respeito-os.

A oração é, de fato, um privilégio; é, de fato, uma bênção; e é, de fato, um consolo. A oração não é apenas um dever.

O Espetáculo no Monte Cumora

Havia feito algum estudo e preparação para discutir um assunto que pensei que poderia ser apropriado para esta conferência, mas não vou proferir aquele discurso. Em vez disso, se me permitirdes, gostaria de compartilhar convosco uma experiência que tive recentemente no Monte Cumora e no Bosque Sagrado em Palmyra, Nova York.

Sou grato pelo privilégio de estar em Palmyra na ocasião em que o espetáculo foi apresentado, intitulado America's Witness for Christ. Este espetáculo foi apresentado pelos missionários, aproximadamente cento e noventa deles, da Missão dos Estados do Leste, sob a direção do Dr. Harold I. Hansen, do corpo docente do Utah State Agricultural College, e do Presidente George Q. Morris, da Missão dos Estados do Leste.

O espetáculo é a história do Livro de Mórmon. O cenário rústico do Monte Cumora é o palco, ou o pano de fundo, desse espetáculo. As cenas são as do Anjo Morôni recebendo instruções de seu pai Mórmon, a história do Profeta Joseph recebendo instruções do Anjo Morôni, e outras cenas do povo nefita e lamanita, a história do Livro de Mórmon, e a grande mensagem do Profeta Joseph Smith.

O espetáculo foi realizado por três noites, quinta, sexta e sábado. Na noite de quinta-feira, a primeira noite, os jornais estimaram que houve entre doze e quinze mil pessoas que compareceram ao espetáculo. Na segunda noite, estimou-se que houve entre vinte e vinte e cinco mil pessoas que compareceram ao espetáculo, e, na última noite, a terceira noite, estimou-se que houve entre vinte e cinco e trinta e cinco mil pessoas reunidas para presenciar aquele grande espetáculo.

Não Membros Presentes

Devemos ter em mente que provavelmente noventa por cento daquela grande multidão eram não membros da Igreja. Para mim, foi uma grande evidência de que o preconceito e a má vontade, embora não inteiramente diminuídos, estavam certamente em baixa. Os jornais das cidades de Nova York foram muito liberais, muito corteses e muito elogiosos daquele grande espetáculo.

A patrulha rodoviária do estado de Nova York estimou que havia milhares de carros com pessoas, na última noite, que não conseguiram ver o espetáculo porque os estacionamentos e as estradas estavam todos congestionados. A polícia nos prestou um serviço excelentíssimo.

As autoridades daquelas cidades foram muito amistosas. Foi relatado que um dos empresários de Palmyra, ou de Rochester, declarou que pensava que as comunidades deveriam ajudar contribuindo para o espetáculo, e que deveriam fazer uma coleta e ajudar a financiar aquele grande espetáculo. É claro que expressamos nossa gratidão a eles e lhes dissemos que isso não era necessário; contudo, foi a atitude que ele expressou que apreciamos.

Centenas de lares ali se abriram para as pessoas. Muitos de nossos missionários, enquanto estavam em Palmyra se preparando para o espetáculo, ficaram hospedados nas casas de pessoas que não eram membros da Igreja.

Bênção Buscada

O espetáculo estava programado para as nove e meia da noite. As datas haviam sido escolhidas para quando a lua não estivesse brilhando, porque os participantes queriam a escuridão da noite sobre o monte. Todas as luzes daquela vizinhança eram apagadas no início do espetáculo. Às nove e dez de cada noite, aqueles missionários eram convidados a se reunir num certo local arborizado no Monte Cumora, atrás de um dos grandes cenários, na escuridão. Havia ali, à frente, aquela grande audiência, sem saber o que estava acontecendo, mas ali aqueles missionários se reuniam toda noite, às nove e dez, silenciosamente, em círculo, agrupados, orando ao Senhor para que abençoasse aquele espetáculo, que ele prosseguisse sem qualquer interrupção e que a audiência partilhasse do espírito do espetáculo.

Lembro-me de que, na primeira noite, começou a chover por volta das seis horas. Havia certa preocupação quanto a saber se isso impediria ou não a apresentação do espetáculo. É tudo ao ar livre: o palco, a audiência e as cenas. Lembro-me de apertar as mãos de dois belos jovens missionários que já vestiam seus figurinos do espetáculo, e eu lhes disse, ao apertar suas mãos: "Espero que a chuva não estrague o espetáculo."

Um deles olhou-me diretamente nos olhos e disse: "Ó, Bispo, não vos preocupeis, a chuva não vai estragar o espetáculo. Nada vai estragar o espetáculo, porque os élderes desta missão uniram nossa fé e clamaram ao Senhor para que abençoasse este espetáculo, para que a mensagem chegasse aos milhares de pessoas que se reúnem para presenciá-lo."

Ora, alguns talvez chamem isso de fé simples, mas eu chamo isso de fé belíssima, humildíssima. Na hora em que o espetáculo estava pronto para começar, a tempestade havia cessado e as estrelas brilhavam.

Foi dito que nenhum grupo de profissionais em todo o mundo poderia apresentar aquele espetáculo como aqueles humildes missionários o apresentaram, porque seus corações e suas almas estavam nele, e porque sabiam que aquela história era verdadeira. Estavam vivendo aquela história; estavam pregando aquela história; e por essa razão grande honra e mérito são devidos a esses missionários.

Fé Evidenciada

A audiência era mantida informada sobre o desenrolar do espetáculo por narradores que falavam por um sistema central de alto-falantes. Belos holofotes eram lançados sobre as diferentes cenas no Monte Cumora. Uma empresa comercial foi contratada para fornecer o sistema de alto-falantes, e alguns dos missionários mórmons com aptidão mecânica foram designados para ajudar o técnico com o sistema de alto-falantes.

Na última noite, o técnico ficou muito preocupado de que o sistema de alto-falantes pudesse deixar de funcionar, e disse aos missionários que não sabia o que fazer. Havia aquela grande audiência de milhares de pessoas. Elas não conseguiriam acompanhar o espetáculo sem o sistema de alto-falantes funcionando, porque parte da audiência estava a um quarteirão de distância do monte e das cenas. Mas, quando ficou preocupado, tudo o que precisava fazer era pedir àqueles missionários, mas não o fez, de modo que eles tomaram a iniciativa por conta própria. Saíram atrás daquele caminhão, na parte arborizada do Monte Cumora, e, como seria de se esperar, aqueles missionários se ajoelharam e oraram para que o Senhor cuidasse para que o sistema de alto-falantes continuasse a funcionar, e o sistema de alto-falantes continuou funcionando até o fim do espetáculo.

Esse tipo de fé é o mesmo tipo de fé sobre o qual temos ouvido falar nestes últimos dias aqui. É esse o tipo de fé que aproxima os homens de Deus, seu Pai Eterno. Permiti-me citar de Alma apenas uma palavra sobre esse mesmo tipo de fé:

Sim, há muitos que dizem: Se nos mostrardes um sinal do céu, saberemos com segurança; então acreditaremos.

Agora vos pergunto: Isso é fé? Eis que vos digo: Não. Porque se um homem sabe uma coisa, não tem motivo para crer, porque a sabe. E agora, conforme falei com referência à fé — fé não é ter um perfeito conhecimento das coisas; portanto, se tendes fé, tendes esperança nas coisas que se não veem e que são verdadeiras. (Alma 32:17-18, 21.)

Permiti-me divagar aqui, apenas um pouco, para dizer aos professores, ou a quaisquer filósofos, ou a quaisquer homens que lidam com os jovens, que nunca digais nem façais nada, sabida ou involuntariamente, que possa abalar essa bela fé na vida dos jovens. A convicção acende a convicção; a fé promove a fé; e o testemunho inspira o testemunho.

A fé é um dos grandes princípios da Igreja. A fé é o que trouxe nossos antepassados a este país. Sou grato pela fé de meu avô, na Dinamarca, onde ele aceitou o evangelho porque tinha fé no Senhor Jesus Cristo.

O espetáculo encerrou-se na terceira noite, e, diante daquela grande audiência, quando viram a última cena, quatro missionários, na escuridão da noite, com um brilhante holofote lançado sobre eles, ficaram de pé no alto do Monte Cumora. Estavam vestidos com belas túnicas brancas e longas, e cada um deles, com sua trombeta voltada para aquele belo monumento do Anjo Morôni, tocou em uníssono "An Angel From On High". Aquelas trinta mil pessoas não poderiam ter presenciado aquela cena sem que seus corações fossem tocados; foi uma das experiências mais emocionantes, e ao mesmo tempo mais comoventes, de minha vida.

Conferência no Bosque Sagrado

Nunca em minha vida apreciei, provavelmente, como naquele exato momento, o que aquela bela história tem significado para nós como povo. No dia seguinte àquele grande espetáculo, aqueles mesmos missionários realizaram sua conferência missionária numa bela manhã de domingo, no Bosque Sagrado. Haviam realizado duas sessões ali, na sexta e no sábado. Como o espetáculo era apresentado à noite, tinham os dias livres para suas conferências.

A tarde de sábado foi inteiramente dedicada à prestação de testemunhos. A reunião da manhã de domingo tinha programação; oradores foram chamados a falar; mas a da tarde não tinha programação, e a reunião começou à uma hora da tarde, com a ideia de que talvez terminasse por volta das quatro horas, e assim teríamos uma hora extra para a prestação de testemunhos.

Gostaria que todos pudessem ter estado naquele Bosque Sagrado, naquela bela tarde, quando aqueles élderes, sem perder um minuto ou um segundo sequer, vinham à frente e ficavam de pé junto ao microfone. Não havia púlpito junto ao qual ficar, de modo que ficavam ali, junto ao alto-falante, e prestavam seus testemunhos, um a um. Aquelas três horas passaram rápido demais. Chegaram as quatro horas, e, como os missionários haviam expressado o desejo de prestar seu testemunho no Bosque Sagrado, ainda não haviam terminado, e decidiu-se continuar a reunião até as cinco horas, mas às cinco horas ainda não haviam terminado, e continuou-se até as seis horas. Às seis horas ainda não haviam terminado, e continuamos a reunião até as sete horas — até que todo missionário ali tivesse tido a oportunidade de prestar seu testemunho. Penso que oitenta e nove deles prestaram seus testemunhos naquela tarde.

O Privilégio de uma Missão

Não poderíeis ter duvidado daquele testemunho se tivésseis ouvido aqueles jovens homens e mulheres. Alguns deles estavam no campo missionário havia apenas um mês, e, ó, como agradeciam ao Senhor pelo privilégio daquela missão. Pensei que pena teria sido se algum daqueles rapazes ou moças tivesse sido privado daquela missão, e pensei nos milhares de outros que provavelmente algum dia vão querer servir uma missão, e que às vezes são levados a sentir que não podem pagar por ela. Espero que alguns de nós, na Igreja, que fomos talvez mais abençoados do que outros com segurança financeira e bens materiais, compartilhemos isso com algum missionário que deseje servir uma missão, e que nunca se diga que um rapaz foi impedido de servir uma missão porque alguém não pôde arcar com o custo.

Ao verem aqueles missionários virem à frente, desejei que seus pais e mães pudessem ter ouvido o grande amor que eles expressavam por eles. Eles verdadeiramente vos amam e apreciam. Cada um deles, sem exceção, era tão grato por seu pai e sua mãe, e muitos deles eram filhos e filhas de mães viúvas. Ó, como a gratidão brotava de suas almas pelo amor de suas mães viúvas. Alguns deles haviam sofrido a perda de seu pai ou de sua mãe enquanto estavam no campo missionário, mas não havia evidência alguma de amargura. Cada um deles reconhecia a mão do Senhor, mesmo naquela tristeza que lhes veio enquanto estavam ausentes.

Mas havia alguns que suplicavam ao Senhor que abençoasse seus pais e seus entes queridos enquanto estivessem no campo missionário. Tenho certeza de que, se vós, pais, e os irmãos e as irmãs, e os entes queridos, pudésseis ter ouvido aqueles rapazes, teríeis vos esforçado mais para viver como eles estão ensinando. Como agradeciam ao Senhor pelas bênçãos que lhes haviam vindo. Fiquei espantado com a força de seus testemunhos. Dois ou três deles estavam fora havia apenas duas ou três semanas, e como amavam seus companheiros, como amavam seu presidente de missão, e o mesmo se poderia dizer de todos os cinco mil missionários que estão hoje no campo.

Não vejo como os lares, as famílias e os entes queridos daqueles missionários poderiam deixar de partilhar desse mesmo doce espírito, ao ouvirem como oravam tão humildemente por eles. Muitos deles falaram ao Senhor com tanta bondade, reconheceram suas falhas, e oraram ao Senhor para que os ajudasse a superar aquelas fraquezas. Tenho certeza de que o Senhor estava olhando para aqueles missionários com toda a sua terna misericórdia.

O Pagamento de Deus

Quando o dia se encerrava, e todo missionário já havia prestado seu testemunho, não pude deixar de pensar neste poema, e gostaria de lê-lo como uma homenagem àqueles missionários e a todos os missionários. Chama-se "Quem Faz a Obra de Deus Receberá o Pagamento de Deus":

Quem faz a obra de Deus receberá o pagamento de Deus; nenhuma mão humana pode deter a mão de Deus. Ele não paga como pagam os outros. Mas a alta sabedoria de Deus conhece um caminho; e isto é certo, aconteça o que acontecer: quem faz a obra de Deus receberá o pagamento de Deus.

Às sete horas da noite o sol se pôs — as sombras caíram, e pareceu que Deus, nos céus, havia olhado para baixo e pronunciado uma bênção silenciosa sobre as cabeças de todos os que estavam reunidos no Bosque Sagrado naquele dia. Sim, foi como se aqueles servos do Senhor tivessem podido levantar o canto do véu e tido um pequeno vislumbre das eternidades vindouras.

Que Deus abençoe os missionários por toda a terra. Que nossos lares e todos nós partilhemos do espírito que eles têm o privilégio de desfrutar, e eu sei e vós sabeis por que eles têm o privilégio de desfrutar desse espírito. É porque vivem tão próximos do Senhor.

Sei que o Espírito do Senhor esteve ali no bosque naquele dia. Sei que aquele local sagrado foi o lugar aonde o Profeta Joseph foi, ainda menino, e se ajoelhou e orou ao Senhor, e ali o Pai e o Filho lhe apareceram. Sei que aqueles milhares que assistiram à história do espetáculo não puderam deixar de receber alguma influência e inspiração por tê-lo presenciado, e estou confiante de que estão ansiosos por ouvir mais a respeito.

Que o Senhor nos abençoe em nossa obra, para que vivamos como aqueles missionários pregam. Que o Senhor nos abençoe, para que tenhamos o Espírito do Senhor conosco, guiando-nos em cada um de nossos atos, todos os dias, rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoThorpe B. Isaacson, “O Espetáculo em Cumorá e a Conferência no Bosque Sagrado”, 1949 October General Conference, Third Day Afternoon Session (1949-10-02). Pulpit Vault, 1949-10-thorpe-b-isaacson-conference-address. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).