As Verdades Reveladas de Deus e a Mensagem aos Missionários
Levi Edgar Young
Desejo poder dizer algo aos missionários da Igreja que lhes seja útil em seu trabalho de ensinar o evangelho. Em sentido amplo, todos nós somos missionários que detemos o sacerdócio de Deus. Estamos sempre prontos para dar a mensagem da vida eterna, por causa da verdade, da beleza e da bondade dos ensinamentos divinos do Salvador. De nossa fé extraímos tudo o que é santo e puro e de boa fama. Esta manhã eu pensava no dia de sábado que se seguiu à chegada dos pioneiros a este vale, em 24 de julho de 1847. Realizaram-se os serviços divinos, e o povo se assentou em círculo entre os arbustos de artemísia, e perto corriam as águas de um lindo riacho. A gratidão a Deus foi expressa em cânticos e orações, e as palavras de Isaías foram lidas pelo Apóstolo Orson Pratt, que proferiu o sermão: ¶
Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! ¶
Uma voz dos teus atalaias se ouve, alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o Senhor tornar a trazer Sião. (Isaías 52:7-8.) ¶
As Verdades de Deus ¶
Os Santos haviam cantado seus hinos sagrados durante sua longa jornada. Haviam suportado suas provações, e quanto mais sofriam, mais profunda se tornava sua gratidão a Deus. Os missionários saem a falar dessas coisas, porque a história deste povo é, em muitos aspectos, a mais majestosa e sublime de qualquer povo que já existiu. Há um fundamento sagrado em seus ensinamentos. Os Santos dos Últimos Dias creem e sabem honestamente que Adão veio à terra enviado por Deus dos céus. Ele deteve o sacerdócio de Deus e se tornou o primeiro mestre do evangelho para seus descendentes. Os ideais divinos ensinados pelo Pai de todos nós foram tidos por sagrados, e daquele tempo até os dias do Messias sobre a terra, as verdades de Deus foram plantadas nos corações de seus filhos. Maurice Maeterlinck, em seu livro The Great Secret, diz que o que lemos nos mais antigos arquivos da sabedoria nos dá apenas uma vaga ideia das sublimes doutrinas dos antigos mestres. Quanto mais antigos os textos, mais puras e mais impressionantes são as doutrinas que revelam. Podem ser apenas um eco de doutrinas ainda mais sublimes. Chegamos, então, à era dos profetas. Diz um notável historiador: ¶
Quão apropriado é que Malaquias sele o livro da profecia do Antigo Testamento com uma declaração tão clara da vinda do Senhor, o Mensageiro do Convênio, o Filho da retidão, dando assim a última predição daquele com quem os evangelistas iniciam sua história evangélica. ¶
Hugo Münsterberg, da Universidade de Harvard, escreveu, em sua obra Psychology and Life, algo sobre a antiga glória dos registros sagrados: ¶
Há uma verdade, uma beleza, uma moral, que é independente das condições psicológicas. Todo homem íntegro, para quem os deveres de sua vida real não são um metal que soa, diz com voz firme ao psicólogo: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a vossa filosofia." ¶
O Evangelho Restabelecido ¶
Temos a era em que viveu o Profeta Joseph Smith. Ele foi, sem dúvida, o maior personagem da história desde os dias do Salvador do mundo. Ele restabeleceu os princípios divinos do evangelho de Jesus Cristo no tempo em que vivemos. Vemo-lo primeiro no bosque, na fronteira da América, orando como uma criança poderia orar, e o Senhor aparecendo-lhe. Usando as palavras do Salmista, ¶
. . . a graça se derramou em teus lábios; portanto, Deus te abençoou para sempre. (Salmos 45:2.) ¶
Com o Pai estava Jesus, o Salvador. Joseph ouviu a voz de Deus e as palavras divinas: "Este é meu Filho Amado!" Um novo dia estava próximo. Daquele momento em diante, ele foi de coração e mente para a palavra do Senhor. ¶
Ele aprendeu naquele dia que as divisões da cristandade são sua mais evidente vergonha e a principal causa de sua ineficácia. Elas constituem uma afronta moral ao empreendimento inaugurado por Jesus Cristo e representam a maior limitação ao seu progresso. O cristianismo é enfraquecido por suas divisões ao enfrentar os problemas de hoje, entre os quais estão os ódios de classe, os antagonismos raciais, a cegueira à justiça social, o fascínio da literatura viciosa, os entorpecentes que instigam o crime, e a difusão do espírito militar no mundo. ¶
O Princípio da Revelação ¶
A suprema prova da religião é a revelação. Nenhuma religião pode ser persuasiva a menos que se apoie no princípio da revelação. A Igreja viva de Jesus Cristo há de ser reveladora. O cristianismo, em seu sentido puro, é a religião da personalidade redimida. Embora todos os homens verdadeiros revelem Deus, o mais completo portador da revelação não pode ser outro senão uma personalidade escolhida. ¶
Pelo poder do Santo Sacerdócio que Joseph Smith recebeu do céu, ele estabeleceu nosso verdadeiro relacionamento com Deus. Disso decorre a salvação do homem — sua verdadeira vida imortal. Todas as nações testemunham a necessidade de uma luz que não é do homem. Podemos dar nossa palavra ao mundo de que as forças que hão de fazer do mundo o que ele deveria ser já estão agora dentro dele. Meus companheiros missionários: devemos estudar mais profunda e constantemente as verdades divinas do evangelho de Jesus Cristo. Devemos conhecer a história da Igreja da qual somos membros. Devemos compreender o significado do sacerdócio de Deus que nos foi dado. Devemos conhecer os ensinamentos divinos da Bíblia Sagrada, do Livro de Mórmon, da Doutrina e Convênios e da Pérola de Grande Valor. Quão lindamente eles ensinam as palavras de Shakespeare: ¶
Que obra-prima é o homem! Quão nobre em razão! Quão infinito em faculdades! Em forma e movimento, quão expressivo e admirável! Em ação, quão semelhante a um anjo! Em entendimento, quão semelhante a um Deus! (Shakespeare, Hamlet, Ato II, Cena 2.) ¶
Fé na Palavra Revelada ¶
Pensai no que vossa mensagem pode vir a ser à medida que saís a ensinar. Mas isso exigirá de vós algum tipo de planejamento com vistas a um objetivo. Vossas mentes devem tornar-se mais sensíveis às verdades reveladas de Deus como nunca antes. Vossa fé em vosso trabalho deve aprofundar-se dia após dia. Permiti-me trazer à vossa mente as palavras dos dois primeiros versículos do primeiro capítulo do Livro de Mórmon: ¶
Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais, recebi, portanto, alguma instrução em todo o conhecimento de meu pai; e tendo passado muitas aflições no decurso de meus dias, fui, não obstante, altamente favorecido pelo Senhor em todos os meus dias; sim, havendo adquirido um grande conhecimento da bondade e dos mistérios de Deus, faço, por isso, um registro de meus feitos durante minha vida. ¶
Sim, faço um registro na língua de meu pai, que consiste no conhecimento dos judeus e na língua dos egípcios. (I Néfi 1:1-2.) ¶
Que nobre tributo à educação são estas palavras. Leí havia se tornado um homem instruído em seus dias, e seu filho lhe presta amoroso tributo. Assim, deveis estudar as palavras das Sagradas Escrituras a cada hora do dia e lembrar-vos da admoestação do primeiro mestre dos índios americanos, chamado por alguns o apóstolo John Eliot: ¶
O trabalho, com fé em Jesus Cristo, pode realizar qualquer coisa. ¶
"Palavras de Sabedoria" ¶
Que propósito diretivo nos dá o Profeta Joseph Smith nas palavras encontradas na Seção 88 da Doutrina e Convênios: ¶
. . . buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé. ¶
Organizai-vos; preparai todas as coisas necessárias e estabelecei uma casa, sim, uma casa de oração, uma casa de jejum, uma casa de fé, uma casa de aprendizado, uma casa de glória, uma casa de ordem, uma casa de Deus. (Versículos 118-119.) ¶
Desde o início da história da Igreja, Joseph Smith organizou escolas de ensino. Ele se tornou aluno e membro das turmas de latim, grego e hebraico estabelecidas no Templo de Kirtland. Ele fundou a Universidade da Cidade de Nauvoo e incentivou a construção do Salão de Ciências dos Setenta. No volume cinco de Times and Seasons encontra-se esta breve, porém nobre declaração: ¶
Entre as melhorias que avançam nesta cidade, nenhuma merece elogio mais alto do que a Biblioteca dos Setenta. O empreendimento foi iniciado com uma base e uma escala amplas o bastante para abranger as artes e as ciências de todo o mundo, de modo que os Setenta, ao viajarem pela face do globo, como os "Soldados Regulares" do Senhor, possam reunir todas as coisas curiosas, tanto naturais quanto artificiais, com todo o conhecimento, as invenções e os maravilhosos espécimes de gênio que têm adornado o mundo por quase seis mil anos. (p. 762; 1º de janeiro de 1845.) ¶
Requinte e Cultura ¶
A história primitiva de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi uma história de requinte e cultura. O povo se tornou amante da boa literatura. Mesmo quando acampavam no solo gelado de Iowa, ao iniciarem seu êxodo rumo ao longínquo Oeste, liam seus livros sagrados, e diante das fogueiras se ajoelhavam em oração. Diz-se que em um dos acampamentos havia um exemplar da bela história de Mlle. Cottin, intitulada "Elizabeth". Era tão procurada que alguns liam o livro à luz da lua. Eram sustentados de dia e de noite por ¶
. . . manterem os cânticos de Sião, e transmitirem Doxologias da frente para trás, quando o hálito congelava em seus cílios. ¶
Jane Bicknell Young, esposa de Joseph Young, cantava a seus filhos o "Canto da Terra Silenciosa": ¶
Para a Terra Silenciosa! ¶
Quem há de nos conduzir até lá? ¶
Nuvens no céu da tarde mais sombrias se juntam ¶
E destroços despedaçados jazem mais espessos na praia. ¶
Quem nos conduz com mão gentil ¶
Para lá, ah, para lá, ¶
Para a Terra Silenciosa. ¶
Eles se disciplinaram a ler e a pensar, mas não tinham regulamentos fixos para seus estudos. Adotavam apenas princípios orientadores. Nada sabiam de regras e métodos rígidos que teriam limitado sua imaginação e iniciativa, tão importantes para a apresentação bem-sucedida das grandes verdades. Uma das primeiras coisas que o Presidente Brigham Young fez após a chegada dos pioneiros a Utah foi emitir uma epístola — isso em 1847 — que diz o seguinte: ¶
É muito desejável que todos os Santos aproveitem toda oportunidade de obter ao menos um exemplar de todo tratado valioso sobre educação — todo livro, mapa, quadro ou diagrama que possa conter matéria interessante, útil e atraente, capaz de despertar a atenção das crianças e fazê-las gostar de aprender a ler; e também toda escrita histórica, matemática, filosófica, geográfica, geológica, astronômica, científica, prática e de qualquer outra variedade útil e interessante, mapas, etc., para apresentar ao escrivão geral da Igreja quando chegarem a seu destino, de onde se possa colher matéria importante e interessante para compilar as mais valiosas obras sobre toda ciência e assunto, em benefício da geração ascendente. Temos uma prensa tipográfica, e todo aquele que puder levar ao vale bom papel de impressão ou de escrita estará abençoando a si mesmo e à Igreja. Também queremos toda espécie de instrumentos matemáticos, juntamente com todas as raras curiosidades naturais e obras de arte que puderem ser reunidas. ¶
A Primeira Biblioteca ¶
Em 1851, a primeira biblioteca extensa foi trazida a este estado por carroças puxadas a bois. Fora adquirida na cidade de Nova York pelo Dr. John M. Bernhisel e era uma maravilhosa coleção de livros. Havia as obras de Shakespeare, Milton, Bacon, Homero, Juvenal, Lucrécio, Virgílio, Eurípides, Sófocles, Platão, Montaigne, Tácito, Spenser, Heródoto, Goldsmith, e muitos outros dos grandes mestres da melhor literatura mundial. A biblioteca recebia exemplares do New York Herald, do New York Evening Post, do Philadelphia Saturday Courier, e do North American Review. Entre as obras científicas havia os Principia de Newton, os Outlines of Astronomy de Herschel, e o Cosmos de Von Humboldt. Os tratados de filosofia incluíam as obras de John Stuart Mill, Martinho Lutero, John Wesley, e Emanuel Swedenborg. ¶
O tempo não permitirá que eu entre nos aspectos culturais dos primeiros dias da Igreja. Os Santos dos Últimos Dias foram, desde o início, um povo culto, e assim o demonstraram em suas vidas. O inventário dos recursos educacionais de Utah tem sido aquilo que o Dr. Samuel T. Dutton, da Universidade Columbia, apontou. Esses recursos são: primeiro, lares, igrejas, escolas e bibliotecas; segundo, jornais, revistas, museus, teatro, indústria e governo; terceiro, aquelas aptidões intelectuais e éticas do povo que tornam possível que sejam estimuladas e influenciadas na direção certa. ¶
As Realizações dos Pioneiros ¶
Os pioneiros sempre se esforçaram por compreender as artes e as ciências, pois sentiam profundamente o poder de toda a verdade. Conheciam as constantes humanas — a fome e o trabalho, a semeadura e a colheita, o amor e a fé — que entraram em suas vidas desde o início. Construíram este Tabernáculo no qual hoje adoramos. Continuaram estabelecendo escolas e faculdades, e fundaram um teatro no deserto que, com o tempo, veio a ser reconhecido pelos artistas dos palcos de Londres, bem como pelos famosos dramaturgos da América. O Sr. M. B. Leavitt escreveu em sua obra Fifty Years of the American Stage: ¶
Por mais ampla que a afirmação possa parecer, não creio que o teatro jamais tenha repousado sobre um plano mais elevado, tanto em seu propósito quanto em suas ofertas, do que em Salt Lake City, a Capital do Mormonismo. ¶
Utah tornou-se hoje um grande estado. Ellsworth Huntington escreveu recentemente, em seu livro intitulado Civilization and Climate: ¶
A orgulhosa posição de Utah é presumivelmente resultado do mormonismo. Os líderes dessa fé tiveram a sabedoria de insistir em um sistema completo de escolas, e obrigaram as crianças a frequentá-las. Os "gentios", em autodefesa, foram forçados a fazer igualmente bem, e o resultado tem sido admirável. Seja qual for a opinião que se tenha do mormonismo como crença religiosa, deve-se lhe creditar a realização de um trabalho notável na difusão de um grau moderado de educação de modo quase universal entre o povo de Utah. ¶
O Conde Hermann Keyserling, notável filósofo e historiador alemão, veio a Salt Lake City há alguns anos e depois escreveu em seu Travel Diary of a Philosopher estas palavras: ¶
Os mórmons alcançaram uma civilização dificilmente alcançada por qualquer outro povo. Em pouco mais de meio século, transformaram um deserto de sal em um jardim. São, além disso, cidadãos admiráveis, obedientes à lei, honestos e progressistas. ¶
Missionários para Ensinar o Mundo ¶
Vós, missionários de Jesus Cristo, nosso Salvador, sois ensinados nos preceitos divinos da religião do Mestre, e saís por todo o mundo para ensinar. Da fé de vossos pais, levais aos povos tudo o que é santo e puro e de boa fama. Vosso zelo e vossa abnegação hão de aumentar. Vossas aspirações celestiais, vossas afeições humanas, vossos infindáveis atos de caridade vos trarão os corações do povo. Não precisais jamais hesitar, pois entrastes em vossos muitos deveres e responsabilidades, vossas provações e desânimos, "com o zelo de Pedro e a mansidão de João." Bem podeis ler as palavras do Profeta Joseph Smith, tal como as escreveu nas Regras de Fé: ¶
Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos. (Décima Terceira Regra de Fé.) ¶