Pulpit

Verdades que Nenhuma Outra Igreja Ensina

LeGrand Richards

1949 October General Conference·General Priesthood Meeting·1949-10-01

Assim que eu recuperar o fôlego, vou começar. O Irmão Ivins conta a história de um diácono que foi chamado, de improviso, a falar em uma de nossas estacas. Ele ficou de pé por um minuto, mudando o peso de um pé para o outro, e disse: "Irmãos e irmãs, estou apenas ganhando tempo." Então pregou um belo sermão sobre a Palavra de Sabedoria. Depois, olhou para eles e disse: "Certamente me coloquei em maus lençóis, não foi?"

O Evangelho Se Ajusta?

Ora, irmãos, estou feliz de estar aqui; estou feliz em meu trabalho na Igreja; amo os irmãos, e amo os Santos. Tenho o privilégio de entrevistar muitos missionários enquanto viajo de estaca em estaca, e sempre lhes pergunto como se sentem a respeito de ir para uma missão e como o evangelho lhes cai bem. Eu digo: "Quando entrais em uma loja para comprar um terno, ou ele vos serve, ou não serve. O evangelho vos serve? Como vos sentis ao ouvir a história do Profeta Joseph Smith, de ter ido ao bosque orar, de ter visto o Pai e o Filho, e o que ali aconteceu? Conseguis aceitar tudo isso; credes nisso? Credes que João Batista veio e conferiu o Sacerdócio Aarônico a Joseph e a Oliver, e que Pedro, Tiago e João conferiram o Sacerdócio de Melquisedeque? E que Elias, o profeta, Elias, e Moisés trouxeram as chaves de suas dispensações; tudo isso se ajusta?" Quando dizem que sim, então digo: "Então sabeis que não temos apenas mais uma igreja — temos a única Igreja verdadeira."

Sinto que a coisa mais importante em nosso ensino nesta Igreja é procurar gravar em nosso povo a verdade do evangelho, e quero dizer-vos, por experiência própria, que não creio que seja preciso ser homem ou mulher de idade para saber que o evangelho é verdadeiro. Tenho mais jovens em nossas conferências que me dizem saber que o evangelho é verdadeiro do que os mais velhos, e eu acredito neles.

No dia de Pentecostes, Pedro chamou o povo ao arrependimento, e eles se compungiram em seu coração e disseram: "Que faremos, homens irmãos?" Então Pedro lhes disse: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos pertence, a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar." (Atos 2:37-39.) E sei que a promessa pertence a nossos filhos, e que eles podem conhecer a verdade do evangelho por meio do dom do Espírito Santo. Às vezes, preocupo-me menos com as crianças do que com os mais velhos.

A Contribuição de Ezequiel

Assisti a uma classe da Escola Dominical não faz muito tempo, e estavam considerando a vida e a missão do profeta Ezequiel, e o irmão responsável pela classe passou a dizer que não sabíamos muito sobre Ezequiel. Depois, contou um pouco sobre as condições do mundo na época em que Ezequiel viveu, mas nada disse sobre seus ensinamentos ou profecias. Estava prestes a encerrar a classe. Raramente digo algo em uma classe da Escola Dominical quando estou presente, mas eu disse: "Irmão Fulano, ides encerrar exatamente nesse ponto?" Ele disse: "Achei que sim; há algo que gostarias de acrescentar?" Contei à classe que Ezequiel havia dado uma contribuição a esta grande causa dos últimos dias, milhares de anos atrás, que nenhum outro profeta havia dado, pois foi ele quem nos deu o conhecimento de que haveria dois registros a ser mantidos, não apenas um de Judá e sua posteridade, mas um de José e sua posteridade, e não fosse por Ezequiel não saberíamos que haveria outro volume de escritura, e disse que me parece que devíamos aproveitar bem o que Ezequiel nos deixou.

Experiências Missionárias

Isso me lembrou de quando eu estava no campo missionário nos Estados do Leste. Fui a uma casa em que o homem não era membro da Igreja, e toda vez que eu saía ele dizia: "Creio que fui mórmon a vida toda, mas não sabia;" mas eu não conseguia fazer com que sua esposa entrasse e me ouvisse. Ela ia para o quarto ao lado passar roupa. Sabeis que passar roupa é um serviço silencioso. Não preciso dizer-vos que costumo levar comigo meu "alto-falante", só por precaução, e assegurei-me de que ela ouvisse tudo o que eu tinha a dizer. Na última visita que fiz àquela casa, eu disse: "Sra. McDonald, certamente me honraríeis se hoje entrásseis para me ouvir." Ela por fim consentiu. Eu disse: "Talvez nunca mais me vejais neste mundo." Havíamos acabado de começar a nossa conversa quando entrou o filho dela, que estudava na Universidade Harvard. Ela disse: "Meu filho, chegaste bem a tempo. Toma este livro" — pois eu a havia feito seguir com a Bíblia enquanto eu falava — "e mostra-nos como este homem está tentando desencaminhar-nos." Passei uma hora e meia, e então fechei minha Bíblia. A conversa daquele dia foi sobre a Casa de Israel, a nova terra que o Senhor havia prometido a José, a coligação final derradeira nos últimos dias, e os dois registros a ser mantidos; e me virei para o filho dela, de Harvard, e disse: "Diz à tua mãe como estou tentando desencaminhar-vos, por favor?" Ele disse: "Mãe, este homem não está tentando desencaminhar-te, ele está te ensinando a verdade." Antes de eu sair, ela disse: "Sr. Richards, mesmo que eu não creia em tudo o que dizeis, há algo em vós de que não posso deixar de gostar. Orareis conosco antes de partir?"

Naquela mesma cidade, estávamos realizando uma reunião de rua, e os membros do Gospel Hall estavam realizando uma convenção não muito longe dali. Suspenderam sua reunião para vir tentar atrapalhar a nossa. Eu disse: "Gostaríeis de agir como cavalheiros, não é?" Pelo que recordo, havia cerca de dezesseis ministros ali naquela noite. Eu disse: "Dai-nos vinte minutos para terminarmos nossa reunião, e então ficaremos trinta minutos ouvindo-vos." Disse à multidão: "Não é assim?" Havia entre duzentas e trezentas pessoas ali, e elas indicaram que sim. Durante os trinta minutos deles, pintaram o Profeta Joseph da forma mais negra que puderam. "Ora," disseram, "se pudessem, os mórmons encadernariam o Livro de Mórmon na mesma capa da Bíblia e vos pediriam para aceitá-lo e gostar dele." Não gostei de ver aquela reunião terminar bem naquele ponto, então me aproximei desse ministro e disse: "Não vos importaríeis se eu fizesse um anúncio antes de a reunião terminar, não é?" Ele disse: "Não, ide em frente." Então me voltei para a multidão e disse: "Se voltardes na próxima terça à noite, às 7h30, diremos por que encadernamos o Livro de Mórmon na mesma capa da Bíblia e vos pedimos para aceitá-lo e gostar dele." E disse: "Trazei vossas Bíblias convosco, porque não precisareis delas depois da próxima terça à noite, se não estiverdes dispostos a aceitar o volume de escritura complementar. Ezequiel disse que o Senhor traria à luz o registro de José, o qual uniria ao registro dos judeus, e os dois se tornariam um em sua mão." Quando voltaram naquela noite, e a multidão era maior do que a anterior, eu disse: "Como podemos qualquer um de nós deter a mão de Deus de trazer à luz o registro que ele prometeu?" Pelo que me lembro, vendemos dezesseis exemplares do Livro de Mórmon naquela noite.

Bem, já tive tantas experiências que não consigo entender por que não conseguimos plantar a verdade no coração de nosso povo, até que nenhuma coisa ou movimento externo no mundo possa ter qualquer influência sobre eles. Temos tanto mais a oferecer do que qualquer outra igreja no mundo.

Eu estava distribuindo folhetos naquela cidade um dia, e havia ido a determinada casa várias vezes, quando a dona da casa disse: "Sr. Richards, afinal, o que estais tentando fazer, estais tentando fazer mórmons de todos nós?" "Bem," eu disse, "vou dizer-vos uma coisa: jamais vos pedirei para vos filiardes à Igreja Mórmon," e isso pareceu tranquilizá-la. Então eu disse: "Se eu pudesse mostrar-vos onde poderíeis trocar um dólar por cinco dólares, eu não precisaria pedir-vos para fazê-lo, não é?" Depois de alguns meses em casa, recebi dela uma carta em que me chamava de "Irmão Richards". Ela disse: "Decidi trocar o dólar por cinco dólares. Fui batizada membro da Igreja na última sexta-feira à noite."

Penso que qualquer élder em Israel que não consiga fazer o mormonismo parecer melhor do que a razão de cinco para um é melhor pegar as escrituras e ir trabalhar e estudar o evangelho.

Estive em Haia, na Holanda, e fui convidado à casa do proprietário de uma grande loja de móveis. Seus colegas eram todos homens de negócios. Não tenho tempo para contar como cheguei lá, mas estava lá por convite, e estava lá para discutir certo assunto do evangelho — a salvação universal do homem, incluindo a obra pelos mortos. Aconteceu de ser uma classe bíblica, e eles passavam uma noite por semana estudando juntos. Todos tinham suas Bíblias, e me entregaram a classe. Depois de termos discutido esse assunto por cerca de uma hora e meia, fechei minha Bíblia, e nada se disse por alguns minutos. Por fim, a filha da casa se voltou para o pai e disse: "Pai, não consigo entender; sempre tens a última palavra sobre tudo, e esta noite não disseste uma palavra." Ele disse: "Minha filha, não há nada a dizer. Este homem nos está ensinando coisas que nunca ouvimos antes, e as está ensinando a partir de nossas próprias Bíblias." E ele não teve mais nada a dizer.

Ora, por que não ensinamos essas coisas a nossos filhos, até que se tornem como a Rocha de Gibraltar, fundados sobre uma fé que não pode ser abalada?

O Casamento Eterno

Tomai o nosso princípio do casamento eterno e da duração eterna do convênio matrimonial. Já tive experiências semelhantes ao ensinar este princípio. Falei sobre este assunto em Quitman, na Geórgia, e usei a declaração do livro do Irmão Rulon Howells, "Do Men Believe What Their Church Prescribes?" [Os Homens Creem no que Suas Igrejas Prescrevem?], e li o que outras igrejas prescrevem sobre este assunto. Não há igreja de que eu já tenha ouvido falar que creia que o vínculo matrimonial ou a unidade familiar perdurará além da sepultura. Não conseguimos imaginar alguém satisfeito com uma religião assim, a menos que seja como a senhora que conheci em New Bedford. Tentei ensinar-lhe este princípio, e ela disse: "Vou dizer-vos, Sr. Richards, se houver algum relacionamento matrimonial além da sepultura, arriscarei conseguir algo melhor do que tenho agora." (Risos.) "Se eu viver com meu marido até morrer, creio que terei feito muito bem."

Como digo, falei sobre este assunto em Quitman, na Geórgia, e, ao final da reunião, um ministro batista se aproximou, apresentou-se e me disse quem era. Eu disse: "Citei-vos mal?" — pois eu havia lido a respeito da crença da Igreja Batista sobre este assunto. Ele disse: "Não, Sr. Richards, é exatamente como dizeis, nem todos nós cremos em tudo o que nossas igrejas prescrevem." Eu disse: "Vós também não credes nisso. Por que não ides para casa e ensinais a verdade a vosso povo? Ficarão felizes em recebê-la de vós, e ainda não estão prontos para aceitá-la dos élderes mórmons." Foi tudo o que consegui obter dele. Ele disse: "Voltarei a ver-vos."

Na vez seguinte em que fui a Quitman, minha fotografia apareceu no jornal, porque eu era presidente da missão, e quando fui àquela pequena igreja, ele estava me esperando. Eu disse: "Ficaria contente em saber o que achastes do meu último sermão." Ele disse: "Sr. Richards, tenho pensado nisso desde então, e creio em cada palavra que dissestes, só que gostaria de ter ouvido o resto." Sabeis que nunca chego bem ao fim de um assunto, o relógio corre depressa demais. Este princípio não é difícil de aceitar, mesmo para ministros, quando lhes é explicado.

Estive recentemente no Templo de Manti com meu pai, e o Presidente Anderson, que está aqui esta noite, contou de um ministro que havia visitado os terrenos do templo poucas semanas atrás. Quando ouviu nossa história sobre nossa crença no casamento eterno e na duração eterna da unidade familiar, ele disse: "Sabeis, tive dois de meus jovens que vieram até mim recentemente, e queriam que eu os casasse para o tempo e toda a eternidade," e disse: "eu o fiz. Achei que essa era a espécie de casamento que todos deveríamos ter, mas não a ensinam em suas igrejas."

Passei uma hora e meia no gabinete de um dos ministros mais proeminentes dos Estados Unidos. Ele morreu há poucas semanas, e, à época de sua morte, era capelão do Senado dos Estados Unidos. Enquanto estive em seu gabinete, discutimos este assunto. Ele disse: "Sr. Richards, nossa igreja não nos dá esperança alguma de que haverá continuação do vínculo matrimonial ou da unidade familiar além desta vida, mas, em meu coração, encontro obstinadas objeções." Então usou esta ilustração, que foi melhor do que qualquer uma que eu poderia ter-lhe dado. Tenho-a usado desde então, eu mesmo. Ele disse: "Quando se tira o gatinho da gata, em poucos dias a gata se esqueceu completamente do gatinho, e quando se tira o bezerro da vaca, em poucos dias a vaca se esqueceu de seu bezerro; mas, quando se tira a criança do seio da mãe, ainda que ela viva cem anos, jamais se esquece do filho de seu seio. Acho difícil crer que Deus tenha criado um amor assim para perecer na sepultura." Mas ele não podia dizer isso a seu povo do púlpito, porque não poderia manter seu cargo e ensinar-lhes o mormonismo.

Quero dizer-vos que temos tanto mais do que qualquer outra igreja, que a proporção de cinco para um nem começa a demonstrá-lo. Por que não entramos no coração de nossos rapazes e moças, e de nossos homens e mulheres, de modo que nenhum poder debaixo do céu tenha o poder de arrancá-los desta Igreja?

Que Deus vos abençoe na grande obra que estais realizando, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoLeGrand Richards, “Verdades que Nenhuma Outra Igreja Ensina”, 1949 October General Conference, General Priesthood Meeting (1949-10-01). Pulpit Vault, 1949-10-legrand-richards-conference-address-2. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).