O Sacerdócio e as Chaves do Reino de Deus
Bruce R. McConkie
Ontem tive o privilégio de estar como representante do Senhor no batismo do meu filho mais velho. Depois de eu ter agido de acordo com a autoridade que possuo, ele e eu saímos das águas. Então o meu pai, um dos sumos sacerdotes de Deus, impôs as mãos sobre a cabeça do meu filho, confirmou-o membro da Igreja de Jesus Cristo e conferiu-lhe o dom do Espírito Santo. Esse dom do Espírito Santo é o direito à companhia constante daquele membro da Trindade, condicionado à retidão. ¶
O Sacerdócio ¶
O meu pai e eu agimos, cada um, na autoridade do sacerdócio, e de acordo com a autorização dada por aqueles que detêm as chaves do sacerdócio. Sacerdócio é uma coisa; chaves, outra. Sacerdócio é o poder e a autoridade de Deus delegados ao homem na terra para agir em todas as coisas para a salvação dos homens. Chaves são o poder diretivo, o direito de presidir e governar no sacerdócio e na Igreja. ¶
Essas duas coisas, a autoridade do sacerdócio e o poder diretivo que acompanha as chaves do sacerdócio, distinguem- ¶
nos do mundo. O poder e a autoridade de Deus encontram-se na Igreja de Jesus Cristo; não se encontram nas igrejas que não são de Jesus Cristo. As igrejas do mundo têm uma forma de piedade, mas negam o seu poder. É na autoridade do sacerdócio e por meio dela que o poder da piedade se manifesta. E somos o único povo na terra que possui esse sacerdócio, esse poder de agir em nome do Senhor e ter os nossos atos aprovados e reconhecidos tanto na terra como no céu. ¶
Esta é uma Igreja restaurada. Nela se encontra hoje, em todos os aspectos essenciais, exata e precisamente o que os antigos tinham. Assim como Cristo deu a Pedro e aos Apóstolos de antigamente tanto a autoridade do sacerdócio como as chaves do reino dos céus, ou, em outras palavras, as chaves do reino de Deus na terra, que é a Igreja, assim também ele nos deu essas coisas em nossos dias. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é, no sentido mais real e efetivo, o reino de Deus na terra, e é destinada a preparar e qualificar os homens para ir ao reino de Deus no céu, que é o reino celestial. ¶
O Reino de Deus ¶
O Profeta Joseph Smith pregou um sermão glorioso no qual definiu o reino de Deus. Dele leio estas frases: ¶
Onde há um sacerdote de Deus — um ministro que tem poder e autoridade de Deus para administrar as ordenanças do evangelho e oficiar no sacerdócio de Deus —, ali está o reino de Deus. . . . Onde não há reino de Deus, não há salvação. O que constitui o reino de Deus? Onde há um profeta, um sacerdote ou um homem justo a quem Deus dá os seus oráculos, ali está o reino de Deus; e onde não estão os oráculos de Deus, ali não está o reino de Deus. ¶
... Se não obtivermos revelações, não temos os oráculos de Deus; e, se não têm os oráculos de Deus, não são o povo de Deus. ¶
. . . Jesus, em seus ensinamentos, diz: "Sobre esta rocha edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Que rocha? A revelação. . . . ¶
Sempre que os homens puderem descobrir a vontade de Deus e encontrar um administrador legalmente autorizado por Deus, ali está o reino de Deus; mas, onde estes não existem, o reino de Deus não existe. (D.H.C., vol. 5, pp. 256-259.) ¶
Restauração do Evangelho ¶
Pela graça de Deus, e por sua misericórdia, foi-nos restaurada nestes dias a plenitude do evangelho eterno: todas as leis, ordenanças e princípios pelos quais, mediante obediência, podemos ser salvos e exaltados no reino de nosso Pai. A nenhum outro povo foram derramadas tantas luzes e verdades do céu quanto a nós. ¶
A nós veio o Livro de Mórmon — um registro dos tratos de Deus com um povo que possuía a plenitude do evangelho eterno — e ele contém, de forma clara e simples, as verdades da salvação. Temos muitas das verdades do céu, e, se as aceitarmos e ¶
depois as vivermos, poderemos obter as maiores recompensas disponíveis na eternidade. Mas não basta apenas ter a verdade. A mera posse da verdade não salvará um homem. Não basta ler as doutrinas do reino e saber o que são. Os demônios também creem e tremem. Não basta pegar o Livro de Mórmon, lê-lo e crer nele. Precisamos fazer todas essas coisas. Mas, depois, precisamos aceitar a verdade por convênio, sob as mãos de um administrador legal, alguém que possa ligar na terra e no céu. ¶
Convênio do Batismo ¶
O Profeta Joseph Smith escreveu estas palavras em seu diário, referindo-se a uma discussão que teve com os Doze Apóstolos: ¶
Disse aos irmãos que o Livro de Mórmon era o mais correto de todos os livros da terra, e a pedra angular de nossa religião, e que um homem se aproximaria mais de Deus obedecendo aos seus preceitos do que a qualquer outro livro. (Ibid., vol. 4, p. 461.) ¶
Concordo com cada palavra que o Irmão Marion G. Romney disse ontem. Como ele fez, tenho lido o Livro de Mórmon, com oração e cuidado, mais vezes do que tenho dedos; creio nele, sincera e integralmente. Sei que ele é uma verdadeira testemunha de Cristo e um revelador exato das doutrinas de Cristo. ¶
Mas, depois de termos encontrado a verdade, depois de termos aprendido que o Livro de Mórmon foi traduzido pelo dom e poder de Deus e é verdadeiro, depois de termos obtido o testemunho de Cristo que vem por ouvir a palavra de Deus ensinada por alguém que tem autoridade — e ensinada em retidão e com o poder do Espírito —, precisamos então aceitar essa verdade pelo convênio do batismo; e precisamos fazê-lo sob as mãos de um administrador legal. ¶
O batismo é a porta de entrada para o reino de Deus, tanto na terra como no céu. E o tipo de batismo que eu e vós desejamos é aquele que será reconhecido tanto na terra como no céu. Uma coisa é estabelecer um sistema que será reconhecido pelos homens; outra, bem diferente, é ter um sistema que Deus reconhecerá. O Senhor disse a Pedro: ¶
E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus. . . . (Mateus 16:19.) ¶
Queremos um batismo (e isso vale para todas as ordenanças) que seja vinculante na terra e no céu, que seja reconhecido pelo Senhor tanto aqui como no além. ¶
Autoridade Divina ¶
Agora, esta frase do sermão do Profeta: ¶
Todas as ordenanças, sistemas e administrações na terra não são de nenhuma utilidade para os filhos dos homens, a menos que sejam ordenados e autorizados ¶
por Deus; pois nada salvará um homem senão um administrador legal; pois nenhum outro será reconhecido por Deus ou pelos anjos. (D.H.C., vol. 5, p. 259.) ¶
Falando do novo e eterno convênio, que é o evangelho, o Senhor disse ao Profeta: ¶
. . . Todos os convênios, contratos, vínculos, compromissos, juramentos, votos, práticas, ligações, associações ou expectativas que não forem feitos nem acertados nem selados pelo Santo Espírito da promessa, tanto para esta vida como para toda a eternidade, por meio daquele que foi ungido e isso também de maneira muito sagrada, por revelação e mandamento, por meio de meu ungido, a quem designei na Terra para possuir esse poder, . . . não terão eficácia, virtude ou vigor algum na ressurreição dos mortos nem depois dela; porque todos os contratos que não são realizados com esse propósito têm fim quando os homens morrem. (D. & C. 132:7.) ¶
Então o Senhor propõe uma pergunta a todos aqueles que estabeleceram sistemas de religião sobre autoridade presumida, autoridade reivindicada de gerações há muito extintas. É esta: ". . . receberei de vossas mãos aquilo que não determinei?" (Idem, 10.) Certamente não. Sua casa é uma casa de ordem, e não uma casa de confusão. Nenhum homem pode vir a ele ou a seu Pai senão por sua palavra, que é sua lei. ¶
E, finalmente, em linguagem tão ampla e abrangente que cobre todos os princípios, doutrinas, ordenanças e sistemas, o Senhor diz: ¶
E tudo que existe no mundo, quer seja ordenado por homens, por tronos ou principados ou poderes ou coisas de renome, sejam quais forem, que não for por mim nem pela minha palavra, diz o Senhor, será derrubado e não permanecerá depois que os homens morrerem; nem na ressurreição nem depois da ressurreição, diz o Senhor vosso Deus. ¶
Pois todas as coisas que permanecem são por mim; e todas as coisas que não são por mim serão abaladas e destruídas. (Idem, 13-14.) ¶
Assim, há apenas duas maneiras pelas quais algo neste mundo pode ser ordenado de modo a permanecer com plena força e validade no mundo espiritual e na ressurreição. Ou o próprio Deus deve ordená-lo, ou um agente de Deus, agindo sob e de acordo com a devida autorização dele, deve fazê-lo. Só então, e somente então, o ato será reconhecido na eternidade. Não há outro modo. ¶
O batismo é a porta para o reino celestial, desde que seja realizado por um administrador legal, cujas administrações serão reconhecidas por Deus, e desde que também o candidato se tenha tornado digno e a ordenança lhe seja selada pelo Espírito Santo. ¶
O mesmo princípio se aplica a todas as ordenanças. O Senhor disse do sacramento: ¶
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6:54.) ¶
Mas, para obter essa bênção, precisamos participar da ordenança dignamente, com a aprovação ratificadora do Espírito Santo, e conforme ela é realizada por um administrador legal. ¶
O mesmo se dá com o casamento. Os homens podem ordenar qualquer sistema de casamento que lhes agrade. Podem tornar um homem e uma mulher marido e mulher nesta vida; mas, quando os homens morrem, isso põe fim ao casamento. Para que um homem e uma mulher sejam marido ¶
e mulher no mundo espiritual e na ressurreição, para que a unidade familiar continue depois da morte, o selamento precisa ser feito por Deus pessoalmente, ou por um agente autorizado que detenha autoridade dele para assim agir; e precisa ser selado e aprovado pelo Espírito Santo, condição que só se cumpre se os participantes forem dignos. ¶
Restauração do Sacerdócio ¶
Agora recebemos o mesmo poder e autoridade que os antigos possuíam. Em maio de 1829, João Batista veio e deu a Joseph Smith e a Oliver Cowdery tanto o Sacerdócio Aarônico como as chaves desse sacerdócio. Pouco depois, Pedro, Tiago e João vieram e deram àqueles mesmos dignos varões o Sacerdócio de Melquisedeque e as chaves do reino de Deus. Depois, em 1835, quando o primeiro quórum de Apóstolos foi chamado nesta dispensação, aqueles Apóstolos receberam as chaves do reino de Deus na terra. ¶
Depois disso, chaves adicionais foram conferidas. Elias, o profeta, veio no dia três de abril de 1836. Ele conferiu as chaves do poder selador, ou, em outras palavras, autorizou o uso do sacerdócio para selar na terra e ligar no céu. Moisés veio e conferiu as chaves da coligação de Israel das quatro partes da terra, e da condução das dez tribos da terra do norte. Elias veio e conferiu as chaves da dispensação do evangelho de Abraão. O Profeta diz que diversos anjos, desde Miguel ou Adão até o tempo presente, todos vieram, declarando as suas dispensações, os seus direitos, as suas chaves, as suas honras, a sua majestade e glória, e o poder de seu sacerdócio, até que tivéssemos, nesta dispensação, que é a da Plenitude dos Tempos, todo o poder e autoridade que Deus já concedera em qualquer dispensação anterior. ¶
Chaves do Reino ¶
Então, poucas semanas antes de Joseph e Hyrum irem à Cadeia de Carthage selar o seu testemunho com o seu sangue, o Profeta, no Templo de Nauvoo, conferiu aos Apóstolos todas as chaves do reino dos céus. Depois de conferir esses poderes e chaves, ele disse: ¶
Selei sobre as vossas cabeças todas as chaves do reino de Deus. Selei sobre vós toda chave, poder, princípio que o Deus dos céus me revelou. Agora, não importa para onde eu vá ou o que ¶
eu faça, o reino repousa sobre vós. ... ¶
... ó apóstolos do Cordeiro de Deus, meus irmãos, sobre os vossos ombros repousa este reino; agora tendes de erguer os vossos ombros e levar o reino adiante. (Ver The Discourses of Wilford Woodruff, p. 72.) ¶
Desde aquele momento até o presente, todo homem que foi ordenado ao santo apostolado recebeu as chaves do reino de Deus na terra, ou, em outras palavras, o direito diretivo de presidir esta Igreja e este reino. E assim, neste momento, temos administradores legais, irmãos que detêm tanto o sacerdócio como as chaves. Temos as verdades do céu para ensinar; temos o poder de selar os homens, condicionado à sua fidelidade, para a vida eterna. Em nenhum outro lugar no mundo inteiro se encontra isto. ¶
Esta manhã, o Presidente Smith expressou um sentimento que ele tem expressado repetidas vezes. Neste sermão do Profeta Joseph Smith, do qual tenho citado, está o mesmo pensamento. O sentimento revela a medida, a grande capacidade, o amor que prevalece nos corações desses dois homens. O Profeta disse: ¶
Agradeço a Deus por preservar-me de meus inimigos; não tenho inimigos senão por causa da verdade. Não tenho outro desejo senão fazer o bem a todos os homens. Sinto-me levado a orar por todos os homens. Não pedimos a nenhum povo que descarte qualquer bem que possua; pedimos apenas que venha obter mais. E se o mundo inteiro abraçasse este evangelho? Todos veriam face a face, e as bênçãos de Deus seriam derramadas sobre o povo, o que é o desejo de toda a minha alma. (D.H.C., vol. 5, p. 259.) ¶
Assim como o Profeta orou, também oro eu, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶