Pulpit

O Problema da Bebida Alcoólica e sua Propaganda

Joseph F. Merrill

1947 October General Conference·First Day Afternoon Session·1947-10-03

Nos poucos minutos que me foram concedidos nesta conferência, desejo dar breve atenção a um problema que está despertando cada vez mais a atenção das pessoas pensantes da América profundamente preocupadas com seu bem-estar moral e espiritual. Refiro-me ao problema da bebida alcoólica — um dos mais desafiadores e difíceis, entre todos os problemas internos ainda não resolvidos, que o país enfrenta hoje, um problema de grande importância. É claro que o ponto de vista sob o qual examinarei este problema é aquele que me foi dado pelos ensinamentos morais e pelos padrões da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. No entanto, apresso-me a dizer que, no que diz respeito ao problema da bebida, os ensinamentos e padrões de multidões de pessoas em outras igrejas e organizações são semelhantes aos nossos. Alguns deles reconhecem tão clara e agudamente quanto nós que beber é um mal que todas as pessoas boas e de reto pensar deveriam unir-se para eliminar.

O Uso do Álcool É Destrutivo

Utilizo a palavra "beber" no sentido de ingerir um líquido que contém álcool, o qual é um composto químico definido, certa vez descrito pelo Journal of the American Medical Association como

... um veneno inerente, absoluto, essencial; numa gota ou num galão, em todas as quantidades e em qualquer quantidade. Evidentemente, sua quantidade não pode afetar sua constituição química.

E, uma vez bebido, o que faz o álcool? Nas palavras do falecido Robert G. Ingersoll:

... o álcool queima homens, consome mulheres, destrói vidas, amaldiçoa Deus e despreza o céu. Ele suborna testemunhas, contamina o corpo de jurados e mancha o arminho judicial. Ele suborna eleitores, corrompe eleições, põe em perigo o governo, degrada o cidadão, rebaixa o legislativo, desonra o estadista. Ele traz vergonha, não honra; terror, não segurança; amor, não ódio; miséria, não felicidade. Ele destrói a paz e arruína a moral; assassina a alma; é o pai de todo crime, a mãe de todas as abominações, o melhor amigo do diabo.

Nas palavras da Primeira Presidência da Igreja:

A bebida traz crueldade ao lar; caminha de braços dados com a pobreza; suas companheiras são a doença e a peste; põe a castidade em fuga; não conhece nem honra nem trato justo; é totalmente estranha à verdade; afoga a consciência; é a guarda-costas do mal; amaldiçoa todos os que a tocam. A bebida trouxe mais aflição e miséria, quebrou mais corações, destruiu mais lares, cometeu mais crimes, encheu mais caixões do que todas as guerras que o mundo já sofreu.

Ela está envolvida em mais acidentes e mortes no trânsito, e envia mais pacientes a hospitais psiquiátricos do que qualquer outro fator isolado.

Bilhões de Dólares Desperdiçados

No entanto, apesar desses fatos, que justificam uma acusação severa contra o álcool, estima-se que haja cem milhões de norte-americanos com mais de quinze anos de idade, dos quais cinquenta milhões bebem com maior ou menor regularidade. Segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, essas pessoas gastaram com bebidas alcoólicas, durante 1946, quase nove bilhões de dólares ($8.770.000.000). Isso é mais do que se gastou, no mesmo período, com todos os tipos de escolas públicas e particulares, incluindo bibliotecas escolares e universitárias, e com os serviços governamentais estaduais e federais nas áreas de saúde, assistência social, amparo à velhice, etc.

Dos cinquenta milhões de bebedores, estima-se que três milhões bebam excessivamente, isto é, sejam alcoólatras — pessoas que perderam, de modo mensurável, o controle sobre a bebida. Elas adquiriram a doença do alcoolismo, como a denominam os especialistas. Uma pessoa que sofreu dessa doença — a Sra. Marty Mann, hoje diretora executiva do National Committee for Education on Alcoholism [Comitê Nacional de Educação sobre o Alcoolismo] — declarou, em sua transmissão pela Columbia Broadcasting System no mês de dezembro passado:

Esses foram os anos mais dolorosos da minha vida. Sofri constantemente, não apenas um tipo de dor, mas todos os tipos de dor. Sofri física, mental, emocional, financeira e socialmente — em cada área da minha vida. Digo-vos, com sinceridade, e em nome daqueles três milhões de seres humanos, que o alcoolismo é a doença mais dolorosa conhecida pelo homem.

Palestras sobre "Vós e o Álcool"

Alguns de vós talvez vos lembreis de que, há vários meses, a Columbia Broadcasting System transmitiu, em sua rede, treze palestras intituladas "Vós e o Álcool", descritas como

Uma série de transmissões que examina o problema do consumo de álcool nos Estados Unidos e seu efeito sobre o nosso povo e as nossas instituições, apresentada nas noites de terça-feira, a partir de 12 de novembro de 1946.

O prefácio dessas palestras dizia:

Visto que o álcool afeta a vida de um grande número de pessoas, pareceu lógico à Columbia considerá-lo um problema no qual as funções especiais e singulares do rádio poderiam ser utilizadas com proveito para traduzir o problema em termos simples e impactantes, e levá-lo diretamente à atenção de milhões de ouvintes.

Cada um dos treze oradores era considerado um especialista na fase do assunto sobre a qual falava. Acabo de citar um desses oradores. Nove dos outros eram médicos em diversos campos de pesquisa — medicina, neurologia, psicologia, sociologia, psiquiatria. Ao que parece, todos concordavam com a Sra. Mann — como concordam, em geral, os especialistas médicos — que o alcoolismo é uma doença, tão certamente quanto a pneumonia, a tuberculose e o câncer são doenças, e deve ser tratado como tal. Um desses oradores, o Dr. Lyman C. Duryea, escreveu:

Como médico, preocupo-me com aquelas pessoas que bebem em excesso e não conseguem controlar sua bebida [alcoólatras]. Essas pessoas precisam de cuidados médicos. . . . São pessoas doentes.

O Alcoolismo É uma Doença

Para o alcoólatra (a quem o Dr. Duryea chama de bebedor compulsivo) é absolutamente impossível beber com moderação. Isso inclui todas as bebidas alcoólicas, bem como remédios, ou qualquer outra coisa que contenha álcool. A abstinência completa é sua única salvação. A pessoa com problema de bebida deve lembrar-se de que é uma pessoa doente e que nunca mais poderá tomar um gole "de qualquer coisa que contenha álcool". Assim, admitamos que o alcoolismo é uma doença. Contudo, há uma peculiaridade nessa doença — ela jamais é adquirida por quem não toma sua primeira bebida. Isto é um fato. Que todos se lembrem disso.

Como já foi dito, segundo números aceitos, cinquenta milhões de norte-americanos bebem. Desse número, três milhões — um em cada dezesseis, ou seja, seis por cento — adquirem a doença do alcoolismo, adoecem e necessitam de tratamento. Isso é mais que o dobro do número afligido pela tuberculose, segundo nos informam. Esses números indicam a magnitude do problema. (Desvio-me para expressar a opinião de que o tratamento mais seguro e, de longe, o menos dispendioso para o alcoolismo é aquele oferecido pelos Alcoólicos Anônimos, cujos grupos existem por toda a América.) Eu disse que ninguém jamais se torna alcoólatra sem antes tomar seu primeiro copo.

Mas algo mais pode ser dito. Segundo os especialistas em álcool, ninguém que começa a beber — seja rico ou pobre, senhor ou servo, instruído ou ignorante — pode saber, até que seja tarde demais, se continuar bebendo, se contrairá ou não a doença alcoólica. Nenhum exame médico pode determinar isso. A mudança de um beber controlado para um beber descontrolado ocorre de modo súbito e sem aviso, dizem-nos os especialistas. Assim, há duas coisas a lembrar sobre essa doença do alcoolismo: não custa nada evitar contraí-la, e não custa nada evitar sua recorrência, uma vez livre dela. A abstinência total é o remédio certo, tanto antes quanto depois.

Projeto de Lei para Proteger a Propaganda de Bebidas Alcoólicas

E agora passemos a outra fase do problema do álcool — a da propaganda. Nos dias 12 e 13 de maio deste ano (1947), o comitê

de comércio interestadual e exterior do Senado dos Estados Unidos realizou uma audiência pública em Washington, D.C., sobre o Projeto de Lei do Senado nº 265, do senador Arthur Capper, do Kansas, que proibiria todos os tipos de propaganda de qualquer bebida alcoólica. Os proponentes do projeto eram capazes e bem preparados, e contavam com o apoio de muitas resoluções de igrejas e outras organizações, bem como de milhares de petições, numerosamente assinadas. Ao apoiar o projeto, o senador Capper disse:

O crescimento e a extensão do hábito de beber nos Estados Unidos, nos últimos anos, alarma-me. Fomos informados, antes da revogação, pelos defensores da revogação, de que os fabricantes e comerciantes de bebidas alcoólicas desencorajariam o consumo excessivo. No entanto, em 1946, a conta nacional de bebidas foi de quase nove bilhões de dólares, oitenta e nove dólares para cada pessoa nos Estados Unidos com mais de dezoito anos — cerca de um quarto do orçamento federal para o próximo ano. Ora, Sr. Presidente, creio que a enorme quantidade de propaganda que busca aguçar o apetite pela bebida, buscando criar novos consumidores, especialmente entre mulheres e crianças, tem muito a ver com o grande aumento do consumo de álcool nos últimos anos.

O Bispo Wilbur E. Hammaker, do Methodist Temperance Board [Conselho Metodista de Temperança], em seu depoimento, disse:

Nossos juízes, até a Suprema Corte, decidiram repetidas vezes que o comércio de bebidas alcoólicas é prejudicial à vida, é inimigo do bem-estar da sociedade e só existe por tolerância. Não possui direitos inerentes nem inalienáveis. . . . A tragédia persegue o comércio de bebidas alcoólicas; ele viola constantemente as próprias leis que permitem sua presença em nosso meio. Sua história é sórdida, vergonhosa, viscosa, repugnante, e não alegre, nobre e boa, como suas propagandas tentam nos fazer crer.

Em sua declaração perante o comitê, o Sr. O. G. Christgau, superintendente da Iowa Anti-Saloon League [Liga Antitaberna de Iowa], relatou, entre outras coisas, que o Sr. P. S. Dupont, presidente da Association Against the Prohibition Amendment [Associação Contra a Emenda da Proibição], escreveu, dois anos antes da revogação, o seguinte:

A propaganda é um dos meios mais eficazes de aumentar os negócios e promover as vendas. Como é política deste país reduzir a venda de bebidas alcoólicas, nenhuma propaganda de qualquer tipo deveria ser permitida a fabricantes ou vendedores.

O Presidente Roosevelt, ao proclamar a revogação da Décima Oitava Emenda, declarou:

O objetivo que buscamos por meio da política nacional é a educação de cada cidadão para uma maior temperança em toda a nação.

Comparai essas declarações com o fato de que, durante 1946, mais de cem milhões de dólares foram gastos em propaganda de bebidas alcoólicas.

O Dr. Glen Cunningham, internacionalmente famoso, anos atrás, como atleta, e hoje professor universitário, foi testemunha perante o comitê. Entre suas declarações, estavam estas:

Em meu trabalho com milhares de jovens, ao longo dos últimos quinze anos, tenho notado um aumento alarmante no número dos que usam bebidas alcoólicas. Toda pessoa consciente do surpreendente aumento da delinquência entre os jovens, das mortes e ferimentos por acidentes, dos assassinatos e estupros, dos lares empobrecidos e desfeitos, e do número de doenças mentais, percebe a necessidade urgente de que o Congresso aprove o projeto de lei do senador Capper. O custo em sofrimento humano, em corpos e mentes mutilados, em vidas perdidas, torna inestimavelmente mais importante que a propaganda de bebidas alcoólicas, que tanto contribui para essas grandes tragédias, seja colocada sob controle.

Pede-se Apoio ao Projeto de Lei Capper

Em vista dos resultados que se seguem ao consumo de bebidas alcoólicas, por que o povo norte-americano o tolera? Deixo a resposta a eles. Em todo caso, as vastas somas gastas em propaganda ampla, sedutora e enganosa tiveram muito a ver com isso e com o grande aumento do consumo, especialmente entre mulheres e adolescentes. Mas permiti-me perguntar-vos, povo mórmon, por que o tolerais? Vós aceitais e ensinais a Palavra de Sabedoria como uma revelação divina na qual as bebidas alcoólicas são proscritas. Segue-se, portanto, logicamente, que os Santos dos Últimos Dias, se fiéis à sua fé, não podem, conscienciosamente, entregar-se à bebida; o mundo em geral sabe disso. Os membros da Igreja não podem entregar-se à bebida sem desagradar a Deus e sem perder, em maior ou menor grau, o respeito de seus amigos não mórmons, muitos dos quais veem os mórmons que bebem como fracos ou hipócritas.

Mas não poderemos nós, com toda propriedade e na expectativa de uma resposta favorável, pedir a todos os membros da Igreja e não membros que amam o próximo e trabalharão pelo seu maior bem que façam o que estiver ao seu alcance para reduzir o consumo de bebidas alcoólicas aos menores limites possíveis? Como um dos meios para esse fim, apoiemos ativamente o Projeto de Lei Capper e oremos para que se torne lei, contribuindo assim, em grande medida, para eliminar todo tipo de propaganda de bebidas alcoólicas. Mas este projeto de lei não se tornará lei, exceto vencendo a forte oposição da poderosa indústria de bebidas alcoólicas — uma indústria que gastou centenas de milhões de dólares e continua a gastar vastas somas em propaganda.

O Deputado Joseph R. Bryson disse, na audiência do comitê do Senado, o seguinte:

A propaganda molda nossas vidas e forma a nova geração. Comemos, bebemos, vestimo-nos e pensamos conforme a propaganda. Os jovens imaturos são particularmente impressionáveis. Essa propaganda nos chega, principalmente, pela imprensa e pelo rádio. Se a demanda artificialmente estimulada por bebidas alcoólicas há de ser contida, a propaganda de bebidas alcoólicas deve cessar. A propaganda de bebidas alcoólicas anula os esforços educativos do lar, da escola e da igreja quanto aos perigos do álcool. Como é tolo ensinar aos jovens os perigos da bebida alcoólica ao mesmo tempo em que se permite que ela seja anunciada nos termos mais sedutores.

A Igreja Pela Abstinência Total

Novamente pergunto: por que o povo mórmon tolera que se bebam

bebidas alcoólicas entre seus membros? Todos sabem que a Igreja se posiciona, irrevogavelmente, pela abstinência total. Muitas respostas são dadas, mas talvez uma das mais frequentes e básicas seja a de que a ninguém se pode negar seu "arbítrio" — seu direito de beber. Mas pergunto: pode alguém ter permissão de exercer seu arbítrio quando isso põe em risco a segurança, a paz, o bem e a felicidade de outros? A resposta de nossas leis civis é não.

Satanás, o diabo, um ser pessoal, anda pela terra com uma multidão de auxiliares. Dele provém a fonte de todos os pecados, crimes, iniquidades e tribulações da família humana. A ambição de Satanás é dificultar a obra do Senhor. Ele tenta fazer isso desencaminhando e usando os filhos do Pai de toda e qualquer maneira que lhes traga miséria, angústia e destruição. Resolvamos resisti-lo onde quer que sua influência se manifeste, como certamente se manifesta em todas as fases do problema da bebida alcoólica.

A Propaganda de Bebidas Alcoólicas É Amoral

À luz de tudo o que se pode dizer, com verdade, sobre os efeitos do álcool consumido, não estaremos nós amplamente justificados em declarar que a propaganda de bebidas alcoólicas é amoral e errada? Encorajar e induzir seres humanos, particularmente os jovens e os imaturos, a se destruírem é iníquo aos olhos de Deus e criminoso aos olhos do homem. Como vejo a questão, nada mais brando do que isso pode, em verdade, dizer-se do vasto negócio de promoção de bebidas alcoólicas. Por trás de tudo isso, podem-se encontrar algumas das mentes mais astutas e capazes trabalhando, planejando e tramando como levar cada vez mais pessoas a beber.

Eis que, em verdade, assim vos diz o Senhor: Devido a maldades e desígnios que existem e virão a existir no coração de homens conspiradores nos últimos dias, eu vos adverti e previno-vos, dando-vos esta palavra de sabedoria por revelação — (D&C 89:4.)

Certamente Satanás está agindo por meio desses homens para o dano e a destruição de nossos semelhantes.

É claro que muitas dessas pessoas transitam numa sociedade respeitável e dita de alto padrão. Mas isso não muda o fato de que seu negócio é condenável e não deveria ser anunciado. O tráfico de morfina, de maconha, o roubo, o jogo, a prostituição e muitos outros males não têm permissão de ser anunciados. No entanto, em seus resultados nocivos, não superaria o tráfico de bebidas alcoólicas qualquer um desses negócios iníquos? Em justiça para com a juventude, os incautos e as pessoas em geral, não seria a eliminação de toda e qualquer forma de propaganda de bebidas alcoólicas o mínimo que podemos fazer nesta questão? Apoiemos sincera e integralmente o Projeto de Lei Capper, S265.

Irmãos e irmãs desta Igreja, por promessa e convênio estamos obrigados a servir a Deus e a trabalhar pelo bem de nossos semelhantes. Que sejamos fiéis às nossas obrigações, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Merrill, “O Problema da Bebida Alcoólica e sua Propaganda”, 1947 October General Conference, First Day Afternoon Session (1947-10-03). Pulpit Vault, 1947-10-joseph-f-merrill-conference-address. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).