Todo Membro um Missionário
Thomas E. McKay
Presidente Smith, conselheiros, meus irmãos e irmãs, fiquei impressionado com a oração de abertura desta sessão e, especialmente, com a música inspiradora oferecida pelo coro da Universidade Brigham Young, e também com os dois discursos muito oportunos e apropriados que ouvimos. ¶
Tenho sentido falta nesta conferência de meu irmão e colega, Élder Alma Sonne, agora presidente da Missão Europeia, e espero, irmãos e irmãs, que não vos esqueçais dele, que oreis por ele e pelos presidentes que trabalham com ele. Ele precisa de nossas orações. É um grande líder e é o homem certo no lugar certo. ¶
Uma Conferência de Estaca Notável ¶
No último sábado e domingo, 29 e 30 de março, tive o privilégio de assistir à conferência trimestral da Estaca Los Angeles. Em alguns aspectos, foi notável. Tiveram 47% do sacerdócio presente em sua sessão das nove horas. Cinquenta e nove por cento dos professores de ala estavam lá. Havia sido anunciado previamente que seria feita uma chamada das alas numa das sessões gerais; a sessão da noite, quando a chamada foi feita, mostrou a maior frequência já registrada à noite — vinte e cinco por cento de todos os membros estavam presentes. Em suas sessões das 10h30 tiveram números ainda maiores. Uma das alas teve quarenta e oito por cento de seus membros naquela sessão noturna. Perguntei a um bispo como ele conseguiu isso. Ele disse que o mérito era principalmente dos professores de ala. Ele os organiza em duplas, não mais de cinco famílias para cada dupla de professores. Durante o mês de março, em suas visitas, o membro mais jovem, que geralmente é um sacerdote ou um professor ordenado, estendeu um convite especial do bispo para que todos comparecessem a esta conferência. Ele anotou os nomes dos que precisavam de transporte e forneceu esses nomes ao presidente do comitê de transporte do Sacerdócio Aarônico adulto. Esse membro mais jovem também verificou, na conferência, quais de seus membros estavam presentes e quais não estavam, e na próxima visita terá algo a dizer, elogiando os que estiveram lá e contando aos que não foram o que perderam. Esse procedimento, entendo, também é seguido nas conferências de ala e nas reuniões sacramentais e do sacerdócio. Os professores mantêm registro dos membros das famílias sob sua supervisão que estão ausentes, especialmente os que servem à sua pátria. Sabem quem está desempregado ou passando por outras dificuldades, e relatam isso ao bispo. Recomendo esse método a todos os bispos. Tenho certeza de que muitos de vossos problemas seriam simplificados, e não estaríeis tão sobrecarregados como muitos de vós estão agora, se usásseis vossos professores de ala como o Senhor pretendia que fossem usados, para vigiar sempre a Igreja. ¶
A Conversão dos Pais por Meio de Missionários ¶
Outro aspecto desta conferência que muito me agradou foi o grande número de não membros, amigos e pesquisadores dos missionários de estaca presentes. Depois das duas sessões gerais, alguns dos missionários trouxeram um bom número desses não membros à frente, e tive o privilégio de apertar-lhes a mão e conversar com eles. Um jovem estava especialmente interessado na obra missionária. Havia viajado bastante. Dois dos membros da presidência, em particular, são amigos muito próximos meus, e tinham sido um tanto exagerados ao contar a esses não membros o número de missões que passei na Europa, e esse jovem disse: "O senhor certamente dedicou bastantes anos de sua vida à Igreja, e tenho certeza de que isso custou uma boa soma de dinheiro." Eu disse: "Sim, mas quando penso na maravilhosa vida familiar nestes belos vales das montanhas, e comparo as condições daqui com as condições da Europa, ainda estou em dívida, sim, muito em dívida com o Senhor." Contei-lhe sobre o sistema missionário de nossa Igreja, como desde o princípio temos enviado missionários a todo o mundo, assim como o Salvador fez quando esteve aqui pessoalmente; como dois desses missionários, lá nas terras altas da Escócia, encontraram meu pai, ainda jovem, e seus pais; como outros dois, no País de Gales, visitaram a casa de minha mãe, então uma menina, e seus pais; como ambas as famílias se filiaram à Igreja por volta da mesma época, atravessaram o oceano no mesmo ano, mas em navios diferentes; como passaram alguns meses no Leste se preparando para sua jornada de mil milhas pelas planícies, com bois e carroções cobertos; como atravessaram essas planícies no mesmo ano, mas em companhias diferentes; como chegaram ao vale do Lago Salgado e se aconselharam com alguns dos líderes, decidindo seguir para o norte, talvez até o vale de Cache, mas quando chegaram a Ogden, na junção dos rios Weber e Ogden, e viram aqueles grandes álamos-do-canadá, tão belos e convidativos, ambas as famílias decidiram estabelecer seus novos lares em Ogden; e foi ali que meu pai viu minha mãe pela primeira vez, sentada no timão de sua carroça coberta, e seu rosto sempre se iluminava quando ele acrescentava: "e nunca a esqueci." ¶
O Chamado Missionário de Seu Pai ¶
Esperaram até que ela completasse dezessete anos para se casarem. Subiram pelo pitoresco cânion de Ogden, estabeleceram-se no vale de Ogden, um dos lugares mais belos do mundo, e construíram juntos seu novo lar em Huntsville. Foi ali que dez filhos nasceram daquela bela mãe de olhos negros, digna, hoje um anjo. Quando já tinham cinco filhos, aquela terrível doença, a difteria, espalhou-se pelo vale e pelas cidades vizinhas. Naqueles dias, essas doenças contagiosas eram verdadeiras pragas. Mais de vinte jovens morreram somente em Huntsville naquele inverno; entre eles, nossas duas irmãs mais velhas, Margaret, de onze anos, e Lena, de nove. Morreram com poucos dias de diferença uma da outra e foram sepultadas na mesma sepultura. Tinham sido um tal conforto e ajuda para Mamãe que Papai, que sempre foi tão atencioso com o bem-estar dela, sofreu com a perda delas ainda mais do que Mamãe; teve dificuldade em se recompor. Foi apenas algumas semanas depois dessa tragédia que ele recebeu seu chamado para servir em uma missão. Ele iria, é claro. Nenhum outro pensamento lhe ocorreu, mas ir agora e deixar minha mãe em sua condição delicada, com três filhos pequenos, de sete, cinco e três anos, parecia impossível. Depois de se preocupar com esse assunto por alguns dias, decidiu pedir um adiamento de um ano. Quando contou a Mamãe o que pretendia fazer, ela compreendeu, é claro, que era por consideração a ela que ele não queria deixar o lar naquele momento. Mas seus olhos negros brilharam quando disse, com bondade, mas firmeza: "David, o Senhor te quer agora, não daqui a um ano, e ele pode cuidar de mim tão bem quando estiveres na Escócia quanto se estiveres à minha cabeceira. Vai agora." ¶
Haviam feito uma escavação no outono, em preparação para construir um anexo ao lar na primavera. Isso, é claro, teria de esperar. Meu pai também se lembrou de que não havia pagado o dízimo de seu trigo. Geralmente pagava o dízimo do grão quando o debulhava, mas por algum motivo — falta de sacos, creio eu — não havia pagado o dízimo do trigo, então decidiu ir ao celeiro e resolver isso. Com o primeiro balde de trigo que retirou, bateu no fundo do depósito. Ficou chocado! Pensou: "Se pagar meu dízimo, minha família não terá trigo suficiente para a semeadura da primavera e para a farinha até a próxima colheita." O pensamento começou a lhe vir: "Vou esperar e fazê-los pagar meu dízimo no outono, referente aos dois anos." Ele reconheceu de onde vinha aquele pensamento, então despejou aquele trigo nos sacos apressadamente e pagou um pouco mais do que devia. ¶
Ele partiu em 19 de abril para sua missão. No dia vinte e nove nasceu minha irmã Anne. Compreendeis agora por que foi tão difícil para ele partir justamente naquele momento. Enquanto ele estava nessa missão, fomos abençoados, e Mamãe se saiu muito bem. Quando ele retornou, ela, com muita ternura, e creio que com orgulho, colocou em seus braços um lindo bebê, um bebê já com mais de dois anos, que ele nunca tinha visto. O anexo à casa, conforme planejado anteriormente, também havia sido construído sem que ele soubesse de nada. Foi um retorno maravilhoso. ¶
O Valor da Experiência Missionária ¶
Muitos outros incidentes que eu poderia relatar, se tivesse tempo, ilustrariam que um missionário no campo é um bom investimento. Além disso, para o missionário, a experiência é inestimável: a própria viagem já é educativa; o missionário tem a oportunidade de conhecer toda sorte de pessoas, por vezes a oportunidade se apresenta de visitar outras igrejas, catedrais, museus, galerias de arte, e muitas vezes de assistir a óperas e peças de teatro. Somando-se a essas influências enriquecedoras a formação educacional encontrada em todas as comunidades "mórmons", logo entendemos por que dois destacados educadores puderam, num livro publicado recentemente, classificar Utah como o mais alto em desempenho educacional geral entre todos os estados. Dividiram os estados em cinco classificações: o mais alto, alto, médio, baixo e o mais baixo. Entre os dez mais altos, Utah ficou em primeiro lugar. ¶
Sim, esta é uma Igreja missionária, irmãos e irmãs. Sempre tivemos missionários. Mantivemos cerca de dois mil no campo até a guerra, e então, é claro, nossos missionários foram chamados de volta para casa. Seiscentos e noventa e nove deles foram evacuados somente das missões europeias; mas nossos militares — que Deus os abençoe — mais do que compensaram esse retorno. Quase todos eles têm sido missionários, pregando o evangelho por meio de seu exemplo de vida limpa, e então, desde a guerra, a Primeira Presidência tem chamado, em média, cerca de trezentos por mês. Agora, como nos foi dito ontem pelo Irmão Anderson no relatório estatístico, temos mais de três mil e duzentos missionários no campo, mil a mais do que a Igreja jamais teve antes. E também temos aproximadamente esse mesmo número de missionários de estaca, além de centenas de missionários locais chamados nas próprias missões. Sim, somos todos missionários. Gostaria que adotássemos o lema que tínhamos no campo missionário: "Todo membro um missionário." Nem todos podemos ir para o campo missionário, mas, ah, irmãos e irmãs, todos podemos pregar o evangelho por nosso exemplo. ¶
Que o Senhor nos ajude e nos abençoe com fé e força de vontade suficientes para que vivamos de tal maneira que se diga de nós, não apenas que cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, mas também que somos honestos, que somos verdadeiros, que somos castos, que somos benevolentes, que somos virtuosos, e que amamos o nosso próximo como a nós mesmos, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶